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Com risco de blecaute, TCU banca leilão de capacidade

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Com risco de blecaute, TCU banca leilão de capacidade

Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) estão recomendando que a corte não interfira no leilão de capacidade de energia desta quarta-feira, avaliando que um atraso na licitação aumentaria o risco de blecautes.

A conclusão vem após a própria auditoria especializada do TCU levantar questionamentos à decisão do Ministério de Minas e Energia de praticamente dobrar os preços-teto para contratação de termelétricas a gás no certame. 

O relatório que sugere manter a licitação foi enviado ao ministro Jorge Oliveira, o relator do processo sobre o evento no tribunal. 

O leilão, discutido há tempos entre técnicos do setor e o Governo, visa renovar contratos de usinas existentes e viabilizar novos projetos para atender principalmente picos de demanda de energia no final da tarde, quando o consumo aumenta e a geração solar sai do sistema. 

O ministério de Alexandre Silveira divulgou os preços-teto para a concorrência em 10 de fevereiro. Os valores para termelétricas a gás foram imediatamente questionados pelas empresas de energia e pelo mercado financeiro, o que levou o Governo a admitir necessidade de “correção”, aumentando os valores em até 100% dois dias depois. 

O movimento errático do Governo levou técnicos do TCU a questionarem se havia “adequada fundamentação técnica” para as mudanças, que em tese aumentam custos para os consumidores. 

No processo aberto pelo TCU para averiguar o caso, o ONS, um órgão técnico responsável pela operação do sistema elétrico, alertou que não realizar o leilão agora poderia “comprometer o atendimento à ponta de carga noturna.” 

O “risco implícito de insuficiência de oferta de potência” no sistema elétrico atingiria até 27% já neste ano sem a licitação, aumentando para 44,7% em 2027, para 74% em 2028, e chegando impressionantes 93% em 2029, apontou o ONS num relatório visto pelo Brazil Journal.

Neste cenário, para reduzir riscos de blecautes, o ONS recomendou alternativas incluindo até a implementação do horário de verão em 2026, embora ressaltando que a medida teria “impacto em vários setores econômicos.”

Levando em consideração esses argumentos, os auditores do TCU entenderam que “não se mostra conveniente a adoção de medidas imediatas por esta corte antes da realização do leilão.” 

A sugestão da área técnica é de que o tribunal faça uma análise posterior, “pois atrasos na contratação poderiam ampliar sobremaneira os riscos associados ao atendimento da demanda por potência nos próximos anos.”

Em seu relatório, porém, a auditoria do TCU pontuou que “permanecem fragilidades na metodologia de definição dos preços-teto, evidenciando oportunidade de aprimoramento para futuros leilões.” 

A manutenção do evento nesta quarta-feira deve ser recebida por alívio por empresas como Eneva, Âmbar e até a Petrobras, que inscreveram diversos projetos termelétricos para a concorrência.

Nos bastidores do setor, a expectativa é de que o leilão seja o maior já realizado na história da indústria brasileira de energia.

Fontes citam projeção de que os projetos contratados possam somar até 20 gigawatts em capacidade, quase o dobro da hidrelétrica de Belo Monte, de 11 gigawatts, em 2010, atual recordista em volumes na história das licitações públicas de novos projetos de energia. 

A necessidade de mais usinas que possam agregar capacidade ao sistema para atender aos picos de demanda noturnos está associada ao rápido crescimento da geração solar nos últimos anos, incluindo com a disseminação de sistemas solares em telhados de residências. 

O leilão desta quarta-feira vai contratar termelétricas a gás e carvão mineral, além de projetos de expansão de hidrelétricas. Empresas como AXIA Energia, Engie e Copel devem disputar os contratos para usinas hídricas. 

Na sexta-feira, haverá mais uma rodada, para térmicas a óleo e biodiesel. O Governo também pretende realizar, ainda neste ano, um pregão inédito no País para viabilizar projetos de armazenamento de energia com baterias.




Luciano Costa




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tarifa de R$ 700 para ônibus da Copa vira guerra política nos EUA

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tarifa de R$ 700 para ônibus da Copa vira guerra política nos EUA

A decisão de Nova Jersey de cobrar US$ 150 (cerca de R$ 750) pelo transporte de ida e volta para os jogos da Copa do Mundo terá um “efeito inibidor” sobre os torcedores, alertou a Fifa, já que a tarifa representa um aumento de 10 vezes em relação aos US$ 15 usuais para a rota.

O salto drástico no preço eleva ainda mais o custo para quem vai aos jogos da Copa do Mundo nos Estados Unidos, cujos ingressos podem chegar a milhares de dólares, especialmente no mercado de revenda. O MetLife Stadium sediará oito partidas, incluindo a final de 19 de julho.

O presidente-executivo da New Jersey Transit, Kris Kolluri, defendeu os novos preços, citando o maior volume de passageiros — devido ao fechamento do estacionamento público ao redor do estádio — e o aumento dos custos decorrentes das exigências de segurança da Copa do Mundo.

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Heimo Schirgi, diretor de operações da Copa do Mundo de 2026, disse que o aumento forçará os torcedores a buscar alternativas.

“O atual modelo de preços da NJ Transit terá um efeito inibidor. Tarifas elevadas inevitavelmente empurram os torcedores para opções alternativas de transporte”, afirmou Schirgi em comunicado.

“Isso aumenta as preocupações com congestionamentos, chegadas tardias e cria efeitos em cascata mais amplos que, em última análise, reduzem o benefício econômico e o legado duradouro que toda a região pode obter com a realização da Copa do Mundo.”

“Além disso, estabelecer arbitrariamente preços elevados e exigir que a Fifa absorva esses custos não tem precedentes. Nenhum outro evento global, show ou grande promotor esportivo enfrentou tal exigência.”

Governadora diz que “Fifa deve pagar”

A governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, disse anteriormente que a NJ Transit havia sido “deixada com uma conta de US$ 48 milhões” para garantir a segurança dos torcedores, enquanto a Fifa estaria arrecadando US$ 11 bilhões.

“Não vou deixar que os passageiros de Nova Jersey paguem essa conta pelos próximos anos. A Fifa deve pagar pelas viagens”, afirmou Sherrill.

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A Fifa contestou a declaração da governadora, dizendo que os US$ 11 bilhões se referem à receita, não ao lucro.

“A Fifa sempre foi uma organização sem fins lucrativos, de acordo com nossos estatutos. As receitas da Copa do Mundo são reinvestidas no desenvolvimento do futebol, especialmente para jovens e mulheres, em todo o mundo”, acrescentou Schirgi.

“Por fim, aplaudimos nossos parceiros das cidades-sede em todo o país, que abraçaram a oportunidade de mostrar suas regiões aos visitantes, oferecendo tarifas de baixo custo — e muitas vezes inalteradas — para o transporte coletivo.”

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Viés do Ibovespa segue positivo por percepção sobre fluxo estrangeiro

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Viés do Ibovespa segue positivo por percepção sobre fluxo estrangeiro

Com os investidores domésticos ainda um tanto ressabiados, e contidos por uma taxa de juros real ainda muito atrativa, o fluxo de compras para a Bolsa segue sustentado pelo ingresso estrangeiro líquido, fundamental, como no fim do ano passado, para a sucessão de recordes empreendida pelo Ibovespa entre meados de janeiro e o fim de fevereiro, e retomada agora, em abril.

Bruno Takeo, estrategista da Potenza, avalia que o investidor internacional tem mantido avaliação positiva sobre o Brasil, o que, na sua visão, abre espaço para novas altas do Ibovespa. “O estrangeiro vê o Brasil com bons olhos, mesmo com a eleição”, diz.

Para Takeo, o mercado externo tende a olhar mais para a direção da política econômica do que para o nome do vencedor em 2026. “Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, é mais do mesmo. Se mudar, pode melhorar.”.

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A proximidade do Ibovespa dos 200 mil pontos abre espaço para o principal indicador da B3 buscar a região de 220 mil a 225 mil pontos, potencialmente com a eleição – ou até acima disso – se os vetores atuais permanecerem, na avaliação de Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

Segundo ele, o Ibovespa vive um bull market sólido, iniciado por volta de maio de 2025, sem sinais claros de reversão – embora em meio, crescentemente, a um ambiente de forte volatilidade. Mollo aponta combinação de alguns gatilhos que ainda sustentam a tendência de alta do índice e que ajudam a explicar por que o Brasil tem atraído fluxo estrangeiro mesmo em cenário global tornado mais incerto pela tensão geopolítica.

Segundo o analista da Daycoval, o principal vetor é o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Com a taxa doméstica ainda elevada, investidores internacionais têm direcionado capital ao País em busca de remuneração: parte fica em renda fixa e outra parcela migra para a Bolsa. “Nesse cenário, o dinheiro tem saído dos EUA para o Brasil”, resume. A dinâmica ganha força à medida que a inflação global volta a pressionar, reduzindo o espaço para cortes de juros nas economias desenvolvidas.

Outro elemento relevante, na leitura do analista, é o peso do petróleo na composição do Ibovespa. Com a alta da commodity, o mercado brasileiro – bastante exposto a empresas do setor, como Petrobras e companhias juniores de exploração e produção – tende a capturar parte desse movimento. Ao mesmo tempo, a magnitude da valorização do petróleo tem contribuído para a desvalorização do dólar futuro no Brasil, o que também influencia o posicionamento de investidores, diz.

No cenário doméstico, Mollo destaca que o País tem se diferenciado de outros emergentes ao combinar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), desemprego baixo e inflação ainda relativamente próxima da meta. Esse conjunto, somado ao carrego proporcionado pelos juros altos, tem colocado o Brasil como uma espécie de “porto seguro” relativo dentro do universo emergente, especialmente enquanto persistirem as incertezas externas, como a guerra e seus efeitos sobre energia e preços, na visão do analista da Daycoval Corretora.

Selic

Para a política monetária, Mollo espera um corte de 0,25 ponto porcentual, mas chama atenção para a possibilidade de o Banco Central sinalizar pausa para reavaliar os impactos do petróleo sobre a inflação. Se o “gap” de juros entre Brasil e economias desenvolvidas continuar alto por mais tempo, acredita que a tendência é que o fluxo estrangeiro siga favorecendo o mercado brasileiro.

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No radar, a eleição aparece como um fator relevante, mas não necessariamente o principal foco de estresse no curto prazo, na visão de Mollo. Conforme ele, apesar de acirrada e polarizada, a disputa tem se desenrolado com volatilidade menor do que em outros anos, com dois candidatos vistos como mais moderados. Ainda assim, ele ressalta que o tema decisivo para o investidor será o fiscal. Segundo o analista, qualquer que seja o vencedor, será necessário apresentar uma solução “concreta” para a trajetória da dívida pública.

Ele também chama atenção para uma possível rotação setorial na B3. Em caso de mudança no quadro político ou de percepção sobre estatais, Petrobras poderia sofrer uma realização mais forte e parte do dinheiro migraria para setores domésticos que ainda estariam “defasados”, como construção civil, varejo e bancos. Mollo, porém, não vê uma fuga estrutural de investimentos, mas sim realocações internas conforme a mudança do ambiente.

Quanto às ações de bancos, a leitura é de que os juros altos podem pesar, mas compensar por meio da melhora do spread. Já o varejo “ainda não andou muito” e tenderia a reagir de forma mais consistente quando os juros começarem a cair com mais força – movimento que, na visão dele, depende da redução das incertezas globais, com a guerra passando a segundo plano.

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Por fim, Mollo observa que mudanças de postura no cenário internacional – como uma alteração de orientação política nos EUA – podem seguir como fonte importante de volatilidade, elevando o prêmio de risco e tornando mais difícil projetar movimentos com precisão. Ainda assim, ele resume o momento com uma diretriz: apesar do ruído, a tendência do Ibovespa continua a ser de alta, e o bull market prossegue sólido e consistente.

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Sangue frio na crise: os retornos do crédito privado no Brasil

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Sangue frio na crise: os retornos do crédito privado no Brasil

Assim como na Bolsa, investir em crédito privado quando “há sangue nas ruas” é a estratégia mais rentável, segundo a JGP.

Analisando o retorno das debêntures mais líquidas do mercado desde 2017– reunidas em seu índice proprietário, o IDEX – a gestora calculou que o spread médio das emissões nesse período foi de 1,57% (acima do CDI). 

Quem investiu nos momentos de euforia, quando os spreads estavam no quartil mais baixo da amostra, abaixo de 1,04%, teve um rendimento levemente inferior ao CDI.

Já os investidores que aplicaram nos momentos de estresse – depois dos defaults de Americanas e Light, por exemplo – pegaram spreads mais altos, superiores a 1,82%. Com isso, o retorno médio foi de 4,37% acima do CDI.

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“Isso mostra que o ponto do ciclo importa,” Alexandre Muller, o CIO da JGP Crédito, disse ao Brazil Journal. “Por mais que haja riscos, é melhor entrar no mercado quando os spreads estão altos.”

É o caso agora, quando os spreads abriram – hoje eles estão, na média, em 1,9% – depois do default da Ambipar e das recuperações extrajudiciais de Raízen e Pão de Açúcar. 

Os investidores, porém, estão indo na direção oposta. Segundo a JGP, os fundos que investem mais de 50% da carteira em crédito tiveram resgates líquidos de R$ 42 bilhões entre fevereiro e 10 de abril.

O mesmo aconteceu em 2023: de janeiro a maio daquele ano, depois dos impactos de Americanas e Light, os saques somaram R$ 51 bilhões. 

Mesmo contabilizando os prejuízos dos investidores com REs, RJs e defaults, a rentabilidade média das debêntures analisadas pela JGP desde 2017 foi de CDI + 1,04%. 

“Não deixou ninguém rico, mas a classe é essa e deve ser vista como mais um tipo de investimento numa composição de portfólio,” disse Muller. “É como uma boa dieta, precisa ser equilibrada.”

Neste ano, porém, o retorno médio das debêntures está horrível: 2,60% abaixo do CDI. Segundo Muller, os problemas de crédito respondem por apenas 0,4 ponto percentual desse retorno negativo. O grosso se deve à marcação a mercado em razão dos saques nos fundos, que levaram à abertura dos spreads.

Mas já foi bem pior: em 2023, os eventos de Americanas e Light drenaram 3,7 pontos da rentabilidade média total do segmento. Naquele ano, as debêntures acompanhadas pelo IDEX tiveram um retorno médio de 10,2% contra um CDI de 13% no ano. 




Giuliana Napolitano




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