No dia 28 de setembro, a BMW anunciou o recall de 196.355 veículos nos Estados Unidos. A ação se deu devido a uma falha que pode provocar curto-circuito e risco de incêndio. O problema foi identificado no relé do motor de arranque, que pode sofrer corrosão e levar ao superaquecimento do sistema. A informação é da Administração Nacional de Segurança do Tráfego nas Estradas (NHTSA).
Já na China, a Xiaomi Corp, gigante chinesa de tecnologia, realizará um recall de cerca de 117 mil sedãs elétricos SU7. O objetivo é corrigir falhas de segurança no sistema de assistência ao motorista. Este será o maior recall da montadora desde o lançamento do modelo no ano passado, afetando veículos fabricados antes de 30 de agosto de 2025. A informação é da SAMR (Administração Estatal de Regulação do Mercado). O número corresponde a cerca de 1/3 das vendas totais do modelo.
Por sua vez, no Brasil, recentemente, a Stellantis anunciou um recall. No caso, o chamado foi para os SUVs Peugeot 208, Citroën C3 Aircross e Basalt, além da picape Fiat Titano. Em síntese, o recall foi anunciado devido à necessidade de troca de componentes que podem causar vazamento de gases, disparo acidental do airbag e risco de incêndio. Os defeitos afetam os modelos 2025 dos SUVs franceses, nos quais foi identificado um problema no coletor de admissão que pode levar à obstrução. Se isso acontecer, o defeito pode acarretar na evaporação de gases.
Recall e defesa do consumidor
O assunto recall (aviso de risco) chama atenção do ponto de vista da defesa do consumidor. Em resumo, ele é bem importante pois envolve, em primeiro lugar, a segurança dos veículos que circulam nas vias. E, em segundo lugar, a responsabilidade das montadoras em garantir a integridade dos seus produtos.
O termo recall é uma palavra inglesa que diz respeito a uma solicitação de devolução de um lote ou de uma linha inteira de produtos feita pelo próprio fabricante. Geralmente, isto ocorre pela descoberta de problemas relativos à segurança do produto. Em síntese, o recall é a convocação feita pelo fabricante para que um defeito que possa afetar a saúde ou a segurança dos usuários seja reparado gratuitamente. No Brasil, essa prática está prevista no Código de Defesa do Consumidor(CDC). No setor automotivo, ela é regulamentada também pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
Aumento de recall
Mariane Ferri, do Finocchio e Ustra Sociedade de Advogados.
Apesar da relevância do recall, os dados mostram que esse fenômeno se tornou uma realidade preocupante na indústria automotiva nacional. Isso por conta do aumento de convocações. Segundo informações da Senatran, entre janeiro e outubro de 2024, foram convocados 999.393 veículos para recall no Brasil. Só para exemplificar, esse número dá uma média de 3,3 mil carros por dia. E o montante superou o total do ano anterior, que registrou 975.234 veículos convocados.
Mariane Ferri, advogada da área Contratual e de Negociação Estratégica do Finocchio e Ustra Sociedade de Advogados, comenta que esse desafio não é novo. Ela então lembra que, entre 2014 e 2018, foram realizadas 517 campanhas de recall apenas no setor de automóveis. No período, 9,5 milhões de proprietários de veículos foram convocados. “Sabe o que é mais preocupante? Estima-se que menos da metade dos consumidores, cerca de 48%, atendeu ao chamado.”
Consumidor não atende ao recall
Isso significa que milhões de carros continuam circulando em situações de risco. De acordo com a Senatran, em setembro de 2024, havia 3,4 milhões de recalls pendentes no País, envolvendo veículos que não passaram pelo reparo obrigatório. Esses números evidenciam não apenas a frequência dos recalls, mas também o passivo de segurança viária gerado por falhas na cadeia de produção.
Ademais, a falta de ação por parte dos proprietários, muitas vezes motivada pela falta de informação ou pela subestimativa dos riscos, contribui para a perpetuação desse cenário alarmante.
Recall e inadimplência: o que tem a ver?
A produção de um automóvel envolve uma cadeia de suprimentos complexa e globalizada, que conta com diferentes níveis de fornecedores. Os chamados Tier 1 fornecem sistemas completos, como freios e transmissões, enquanto os Tier 2 e Tier 3 entregam componentes básicos, como peças metálicas e eletrônicos. Analogamente, quando um elo dessa cadeia apresenta problemas, toda a estrutura é afetada. Por exemplo, um lote de aço com falha pode comprometer a segurança de peças essenciais, e semicondutores defeituosos podem impedir o acionamento de airbags.
“Desse modo, o cenário econômico atual do Brasil aumenta esse risco. Muitas empresas dos Tiers 2 e 3 enfrentam dificuldades financeiras, como inadimplência e restrição de crédito. Isso as torna mais suscetíveis a atrasos nas entregas e à redução dos controles de qualidade, o que pode resultar em recalls massivos. Essa situação pode, surpreendentemente, resultar em recalls em massa, colocando em risco a segurança dos consumidores. Mariane Ferri adverte: “Em um modelo just in time, qualquer falha no fornecimento gera um efeito dominó. Se o Tier 1 não consegue entregar, a montadora para a produção e os consumidores ficam expostos a riscos”.
Monitoramento
Luis Felipe Dalmedico Silveira, do Finocchio e Ustra Sociedade de Advogados.
Nesse ínterim, diante desse panorama, adotar práticas de monitoramento contínuo junto aos fornecedores se torna uma necessidade urgente. Adue diligence, nesse contexto, se destaca como uma ferramenta essencial. Mas, o que é a due diligence e como ela pode impactar o consumidor positivamente?
A saber, due diligence diz respeito a uma avaliação detalhada da estrutura financeira, operacional e processual das empresas fornecedoras, permitindo entender a real situação de cada uma e mensurar o risco de interrupção no fornecimento.
Luis Felipe Dalmedico Silveira é sócio da área Contratual e de Negociação Estratégica do Finocchio e Ustra Sociedade de Advogados. Ele ressalta que “uma due diligence eficaz deve ir além da simples conferência documental”. Em seu parecer, ela é uma ferramenta de gestão de risco que ajuda a antecipar problemas.
Ou seja, para que esse processo de monitoramento funcione de maneira eficaz, é fundamental considerar fatores como a saúde financeira dos fornecedores, a conformidade tributária e potenciais passivos relacionados a falhas de qualidade. “Detectar precocemente problemas como a dependência excessiva de um único cliente ou deficiências nas certificações de qualidade é crucial para evitar rupturas que possam levar a recalls e inadimplementos contratuais”, orienta o especialista.
Minimizando o passivo de recalls
Por fim, para Luis Felipe, na indústria automotiva brasileira, que desempenha um papel vital na economia e na segurança de milhões de pessoas, é imperativo incorporar a due diligence como uma prática estratégica. Focar apenas no Tier 1 já não é suficiente. Já Mariane enfatiza que “é nos fornecedores de base que estão os riscos menos visíveis, mas que têm grande potencial de desencadear falhas”.
Fortalecer essa análise não apenas ajuda a reduzir as rupturas na cadeia fornecedora, mas também minimiza o passivo de recalls e preserva a confiança do consumidor, protegendo a reputação de marcas consolidadas. A proteção do consumidor e a segurança viária são desafios que exigem seriedade e planejamento. Em tempos de incerteza econômica, quem não se adapta pode ficar para trás. Portanto, é hora de olhar para a cadeia de suprimentos de forma mais ampla e estratégica.
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A Restaurant Brands International (RBI) concluiu um acordo previamente anunciado com a gestora asiática CPE para expandir a operação do Burger King China. Com o fechamento da transação, a CPE investiu US$ 350 milhões em capital primário na joint venture e passou a deter aproximadamente 83% da operação na China. A RBI manteve uma participação minoritária de 17% e um assento no conselho de administração.
Além disso, uma afiliada integral do Burger King China firmou um contrato-mestre de desenvolvimento com duração de 20 anos, que concede direitos exclusivos para desenvolver a marca Burger King no país. Com isso, CPE e RBI planejam ampliar a rede de restaurantes na China de cerca de 1.250 unidades atualmente para mais de 4.000 até 2035.
Leia também: Burger King colocará operações na Argentina à venda
Segundo a RBI, a parceria internacional combina a marca e os produtos globais do Burger King com a experiência local da CPE no mercado chinês. A rede Burger King opera atualmente mais de 19 mil restaurantes em mais de 120 países e territórios.
Em comunicado, o CEO da RBI, Josh Kobza, afirmou que a China segue como um mercado estratégico para a marca. “A China continua sendo uma das mais importantes oportunidades de crescimento de longo prazo para a marca Burger King no mundo. Com a CPE como parceira e uma estratégia clara focada em qualidade dos alimentos, execução nas operações e relevância da marca, acreditamos que o Burger King China está bem posicionado para construir um negócio sustentável e de alta qualidade”, disse.
Mesmo com popularização das datas duplas, brasileiros ainda preferem Black FridayO aiqfome realizou, no dia 2 de fevereiro, uma campanha nacional com frete grátis como parte de sua estratégia comercial para datas duplas. A ação foi válida em mais de 20 estados brasileiros e contemplou não apenas restaurantes, mas também categorias como supermercados, farmácias, pet shops e outros serviços disponíveis na plataforma.
Durante a campanha, o aplicativo liberou cupons de entrega gratuita para todos os usuários, além de descontos adicionais em diferentes lojas, ampliando as possibilidades de consumo ao longo do dia. A iniciativa buscou estimular tanto novos pedidos quanto a experimentação de categorias além da alimentação, como compras de mercado e pedidos de botijão de gás.
Segundo Igor Remigio, cofundador e CEO do aiqfome, o frete grátis teve papel decisivo na escolha do consumidor e contribuiu para aumentar as vendas e a fidelização. De acordo com o executivo, ações pontuais como essa incentivam usuários a conhecer novas lojas e produtos, tornando as datas com números repetidos um marco no calendário promocional anual da empresa.
“Oferecer entrega grátis em datas pontuais como essa, pode ser uma boa estratégia para aumentar as vendas e fidelizar clientes. De uma forma comum e totalmente orgânica, o cliente que nunca pediu naquela loja, cogita conhecer um novo prato ou pedir um novo item com essa vantagem financeira. O 02/02 não é só para restaurantes, o usuário pode aproveitar para realizar, inclusive, um pedido de botijão de gás, mercado, farmácia, pet shop, ou qualquer outra categoria com a entrega zerada. A ideia é transformar as datas iguais em um marco dentro do nosso calendário promocional anual”, ressalta Remigio.
Os perfumes árabes vêm conquistando espaço no mercado global de fragrâncias e, nos últimos anos, tornaram-se uma forte tendência também no varejo brasileiro. Conhecidos por sua intensidade, fixação prolongada e composições sofisticadas, esses perfumes carregam séculos de tradição cultural e um apelo de luxo que desperta o interesse de consumidores cada vez mais exigentes.
Para lojistas e profissionais do varejo, entender o que são os perfumes árabes, quais são suas principais características e por que eles têm tanta aceitação no mercado é essencial para aproveitar esse movimento de consumo.
O que são perfumes árabes?
Os perfumes árabes têm origem no Oriente Médio, especialmente em países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã e Kuwait. Diferentemente da perfumaria ocidental, que costuma priorizar fragrâncias mais leves e frescas, a perfumaria árabe valoriza aromas intensos, marcantes e profundamente sensoriais.
Esses perfumes são inspirados em rituais antigos, na hospitalidade árabe e na relação histórica da região com especiarias, resinas, madeiras nobres e óleos essenciais. O uso do perfume no mundo árabe vai além da estética: ele está ligado à identidade, à espiritualidade e à celebração.
Principais características dos perfumes árabes
Uma das primeiras diferenças percebidas por quem experimenta um perfume árabe é a sua alta concentração de essência. Muitos deles são produzidos como eau de parfum, extrait de parfum ou até mesmo em óleo, o que garante maior fixação e projeção.
Entre as principais características, destacam-se:
Fixação prolongada: é comum que a fragrância permaneça na pele por mais de 8 a 12 horas.
Projeção intensa: são perfumes que “marcam presença”, ideais para quem gosta de aromas envolventes.
Notas quentes e profundas: predominam acordes amadeirados, orientais e adocicados.
Composição sofisticada: uso frequente de matérias-primas nobres e combinações complexas.
Ingredientes mais comuns na perfumaria árabe
Os perfumes árabes se destacam pelo uso de ingredientes tradicionais do Oriente Médio, muitos deles pouco explorados na perfumaria ocidental. Entre os mais comuns, estão:
Oud (agarwood): considerado um dos ingredientes mais valiosos da perfumaria mundial, tem aroma amadeirado, intenso e levemente esfumaçado.
Âmbar: traz calor, profundidade e sensualidade às fragrâncias.
Almíscar: confere fixação e um toque aveludado.
Rosa de Damasco: muito utilizada em perfumes árabes femininos e unissex.
Especiarias: como açafrão, canela, noz-moscada e cardamomo.
Baunilha: geralmente combinada com madeiras e resinas, criando perfumes adocicados e envolventes.
Perfumes árabes femininos, masculinos e unissex
Embora exista uma segmentação por gênero, é importante destacar que a perfumaria árabe tradicionalmente trabalha muito bem com fragrâncias unissex. No Oriente Médio, o perfume é visto como uma extensão da personalidade, não como um produto limitado por gênero.
Femininos: costumam destacar notas florais intensas (como rosa e jasmim), combinadas com âmbar, baunilha e madeiras.
Masculinos: valorizam o oud, couro, especiarias e acordes amadeirados mais secos.
Unissex: equilibram dulçor, madeira e especiarias, sendo uma categoria em forte crescimento no varejo.
Por que esses perfumes estão em alta no Brasil?
O crescimento da demanda por perfumes árabes no Brasil está ligado a diferentes fatores. Um deles é o cansaço do consumidor com fragrâncias muito similares no mercado tradicional. Os perfumes árabes oferecem algo diferente: identidade, intensidade e originalidade.
Além disso, redes sociais como TikTok e Instagram impulsionaram essa tendência. Vídeos de resenhas, comparações e “perfumes que exalam riqueza” popularizaram marcas árabes e despertaram a curiosidade de novos consumidores.
Outro ponto relevante é o excelente custo-benefício. Muitas marcas árabes entregam fragrâncias com alta fixação e sofisticação por preços mais competitivos do que perfumes importados de grifes europeias.
Principais marcas de perfumes árabes no mercado
Atualmente, algumas marcas se destacam no varejo internacional e brasileiro, como:
Essas marcas oferecem portfólios amplos, com perfumes inspirados em fragrâncias famosas e também criações autorais, atendendo desde o consumidor iniciante até o mais exigente.
Oportunidades para o varejo físico e online
Para o varejo, os perfumes árabes representam uma oportunidade estratégica de diferenciação. Eles atraem um público interessado em novidades, luxo acessível e experiências sensoriais mais intensas.
No varejo físico, o ideal é investir em:
Provadores e testers
Treinamento da equipe para explicar notas e fixação
Exposição que valorize o apelo sofisticado do produto
No e-commerce, as seguintes estratégias podem aumentar a taxa de conversão:
Descrições detalhadas de fragrância
Conteúdo educativo (blogs e vídeos)
SEO focado em termos como “perfume árabe feminino”, “perfume árabe importado” e “perfume árabe fixação alta”
Perfumes árabes e o futuro da perfumaria no varejo
A ascensão dos perfumes árabes indica uma mudança no comportamento do consumidor, que busca mais personalidade, exclusividade e intensidade. Para o varejo, acompanhar essa tendência é uma forma de se manter relevante em um mercado cada vez mais competitivo.
Com tradição, inovação e forte apelo sensorial, os perfumes árabes deixaram de ser um nicho e se consolidam como uma categoria estratégica para lojistas que desejam ampliar seu mix de produtos e atender a novas demandas de consumo.