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Na CSN, Benjamin jura que vai vender ativos – e rápido

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Na CSN, Benjamin jura que vai vender ativos – e rápido

Após garantir um empréstimo de até US$ 1,4 bilhão para equacionar sua dívida de curto prazo, a CSN disse que vai vender a CSN Cimentos e uma participação minoritária em seu negócio de infraestrutura. 

Mas para alguns gestores, a dúvida é a mesma de sempre: assim como em outros momentos, será que Benjamin Steinbruch não vai usar esse respiro para postergar a venda de ativos?

O próprio Benjamin jura que não.

“Vamos vender! Não há dúvidas em relação a isso. Temos que ser realistas com o atual nível dos juros,” ele disse ao Brazil Journal

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Minutos depois da entrevista, enviou um WhatsApp ao repórter: “Capricha! Temos que mostrar o Benjamin vendedor.” 

Segundo o empresário, nos próximos 30 dias devem ser finalizados os MOUs com os potenciais compradores, e uma shortlist deve vir dois meses depois.

Benjamin não confirma, mas até agora três grupos chineses já assinaram um MOU para a operação da CSN Cimentos. A J&F Investimentos, dos irmãos Batista, estaria correndo por fora.

“A CSN realmente trocou mandato por empréstimo. Agora, a meta é fechar as vendas antes da eleição,” disse um banco que lida com o empresário.

Já em infraestrutura, o perfil é mais claro: fundos e parceiros estratégicos interessados na fatia de até 40% que a CSN quer vender na ferrovia MRS, o terminal portuário Tecar, o terminal de contêineres no porto de Itaguaí, e o Grupo Tora, de transporte rodoviário.

“A infraestrutura tem condição de andar mais rápido porque é uma venda parcial e os investidores são conhecidos,” disse um banqueiro.

Internamente, a CSN está confiante de que vai levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, como anunciado em janeiro

“Os múltiplos são conhecidos e a CSN tem a certeza do valor,” disse uma fonte que participa das conversas. 

Enquanto as vendas não acontecem, a CSN levantou um empréstimo sindicalizado de até US$ 1,4 bilhão, com taxa atrelada ao juro dos EUA + 6% e prazo de cinco anos.

A operação antecipa parte dos recursos esperados com os desinvestimentos e será garantida pelos ativos que estão à venda.

“Foi importante porque é um passo para mostrar ao mercado que a gente está executando o plano,” disse Benjamin. 

Mas no mercado de crédito, a leitura é ambígua.

As debêntures da CSN seguem pressionadas – e até a CSN Mineração, considerada a joia do grupo, sofreu uma forte queda, com as debêntures chegando a negociar a cerca de 60% do valor de face antes de melhorar um pouco.

“Se vender é positivo. Se não vender, isso cria uma dívida sênior na frente dos outros credores. Isso vem impactando o preço das debêntures,” disse um gestor de crédito.

Tanto os papéis de dívida quanto as ações se recuperaram um pouco esta semana após a notícia do empréstimo, mas a ação permanece 35% abaixo do high deste ano, em janeiro; a ação também foi afetada pelo selloff causado pela guerra no Irã. 

A CSN fechou o quarto tri com alavancagem de 3,47x – uma alta de 0,34x em relação ao tri anterior.

Benjamin trata o empréstimo como um passo tático – não como solução definitiva.

Para ele, os oito bancos envolvidos – incluindo Morgan Stanley, Citi, HSBC, BB e Bradesco – reforçam a “bancabilidade” da companhia.

Enquanto isso, os gestores esperam.

“A empresa garantiu o caixa para os vencimentos de 2026 e 2027, mas está todo mundo esperando avançar a venda para voltar a olhar para os papéis,” disse um gestor que tem créditos da CSN.




André Jankavski




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Goldman espera distribuidoras com margens mais altas na 1ª metade do ano

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Goldman espera distribuidoras com margens mais altas na 1ª metade do ano

O Goldman Sachs está com boas expectativas para as distribuidoras de combustíveis em sua cobertura. De acordo com os analistas, tanto Vibra Energia (VBBR3) quanto Ipiranga, da Ultrapar (UGPA3), deverão apresentar margens de distribuição maiores ao longo do primeiro semestre de 2026. O crescimento esperado deve se iniciar no primeiro trimestre e manter níveis semelhantes no segundo.

A estimativa do banco está 12% acima do consenso da Bloomberg em nível de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do 1T26 para Vibra e 4% acima para Ultrapar. A preferência do banco se mantém com a Vibra por, de acordo com os analistas, seu perfil pure-play em um contexto de maior escrutínio sobre competição desleal no setor.

Considerando os dados do quarto trimestre, o Goldman ajustou os volumes de vendas de combustíveis esperados para 2026 da Vibra, para -2%. As margens de Ebitda ajustado subiram 6% e 4% para os anos de 2026 e 2027.

O mesmo ajuste foi realizado com Ultrapar, com um volume esperado para a Ipiranga de -1% para o ano. A margem Ebitda ficou em +6% para 2026 e +1% para 2027.

Cenário nacional

Inicialmente, os analistas esperavam um efeito negativo com o excesso de oferta no mercado durante o início do ano. O que aconteceu, por outro lado, foi uma mudança de foco.

De acordo com o banco, os volumes de vendas nos últimos meses apresentaram uma movimento em que os maiores participantes perderam participação de mercado para distribuidores menores/não bandeirados. Para os analistas, esse movimento indicou uma mudança do foco para rentabilidade, em vez de volume.

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Ao mesmo tempo, a Petrobras (PETR3;PETR4) tem praticado preços de combustíveis abaixo das referências internacionais desde o início de março. Com o valor mais baixo, grandes players tiveram maior acesso ao suprimento das refinarias da petroleira.

Recomendação Preço-alvo
Vibra Energia Compra R$ 38,00
Ultrapar Neutro R$ 31,60
Esentia Compra MXN 75,00

Diesel no Brasil

Atualmente, conforme a análise do Goldman, a Petrobras tem cobrado preços de diesel cerca de 30% abaixo do benchmark internacional. De acordo com os analistas, qualquer qualquer aumento de preços pode se traduzir em ganhos de estoque para as distribuidoras de combustíveis cobertas no 2T.

Como tem mostrado o noticiário recente, o cenário atual de conflito no Oriente Médio tem levantado preocupações acerca do abastecimento de diesel no Brasil. De acordo com o banco, ainda que as verificações indiquem que o mercado está relativamente abastecido para a demanda de março, o cenário em abril pode mudar.

O cronograma de importações, avaliado pelo Goldman, para abril mostra volumes limitados programados para chegar ao Brasil. Conforme os analistas, um mercado limitado pode gerar riscos de alta para as margens de distribuição e/ou participação de mercado no 2T. Em especial para players menores/independentes, que dependem mais de importações e podem enfrentar restrições de volume.

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“Brasil precisa atacar o fiscal, crescer e incluir ao mesmo tempo”

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“Brasil precisa atacar o fiscal, crescer e incluir ao mesmo tempo”

Eis a armadilha brasileira: o desequilíbrio fiscal empurra a inflação e os juros para cima. A inflação corrói a renda dos mais pobres, enquanto os juros altos transferem renda para os mais ricos.

E para lidar com o aumento da desigualdade, aumenta a demanda por mais políticas assistenciais, que agravam o déficit público – retroalimentando o ciclo.

Este é o diagnóstico do estudo Caminhos do Desenvolvimento: Estabilizar, Crescer, Incluir, que reuniu a contribuição de 56 pesquisadores sob a coordenação dos economistas Marcos Mendes, Fernando Veloso e Vinícius Botelho.

Na avaliação dos coordenadores, reformas isoladas não vão romper o ciclo vicioso em que a economia está presa. Para escapar de nosso histórico de crescimento medíocre, pobreza e desigualdade, o Brasil precisa resolver três problemas relacionados entre si: desequilíbrio fiscal crônico, baixa eficácia das políticas sociais e produtividade estagnada.

Mas é preciso atacá-los ao mesmo tempo, de forma integrada.

Marcos mendesO trabalho se divide em três livros, cada um tratando de um dos três grandes temas, além de um volume com um resumo geral.

Mendes, um pesquisador associado do Insper, coordenou os artigos na área fiscal. Veloso, diretor de Pesquisa do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), organizou o volume com propostas para o aumento da produtividade. Botelho, o gerente de assuntos econômicos na Confederação Nacional das Instituições Financeiras, cuidou dos capítulos sobre reformas de políticas sociais.

O resultado é um amplo cardápio de medidas que poderão contribuir com possíveis reformas no próximo ciclo político pós-eleições. Mas como enfatizam os coordenadores, parte relevante dos problemas em cascata que enfraquecem o potencial de desenvolvimento brasileiro deriva da incapacidade da sociedade de criar instituições que priorizem o interesse público.

“Trata-se, portanto, de um desafio enorme, por causa desse fenômeno de prevalência do interesse privado nas escolhas públicas,” Mendes disse na entrevista abaixo.

Para Veloso, isso se traduz em um sistema que atua contra os ganhos de produtividade. “O Brasil é caro para todo mundo e barato para alguns.”

A seguir, os principais trechos da conversa com os autores.

Por que dividir o estudo em três grandes áreas – fiscal, produtividade e programas sociais?

Marcos Mendes – Olhando o passado recente do Brasil, vemos um baixo crescimento da economia, um crônico desequilíbrio fiscal e um aumento muito forte das despesas com programas sociais sem que tenha havido a correspondente redução de pobreza na mesma proporção.

Analisando esses três fatores, notamos que existe um ciclo vicioso que retroalimenta esses problemas. Acreditamos que assim haverá uma chance maior de o Brasil romper esse ciclo vicioso.

O Brasil já passou por diversas regras fiscais, e cada uma foi se mostrando frágil ao longo do tempo. Qual o tamanho do desafio?

Mendes – Com os juros atuais, precisamos de um resultado primário para estabilizar o crescimento da dívida da ordem de 3,5% do PIB. Estamos fazendo um déficit primário de 0,5% do PIB. Então, o ajuste necessário é de 4 pontos percentuais do PIB.

Esse é o maior ajuste necessário para estabilizar a dívida que a gente tem desde o começo do século, exceto momentos de crise muito forte e queda acentuada do PIB, como na crise de 2009, a crise de 2014 e a pandemia.

Estamos com uma situação de crise fiscal com cara de momento de crise, sendo que a gente está vindo de cinco anos de crescimento.

Trata-se, portanto, de um desafio enorme, por causa desse fenômeno de prevalência do interesse privado sobre o interesse público nas escolhas públicas no Brasil.

Cada um corre atrás das suas vantagens para furar as regras. Com o fracasso do Teto de Gastos e do fracasso que está se desenhando para o Arcabouço Fiscal, perdemos a oportunidade desse pacto social.

Então só nos resta encarar esse conjunto difícil de reformas propostas em nosso estudo, num ambiente em que a classe política vai ter que criar a concertação política necessária para fazer essas reformas difíceis.

03 25 Fernando Veloso ok

Crescimento maior ajudaria na dinâmica fiscal. Para isso precisa haver avanço na produtividade – e esse indicador permanece praticamente estagnado há quatro décadas. O que explica essa falta de dinamismo no País?

Fernando Veloso – O Brasil tem um ambiente de negócios extremamente caro e complexo. É caro para todo mundo e barato para alguns. Isso existe em qualquer setor.

No mercado de crédito, por exemplo, os juros são altos, mas tem crédito subsidiado – que é barato para alguns. No sistema tributário, a carga é elevada, mas alguns pagam menos impostos.

É um ambiente muito ruim para a maioria, mas no qual alguns só conseguem sobreviver por causa dessa questão da prevalência do privado sobre o coletivo. Cada grupo foi se protegendo.

Então isso contamina totalmente o ambiente de negócios. Numa economia mais eficiente, os recursos produtivos deveriam ser direcionados para as empresas com maior potencial de crescimento, mas todas essas exceções acabam beneficiando os menos produtivos.

Esse ambiente gera ineficiência, complexidade e muita insegurança jurídica.

Foram poucos os países que conseguiram superar a chamada armadilha da renda média. No Brasil, quais poderiam ser os indutores dessa transformação?

Veloso – Uma mensagem é que não tem bala de prata, em nenhuma das áreas. E a razão é muito simples. Essas reformas são complementares.

O empresário, quando decide investir, vai olhar o ambiente de negócios como um todo. Não vai olhar só a dimensão do crédito, a tributária. É a soma de tudo isso. Se você melhora numa dimensão e não melhora nas demais, a coisa não funciona.

Um aspecto em que, sem dúvida, precisamos melhorar é a integração comercial. É algo comum a todos os países que escaparam da renda média. Todos, sem exceção. Os Tigres Asiáticos, o Leste Europeu, o Chile – todos conseguiram se integrar na economia mundial, abriram-se para a importação e a exportação.

O Brasil continua muito fechado. Fez uma reforma nos anos 90, mas depois regrediu.

O Brasil aumentou bastante os investimentos em programas sociais, mas o percentual de famílias vulneráveis permanece elevado. Por quê?

03 26 Vinicius Botelho ok

Vinícius Botelho – A taxa de pobreza está nas mínimas históricas. Mas a situação de hoje não é tão melhor do que era há dez anos. As políticas sociais perderam eficiência, estão entregando menos resultados em relação ao total investido.

O desemprego está baixo e o mercado de trabalho está aquecido. No entanto, quando a gente desconta a renda dos programas sociais da renda total das famílias, vemos que a pobreza permanece extremamente elevada.

As chamadas portas de saída não estão funcionando?

Botelho – A porta de saída de um programa de transferência de renda tem que ser uma porta de entrada em outros programas que façam sentido para essa família que saiu da transferência de renda.

Temos uma série de programas que são voltados para a população mais pobre e para trabalhadores formais de baixo rendimento. Há, entretanto, uma massa entre esses dois grupos. São trabalhadores informais que têm capacidade de geração de renda e não estão numa condição de extrema pobreza, mas estão sim numa condição de vulnerabilidade. Faltam programas para apoiar justamente a melhora de vida dessas famílias.

Mendes – Somando todos os programas, os recursos passam de R$ 440 bilhões. Até reduzem a pobreza, mas poderiam reduzir muito mais se houvesse um redesenho e as famílias tivessem de fato a possibilidade de se tornarem autônomas e mais produtivas, quebrando o ciclo vicioso de pobreza, improdutividade e desequilíbrio fiscal.




Giuliano Guandalini




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Iniciativa de Buffett e Gates para bilionários doarem metade da fortuna se esvazia

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Iniciativa de Buffett e Gates para bilionários doarem metade da fortuna se esvazia

Apenas alguns meses depois de Warren Buffett reunir uma série de jantares sofisticados pelos Estados Unidos para coletar assinaturas para algo chamado Giving Pledge, ele se mostrava otimista em relação à sua nova ideia de filantropia.

Sentado em maio de 2010 à mesa redonda de Charlie Rose, ao lado de seus parceiros no esforço — a sorridente Melinda French Gates e seu então marido, Bill Gates — Buffett previa algo revolucionário.

Leia também: É bom ser um bilionário, até mesmo na hora de pagar o Imposto de Renda

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“Estamos falando de trilhões ao longo do tempo”, disse Buffett. “A ideia é estabelecer uma nova norma.”

Um a um, os indivíduos mais ricos do mundo seriam persuadidos a comprometer mais da metade de seu dinheiro com causas sem fins lucrativos. “Em apenas alguns meses já fizemos um bom progresso”, disse Buffett naquele dezembro, quando mais 17 famílias aderiram.

Uma semana depois, Buffett e os Gates fizeram a primeira de duas visitas ao presidente Barack Obama para falar sobre o compromisso no Salão Oval. Eles voltaram à Casa Branca sete meses depois, quando Obama fez muitos elogios à iniciativa em uma sessão de 30 minutos com algumas dezenas de signatários, segundo uma pessoa presente.

Naqueles tempos de euforia, era inegavelmente algo “na moda” assinar o Giving Pledge, que começou com a entrevista leve de Rose na TV e uma reportagem de capa da revista Fortune.

O projeto nasceu em uma era em que figuras como Gates simbolizavam uma cultura humanitária que defendia tanto o grande capitalismo quanto a grande filantropia.

Ser visto como um “bom bilionário” que retribui à sociedade era importante. Republicanos e democratas, igualmente, abraçavam as prioridades da Fundação Gates — educação nos EUA, saúde global e igualdade de gênero.

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Agora, tornou-se estiloso — num estilo rebelde típico do Vale do Silício — criticar o Giving Pledge.

Nos últimos dois anos, cresceu uma reação entre os bilionários que são o público-alvo da iniciativa. Um de seus primeiros signatários sugeriu que estava “alterando” seu compromisso para considerar seus empreendimentos com fins lucrativos. Outro assinou e, em um caso sem precedentes, depois retirou sua assinatura.

Nada mais de visitas ao Salão Oval: a equipe do presidente Donald Trump descreve o compromisso quase como uma piada. Há até uma campanha discreta de um bilionário da tecnologia pró-Trump para destruí-lo.

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Em vez de aderir à filantropia apartidária, alguns bilionários em busca de impacto estão optando por um caminho mais direto, gastando mais do que nunca em eleições americanas.

O espírito da época mudou muito rapidamente.

Aaron Horvath, um sociólogo que estudou o Giving Pledge, chamou-o de uma “cápsula do tempo” daquela era de 2010. “Parece coisa do passado”, disse. Segundo ele, os bilionários hoje pensam: “Posso ficar na minha e continuar ganhando dinheiro. Não preciso mais participar dessa encenação filantrópica.”

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Esta é uma era de capitalismo mais voraz, de bilionários inclinando-se à direita e avançando ao se alinhar a um governo disposto a distribuir favores. Muitos dos bilionários em ascensão hoje veem a filantropia com desdém, como nada além de relações públicas.

Nessa visão de mundo, a verdadeira forma de retribuir é por meio do sucesso nos negócios, com benefícios para a economia dos Estados Unidos. Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo, já disse que seus negócios “são filantropia”.

E isso sem mencionar como a percepção pública de um dos principais nomes do compromisso, Bill Gates, foi abalada por suas ligações com Jeffrey Epstein. O escândalo levou ao seu divórcio de Melinda French Gates em 2021 e à saída dela da fundação que administra o compromisso, em 2024.

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A própria Fundação Gates, por sua vez, perdeu relevância política. Suas causas, como saúde global, têm sido duramente atacadas pelo governo Trump.

Peter Thiel, bilionário da tecnologia e crítico frequente de Gates, disse em entrevista que incentivou, em conversas privadas, cerca de uma dúzia de signatários a abandonar o compromisso. “A maioria com quem conversei ao menos expressou arrependimento por ter assinado”, afirmou. Ele próprio tem ligações com Epstein, mas chama o compromisso de um “clube falso de baby boomers com ligação com Epstein”.

John Arnold, bilionário de Houston que enriqueceu como operador de energia e foi um dos primeiros signatários, disse que o que parece ser um momento difícil para o compromisso é, na verdade, um momento difícil para o setor sem fins lucrativos.

“Houve uma reação contra muitas doações filantrópicas”, disse. “E o compromisso acabou sendo arrastado por isso, porque se tornou sinônimo de doações de bilionários.”

A desaceleração

O Giving Pledge de fato conseguiu, como Buffett esperava, estabelecer algo próximo de uma nova “norma” na filantropia. Mais de 250 famílias aderiram, incluindo as de Mike Bloomberg, Sam Altman e MacKenzie Scott. O compromisso tornou-se uma forma de os ultrarricos anunciarem que haviam chegado ao topo.

Scott assinou em 2019, após sua separação de Jeff Bezos. Um ano depois, iniciou sua doação filantrópica massiva e acelerada. Arnold é outro caso de sucesso. A Forbes estimou que ele e sua esposa, Laura, já doaram mais de 40% de seu patrimônio líquido, quase tudo após a assinatura — e eles ainda estão na casa dos 50 anos.

“Nos primeiros anos, o Giving Pledge ajudou a construir normas onde quase não existiam”, disse Taryn Jensen, que hoje lidera a iniciativa. “Nosso objetivo é continuar construindo uma cultura em que doar seja a norma e oferecer suporte para transformar compromisso em ação.”

Mas o ritmo de adesões despencou nos últimos anos. Nos primeiros cinco anos, 113 pessoas assinaram; nos cinco seguintes, 72; e nos cinco posteriores, apenas 43, incluindo apenas quatro em 2024. O ano passado foi relativamente positivo pelos padrões recentes, com 14 signatários, incluindo Craig Newmark, da Craigslist, e Drew Houston, do Dropbox.

“A proposta de valor mudou por causa da erosão da confiança geral e da polarização de tudo nos últimos anos”, disse Tom Tierney, que assessora doadores ricos na Bridgespan e integra o conselho da Fundação Gates. “Hoje é mais provável ser criticado por doar grandes quantias do que elogiado. Isso provavelmente não era tão verdadeiro há 15 anos”, afirmou, citando a “controvérsia” em torno da riqueza extrema.

Os primeiros signatários estavam, em grande parte, nos círculos sociais pessoais de Buffett e dos Gates — celebridades empresariais americanas autênticas, recebidas com admiração pela imprensa. Hoje, os signatários são cada vez mais estrangeiros ou menos conhecidos. A cobertura da mídia é protocolar.

Os requisitos para participação não são muito elevados. Os signatários devem concordar com um comunicado à imprensa e, geralmente, com uma carta publicada no site da fundação sobre o compromisso. São convidados para um encontro anual opcional com outros bilionários, realizado em um resort de luxo.

E depois vem a doação propriamente dita, para a qual não há mecanismo de fiscalização. Desde o início, Buffett enfatizou a Rose que se tratava apenas de um “compromisso moral”.

Uma pesquisa publicada no verão passado por críticos de esquerda do compromisso argumentou que muito poucos signatários estavam, de fato, doando seu dinheiro em ritmo suficiente para reduzir seu patrimônio. A maioria das doações filantrópicas iria para organizações intermediárias, como suas próprias fundações, ou ocorreria em massa após a morte — o que tecnicamente cumpre o compromisso.

Jensen disse que muitos signatários “já cumpriram seus compromissos ou estão avançando de forma consistente para isso”.

Ainda assim, para alguém à direita como Thiel, há um ponto simbólico em sua campanha contra o compromisso.

“Eu tenho desencorajado fortemente as pessoas a assiná-lo e depois incentivado, com cautela, que retirem suas assinaturas”, disse Thiel. Sua própria filosofia filantrópica se concentra em negócios com fins lucrativos; sua fundação financia principalmente jovens que abandonam a faculdade para criar startups.

Vinod Khosla, investidor próximo de Bill Gates, pediu a Thiel que assinasse no início dos anos 2010. Thiel disse a Khosla que não considerava aquilo uma comunidade de alto status.

“Eles conseguiram um número incrível de adesões nos primeiros quatro ou cinco anos, mas parece que o projeto perdeu fôlego”, disse Thiel, sugerindo que algumas pessoas que assinam hoje nem sequer são bilionárias. (O compromisso afirma que é aberto a quem tem patrimônio inferior a US$ 1 bilhão, mas “planeja doar pelo menos US$ 500 milhões e está em posição de fazê-lo”.) “Não sei se a marca se tornou negativa, mas parece muito menos importante participar.”

Ron Conway, investidor e signatário próximo de Bill Gates, disse que comentários como os de Thiel não fazem sentido para ele. Conway, ativo na política democrata, afirmou que o Giving Pledge inclui muitos conservadores e moderados.

“Alguns dizem que o Giving Pledge está alinhado a causas liberais, ou que é ‘woke’, por assim dizer, e isso não poderia estar mais longe da verdade”, afirmou.

A reação ganha força

O primeiro sinal concreto de desgaste surgiu dois verões atrás com Brian Armstrong, cofundador da Coinbase, que havia assinado o compromisso em 2019 por incentivo de amigos de Bill Gates, incluindo Conway.

Armstrong, um executivo do setor cripto conhecido por seu desprezo por políticas liberais, participou de pelo menos um encontro do grupo. Mas, apenas cinco anos depois, saiu abruptamente. Em um dia de meados de 2024, sua carta desapareceu do site do compromisso.

A organização afirmou que sua saída foi voluntária. Ele nunca explicou publicamente o motivo e não respondeu aos pedidos de comentário.

Scott Bessent, secretário do Tesouro de Trump, também criticou a iniciativa. No evento DealBook, no início de dezembro, descreveu um “pânico entre a classe bilionária” durante a crise financeira global que levou à criação do compromisso, que classificou como “bem-intencionado”, mas “muito vago”.

Uma realização mais “concreta”, disse, seria algo como a doação de US$ 6 bilhões de Michael Dell e Susan Dell, que não assinaram o compromisso, mas financiam contas que podem crescer com o mercado para formar poupança para crianças de baixa renda — combinando filantropia e capitalismo.

Nem todos os bilionários abandonaram a filantropia, claro. “É triste ver que muitos indivíduos ricos (especialmente na tecnologia) adotaram recentemente uma visão cínica e niilista de que a filantropia é inevitavelmente fraudulenta ou inútil”, escreveu Dario Amodei, cofundador da Anthropic, em um ensaio de janeiro.

Ainda assim, refletindo o momento atual, o próprio Amodei, de 43 anos, não assinou o compromisso. A Anthropic tem vínculos com o movimento do altruísmo eficaz, que prioriza doações, mas é mais focado do que o Giving Pledge em medir sua efetividade.

Melinda French Gates apresentou recentemente o sucesso do compromisso como relativo. (Ela e Gates recusaram entrevistas.) Em dezembro, disse à Wired que alguns signatários doam em “em massa”, mas muitos outros não. “Alguns estão fazendo isso, e outros estão tentando ou ainda não estão prontos”, afirmou.

“Gostaria que tivéssemos sido ainda mais bem-sucedidos com o compromisso do que fomos até agora”, disse. “É um desafio contínuo.”

c.2026 The New York Times Company

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