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Iniciativa de Buffett e Gates para bilionários doarem metade da fortuna se esvazia

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Iniciativa de Buffett e Gates para bilionários doarem metade da fortuna se esvazia

Apenas alguns meses depois de Warren Buffett reunir uma série de jantares sofisticados pelos Estados Unidos para coletar assinaturas para algo chamado Giving Pledge, ele se mostrava otimista em relação à sua nova ideia de filantropia.

Sentado em maio de 2010 à mesa redonda de Charlie Rose, ao lado de seus parceiros no esforço — a sorridente Melinda French Gates e seu então marido, Bill Gates — Buffett previa algo revolucionário.

Leia também: É bom ser um bilionário, até mesmo na hora de pagar o Imposto de Renda

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“Estamos falando de trilhões ao longo do tempo”, disse Buffett. “A ideia é estabelecer uma nova norma.”

Um a um, os indivíduos mais ricos do mundo seriam persuadidos a comprometer mais da metade de seu dinheiro com causas sem fins lucrativos. “Em apenas alguns meses já fizemos um bom progresso”, disse Buffett naquele dezembro, quando mais 17 famílias aderiram.

Uma semana depois, Buffett e os Gates fizeram a primeira de duas visitas ao presidente Barack Obama para falar sobre o compromisso no Salão Oval. Eles voltaram à Casa Branca sete meses depois, quando Obama fez muitos elogios à iniciativa em uma sessão de 30 minutos com algumas dezenas de signatários, segundo uma pessoa presente.

Naqueles tempos de euforia, era inegavelmente algo “na moda” assinar o Giving Pledge, que começou com a entrevista leve de Rose na TV e uma reportagem de capa da revista Fortune.

O projeto nasceu em uma era em que figuras como Gates simbolizavam uma cultura humanitária que defendia tanto o grande capitalismo quanto a grande filantropia.

Ser visto como um “bom bilionário” que retribui à sociedade era importante. Republicanos e democratas, igualmente, abraçavam as prioridades da Fundação Gates — educação nos EUA, saúde global e igualdade de gênero.

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Agora, tornou-se estiloso — num estilo rebelde típico do Vale do Silício — criticar o Giving Pledge.

Nos últimos dois anos, cresceu uma reação entre os bilionários que são o público-alvo da iniciativa. Um de seus primeiros signatários sugeriu que estava “alterando” seu compromisso para considerar seus empreendimentos com fins lucrativos. Outro assinou e, em um caso sem precedentes, depois retirou sua assinatura.

Nada mais de visitas ao Salão Oval: a equipe do presidente Donald Trump descreve o compromisso quase como uma piada. Há até uma campanha discreta de um bilionário da tecnologia pró-Trump para destruí-lo.

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Em vez de aderir à filantropia apartidária, alguns bilionários em busca de impacto estão optando por um caminho mais direto, gastando mais do que nunca em eleições americanas.

O espírito da época mudou muito rapidamente.

Aaron Horvath, um sociólogo que estudou o Giving Pledge, chamou-o de uma “cápsula do tempo” daquela era de 2010. “Parece coisa do passado”, disse. Segundo ele, os bilionários hoje pensam: “Posso ficar na minha e continuar ganhando dinheiro. Não preciso mais participar dessa encenação filantrópica.”

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Esta é uma era de capitalismo mais voraz, de bilionários inclinando-se à direita e avançando ao se alinhar a um governo disposto a distribuir favores. Muitos dos bilionários em ascensão hoje veem a filantropia com desdém, como nada além de relações públicas.

Nessa visão de mundo, a verdadeira forma de retribuir é por meio do sucesso nos negócios, com benefícios para a economia dos Estados Unidos. Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo, já disse que seus negócios “são filantropia”.

E isso sem mencionar como a percepção pública de um dos principais nomes do compromisso, Bill Gates, foi abalada por suas ligações com Jeffrey Epstein. O escândalo levou ao seu divórcio de Melinda French Gates em 2021 e à saída dela da fundação que administra o compromisso, em 2024.

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A própria Fundação Gates, por sua vez, perdeu relevância política. Suas causas, como saúde global, têm sido duramente atacadas pelo governo Trump.

Peter Thiel, bilionário da tecnologia e crítico frequente de Gates, disse em entrevista que incentivou, em conversas privadas, cerca de uma dúzia de signatários a abandonar o compromisso. “A maioria com quem conversei ao menos expressou arrependimento por ter assinado”, afirmou. Ele próprio tem ligações com Epstein, mas chama o compromisso de um “clube falso de baby boomers com ligação com Epstein”.

John Arnold, bilionário de Houston que enriqueceu como operador de energia e foi um dos primeiros signatários, disse que o que parece ser um momento difícil para o compromisso é, na verdade, um momento difícil para o setor sem fins lucrativos.

“Houve uma reação contra muitas doações filantrópicas”, disse. “E o compromisso acabou sendo arrastado por isso, porque se tornou sinônimo de doações de bilionários.”

A desaceleração

O Giving Pledge de fato conseguiu, como Buffett esperava, estabelecer algo próximo de uma nova “norma” na filantropia. Mais de 250 famílias aderiram, incluindo as de Mike Bloomberg, Sam Altman e MacKenzie Scott. O compromisso tornou-se uma forma de os ultrarricos anunciarem que haviam chegado ao topo.

Scott assinou em 2019, após sua separação de Jeff Bezos. Um ano depois, iniciou sua doação filantrópica massiva e acelerada. Arnold é outro caso de sucesso. A Forbes estimou que ele e sua esposa, Laura, já doaram mais de 40% de seu patrimônio líquido, quase tudo após a assinatura — e eles ainda estão na casa dos 50 anos.

“Nos primeiros anos, o Giving Pledge ajudou a construir normas onde quase não existiam”, disse Taryn Jensen, que hoje lidera a iniciativa. “Nosso objetivo é continuar construindo uma cultura em que doar seja a norma e oferecer suporte para transformar compromisso em ação.”

Mas o ritmo de adesões despencou nos últimos anos. Nos primeiros cinco anos, 113 pessoas assinaram; nos cinco seguintes, 72; e nos cinco posteriores, apenas 43, incluindo apenas quatro em 2024. O ano passado foi relativamente positivo pelos padrões recentes, com 14 signatários, incluindo Craig Newmark, da Craigslist, e Drew Houston, do Dropbox.

“A proposta de valor mudou por causa da erosão da confiança geral e da polarização de tudo nos últimos anos”, disse Tom Tierney, que assessora doadores ricos na Bridgespan e integra o conselho da Fundação Gates. “Hoje é mais provável ser criticado por doar grandes quantias do que elogiado. Isso provavelmente não era tão verdadeiro há 15 anos”, afirmou, citando a “controvérsia” em torno da riqueza extrema.

Os primeiros signatários estavam, em grande parte, nos círculos sociais pessoais de Buffett e dos Gates — celebridades empresariais americanas autênticas, recebidas com admiração pela imprensa. Hoje, os signatários são cada vez mais estrangeiros ou menos conhecidos. A cobertura da mídia é protocolar.

Os requisitos para participação não são muito elevados. Os signatários devem concordar com um comunicado à imprensa e, geralmente, com uma carta publicada no site da fundação sobre o compromisso. São convidados para um encontro anual opcional com outros bilionários, realizado em um resort de luxo.

E depois vem a doação propriamente dita, para a qual não há mecanismo de fiscalização. Desde o início, Buffett enfatizou a Rose que se tratava apenas de um “compromisso moral”.

Uma pesquisa publicada no verão passado por críticos de esquerda do compromisso argumentou que muito poucos signatários estavam, de fato, doando seu dinheiro em ritmo suficiente para reduzir seu patrimônio. A maioria das doações filantrópicas iria para organizações intermediárias, como suas próprias fundações, ou ocorreria em massa após a morte — o que tecnicamente cumpre o compromisso.

Jensen disse que muitos signatários “já cumpriram seus compromissos ou estão avançando de forma consistente para isso”.

Ainda assim, para alguém à direita como Thiel, há um ponto simbólico em sua campanha contra o compromisso.

“Eu tenho desencorajado fortemente as pessoas a assiná-lo e depois incentivado, com cautela, que retirem suas assinaturas”, disse Thiel. Sua própria filosofia filantrópica se concentra em negócios com fins lucrativos; sua fundação financia principalmente jovens que abandonam a faculdade para criar startups.

Vinod Khosla, investidor próximo de Bill Gates, pediu a Thiel que assinasse no início dos anos 2010. Thiel disse a Khosla que não considerava aquilo uma comunidade de alto status.

“Eles conseguiram um número incrível de adesões nos primeiros quatro ou cinco anos, mas parece que o projeto perdeu fôlego”, disse Thiel, sugerindo que algumas pessoas que assinam hoje nem sequer são bilionárias. (O compromisso afirma que é aberto a quem tem patrimônio inferior a US$ 1 bilhão, mas “planeja doar pelo menos US$ 500 milhões e está em posição de fazê-lo”.) “Não sei se a marca se tornou negativa, mas parece muito menos importante participar.”

Ron Conway, investidor e signatário próximo de Bill Gates, disse que comentários como os de Thiel não fazem sentido para ele. Conway, ativo na política democrata, afirmou que o Giving Pledge inclui muitos conservadores e moderados.

“Alguns dizem que o Giving Pledge está alinhado a causas liberais, ou que é ‘woke’, por assim dizer, e isso não poderia estar mais longe da verdade”, afirmou.

A reação ganha força

O primeiro sinal concreto de desgaste surgiu dois verões atrás com Brian Armstrong, cofundador da Coinbase, que havia assinado o compromisso em 2019 por incentivo de amigos de Bill Gates, incluindo Conway.

Armstrong, um executivo do setor cripto conhecido por seu desprezo por políticas liberais, participou de pelo menos um encontro do grupo. Mas, apenas cinco anos depois, saiu abruptamente. Em um dia de meados de 2024, sua carta desapareceu do site do compromisso.

A organização afirmou que sua saída foi voluntária. Ele nunca explicou publicamente o motivo e não respondeu aos pedidos de comentário.

Scott Bessent, secretário do Tesouro de Trump, também criticou a iniciativa. No evento DealBook, no início de dezembro, descreveu um “pânico entre a classe bilionária” durante a crise financeira global que levou à criação do compromisso, que classificou como “bem-intencionado”, mas “muito vago”.

Uma realização mais “concreta”, disse, seria algo como a doação de US$ 6 bilhões de Michael Dell e Susan Dell, que não assinaram o compromisso, mas financiam contas que podem crescer com o mercado para formar poupança para crianças de baixa renda — combinando filantropia e capitalismo.

Nem todos os bilionários abandonaram a filantropia, claro. “É triste ver que muitos indivíduos ricos (especialmente na tecnologia) adotaram recentemente uma visão cínica e niilista de que a filantropia é inevitavelmente fraudulenta ou inútil”, escreveu Dario Amodei, cofundador da Anthropic, em um ensaio de janeiro.

Ainda assim, refletindo o momento atual, o próprio Amodei, de 43 anos, não assinou o compromisso. A Anthropic tem vínculos com o movimento do altruísmo eficaz, que prioriza doações, mas é mais focado do que o Giving Pledge em medir sua efetividade.

Melinda French Gates apresentou recentemente o sucesso do compromisso como relativo. (Ela e Gates recusaram entrevistas.) Em dezembro, disse à Wired que alguns signatários doam em “em massa”, mas muitos outros não. “Alguns estão fazendo isso, e outros estão tentando ou ainda não estão prontos”, afirmou.

“Gostaria que tivéssemos sido ainda mais bem-sucedidos com o compromisso do que fomos até agora”, disse. “É um desafio contínuo.”

c.2026 The New York Times Company

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Se comemorou cedo demais? Operadores se preparam para mais turbulências nos mercados

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Se comemorou cedo demais? Operadores se preparam para mais turbulências nos mercados

Operadores do mercado financeiro se preparam para uma abertura de semana instável, diante da continuidade do impasse no Estreito de Ormuz, que volta a elevar a incerteza que Wall Street vinha tentando deixar para trás após uma semana que levou o índice S&P 500 a um recorde e impulsionou o petróleo de volta à faixa de US$ 90 por barril.

O Irã alertou ao longo do fim de semana que embarcações que se aproximarem da via marítima “sob qualquer pretexto” serão tratadas como violação do cessar-fogo. A Guarda Revolucionária abriu fogo contra navios comerciais, deixando operadores de petroleiros à espera de definições de Teerã.

As ações endureceram um impasse que parecia aliviar na sexta-feira (17), quando sinais de distensão sustentaram uma alta generalizada de ativos de risco. A agência semioficial Tasnim informou que o país não participará de uma segunda rodada de negociações com os Estados Unidos em Islamabad nesta semana enquanto o bloqueio naval americano permanecer em vigor, embora mensagens continuem sendo trocadas por intermediários.

O presidente Donald Trump, que na sexta-feira (17) indicou que um acordo estava praticamente fechado, elevou o tom até domingo (19), ao ameaçar destruir todas as usinas de energia e pontes do Irã caso as negociações fracassem. A mudança abrupta reforça o quanto a alta recente dos mercados foi sustentada mais por expectativa do que por uma resolução concreta.

O S&P 500 registrou a terceira semana consecutiva de ganhos superiores a 3% e caminha para o maior avanço mensal desde 2020. Na sexta-feira (17), o dólar chegou a devolver integralmente os ganhos acumulados desde o início do conflito. O petróleo Brent caiu, enquanto os títulos do Tesouro americano avançaram. A negociação de ações, Treasuries e petróleo nos Estados Unidos é retomada com mais intensidade às 18h de domingo (19), no horário de Nova York.

“Parece que os investidores podem ter comemorado cedo demais”, afirmou Martin Hennecke, chefe de consultoria de investimentos para Ásia e Oriente Médio da St. James’s Place. Segundo ele, os desdobramentos do fim de semana “podem levar à devolução de parte dos ganhos recentes no curto prazo”.

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Nas primeiras negociações na Ásia nesta segunda-feira (20), o dólar indicava alta frente a pares relevantes, enquanto o dólar australiano liderava as perdas entre moedas mais sensíveis ao risco.

Os riscos inflacionários seguem elevados e não devem se dissipar com facilidade, mesmo que o frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã seja estendido além do prazo previsto para terça-feira (21). Empresas já vêm repassando custos mais altos aos consumidores, observou Hennecke, citando o índice preliminar de gerentes de compras (PMI) da S&P Global nos Estados Unidos. Esse movimento tende a corroer posições em caixa e renda fixa, ao mesmo tempo em que reforça o argumento por manutenção de investimentos em ações, mesmo em meio à volatilidade.

O Estreito de Ormuz permaneceu, na prática, fechado durante grande parte das sete semanas de conflito. O petróleo ainda se mantém significativamente acima dos níveis anteriores à guerra, e bancos centrais já foram forçados a rever planos de cortes de juros, um impacto que não deve ser revertido rapidamente, mesmo com eventual acordo.

“Embora o mercado acionário dos Estados Unidos tenha atingido um novo recorde, os riscos aumentam a cada revés nas negociações para reabrir o Estreito de Ormuz”, disse Matt Maley, estrategista-chefe da Miller Tabak + Co. “Estamos chegando a um ponto em que não são apenas os preços mais altos que geram pressão, mas também a escassez que começa a surgir.”

Apreensão de navio

O vice-presidente JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner devem chegar a Islamabad na noite de segunda-feira (20) para negociações que, segundo o governo americano, seguirão os termos apresentados na semana passada. O bloqueio naval dos Estados Unidos permite a saída do Golfo Pérsico de navios com cargas não iranianas, mas impede embarcações que partiram de portos do Irã, distinção que Teerã utiliza para endurecer sua posição.

No domingo (19), Trump publicou na rede Truth Social que um navio da Marinha dos Estados Unidos interceptou uma embarcação de carga com bandeira iraniana, “abrindo um buraco na casa de máquinas”, e que fuzileiros navais assumiram o controle do navio.

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“Nossa posição sempre foi a de que precisamos ver a retomada efetiva do tráfego pelo Estreito de Ormuz”, afirmou Sarah Hunt, estrategista-chefe da Alpine Woods Capital Investors. Segundo ela, enquanto isso não ocorrer, os mercados devem permanecer voláteis, embora a semana passada tenha indicado alguma aproximação de solução.

Hunt avaliou que investidores podem relevar o choque no setor de energia caso lucros corporativos e consumo se mantenham resilientes, especialmente nos Estados Unidos.

Impactos de longo prazo

O mercado de títulos nunca incorporou totalmente a expectativa de paz. Os rendimentos dos Treasuries de dois anos subiram desde o início do conflito, à medida que investidores reduziram apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve neste ano.

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É no mercado de petróleo que a divergência entre preços e realidade física se mostra mais evidente. A queda registrada na sexta-feira (17) embutia uma normalização do cenário, mas rotas marítimas seguem afetadas, tarifas de transporte de petroleiros permanecem elevadas e os estoques foram reduzidos, condições que, segundo analistas, podem levar semanas para serem normalizadas. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam pelo Estreito de Ormuz.

O indicador de risco entre mercados do Bank of America caminhava para a segunda maior queda mensal já registrada, atrás apenas da recuperação inicial após a pandemia. Gestores sistemáticos que estavam posicionados na venda de ações foram forçados a inverter posições e recomprar ativos. Parte desse movimento, segundo estrategistas, reflete o receio de ficar de fora de uma alta, comportamento reforçado no ano passado, quando investidores que apostaram contra as ameaças tarifárias de Trump sofreram perdas com a reversão do mercado.

Com os eventos do fim de semana evidenciando que o conflito segue em aberto, a recente onda de apetite por risco tende a enfrentar desafios, afirmou Elias Haddad, chefe global de estratégia de mercados da Brown Brothers Harriman. Ainda assim, ele disse que a instituição mantém a avaliação de que, embora o choque energético ainda não tenha se dissipado, o pior momento provavelmente já passou.

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“A abordagem dos Estados Unidos de abrir a navegação para todos ou fechar para todos no Estreito de Ormuz tende a acelerar a reabertura dessa via estratégica, já que o impacto econômico compartilhado aumenta os incentivos para uma solução diplomática”, afirmou Haddad. “Nesse contexto, o fim de março provavelmente marcou o ponto mais baixo do sentimento de risco, e as expectativas para juros dos bancos centrais ainda podem retornar parcialmente aos níveis anteriores ao conflito.”

© 2026 Bloomberg L.P.

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Ibovespa corrige após recorde, dólar perde força e Nasdaq mira novas máximas: confira

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Ibovespa corrige após recorde, dólar perde força e Nasdaq mira novas máximas: confira

O Ibovespa entrou em movimento corretivo após renovar máxima histórica em 199.354 pontos, enquanto o dólar futuro mantém tendência de baixa e completa sequência negativa relevante. Já nos Estados Unidos, Nasdaq Composite e S&P 500 seguem sustentados por forte fluxo comprador, renovando ou se aproximando de máximas históricas.

No mercado doméstico, o principal ponto de atenção está no esticamento prévio do Ibovespa e em possíveis sinais gráficos de correção no semanal, enquanto o câmbio opera em sobrevenda e pode ensaiar repiques técnicos. No exterior, a força compradora ainda prevalece, com índices acima das médias móveis e estrutura positiva. Já o Bitcoin tenta ampliar a recuperação iniciada após testar a região de US$ 60 mil.

Em resumo, o mercado brasileiro encontra-se em fase de ajuste após forte alta recente, enquanto ativos internacionais mantêm viés construtivo. O foco agora recai sobre suportes importantes no Ibovespa, possível reação do dólar e continuidade do movimento positivo nas bolsas americanas e no Bitcoin.

Top Traders InfoMoney lista os 20 principais destaques do trading brasileiro em 2025

Análise técnica do Ibovespa

Pelo gráfico diário, observo que o Ibovespa iniciou movimento corretivo após renovar máxima histórica em 199.354 pontos na última semana. O índice encerrou a última sessão com baixa de 0,55%, aos 195.733 pontos, e fechou a semana em queda de 0,81%, interrompendo uma sequência de três semanas positivas. Em 2026, ainda acumula valorização de 21,48%.

No gráfico semanal, destaco a formação de uma possível estrela cadente, padrão que pode reforçar correção caso haja perda da mínima da última semana em 195.367 pontos. O IFR semanal em 73,29 também sugere mercado ainda sobrecomprado. No diário, o IFR (14) marca 64,52, ainda em zona neutra.

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Para retomar a alta, o índice precisa superar novamente os 199.354 pontos, abrindo espaço para 200.000/203.900 pontos, com alvos mais longos em 205.430/207.000 pontos.

Já para intensificar a correção, precisará perder 194.945/192.206 pontos, mirando 189.250/185.210 pontos e, em cenário mais amplo, 180.975/175.050 pontos.

Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz

Análise técnica do Dólar

No dólar futuro, sigo vendo uma estrutura técnica de baixa bem definida. O ativo completou cinco semanas consecutivas de queda e fechou a última sessão em baixa de 0,32%, aos 4.990 pontos, mantendo negociação abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos.

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O IFR (14) em 27,34 indica sobrevenda, o que aumenta a chance de repiques técnicos. Além disso, observo formação de martelo no fundo, acompanhada de volume, sinal que pode favorecer recuperação pontual no curto prazo.

Para continuidade da queda, o mercado precisa romper 4.955/4.905 pontos, com alvos em 4.850/4.798,5 pontos e extensão até 4.752 pontos.

Para reação altista, será necessário superar 5.017/5.124 pontos, mirando 5.158,5/5.215,5 pontos e depois 5.286/5.383,5 pontos.

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Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz

Análise técnica da Nasdaq

A Nasdaq segue como um dos destaques positivos. O índice avançou pela terceira semana consecutiva, renovou máxima histórica e fechou todas as sessões da última semana no positivo, sustentado por forte volume comprador.

Atualmente, negocia aos 26.672 pontos, acumulando alta de 12,35% em abril. A estrutura permanece positiva, com preços acima das médias móveis e sem sinais claros de enfraquecimento.

Para continuidade da alta, precisa romper 26.719 pontos, com projeções em 26.875/27.385 pontos e depois 27.665/28.300 pontos.

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Em eventual correção, a perda de 26.481/26.200 pontos pode abrir espaço para 25.840/25.380 pontos, com extensão até 25.069/24.755 pontos.

Fonte: TradingView. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz

Confira nossas análises:

Análise técnica do S&P 500

O S&P 500 também mantém viés construtivo, registrando a terceira semana consecutiva de ganhos e encerrando todas as sessões recentes em alta. O índice opera aos 7.126 pontos, com valorização de 9,15% em abril.

A estrutura técnica segue positiva, acima das médias móveis e próxima da máxima histórica em 7.147 pontos.

Se romper essa faixa, pode buscar 7.200/7.320 pontos, com alvos posteriores em 7.385/7.500 pontos.

Já uma correção exigiria perda de 7.074/7.022 pontos, abrindo espaço para 6.967/6.886 pontos e, depois, 6.806/6.740 pontos.

Fonte: TradingView. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz

Análise do Bitcoin

O Bitcoin segue em movimento de recuperação no curto prazo, após testar recentemente a região de US$ 60.000. O ativo permanece abaixo de US$ 80.000, mas mostra melhora técnica ao negociar acima das médias móveis.

Em abril, a criptomoeda acumula alta superior a 10%, reforçando a retomada compradora. O ponto-chave agora está no rompimento da lateralização recente.

Para ganhar força, precisa superar US$ 77.075/US$ 79.360, o que pode levar aos alvos de US$ 84.650/US$ 91.224, com extensões em US$ 97.624 e US$ 100.000.

Na ponta negativa, a perda de US$ 74.800/US$ 70.466 e depois US$ 65.821/US$ 62.510 recoloca pressão vendedora, com suportes em US$ 58.946/US$ 52.550.

Fonte: TradingView. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz

IFR (14) – Ibovespa

O IFR (Índice de Força Relativa), é um dos indicadores mais populares da análise técnica. Medido de 0 a 100, costuma-se usar o período de 14. Leitura abaixo ou próxima de 30 indica sobrevenda e possíveis oportunidades de compra, enquanto acima ou próxima de 70 sugere sobrecompra e chance de correção.

Além disso, o IFR permite a aplicação de técnicas como suportes, resistências, divergências e figuras gráficas. A partir disso, segue as cinco ações mais sobrecomprados e sobrevendidos do Ibovespa:

Fonte: Nelogica. Elaboração: Rodrigo Paz

(Rodrigo Paz é analista técnico)

Guias de análise técnica:

Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice.

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endividamento atinge dois em cada três brasileiros

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endividamento atinge dois em cada três brasileiros

Dois em cada três brasileiros (67%) têm algum tipo de dívida financeira, como empréstimos, segundo pesquisa Datafolha. O levantamento divulgado neste sábado revela ainda que 21% da população está com pagamentos em atraso, evidenciando o avanço da inadimplência no país.

Entre os que recorreram a empréstimos com amigos e familiares, a situação é ainda mais crítica: 41% afirmam estar devendo. Já entre os principais tipos de dívida em atraso, o cartão de crédito parcelado lidera, citado por 29% dos entrevistados, seguido por empréstimos bancários (26%) e carnês de lojas (25%).

O uso do crédito rotativo — modalidade acionada quando se paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão — também chama atenção. Segundo a pesquisa, 27% dos brasileiros utilizam essa linha de crédito com alguma frequência, sendo 5% de forma recorrente. Considerado o crédito mais caro do mercado, o rotativo tem juros médios de 14,9% ao mês, de acordo com o Banco Central, com limite anual de 100% desde 2024.

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O estudo também aponta que 28% dos brasileiros estão com contas de consumo e serviços em atraso. Entre os principais débitos aparecem telefone, celular e internet (12%), tributos como IPTU, IPVA e carnê-leão (12%), além de contas de luz (11%) e água (9%).

A pressão financeira se reflete no cotidiano das famílias. Para enfrentar as dificuldades, 64% dos entrevistados disseram ter reduzido gastos com lazer, enquanto 60% passaram a comer menos fora de casa ou trocaram marcas por opções mais baratas. Outros 52% afirmam ter diminuído a quantidade de alimentos comprados.

LEIA MAIS: Jovens e endividados: falta de preparo aumenta dívidas entre jovens, mostra BC

Além disso, metade dos brasileiros declarou ter reduzido o consumo de água, luz e gás, enquanto 40% deixaram de pagar alguma conta e 38% interromperam o pagamento de dívidas ou reduziram a compra de medicamentos.

O Datafolha também mediu o nível de aperto financeiro da população. O resultado mostra que 27% vivem em situação considerada “apertada” e 18% em condição “severa”, totalizando 45% dos brasileiros sob forte চাপo no orçamento. Outros 36% estão em situação moderada, e apenas 19% se classificam como em condição leve ou sem restrições.

As dificuldades financeiras aparecem como principal preocupação pessoal dos brasileiros. Segundo o levantamento, 37% citam problemas ligados a dinheiro, como falta de renda, endividamento e custo de vida. A resposta mais frequente foi “questões financeiras/falta de dinheiro/renda”, apontada por 27% dos entrevistados.

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A pesquisa também revela o peso do crédito no dia a dia: 57% dos brasileiros usam cartão de crédito, sendo que 13% parcelam compras de supermercado com frequência e 4% fazem o mesmo com contas básicas, como água e luz. Além disso, 5% afirmam pagar a fatura de um cartão com o limite de outro com frequência, enquanto 10% fazem isso ocasionalmente.

A percepção de que o crédito facilita o endividamento também é alta: 68% concordam que ofertas via celular ou internet incentivam gastos por impulso, e 51% dizem ser difícil fechar as contas do mês sem usar cartão de crédito.

O levantamento mostra ainda fragilidade na organização das finanças pessoais. Apenas 44% dos brasileiros dizem fazer um orçamento detalhado, enquanto 23% não realizam qualquer tipo de controle de gastos.

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A ausência de reserva financeira é outro ponto crítico: 66% afirmam não ter nenhuma poupança. Entre os que possuem, 12% conseguiriam manter suas despesas por menos de três meses, e 10% por um período de três a seis meses em caso de perda de renda.

Metade da população (49%) diz se sentir mal ou muito mal em relação à situação financeira do país.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios brasileiros nos dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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