A discussão sobre o acesso a medicamentos no Brasil vem ganhando contornos preocupantes. Isso por conta de uma ameaça que pode restringir a venda de medicamentos isentos de prescrição sob marcas próprias em farmácias, supermercados e drogarias. O alerta é da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (ABMAPRO).
Segundo a entidade, trata-se de uma “manobra política”, movida por interesses de grandes laboratórios farmacêuticos internacionais. Se essa medida for aprovada, os mais afetados seriam os consumidores, especialmente os de menor poder aquisitivo.
Além disso, a restrição à venda de medicamentos sob marcas próprias pode levar a uma monopolização do mercado, impactando negativamente a concorrência. Essa prática não só prejudicaria a saúde pública, mas também iria contrária a princípios básicos da economia. Afinal, a variedade de opções e a competitividade são fundamentais para garantir preços justos.
As consequências da limitação
Ademais, a ABMAPRO destaca que essa situação é questão de saúde pública. Isso porque, sem opções acessíveis, a automedicação e a busca por medicamentos no mercado informal podem se tornar mais comuns, trazendo riscos adicionais à saúde.
Em efeito cascata, essa medida afetaria não apenas a disponibilidade de medicamentos. Ela também afetaria a sustentabilidade econômica de pequenos varejistas, que muitas vezes dependem dos produtos de marca própria para oferecer preços mais competitivos. Os consumidores, especialmente aqueles que já enfrentam dificuldades financeiras, poderiam ser os mais atingidos por essa situação. A falta de acesso a medicamentos a preços acessíveis pode resultar em consequências graves. Entre elas, o não tratamento de doenças e agravos à saúde, que são questões de ordem pública.
Medicamentos e marcas próprias
Neide Montesano, presidente da ABMAPRO.
No dia 17 de setembro, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal se reuniu para discutir o Projeto de Lei nº 2.158/2023, que visa permitir o funcionamento de farmácias dentro de supermercados. Os senadores aprovaram o Projeto e, a princípio, ele parece trazer benefícios para o consumidor. Isso porque a ideia é permitir a venda de medicamentos sem receita em supermercados, desde que haja um farmacêutico e uma farmácia devidamente equipada no local. O senador Efraim Filho é o autor da matéria. E o relator, senador Humberto Costa, apresentou um substitutivo que foi aprovado.
Esse projeto contava com uma emenda que visava bloquear a comercialização de medicamentos de marcas próprias. Essa emenda foi derrubada. Entretanto, a ABMAPRO teme que esse assunto volte a ser pauta na Câmara dos Deputados. “Haja vista que é uma reivindicação dos grandes laboratórios. Nós vencemos uma batalha, mas não vencemos a guerra”, explica Neide Montesano, presidente da ABMAPRO.
Histórico de lutas
Em mais de 20 países, a comercialização de marcas próprias de medicamentos é prática comum e regulamentada, garantindo que os consumidores tenham acesso a produtos de qualidade, fabricados por indústrias devidamente autorizadas.
Importante ressaltar que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já avaliou os efeitos do PL nº 2158/2023 e não encontrou justificativas sólidas para proibir a venda de medicamentos de marcas próprias, rebatendo diversos argumentos contrários a essa prática.
Diante desse cenário, a ABMAPRO faz um apelo para que os consumidores continuem a ter acesso a medicamentos de marcas próprias. “É fundamental que a decisão se baseie no interesse da população e não em lobbies de grandes indústrias. O histórico de luta pela acessibilidade a medicamentos no Brasil é resultado de batalhas que visam ampliar o acesso da população a tratamentos de saúde. O que está em jogo agora é garantir que essa conquista não seja desfeita em favor de interesses corporativos, mas sim mantenha o foco no bem-estar do consumidor”, pontua a entidade.
Os benefícios das marcas próprias
Nos últimos anos, os medicamentos de marcas próprias têm ganhado espaço nas prateleiras das farmácias e drogarias. Mas você sabe o que são esses produtos e quais são os benefícios que eles oferecem para o consumidor?
Os medicamentos de marcas próprias são versões mais acessíveis de medicamentos de marcas conhecidas. Eles surgiram como uma alternativa para reduzir os custos da saúde, uma vez que muitas vezes têm o mesmo princípio ativo e eficácia, mas com preços significativamente mais baixos. A ideia é simples: proporcionar acesso a tratamentos de qualidade sem que o consumidor precise gastar uma fortuna.
Um dos principais benefícios dos medicamentos de marca própria é a economia. Com a crescente pressão sobre os orçamentos familiares, muitos consumidores estão em busca de opções mais baratas, e os remédios de marcas próprias se encaixam perfeitamente nessa demanda. Além disso, com a concorrência entre as marcas, os preços tendem a ficar ainda mais competitivos, beneficiando o consumidor.
Marcas próprias e acessibilidade
Outro ponto positivo é a acessibilidade. Muitas vezes, esses medicamentos são encontrados nas mesmas prateleiras que os de marcas renomadas, facilitando a compra e permitindo que os consumidores façam escolhas mais informadas. Muitas farmácias também têm investido em campanhas para divulgar esses produtos, ajudando a desmistificar a ideia de que o mais caro é sempre o melhor.
Além da economia e da acessibilidade, a qualidade dos medicamentos de marcas próprias também não deve ser subestimada. Isso porque a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece rigorosos padrões de qualidade para todos os medicamentos que entram no mercado, sejam eles de marcas conhecidas ou não. Portanto, o consumidor pode ter a confiança de que está adquirindo um produto seguro e eficaz.
Em suma, os medicamentos de marcas próprias representam uma alternativa viável e econômica para os consumidores que buscam cuidar da sua saúde sem comprometer o orçamento. Com a garantia de qualidade e eficácia, esses produtos estão se tornando cada vez mais uma escolha popular nas farmácias. Afinal, cuidar da saúde não precisa ser um luxo.
Conscientização dos consumidores
As marcas próprias, muitas vezes vistas como alternativas mais acessíveis, têm se consolidado no mercado devido à qualidade aprimorada e à confiança que despertam nos consumidores. A conscientização dos consumidores sobre a eficácia das marcas próprias é fundamental para sua aceitação no mercado.
Por fim, Neide Montesano destaca que o crescimento dos medicamentos de marcas próprias é um reflexo não apenas das tendências de mercado, mas também das mudanças nos hábitos dos consumidores, que buscam soluções práticas e acessíveis para suas necessidades de saúde. “É uma evolução que representa um avanço importante no setor farmacêutico, contribuindo para a democratização do acesso aos medicamentos essenciais em diversas localidades”, finaliza a especialista.
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A LLC (Limited Liability Company) é um tipo de estrutura jurídica muito comum nos Estados Unidos que combina responsabilidade limitada dos sócios com flexibilidade de gestão e tributação. Nessa configuração, os proprietários (chamados de members), em regra, não respondem com seu patrimônio pessoal por dívidas e obrigações da empresa, desde que sejam respeitadas as exigências legais.
Do ponto de vista fiscal, a LLC é reconhecida pela Internal Revenue Service (IRS) como uma entidade que pode ter diferentes enquadramentos tributários, dependendo do número de sócios e das opções feitas junto ao fisco. Uma LLC com um único membro, por exemplo, tende a ser tratada como uma entidade “desconsiderada” para fins de imposto federal, enquanto empresas com mais sócios costumam ser tratadas como partnerships, salvo opção por tributação como corporação.
Principais características da LLC
Entre os atributos mais associados a esse modelo estão:
Responsabilidade limitada, que separa, em condições normais, o patrimônio pessoal dos sócios do patrimônio da empresa.
Flexibilidade tributária, permitindo diferentes formas de apuração e declaração de impostos, conforme a estrutura escolhida.
Gestão adaptável, que pode ser feita diretamente pelos sócios (member-managed) ou por gestores nomeados (manager-managed), conforme previsto no acordo interno da empresa.
Menor formalidade quando comparada a corporações tradicionais, especialmente no que diz respeito à governança e à estrutura administrativa.
Diferenças entre LLC e outras estruturas jurídicas
A LLC costuma ser comparada a outros formatos empresariais comuns:
Empresa individual (sole proprietorship) É mais simples de abrir e administrar, mas não oferece a mesma separação entre pessoa física e jurídica. Em caso de dívidas ou processos, o patrimônio pessoal do empreendedor tende a ficar mais exposto.
Sociedade (partnership) Pode envolver dois ou mais sócios e diferentes arranjos de responsabilidade. Em muitos casos, a LLC é escolhida justamente por oferecer uma proteção patrimonial mais clara, aliada à flexibilidade contratual.
Corporação (C-Corp ou S-Corp) Normalmente exige mais formalidades, regras rígidas de governança e, em alguns cenários, maior complexidade tributária. A LLC, por outro lado, permite maior liberdade para definir distribuição de resultados, administração e entrada ou saída de sócios.
Por que a LLC é atrativa para empreendedores do varejo
No varejo (seja físico, digital ou híbrido) a operação envolve contratos, fornecedores, logística, meios de pagamento, atendimento ao consumidor e eventuais disputas legais. Nesse contexto, a responsabilidade limitada se torna um ponto relevante na hora de estruturar o negócio.
Outro fator é a flexibilidade societária. Operações varejistas podem reunir fundadores, investidores, parceiros estratégicos e operadores regionais. A LLC permite desenhar essas relações de forma contratual, por meio do operating agreement, sem a rigidez típica de outras estruturas.
Além disso, dados divulgados pelo estado de Delaware (uma das jurisdições mais conhecidas para abertura de empresas) indicam que as LLCs representam a maioria das novas formações empresariais no estado, refletindo a popularidade do modelo entre pequenos e médios negócios.
LLC e internacionalização do varejo
Com o avanço do e-commerce, do cross-border e da atuação em marketplaces internacionais, muitos empreendedores brasileiros do varejo passam a considerar a abertura de empresas no exterior. A LLC aparece com frequência nesses movimentos por ser um formato conhecido por bancos, plataformas digitais, operadores logísticos e parceiros comerciais nos Estados Unidos.
Pontos de atenção
Apesar das vantagens, a escolha por uma LLC exige análise. As regras variam conforme o estado americano onde a empresa é registrada, incluindo taxas, obrigações anuais e exigências administrativas. A Small Business Administration (SBA) também alerta que detalhes como a transferência de participação entre sócios e a forma de dissolução da empresa devem estar claramente previstos no acordo interno para evitar problemas futuros.
Uma estrutura estratégica, mas não automática
Em síntese, a LLC se consolidou como uma estrutura jurídica relevante para empreendedores que buscam proteção patrimonial, flexibilidade e eficiência operacional. No varejo, onde o risco e a complexidade fazem parte da rotina, esse modelo pode ser uma alternativa estratégica, desde que alinhada ao porte do negócio, ao plano de crescimento e às exigências legais envolvidas.
Leia também: 5 tendências da NRF 2026 para o varejo brasileiro
A NRF 2026: Retail ‘s Big Show, maior evento global de varejo, trouxe um recado claro para o mercado: a inteligência artificial deixou de ser vitrine e passou a ser operação. Sob o tema The Next Now, a edição deste ano marca a transição definitiva do discurso sobre inovação para a execução em escala, com dados, fluidez e confiança.
Presente no evento, Adriana Garbim, vice-presidente Comercial da Cielo, acompanhou as principais discussões e destaca cinco sinais que ajudam a entender para onde o varejo está indo.
“Mais do que tendências isoladas, elas revelam uma mudança estrutural na forma como marcas, consumidores e tecnologia se relacionam. A tecnologia certa é aquela que atua nos bastidores, garantindo segurança, fluidez e resiliência para que o varejista possa focar no que realmente importa: criar, vender e se relacionar com o cliente. O tempo dos testes isolados e o sucesso do varejo em 2026 não será definido por quem adota mais tecnologia, mas por quem constrói relações de confiança capazes de sustentar decisões feitas por humanos e por máquinas”, explica Garbim.
1. O comércio agêntico muda quem decide a compra
O varejo entra na era do agentic commerce, em que assistentes de inteligência artificial passam a mediar decisões de compra do início ao fim da jornada. Em vez de navegar por sites e comparar opções, o consumidor descreve uma necessidade e a tecnologia filtra, decide e executa.
“O setor está saindo da lógica da vitrine digital para a lógica da decisão automatizada. Quem não estiver preparado para ser lido por máquinas simplesmente deixa de existir nesse novo fluxo”, analisa Adriana.
Nesse cenário, não basta estar presente nos canais certos. É preciso ter estrutura, dados e processos capazes de sustentar decisões feitas por agentes de IA.
2. Dados limpos valem mais do que modelos avançados
Com a IA assumindo um papel ativo na descoberta e recomendação de produtos, a qualidade dos dados passa a ser mais relevante do que a sofisticação dos modelos.
“No Brasil, o varejista sempre foi muito bom em ‘gritar’ para atrair o cliente. Mas, em 2026, se você precisar gritar, é porque sua estratégia de dados falhou”, afirma a executiva. Segundo ela, a autoridade contextual passa a ser construída a partir de dados íntegros, bem estruturados e conectados à operação real, e não apenas por investimentos em mídia ou tecnologia de ponta sem base consistente.
3. O consumidor não enxerga canal, enxerga esforço
Outro sinal evidente da NRF 2026 é o fim definitivo da discussão sobre canais. Para o consumidor, a jornada é única, e qualquer fricção se traduz em abandono. “O cliente não separa físico de digital. Ele percebe esforço, atraso e inconsistência. A inovação de verdade é garantir que a promessa feita no digital seja entregue fisicamente com a mesma precisão”, destaca Adriana.
Nesse contexto, a experiência passa a ser medida pela fluidez entre descoberta, pagamento e entrega, independentemente do ponto de contato.
4. O pagamento vira a camada de confiança invisível
Com a consolidação do comércio mediado por agentes, o meio de pagamento deixa de ser apenas a etapa final da transação e passa a atuar como validador de identidade, risco e legitimidade.
“O pagamento se torna o passaporte da transação. No Brasil, temos uma vantagem competitiva enorme: o consumidor já confia no Pix e na biometria. O desafio agora é integrar essa confiança histórica ao comércio por agentes, tornando o checkout tão fluido que o cliente quase não percebe, mas sabe que está seguro”, analisa.
A tendência aponta para pagamentos cada vez mais invisíveis, integrados e baseados em dados, sustentando jornadas rápidas e seguras.
5. Quando tudo é gerado por IA, a confiança vira critério de visibilidade
Na NRF 2026, uma mensagem ficou evidente: em um ambiente mediado por inteligências artificiais, não basta aparecer. É preciso ser confiável.
“As IAs não recomendam o que não confiam”, resume Adriana. A descoberta passa a seguir outra lógica: dados estruturados ajudam você a entrar no radar, mas é a autoridade construída ao longo do tempo que faz o agente avançar até a decisão de compra.
Segundo a executiva, no novo varejo, confiança deixa de ser um atributo subjetivo e assume um papel técnico, quase operacional. É ela que define quem ganha espaço nas recomendações, quem chega primeiro ao consumidor e quem se torna, de fato, a escolha preferida dos sistemas de IA.
Imagem: Central do Varejo
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A venda de material escolar em 2026 apresenta forte retração, em meio a um orçamento mais restrito das famílias. Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School aponta uma retração projetada de -5,9% nas vendas em 2026, após uma recuperação parcial em 2025 (+2,7%) e uma forte queda em 2024 (-8,2%).
Essa diminuição nas vendas, porém, não reflete uma diminuição na necessidade, mas sim restrições orçamentárias. Itens essenciais e de menor valor unitário (como canetas, lápis e papel sulfite) mostraram maior resiliência, enquanto produtos de maior valor agregado (cadernos, livros didáticos, mochilas, cadeiras e mesas de estudo) registraram quedas expressivas. O movimento indica substituição, reaproveitamento e postergação de compras, sobretudo entre famílias de renda média e baixa.
Uma exceção a esse comportamento foi observada na compra de uniforme escolar, que apresentou crescimento de 27,9% em 2026, associado à obrigatoriedade do item, o que limita a capacidade de ajuste das famílias.
Outro fator que pode ter colaborado para a diminuição na venda de material escolar é o aumento dos preços. Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, os preços de material escolar acumularam alta de 29,5%, mais que o dobro do IPCA aproximado no período (14,3%). O descolamento evidencia pressões específicas de custos, como o encarecimento do papel, da logística, de insumos importados e do câmbio.
A análise regional revela que, em estados de menor renda, o gasto médio com material escolar consome entre 35% e 40% da renda média mensal, enquanto em estados de maior renda essa proporção fica abaixo de 25%. Esse percentual elevado se explica pela concentração dessas despesas no início de ano.
O mesmo cenário é identificado entre os alunos: 80% estão na rede estadual, onde o gasto absoluto é menor, mas o impacto relativo sobre a renda é significativamente maior. Com menor margem de ajuste, essas famílias tornam-se mais sensíveis aos aumentos de preços e adotam estratégias defensivas, como reduzir volumes, trocar marcas ou reutilizar materiais de anos anteriores.
Para Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School: “A volta às aulas de 2026 ocorre em um ambiente mais duro do que o de 2025. O setor enfrenta queda de volume, inflação persistente e alta elasticidade à renda, o que reforça a necessidade de estratégias focadas em acessibilidade, como kits econômicos, promoções e parcelamento, ao mesmo tempo em que evidencia desafios estruturais ligados à desigualdade de renda e ao encarecimento contínuo dos insumos educacionais”, afirma ele.