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Como a IA está transformando a Justiça brasileira?

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A FGV Justiça publicou a pesquisa Inteligência Artificial – Tecnologia aplicada à gestão dos conflitos no âmbito do Poder Judiciário brasileiro. O objetivo do estudo, em sua 4ª edição, é mapear os sistemas de Inteligência Artificial (IA) em diferentes esferas da Justiça brasileira. Essa iniciativa faz parte do Painel de Projetos de Inteligência Artificial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em suma, ela trouxe à tona a distribuição das iniciativas por tipo de atividade. Entretanto, o material traz uma análise qualitativa de casos representativos de IA generativa em várias instituições. Entre elas, o Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e os Tribunais Regionais.

A IA generativa tem apoiado a gestão processual, triagem e até mesmo a elaboração de minutas, conforme revelou o estudo. Trata-se de um olhar mais aprofundado sobre as funcionalidades, objetivos e resultados observados em vários casos. A ideia é mostrar como a tecnologia pode ser uma aliada no dia a dia da Justiça.

Resolução CNJ nº 615/2025

Um dos grandes avanços da pesquisa é a análise regulatória atualizada, que considera as diretrizes da Resolução CNJ nº 615/2025. Importante destacar que essa resolução enfatiza a importância do letramento digital, transparência e supervisão humana no uso da IA. Em síntese, ela institui a Política de Uso de Inteligência Artificial (IA) no Poder Judiciário do Brasil. Ademais, estabelece diretrizes para o desenvolvimento e a utilização de sistemas de IA no Poder Judiciário.

A norma enfatiza a ética, a transparência, a explainabilidade, a auditabilidade e a confiabilidade das soluções. E proíbe de forma explícita o uso de IAs que atribuam pontuações de risco com base em fatores socioeconômicos, antecedentes criminais ou familiares.

Comparações e riscos

O estudo também amplia o horizonte comparativo, utilizando dados da Carta Ética Europeia sobre o uso da IA nos sistemas judiciais e seu ambiente (CEPEJ/AIAB). Ademais, examina casos de sucesso no Poder Judiciário da China e da Índia. Na visão dos pesquisadores, isso é fundamental para entender diferentes arranjos institucionais e os desafios que cada país enfrenta. Isso porque a comparação oferece parâmetros operacionais que dialogam com a realidade brasileira, permitindo um aprendizado mútuo.

Outra parte importante da pesquisa é a sistematização dos riscos associados à IA generativa, bem como a proposição de medidas de mitigação. A ideia é posicionar a tecnologia como uma ferramenta que apoia o processo, e não como uma simples substituta do raciocínio jurídico. Luis Felipe Salomão é ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e coordenador da FGV Justiça. Ele destaca, no documento, a importância desse estudo para o futuro da Justiça no Brasil. Como resultado, ele afirma que “a tecnologia deve ser vista como aliada na busca por um sistema mais eficiente e acessível”.

Painel de Projetos de IA

O estudo da FGV Justiça apresentou um Painel de Projetos de Inteligência Artificial (IA) no Poder Judiciário. Em suma, é um panorama sobre como a tecnologia vem sendo aplicada nos tribunais brasileiros. De acordo com o último mapeamento, que foi atualizado até 6 de março de 2025, já é possível observar um avanço significativo nas iniciativas de IA, com muitos tribunais implementando soluções práticas e outras ainda se preparando para dar os primeiros passos.

Os dados coletados são divididos em dois grupos principais. Em primeiro lugar, um resumo geral das soluções de IA desenvolvidas até março de 2025. Enquanto isso, o segundo grupo foca especificamente nos sistemas criados em 2024, publicados em abril de 2025. Essa divisão ajuda a entender melhor onde a IA já está fazendo a diferença e onde ainda há espaço para inovação.

Distribuição das soluções de IA

No mapeamento geral, as ferramentas de IA estão organizadas em quatro grupos, cada um atendendo a diferentes necessidades do Judiciário. O primeiro grupo é voltado para atividades administrativas, como a gestão de recursos e a prestação de informações ao público. Aqui, as soluções ajudam a traduzir decisões judiciais para uma linguagem mais simples, tornando o acesso à justiça mais fácil para todos. Do ponto de vista dos processos consumeristas, essas ferramentas podem auxiliar na identificação de práticas abusivas e no fornecimento de orientações claras sobre os direitos dos consumidores.

O segundo grupo é mais focado na automação dos processos. Essas ferramentas auxiliam os juízes na triagem de processos, na classificação de petições e na identificação de litigâncias predatórias, entre outras tarefas. Isso significa que, com o suporte da IA, o trabalho dos magistrados pode ser mais eficiente e menos sobrecarregado.

O terceiro grupo é ainda mais próximo da atividade jurisdicional. Ele conta com soluções que auxiliam na elaboração de decisões, análises de peças processuais e até na recomendação de sobrestamentos de processos. Isso revela como a tecnologia pode ser uma aliada no dia a dia dos tribunais, ajudando a garantir decisões mais rápidas e justas.

Por fim, o quarto grupo é voltado para a conciliação, ampliando o uso de métodos autocompositivos e facilitando a resolução de conflitos de maneira mais amigável.

Inovação na Defesa do Consumidor

Do ponto de vista consumerista, um exemplo prático e inovador do uso da IA no Judiciário foi a iniciativa do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Para tanto, o tribunal formou uma equipe multidisciplinar composta por magistrados, assessores e especialistas em tecnologia da informação para abordar questões recorrentes na área de defesa do consumidor. Foram identificados 60 temas, incluindo negativação indevida e overbooking.

Nesse ínterim, para lidar com a complexidade de abrir cada processo e encontrar exemplos de cada tema, a equipe desenvolveu uma estratégia inteligente: usar palavras-chave combinadas com operadores lógicos para extrair dados de maneira mais precisa. Esse trabalho permitiu a criação de um conjunto de dados robusto para treinar a IA.

O resultado foi o desenvolvimento de um “Etiquetador Robô”, que lê os processos e rotula as informações no sistema judicial, facilitando a identificação e o tratamento dos casos. Um projeto piloto foi iniciado em três unidades judiciais, buscando coletar feedback dos usuários e ajustar o sistema conforme necessário. A expectativa do TJ-BA é que, com o sucesso do projeto piloto, o “Etiquetador Robô” seja implementado em outras unidades do tribunal, aumentando a eficiência na análise de processos e promovendo uma resposta mais ágil às demandas dos consumidores.

Seminário

Em paralelo ao lançamento da pesquisa, o Centro de Justiça da FGV e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promoveram um seminário sobre o uso da IA no sistema judiciário brasileiro. O evento contou com a participação de diversos juízes, ministros e especialistas na área. O seminário teve como objetivo promover uma reflexão crítica sobre a inserção de sistemas de IA no Judiciário brasileiro e discutir seus efeitos práticos, além dos desafios enfrentados.

O seminário contou com apresentações de diversas ferramentas e aplicações baseadas em IA desenvolvidas por diferentes tribunais. São elas:

  • Atalaia: Um sistema para identificar e monitorar padrões de litígios abusivos em todo o Judiciário.
  • Galileu: Uma ferramenta desenvolvida pelo TST que auxilia juízes na geração de atas de audiências e decisões.
  • Zeus: Um sistema desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará que transcreve e resume gravações de audiências.
  • Maria: Uma ferramenta de IA criada pelo Supremo Tribunal Federal para auxiliar na análise de recursos e reclamações.
  • Logos: Um sistema baseado em chatbot desenvolvido pelo Superior Tribunal de Justiça para ajudar juízes e servidores em diversas tarefas.
  • Assis: Uma solução criada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que gera atas de sentenças e acordos.
  • Jus IA: Uma plataforma desenvolvida pela JusBrasil, empresa brasileira de tecnologia jurídica, para fornecer suporte baseado em IA para pesquisa e análise jurídicas.
Luiz Felipe Salomão, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça.

Falar sobre IA no Judiciário

Luiz Felipe Salomão, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ressaltou a importância e a urgência da discussão sobre IA no judiciário durante um evento que contou com a presença de autoridades, como ministros e juízes. “A integração da IA no sistema judiciário é um tema que suscita tanto oportunidades quanto desafios.”

Salomão destacou que a adoção de tecnologias avançadas pode acelerar processos, melhorar a eficiência e garantir maior acesso à Justiça. No entanto, enfatizou também a necessidade de um debate amplo sobre as implicações éticas e legais da IA, para que seu uso seja alinhado aos princípios da justiça e da equidade.

IA para reduzir litigância predatória

Daniela Pereira Madeira, conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apresentou, na oportunidade, o sistema Atalaia. Este projeto visa identificar e monitorar padrões de litígios abusivos em todo o País, com objetivos claros: reduzir a litigiosidade, identificar casos de lis pendens e detectar litígios abusivos. Segundo Daniela, o Atalaia promete oferecer aos juízes uma visão nacional sobre esses padrões, auxiliando na tomada de decisões mais informadas.

Importante salientar que lis pendens é um aviso público que informa sobre a existência de um processo judicial envolvendo um imóvel, registrado em cartórios de imóveis. Essa notificação alerta potenciais compradores e credores de que o título da propriedade pode ser afetado pela decisão do litígio. Por consequência, isso dificulta a venda ou hipoteca do bem e protege os direitos do autor da ação.

Rodrigo Trindade de Souza, juiz do 4º Tribunal Regional do Trabalho, abordou o crescimento rápido do uso de ferramentas de IA no judiciário, especialmente para a geração de atas de audiências e decisões. No entanto, ele alertou para os desafios que essa tecnologia traz, como o risco de alucinações e vieses, e ressaltou a importância de manter a supervisão humana. Rodrigo apresentou o sistema Galileu, que adota uma abordagem de “prompt fechado” para mitigar esses riscos, destacando a necessidade de preservar a autonomia dos juízes na tomada de decisões.

Qualidade e celeridade

João Valério de Moura Júnior, juiz do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, também trouxe à tona questões relevantes, como os desafios na gestão do grande volume de provas em formato de áudio e vídeo nos tribunais criminais. Ele apresentou o sistema Zeus, que utiliza IA para transcrever e resumir gravações de áudio das sessões judiciais, permitindo uma recuperação rápida de informações relevantes e gerando economias significativas de tempo e custo. “Envolver os usuários finais no desenvolvimento dessas ferramentas é fundamental para garantir que elas atendam às necessidades reais dos tribunais.”

O evento contou ainda com a participação de Natasha Moraes de Oliveira, ex-secretária de Tecnologia e Inovação do Supremo Tribunal Federal; Montgomery Wellington Muniz, chefe da Assessoria de Inteligência Artificial no Superior Tribunal de Justiça; Daniel Raab, secretário-geral de Tecnologia da Informação do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro; Luiz Paulo Pinho, cofundador do JusBrasil, que trouxe uma perspectiva sobre como a tecnologia pode democratizar o acesso à informação jurídica. Ele apresentou a plataforma Jus IA, que busca garantir a confiabilidade das informações geradas.

Tecnologia e missão do Judiciário

Vânia Marques Marinho, desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, falou sobre a governança da IA no Judiciário. Ela destacou a necessidade de alinhar o uso da tecnologia com a missão do Judiciário, evitando que a busca por eficiência comprometa a qualidade do atendimento.

Daniela Pereira Madeira revelou que as preocupações dos tribunais estão mais relacionadas ao uso ético da tecnologia do que ao temor de que a IA substitua juízes e funcionários. O trabalho do Comitê Nacional de Inteligência Artificial no Judiciário, focado em capacitação e desenvolvimento de protocolos, foi destacado como um passo importante para o futuro do setor. “O cenário jurídico brasileiro se mostra promissor, mas ainda é necessário enfrentar os desafios da implementação e garantir que a tecnologia sirva como aliada na busca por justiça.”

Desafios e oportunidades

  • As discussões destacaram os desafios da implementação da IA no Judiciário, como a necessidade de capacitação, o risco de viés e erros, e o potencial impacto no processo decisório.
  • No entanto, os participantes também reconheceram as oportunidades apresentadas pela IA, incluindo maior eficiência, melhor acesso à Justiça e a possibilidade de reduzir o backlog de casos.
  • A importância da colaboração e do compartilhamento de conhecimento entre os diferentes tribunais foi enfatizada, assim como a necessidade de garantir que o desenvolvimento e uso de ferramentas baseadas em IA estejam alinhados com a missão e os valores do Judiciário.

Transformação digital no Judiciário

Nos últimos anos, o Poder Judiciário brasileiro passou por uma verdadeira revolução tecnológica, que começou com a digitalização dos autos processuais. Essa mudança não só substituiu o papel pelo meio eletrônico, mas também transformou a forma como os processos são geridos e acessados, trazendo eficiência e transparência ao sistema.

Antes da digitalização, os advogados precisavam se deslocar fisicamente até os fóruns para protocolar petições. O acesso aos autos era restrito a um único profissional por vez, e a reprodução de documentos dependia de fotocópias, gerando custos e atrasos significativos. Essa burocracia dificultava a produção de dados estatísticos confiáveis sobre a atividade do Judiciário, prejudicando a formulação de políticas públicas eficazes.

A mudança começou a ganhar força com a Lei nº 11.419/2006, que institucionalizou o processo eletrônico no Brasil. Com isso, o Judiciário não só se desburocratizou, mas também ganhou em agilidade, permitindo o desenvolvimento de sistemas integrados de gestão processual. Hoje, é possível coletar e analisar dados em tempo real, o que ajuda a criar indicadores essenciais, como o tempo médio de tramitação e a produtividade dos magistrados. Esses dados são fundamentais para melhorar os serviços judiciários como um todo.

Desmaterialização

Outro marco importante foi a desmaterialização dos procedimentos judiciais graças ao Processo Judicial Eletrônico (PJe). Essa mudança, que ganhou ainda mais impulso durante a pandemia de Covid-19, facilitou o acesso ao Judiciário, permitindo que advogados e magistrados se comunicassem de forma remota.

Atualmente, o Brasil está entrando em uma nova fase, marcada pela automação de tarefas. Com o uso de IA, sistemas são capazes de realizar funções que antes eram exclusivas dos profissionais do Direito, como triagem de demandas e previsão de decisões. Entretanto, essa evolução não vem sem desafios. E, em contrapartida, hoje a aplicação de IA no Judiciário levanta questões sobre a imparcialidade das decisões, a transparência dos algoritmos e a necessidade de supervisão humana.

Desde a metade da década de 1990, os esforços de modernização focaram em duas direções estratégicas:

  • Aumentar o acesso dos cidadãos à Justiça, por meio da digitalização de serviços e da criação de canais de atendimento remoto;
  • E aprimorar a transmissão de dados entre os órgãos do sistema de Justiça, com ênfase na interoperabilidade institucional.

Veja abaixo alguns marcos importantes:

  • Institucionalização do Peticionamento Eletrônico: A Lei nº 9.800/1999 permitiu o uso de meios eletrônicos, como fac-símile, para atos processuais que exigiam petição escrita. No entanto, ainda era necessário entregar o original físico em até cinco dias, indicando que o ambiente digital complementava o papel. A verdadeira autonomia do peticionamento eletrônico veio com a Lei nº 11.419/2006, que regulamentou a informatização completa dos processos judiciais.
  • Adesão à ICP-Brasil: Em 2004, o Judiciário brasileiro aderiu à Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), o que proporcionou mais segurança jurídica ao uso de autenticação digital baseada em certificados, tornando os atos processuais eletrônicos válidos e seguros.
  • Regulamentação do Processo Judicial Eletrônico: A Lei nº 11.419/2006 conferiu aos documentos eletrônicos o mesmo valor probatório que os físicos, desde que assinados digitalmente. Essa lei também trouxe novas diretrizes para a intimação e gestão de arquivos digitais, levando tribunais a criar normas complementares.

IA nos tribunais:

  • Iniciativas do STJ e STF: O STJ lançou a Resolução nº 2/2007. Ela instituiu o peticionamento eletrônico. Por consequência, o STF seguiu com a Resolução nº 417/2009. O STJ foi pioneiro na eliminação do uso de papel, tornando-se um modelo em digitalização.
  • Inovação na Justiça do Trabalho: O Tribunal Superior do Trabalho (TST) lançou o software Cálculo Rápido Trabalhista. O propósito é facilitar cálculos em ações trabalhistas e promovendo a transparência e eficiência. Essa ferramenta foi um marco na auto atuação dos jurisdicionados.
  • Programa Justiça 4.0: Em 2021, o CNJ lançou o Programa Justiça 4.0, focado na inovação e acesso à Justiça por meio de tecnologia. Os principais eixos incluem o Juízo 100% Digital, que permite a tramitação totalmente remota, e o Balcão Virtual, que oferece atendimento por videoconferência.
  • Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ-Br): Instituída para integrar sistemas e promover a interoperabilidade entre tribunais. A PDPJ busca desenvolver soluções colaborativas e padronizar a experiência do usuário.
  • Lançamento do DataJud (2020): A Base de Dados Processuais do Poder Judiciário, criada para monitorar atividades jurisdicionais e reforçar a transparência. Os dados coletados ajudam na formulação de políticas públicas e são essenciais para o relatório Justiça em Números.

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Cesta básica registra queda no segundo semestre de 2025

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Cesta básica registra queda no segundo semestre de 2025


O preço da cesta básica de alimentos em São Paulo apresentou queda de 4,17% no segundo semestre de 2025. O valor passou de R$ 865,90 em julho para R$ 845,95 em dezembro, uma redução de R$ 19,95 no período. O balanço das 27 capitais foi divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com esse resultado, a capital paulista teve a terceira maior redução no custo da cesta básica na região Sudeste.

Os dados fazem parte da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pela Conab em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A cooperação entre as instituições foi formalizada em 20 de agosto de 2025 e ampliou o acompanhamento de preços para todas as 27 capitais brasileiras.

Em São Paulo, a queda foi impulsionada principalmente pela redução nos preços de itens essenciais. O tomate apresentou recuo de 27,80%, seguido pela batata, com queda de 21,26%, e pelo arroz, que ficou 16,97% mais barato no período. Também registraram diminuição os preços do óleo, com retração de 13,75%, e da farinha, com queda de 11,57%.

De acordo com a Conab, o movimento observado em São Paulo acompanha uma tendência nacional de redução nos preços da cesta básica. Segundo o presidente da companhia, Edegar Pretto, o resultado está relacionado à política agrícola adotada no País. “Essa queda generalizada é fruto dos investimentos que o Governo do Brasil vem fazendo no setor agropecuário brasileiro, aumentando a produção de alimentos para o consumo interno nacional”, afirmou.

Ainda segundo Pretto, os Planos Safra, tanto o empresarial quanto o voltado à agricultura familiar, vêm alcançando valores recordes, com ampliação do crédito e juros subsidiados. “O efeito é a maior safra da série histórica, o que se traduz em mais comida disponível e preços mais acessíveis para a população”, destacou.

Fonte: Conab/Dieese

Entre as capitais brasileiras, Boa Vista (RR) registrou a maior queda no preço da cesta básica no segundo semestre de 2025, com redução de 9,08%. O valor caiu de R$ 712,83 em julho para R$ 652,14 em dezembro. Em seguida aparecem Manaus (AM), com retração de 8,12%, e Fortaleza (CE), com queda de 7,90%. No outro extremo, Belo Horizonte (MG), Macapá (AP) e Campo Grande (MS) apresentaram reduções de 1,56%, 2,10% e 2,16%, respectivamente.

No recorte regional, Boa Vista liderou a queda no Norte, Fortaleza no Nordeste, Brasília no Centro-Oeste, Florianópolis no Sul e Vitória no Sudeste, com redução de 7,05% no preço da cesta básica no acumulado dos últimos seis meses de 2025.

A ampliação da coleta de preços, de 17 para 27 capitais, é resultado da parceria entre a Conab e o Dieese. Segundo os órgãos, a iniciativa reforça a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Política Nacional de Abastecimento Alimentar. Os primeiros resultados com cobertura nacional começaram a ser divulgados em agosto de 2025.

Imagem: Secretaria de Comunicação/Presidência da República

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Parlamento Europeu suspende acordo comercial com o Mercosul

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Parlamento Europeu suspende acordo comercial com o Mercosul


O Parlamento Europeu decidiu nesta quarta-feira (21) encaminhar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul à Corte de Justiça da União Europeia, medida que suspende o processo de aprovação do tratado e impõe novo atraso à sua eventual entrada em vigor.

A decisão foi aprovada por margem estreita: 334 eurodeputados votaram a favor do envio do acordo à Corte, 324 foram contrários e 11 se abstiveram. Com isso, a tramitação do texto no Parlamento fica congelada até que haja um parecer judicial sobre sua compatibilidade com os tratados da União Europeia.

O acordo foi assinado em 17 de janeiro e prevê a criação de uma área de livre comércio que reúne mais de 700 milhões de pessoas. Apesar de ter superado entraves políticos após mais de duas décadas de negociações, o tratado enfrenta resistência em diversos países europeus, entre eles França e Polônia.

A Comissão Europeia ainda pode aplicar o acordo de forma provisória, desde que haja aval dos Estados-membros. A possibilidade, no entanto, é considerada sensível do ponto de vista institucional.

Questionamentos jurídicos do Parlamento Europeu

Os eurodeputados que propuseram o encaminhamento à Corte argumentam que a decisão da Comissão Europeia de separar o pilar comercial do acordo (submetendo-o apenas à aprovação do Conselho da UE e do Parlamento Europeu) teria como objetivo impedir a participação dos parlamentos nacionais, o que poderia ser considerado ilegal.

A resolução também questiona a legalidade do chamado “mecanismo de reequilíbrio”, previsto no acordo, que autoriza países do Mercosul a adotar medidas compensatórias caso futuras legislações da UE reduzam suas exportações ao bloco europeu.

Com a decisão, o procedimento de aprovação no Parlamento, que previa uma votação final nos próximos meses, fica suspenso. A expectativa é que a Corte de Justiça leve mais de um ano para emitir um parecer, período durante o qual o acordo permanecerá congelado.

Reações e manifestações

Na véspera da votação, agricultores realizaram protestos em Estrasburgo. Milhares de manifestantes cercaram o Parlamento Europeu com tratores e entraram em confronto com a polícia. O setor agrícola expressa preocupação com a entrada de produtos sul-americanos a preços mais baixos e com padrões diferentes dos exigidos na União Europeia.

Após a votação, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que a instituição “lamentou a decisão” e que “buscará convencer os parlamentares sobre a importância geoestratégica deste acordo comercial”. Questionado sobre a aplicação provisória do tratado, o porta-voz declarou que o tema seria debatido durante uma cúpula extraordinária de líderes da UE, antes de qualquer decisão adicional.

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Gap Inc. cria cargo de chief entertainment officer

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Gap Inc. cria cargo de chief entertainment officer


A Gap Inc. anunciou a criação do cargo de chief entertainment officer e a contratação de Pam Kaufman para a função. A executiva assume o posto no início de fevereiro e responderá diretamente ao CEO da companhia, Richard Dickson.

Segundo a empresa, Kaufman terá como responsabilidade estruturar, desenvolver e escalar a plataforma de entretenimento, conteúdo e licenciamento da Gap Inc. A área abrangerá iniciativas relacionadas a música, televisão, cinema, esportes, games, produtos de consumo e colaborações. O trabalho dará continuidade a campanhas como “Better in Denim”, da marca Gap, com o grupo Katseye, ações com a Harlem’s Fashion Row e a colaboração da Old Navy com a Disney.

Pam Kaufman ingressa na companhia em 2 de fevereiro como vice-presidente executiva. Antes disso, atuou na Paramount, onde ocupou os cargos de presidente e CEO de mercados internacionais, produtos de consumo globais e experiências. De acordo com a Gap Inc., ela possui “histórico de expandir propriedades intelectuais icônicas para expressões ligadas à moda por meio de parcerias guiadas por design, licenciamento, varejo e experiências”.

A executiva também integra ou já integrou conselhos de organizações como Stella McCartney, Lindblad Expeditions e o Rock & Roll Hall of Fame.

O cargo foi criado, segundo a empresa, a partir do entendimento de que “moda é entretenimento”, conceito que a companhia denomina de “fashiontainment”.

Em comunicado, Richard Dickson afirmou: “À medida que revitalizamos o portfólio de marcas icônicas americanas da Gap Inc. para impulsionar relevância e receita, reconhecemos que o entretenimento é um elo fundamental com o consumidor”. Ele acrescentou: “É um elemento no qual podemos nos apoiar para criar comunidades de fãs, inspirar movimentos e sustentar o crescimento ao longo do tempo”.

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