Na era da Inteligência Artificial (IA), o papel do consumidor e a dinâmica das relações de consumo têm passado por transformações significativas. Essa mudança é impulsionada por uma crescente disponibilidade de informações e pelo acesso facilitado a múltiplas plataformas de compra. Os consumidores, cada vez mais informados, buscam não apenas produtos e serviços, mas uma experiência completa que atenda às suas expectativas e valores. As empresas, por sua vez, precisam adaptar suas estratégias para compreender e se conectar com esse novo perfil de consumidor.
Para entender melhor o que se espera do futuro da defesa do consumidor no Brasil nesse novo contexto, a Consumidor Moderno entrevistou Luciano Timm, advogado e sócio do CMT Advogados, que lidera a equipe de solução de disputas. Nessa entrevista, Timm compartilha seus insights sobre a evolução do Código de Defesa do Consumidor. Mas não só. Ele também fala das implicações da tecnologia na relação entre consumidores e empresas e o papel dos órgãos de defesa.
Durante a conversa, Timm ainda discute se a tutela estatal continua sendo necessária para o consumidor brasileiro contemporâneo. Isso considerando o empoderamento proporcionado pela tecnologia e o acesso à informação. Ele também analisa se a visão paternalista tem contribuído para o aumento de litígios. E, se sim, como as empresas devem se adaptar às novas demandas dos consumidores por meio da inovação tecnológica? Não perca esta oportunidade de entender melhor as complexidades do cenário atual e as perspectivas para as relações de consumo no Brasil.
Confira a íntegra da entrevista a seguir.
Interesses do consumidor
Consumidor Moderno: Quais são as reais expectativas dos consumidores em relação à tutela de seus direitos? Eles buscam essa proteção ou preferem assumir um papel mais ativo na defesa de seus interesses?
Luciano Timm: Creio que faltam provas empíricas robustas que possibilitem medir, de maneira objetiva, se o consumidor brasileiro ainda almeja ou necessita da proteção estatal nos moldes estabelecidos na década de 1990, quando foi instituído o Código de Defesa do Consumidor. Vale lembrar que essa legislação surgiu antes da queda do Muro de Berlim, antes da popularização da internet e muito antes do advento das redes sociais. Hoje, praticamente todos no Brasil possuem um celular e têm acesso à internet, o que indica que os consumidores estão significativamente mais informados, empoderados e conectados do que estavam há trinta anos. Assim, a necessidade de intervenção estatal é, sem dúvida, menor. Precisamos evoluir para uma agenda mais liberal na economia, algo que, em minha visão, é o desejo da maioria dos brasileiros atualmente.
Litigância
CM: De que maneira a tutela do consumidor pode estar contribuindo para o aumento da litigiosidade no Brasil? Existe uma correlação entre a busca por essa proteção e o número elevado de disputas judiciais?
Com certeza toda essa proteção só aumenta a litigiosidade. A perspectiva paternalista e intervencionista, que predomina entre os especialistas da área e que acabou moldando a formação da maioria dos juízes, resulta em decisões judiciais que perpetuam esse paternalismo. Isso gera, como costumo dizer, um efeito boomerang: em vez de proteger, o excesso de tutela estimula a litigiosidade e prejudica o próprio consumidor. As empresas devem repassar o custo dessa judicialização nos preços de seus produtos e serviços. Assim, no final das contas, o consumidor paga mais caro não apenas pela atuação judicial, mas também pelo aumento dos custos das empresas resultante desse ambiente jurídico.
Canais de atendimento
CM: Com a evolução dos canais de atendimento, especialmente após a predominância do telefone, como as empresas devem reestruturar suas abordagens? A automação por meio de robôs é realmente a solução mais eficaz ou a interação humana ainda é essencial? Estão as organizações preparadas para essa transição?
Sem dúvida, o caminho é investir em tecnologia, como já indicado no Decreto do SAC de 2020. É lamentável que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) não tenha regulamentado esse Decreto, pois perdemos quatro anos em que poderíamos estar avaliando a eficiência dos serviços e ajustando melhor a necessidade de intervenções. Especialmente entre as gerações mais jovens, a demanda por contato humano é menor. Quanto mais tecnologia, mais ganhos de escala, maior eficiência, menores preços – e isso é benéfico para os consumidores.
Aliás, empresas que já nascem digitais tendem a ter menos reclamações, justamente por internalizarem uma cultura de solução rápida e digital. Naturalmente, haverá consumidores que preferem um atendimento mais tradicional, especialmente aqueles com um perfil mais conservador ou menos familiaridade tecnológica. Por isso, a empresa deve ajustar a abordagem de atendimento conforme o público-alvo. No entanto, de maneira geral, é preferível que o próprio mercado faça essa adaptação, sem regulação estatal excessiva.
Inteligência Artificial
CM: Qual é a função dos órgãos de defesa do consumidor em um contexto em que as inovações tecnológicas têm conferido maior autonomia e empoderamento aos consumidores?
O papel dos órgãos públicos, como os Procons, deveria se concentrar prioritariamente na educação e na orientação. Contudo, no Brasil, observa-se que esse foco ainda é escasso: a atuação dos Procons continua excessivamente voltada para autuações e posturas conflituosas, como se as relações de consumo fossem permanentemente antagônicas. É necessário assumir de maneira mais séria a missão institucional de harmonização das relações e promover a educação para o consumo, aliada ao incentivo ao uso de tecnologias.
Em grande medida, ainda operamos com uma mentalidade ancorada no passado, como se os instrumentos e estratégias de décadas atrás ainda se adequassem para lidar com a realidade atual. Entretanto, vivemos uma ruptura digital e os órgãos de defesa do consumidor precisam se atualizar. Esses temas foram discutidos de maneira produtiva na reunião anual do Procon de São Paulo deste ano, e parabenizo o diretor-presidente do Procon-SP, Dr. Luiz Orsatti, pela disposição em abordar essas questões com profundidade.
Compreensão dos direitos
CM: As tecnologias emergentes estão, de fato, facilitando a compreensão dos direitos dos consumidores, ou há aspectos que ainda dificultam essa clareza?
Em parte. Infelizmente, ainda vejo pouca aposta efetiva em tecnologia por parte dos órgãos públicos, como Procons e Senacon. Isso dificulta até mesmo a avaliação do impacto real dessas ferramentas no empoderamento do consumidor. Por outro lado, as empresas vêm investindo de maneira mais consistente nesse campo. Quanto mais recursos as empresas aplicam em tecnologia e em soluções rápidas para resolver conflitos e disputas com consumidores, mais mercado conquistam e fortalecem sua reputação. Essa é uma tendência positiva, mas não pode ser um fardo exclusivo do setor privado. O Estado deve cumprir seu papel, seja por meio de plataformas de orientação e educação digital, seja modernizando seus próprios canais de atendimento e fiscalização.
Problemas do consumidor
CM: Na contemporaneidade, marcada pela personalização e interconexão, os consumidores ainda enfrentam numerosos obstáculos, como a falta de transparência, informações confusas e problemas de atendimento. O Estado tem adotado as medidas necessárias para mitigar esses desafios?
Na minha opinião, não. Ainda se investe muito pouco em informação de qualidade e em tecnologia voltada para a defesa do consumidor por parte dos governos, como já mencionei. Além disso, continuamos a operar sob um modelo de atuação consumerista que se baseia excessivamente em sanções, mesmo diante de evidências de que esse enfoque isolado não é eficaz. Precisamos evoluir para um modelo de regulação responsiva, que seja mais calibrado, focado em incentivos e cooperação, e menos em punições automáticas. É essencial que os profissionais que atuam na área de direito do consumidor se apropriem dos avanços que acontecem em campos como direito regulatório, direito econômico, análise econômica do direito e economia comportamental. Destaco também um ponto metodológico: faltam evidências empíricas robustas para muitas das afirmações presentes na primeira parte da sua pergunta. Isso deve ser considerado antes de propor qualquer nova política pública.
Consumidor.gov
CM: O Consumidor.gov foi introduzido como uma plataforma digital para aprimorar a resolução de conflitos, no entanto, sua adesão tem sido insatisfatória e sua visibilidade limitada. Os dados apresentados, que incluem reclamações consideradas resolvidas e aquelas encerradas sem avaliação, podem distorcer a realidade enfrentada pelos consumidores. Qual é a sua perspectiva sobre essa discrepância?
Percebo que as constatações, da forma como apresentada em sua pergunta, carece de evidências mais consistentes. Em primeiro lugar, não parece correto afirmar que há baixa adesão: ao acompanhar esses números entre 2019 e 2022, observei um crescimento consistente, com índices de eficiência superiores aos registrados em canais de mediação do próprio Poder Judiciário. Da mesma forma, afirmar que os números “não refletem a realidade” requer um diagnóstico técnico mais aprofundado.
Quanto à metodologia de cálculo do índice de solução, entendo que há, há muitos anos, justificativas transparentes e públicas para o modelo adotado pela plataforma, discutidas em diversos eventos e fóruns. É claro que sempre há espaço para aperfeiçoar, mas não considero que exista, atualmente, um vício estrutural no modelo de cálculo do Consumidor.gov. Trata-se de uma ferramenta bem elaborada, que desempenha um papel relevante e que deve ser valorizada e aprimorada com base em evidências, não apenas em percepções. Já foi reconhecida em várias publicações internacionais como a melhor plataforma para resolução de disputas consumeristas, o que eu concordo. Talvez tenha perdido o protagonismo que possuía na gestão atual da Senacon, conforme o que ouço das empresas, mas não tenho acompanhado isso academicamente para fazer uma afirmação baseada em evidências científicas.
“Peso do Estado excessivo”
CM: Na era da Inteligência Artificial, quem serão os principais responsáveis pela defesa dos direitos dos consumidores? Quais são as expectativas que os consumidores podem nutrir em relação a essas novas tecnologias?
Na era da Inteligência Artificial, o Brasil enfrenta desafios próprios: o País vem perdendo espaço e relevância no cenário econômico internacional devido à baixa inserção nas cadeias globais; o peso do nosso Estado é excessivo e o governo federal é bastante ineficiente no controle de gastos públicos. Há muitas pessoas no Brasil preocupadas com a regulamentação da Inteligência Artificial, mas a realidade é que temos pouco desenvolvimento tecnológico no País. Formamos poucos engenheiros e cientistas da computação. Essa deveria ser nossa preocupação, ou ficaremos para trás em relação aos outros países do BRICS.
Contudo, olhando para o futuro, acredito – e espero – que, com uma economia mais forte, os grandes protagonistas nas relações de consumo sejam, de fato, as empresas e os próprios consumidores. O papel do Estado deve ser o de regulador, intervindo apenas quando falhas de mercado forem efetivamente identificadas. No campo da defesa do consumidor, o foco deve estar na promoção da educação, na orientação e no incentivo à autorregulação. O ideal seria avançar para um ambiente mais harmonioso e dialógico, com menos contenciosidade e menos paternalismo estatal. Favorecendo, assim, soluções privadas e espontâneas sempre que possível.
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O varejo chega a 2026 em um contexto em que decisões estratégicas baseadas apenas em intuição perdem espaço para operações orientadas por dados. Com consumidores mais conectados e um ambiente competitivo, a capacidade de transformar informações em ações concretas no ponto de venda (PDV) passa a ser um fator central para crescimento e rentabilidade.
De acordo com o relatório From Data Overload to Data Driven Decisions in Retail, da KPMG, 54% dos varejistas que adotaram práticas estruturadas de análise de dados registraram aumento de pelo menos 10% no lucro operacional. O estudo aponta que eficiência e rentabilidade estão cada vez mais associadas ao uso de dados qualificados, inteligência artificial e análises preditivas.
Para Tiago Cabral, CEO da Núcleo, agência de marketing de incentivo e promocional, o avanço depende de uma mudança na forma como as empresas utilizam informações. “Os dados só têm valor quando se transformam em decisões práticas. O segredo está em traduzir métricas em ações que gerem impacto direto no PDV e, consequentemente, em vendas”.
Segundo o executivo, três pilares são fundamentais para converter dados em resultados no varejo: planejamento orientado por dados, automação da execução no PDV e monitoramento em tempo real.
No planejamento, o uso de dados históricos, comportamento de compra, jornada do consumidor e sazonalidade permite definir metas mais precisas e reduzir desperdícios. “O planejamento orientado por dados dá clareza sobre onde investir, como se comunicar e o que priorizar em cada ponto de venda. Quando você entende o comportamento do shopper a partir de dados reais, passa a atuar de forma estratégica, antecipando oportunidades e evitando decisões baseadas apenas em feeling”, explica Cabral.
Ele destaca que a segmentação de PDVs com base em performance e perfil de público aumenta a assertividade das campanhas. “Quando os dados mostram, por exemplo, que determinadas regiões têm maior conversão de um tipo específico de produto ou ativação, é possível otimizar investimentos e personalizar ações com muito mais precisão. Isso muda completamente a eficiência das campanhas”.
Relatório da KPMG indica que empresas que estruturam seus dados e integram analytics ao planejamento podem reduzir em até 20% os custos com ativações ineficientes. “Planejar com base em dados transforma o marketing em uma área de inteligência. É o que garante que cada ação tenha propósito, retorno mensurável e gere impacto real na ponta. Dados não são apenas números, são a base da performance moderna”, afirma Cabral.
O segundo pilar envolve a automação da execução no PDV. Segundo a Mordor Intelligence, o mercado global de automação para varejo deve crescer de US$ 17,46 bilhões em 2024 para US$ 37,38 bilhões em 2029, com taxa anual de 14,66%. Para o executivo, a automação reduz falhas operacionais e amplia a escala das campanhas.
“A automação é hoje um divisor de águas para marcas que querem escalar resultados sem perder o controle de execução. Automatizar não é apenas digitalizar tarefas, mas transformar a forma como o PDV opera. Quando os processos são integrados por sistemas inteligentes, cada loja passa a agir como uma extensão da estratégia, e não como um ponto isolado”, afirma.
De acordo com Cabral, plataformas automatizadas permitem ativar campanhas a partir de dados em tempo real, considerando variáveis como estoque, comportamento local de compra e horários de maior conversão. “Se um produto tem alta saída em uma região específica, é possível ajustar comunicações e ofertas instantaneamente, otimizando o investimento e ampliando o retorno”.
O monitoramento em tempo real completa o modelo. Segundo a TOTVS, a análise de dados em tempo real acelera a digitalização dos pontos de venda e viabiliza decisões rápidas. Relatórios da Retail Media News indicam que plataformas de retail media exigem dashboards em tempo real para acompanhamento de vendas, impressões e engajamento.
“A capacidade de monitoramento muda radicalmente a gestão de campanhas. Analisar em tempo real significa transformar dados em ação imediata. Não se trata apenas de ter indicadores disponíveis, mas de conseguir reagir à performance de cada loja e de cada campanha quase que instantaneamente”, afirma Cabral.
Segundo o executivo, dashboards integrados permitem identificar tendências, ajustar ofertas e medir com precisão o retorno sobre investimento. “Com dados imediatos, o marketing deixa de ser apenas analítico e se torna operacional e preditivo, transformando a performance em resultados concretos no ponto de venda”, conclui.
A Central do Varejo divulga o calendário de eventos do primeiro semestre, reunindo imersões presenciais e uma missão internacional voltadas a profissionais, gestores e empresários do varejo. A programação contempla temas estratégicos para o setor, como Inteligência Artificial, gestão, marketing, e-commerce, comportamento do consumidor e tendências globais.
Entre os destaques está a Imersão IA no Varejo, que terá três turmas ao longo de 2026. A primeira acontece nos dias 26 e 27 de fevereiro e propõe uma abordagem prática sobre como aplicar Inteligência Artificial na loja física, no e-commerce, na logística, no marketing e na gestão, com foco em eficiência operacional, aumento de vendas e decisões baseadas em dados.
Em março, nos dias 26 e 27, acontece a Imersão Estratégia e Gestão de Varejo, voltada a executivos e proprietários que buscam melhorar a performance dos negócios por meio de indicadores, redução de custos, aumento de margem e estruturação de processos escaláveis. O programa combina conteúdo estratégico, análise de cases reais e a construção de um plano de ação para aplicação imediata.
No cenário internacional, a Central do Varejo organiza a Missão Internacional para a NRA Show Chicago 2026, considerada o maior evento global do setor de alimentação. A experiência inclui curadoria exclusiva, visitas técnicas, networking qualificado e uma agenda estruturada para transformar tendências globais em insights aplicáveis ao mercado brasileiro.
Os eventos do primeiro semestre reforçam a proposta da Central do Varejo de oferecer conteúdo prático, troca com especialistas e experiências que apoiam a tomada de decisão e o crescimento sustentável dos negócios.
O calendário completo de eventos, com datas, formatos e informações detalhadas sobre cada imersão e missão, pode ser acessado a qualquer momento no topo do portal, no menu “Calendário de Eventos”.
Quer patrocinar os eventos e missões da Central do Varejo? Entre em contato com Marina Dias, gerente de relacionamento e patrocínios: marina.dias@centraldovarejo.com.br
A maioria das empresas brasileiras ainda está iniciando a adoção de IA (inteligência artificial), apesar da presença crescente da tecnologia no dia a dia corporativo de forma extraoficial. É o que mostra uma pesquisa inédita divulgada pela Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom), em parceria com a empresa de pesquisas Brazil Panels e a escola de negócios Lideres.ai.
Segundo o levantamento, 72% das companhias se encontram em níveis considerados iniciante ou experimental, o que sugere um cenário marcado por interesse e curiosidade, mas ainda com baixa maturidade estratégica.
Shadow IA
Mesmo com a adoção de IA oficial limitada, o uso prático da inteligência artificial já ocorre de forma significativa dentro das organizações. Segundo o estudo, 47,4% dos profissionais afirmam utilizar ferramentas de IA de maneira extraoficial em suas rotinas de trabalho, prática conhecida como Shadow AI. O dado chama atenção para riscos relacionados à segurança da informação e à governança, em um contexto em que 59,1% das empresas brasileiras ainda não possuem políticas formais ou diretrizes claras para o uso da tecnologia.
“O Brasil está vivendo o maior movimento de transformação digital desde a popularização da internet. As empresas querem avançar em inteligência artificial, mas esbarram na falta de estrutura, governança e capacitação. O grande desafio agora é transformar curiosidade em estratégia”, afirma Claudio Vasques, CEO da Brazil Panels.
As áreas que lideram o uso oficial de inteligência artificial nas empresas são Marketing e Atendimento ao Cliente, ambas com cerca de 24% de adoção, seguidas por Vendas e Tecnologia da Informação. Já setores como Recursos Humanos, Jurídico, Compras e Logística apresentam menor presença da tecnologia, mesmo sendo áreas com grande potencial de automação e ganho de eficiência. Para 70% dos profissionais, há atividades em seu dia a dia que poderiam ser automatizadas por IA, o que reforça a percepção de oportunidade e ao mesmo tempo evidencia barreiras culturais e organizacionais.
O receio de substituição no mercado de trabalho aparece como um dos fatores que dificultam a implementação mais estruturada da inteligência artificial. Parte dos entrevistados vê a tecnologia como uma ameaça ao emprego, enquanto outros avaliam que ela deve transformar rotinas, mas não eliminar funções. Um terço dos profissionais enxerga a IA mais como oportunidade do que como risco, o que indica um ambiente dividido entre medo, adaptação e visão estratégica.
Para Mauricio Salvador, presidente do comitê de IA da Abiacom, o cenário exige ação imediata por parte das organizações. “Se a empresa não investir em treinamentos, seguirá com equipes sem conhecimento técnico, com medo da inovação ou usando ferramentas de forma escondida, o que pode trazer danos irreversíveis à competitividade e à segurança”, analisa.
Realizada com 200 entrevistas em todo o Brasil, entre outubro e novembro de 2025, a pesquisa reforça que, apesar da baixa maturidade, a inteligência artificial é vista como prioridade. Mais da metade das empresas consultadas afirma que pretende investir em IA nos próximos 12 meses, indicando que o tema deve ganhar ainda mais espaço nas estratégias corporativas. A pesquisa completa está disponível para download no site da Abiacom.