Resultados preliminares da pesquisa FlashBlack, conduzida pelo Google e com lançamento previsto para março de 2026, indicam que grande parte dos principais e-commerces brasileiros ainda enfrenta problemas estruturais básicos, mesmo diante do avanço do uso de Inteligência Artificial no varejo digital. Os dados foram apresentados por Alessandro Luz, do Google Cloud, durante evento da Central do Varejo.
A pesquisa analisou o período de 3 de novembro a 9 de dezembro de 2025, com uma amostra composta por 35 dos principais e-commerces do Brasil, totalizando mais de 38 milhões de dados coletados. O objetivo foi avaliar a maturidade das operações digitais sob a ótica de experiência de compra, busca, personalização, logística, pagamentos e uso de IA.
Falhas operacionais ainda comprometem a conversão
Um dos dados mais relevantes do estudo mostra que 18 dos 35 e-commerces analisados apresentaram algum tipo de falha durante o processo de compra, como imagens que não carregam ou erros técnicos em etapas críticas do checkout. Esse tipo de problema afeta diretamente a taxa de conversão e reforça a necessidade de atenção à infraestrutura básica antes da adoção de camadas avançadas de Inteligência Artificial.
Estudo completo será lançado em março de 2026. Imagem: Patricia Cotti
Segundo a análise, empresas que não garantem estabilidade, desempenho e confiabilidade do ambiente digital tendem a desperdiçar investimentos em tecnologia mais sofisticada.
Busca ainda distante do comportamento real do consumidor
A pesquisa também apontou lacunas importantes nos mecanismos de busca. Apesar de a maior parte das soluções de IA atuais já operarem de forma multimodal, nenhum dos e-commerces avaliados oferece busca multimodal, como pesquisa por imagem, mesmo com a mudança clara de hábitos dos consumidores.
O dado ganha relevância quando cruzado com informações do próprio Google: 20 bilhões de buscas são realizadas em um único mês, sendo que 25% delas possuem caráter comercial. Ainda assim, os e-commerces analisados não exploram esse potencial de forma estruturada.
Em relação à tolerância a erros de digitação, 14 dos 35 e-commerces não apresentaram resultados quando houve erro na escrita da busca. O número representa uma melhora em relação ao ano anterior, com redução de cinco casos, mas ainda indica fragilidade em um ponto básico da experiência digital.
Alessandro Luz, do Google Cloud. Imagem: Estúdio Versailles
A busca semântica também mostrou desempenho limitado. 19 dos 35 e-commerces não retornaram resultados adequados em buscas contextuais, nas quais o consumidor utiliza mais de cinco termos e descreve uma necessidade, em vez de apenas uma palavra-chave. Esse comportamento já é predominante em buscas realizadas em plataformas digitais.
Conteúdo de produto ainda pouco explorado
Apenas 21 dos 35 e-commerces apresentaram informações detalhadas nas páginas de produto. O estudo identificou que varejistas que já utilizam IA para padronizar e enriquecer dados de catálogo obtêm melhores resultados em atração e conversão.
Entre as práticas observadas estão o enriquecimento de textos, a geração de imagens contextualizadas — como produtos inseridos em ambientes de uso real — e testes com virtual try on, recurso que permite ao consumidor enviar uma foto e visualizar o produto aplicado em si. Essas iniciativas foram associadas a maior engajamento e redução de incertezas na decisão de compra.
Recomendações e aumento de ticket ainda subaproveitados
A área de recomendação de produtos também apresentou oportunidades claras. Apenas 19 dos 35 e-commerces recomendam produtos complementares, prática diretamente ligada ao aumento de ticket médio, cross sell e valor total da cesta.
A ausência desse recurso indica perda de potencial de receita em momentos decisivos da jornada do consumidor.
Entrega, retirada e logística reversa
Em logística, 26 dos 35 e-commerces oferecem mais de uma alternativa de entrega, atendendo à necessidade de modelos multimodais. A opção de agendamento de entrega tem ganhado relevância, especialmente em São Paulo, em função da expansão das portarias eletrônicas.
O mesmo número de varejistas, 26, oferece retirada em loja, geralmente integrada a sistemas de mapas para cálculo de distância. Já a logística reversa mostrou maturidade muito baixa. Apenas 1 dos 35 e-commerces utiliza cruzamento com mapas para identificar erros de digitação em endereços ou validar a existência do local informado, recurso que poderia reduzir custos operacionais e falhas de entrega.
Pagamentos e recorrência ainda limitados
No tema pagamentos, apenas 9 e-commerces permitem o uso de diferentes métodos de pagamento dentro de uma mesma compra, o que limita flexibilidade e pode impactar a conversão.
Entre os 22 e-commerces com potencial para vendas recorrentes, 16 não oferecem opções de compra recorrente ou por assinatura. A ausência desse modelo reduz fidelização, aumenta risco de churn para concorrentes e impacta negativamente métricas como LTV e CAC.
Comunicação pós-visita e carrinho abandonado
O estudo identificou que 15 dos 35 e-commerces não enviaram notificações de carrinho abandonado, uma das primeiras réguas de relacionamento recomendadas em operações digitais. A ausência dessa comunicação representa perda direta de oportunidades de recuperação de vendas.
Chatbots evoluem, mas ainda vendem pouco
Entre os varejistas analisados, 29 possuem chatbot ativo. Desses, apenas 13 utilizam análise de sentimento, número dez maior do que no ano anterior, indicando avanço na transformação do chatbot em um agente mais empático, com impacto positivo na experiência e na conversão.
Apesar disso, somente 7 dos 29 chatbots respondem a interações multimodais, e apenas 5 foram capazes de atuar efetivamente como assistentes de compra, executando tarefas como sugerir uma lista completa de produtos a partir de um contexto, por exemplo, um jantar vegano.
A pesquisa conclui que, embora o uso de IA esteja mais presente no discurso dos varejistas, a aplicação prática ainda é limitada por falhas estruturais, ausência de busca avançada, baixa personalização e pouco aproveitamento de dados comportamentais. Os resultados indicam que ganhos relevantes dependem, antes de tudo, da execução consistente do básico, combinada à adoção orientada de Inteligência Artificial com foco em conversão, eficiência e experiência do consumidor.
*A missão NRF 2026 é uma realização da Central do Varejo, com patrocínio da TOTVS e Getnet.
(*) Patricia Cotti – Ganhadora do Digital Transformation Awards, Sócia Diretora da Goakira, Diretora de Pesquisa do IBEVAR, Colunista Central do Varejo, Professora dos MBAs da FIA, ESPM, ESECOM, USP. Saiba mais sobre as soluções da Goakira em
O preço da cesta básica de alimentos em São Paulo apresentou queda de 4,17% no segundo semestre de 2025. O valor passou de R$ 865,90 em julho para R$ 845,95 em dezembro, uma redução de R$ 19,95 no período. O balanço das 27 capitais foi divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com esse resultado, a capital paulista teve a terceira maior redução no custo da cesta básica na região Sudeste.
Os dados fazem parte da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pela Conab em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A cooperação entre as instituições foi formalizada em 20 de agosto de 2025 e ampliou o acompanhamento de preços para todas as 27 capitais brasileiras.
Em São Paulo, a queda foi impulsionada principalmente pela redução nos preços de itens essenciais. O tomate apresentou recuo de 27,80%, seguido pela batata, com queda de 21,26%, e pelo arroz, que ficou 16,97% mais barato no período. Também registraram diminuição os preços do óleo, com retração de 13,75%, e da farinha, com queda de 11,57%.
De acordo com a Conab, o movimento observado em São Paulo acompanha uma tendência nacional de redução nos preços da cesta básica. Segundo o presidente da companhia, Edegar Pretto, o resultado está relacionado à política agrícola adotada no País. “Essa queda generalizada é fruto dos investimentos que o Governo do Brasil vem fazendo no setor agropecuário brasileiro, aumentando a produção de alimentos para o consumo interno nacional”, afirmou.
Ainda segundo Pretto, os Planos Safra, tanto o empresarial quanto o voltado à agricultura familiar, vêm alcançando valores recordes, com ampliação do crédito e juros subsidiados. “O efeito é a maior safra da série histórica, o que se traduz em mais comida disponível e preços mais acessíveis para a população”, destacou.
Fonte: Conab/Dieese
Entre as capitais brasileiras, Boa Vista (RR) registrou a maior queda no preço da cesta básica no segundo semestre de 2025, com redução de 9,08%. O valor caiu de R$ 712,83 em julho para R$ 652,14 em dezembro. Em seguida aparecem Manaus (AM), com retração de 8,12%, e Fortaleza (CE), com queda de 7,90%. No outro extremo, Belo Horizonte (MG), Macapá (AP) e Campo Grande (MS) apresentaram reduções de 1,56%, 2,10% e 2,16%, respectivamente.
No recorte regional, Boa Vista liderou a queda no Norte, Fortaleza no Nordeste, Brasília no Centro-Oeste, Florianópolis no Sul e Vitória no Sudeste, com redução de 7,05% no preço da cesta básica no acumulado dos últimos seis meses de 2025.
A ampliação da coleta de preços, de 17 para 27 capitais, é resultado da parceria entre a Conab e o Dieese. Segundo os órgãos, a iniciativa reforça a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Política Nacional de Abastecimento Alimentar. Os primeiros resultados com cobertura nacional começaram a ser divulgados em agosto de 2025.
Imagem: Secretaria de Comunicação/Presidência da República
O Parlamento Europeu decidiu nesta quarta-feira (21) encaminhar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul à Corte de Justiça da União Europeia, medida que suspende o processo de aprovação do tratado e impõe novo atraso à sua eventual entrada em vigor.
A decisão foi aprovada por margem estreita: 334 eurodeputados votaram a favor do envio do acordo à Corte, 324 foram contrários e 11 se abstiveram. Com isso, a tramitação do texto no Parlamento fica congelada até que haja um parecer judicial sobre sua compatibilidade com os tratados da União Europeia.
O acordo foi assinado em 17 de janeiro e prevê a criação de uma área de livre comércio que reúne mais de 700 milhões de pessoas. Apesar de ter superado entraves políticos após mais de duas décadas de negociações, o tratado enfrenta resistência em diversos países europeus, entre eles França e Polônia.
A Comissão Europeia ainda pode aplicar o acordo de forma provisória, desde que haja aval dos Estados-membros. A possibilidade, no entanto, é considerada sensível do ponto de vista institucional.
Questionamentos jurídicos do Parlamento Europeu
Os eurodeputados que propuseram o encaminhamento à Corte argumentam que a decisão da Comissão Europeia de separar o pilar comercial do acordo (submetendo-o apenas à aprovação do Conselho da UE e do Parlamento Europeu) teria como objetivo impedir a participação dos parlamentos nacionais, o que poderia ser considerado ilegal.
A resolução também questiona a legalidade do chamado “mecanismo de reequilíbrio”, previsto no acordo, que autoriza países do Mercosul a adotar medidas compensatórias caso futuras legislações da UE reduzam suas exportações ao bloco europeu.
Com a decisão, o procedimento de aprovação no Parlamento, que previa uma votação final nos próximos meses, fica suspenso. A expectativa é que a Corte de Justiça leve mais de um ano para emitir um parecer, período durante o qual o acordo permanecerá congelado.
Reações e manifestações
Na véspera da votação, agricultores realizaram protestos em Estrasburgo. Milhares de manifestantes cercaram o Parlamento Europeu com tratores e entraram em confronto com a polícia. O setor agrícola expressa preocupação com a entrada de produtos sul-americanos a preços mais baixos e com padrões diferentes dos exigidos na União Europeia.
Após a votação, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que a instituição “lamentou a decisão” e que “buscará convencer os parlamentares sobre a importância geoestratégica deste acordo comercial”. Questionado sobre a aplicação provisória do tratado, o porta-voz declarou que o tema seria debatido durante uma cúpula extraordinária de líderes da UE, antes de qualquer decisão adicional.
A Gap Inc. anunciou a criação do cargo de chief entertainment officer e a contratação de Pam Kaufman para a função. A executiva assume o posto no início de fevereiro e responderá diretamente ao CEO da companhia, Richard Dickson.
Segundo a empresa, Kaufman terá como responsabilidade estruturar, desenvolver e escalar a plataforma de entretenimento, conteúdo e licenciamento da Gap Inc. A área abrangerá iniciativas relacionadas a música, televisão, cinema, esportes, games, produtos de consumo e colaborações. O trabalho dará continuidade a campanhas como “Better in Denim”, da marca Gap, com o grupo Katseye, ações com a Harlem’s Fashion Row e a colaboração da Old Navy com a Disney.
Pam Kaufman ingressa na companhia em 2 de fevereiro como vice-presidente executiva. Antes disso, atuou na Paramount, onde ocupou os cargos de presidente e CEO de mercados internacionais, produtos de consumo globais e experiências. De acordo com a Gap Inc., ela possui “histórico de expandir propriedades intelectuais icônicas para expressões ligadas à moda por meio de parcerias guiadas por design, licenciamento, varejo e experiências”.
A executiva também integra ou já integrou conselhos de organizações como Stella McCartney, Lindblad Expeditions e o Rock & Roll Hall of Fame.
O cargo foi criado, segundo a empresa, a partir do entendimento de que “moda é entretenimento”, conceito que a companhia denomina de “fashiontainment”.
Em comunicado, Richard Dickson afirmou: “À medida que revitalizamos o portfólio de marcas icônicas americanas da Gap Inc. para impulsionar relevância e receita, reconhecemos que o entretenimento é um elo fundamental com o consumidor”. Ele acrescentou: “É um elemento no qual podemos nos apoiar para criar comunidades de fãs, inspirar movimentos e sustentar o crescimento ao longo do tempo”.