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Painel no AI Stage discute avanços, limites e decisões práticas para o uso de IA no varejo

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Painel no AI Stage discute avanços, limites e decisões práticas para o uso de IA no varejo


O painel Harnessing AI in retail: Progress, pitfalls, and potential, realizado no AI Stage — novo palco dedicado exclusivamente à inteligência artificial na NRF 2026 — reuniu executivos da MediaTek, da Circle K e da Ingenico para discutir o estágio atual da adoção de IA no varejo, seus principais gargalos operacionais e os caminhos mais prováveis de evolução.

Participaram do painel Sameer Sharma, AVP da unidade de IoT da MediaTek para Américas e Europa, Chris Edwards, Diretor Global de Plataformas de Varejo da Circle K, e Erik Vlugt, Chief Product Officer da Ingenico.

IA deixa fase experimental e passa a impactar margens

Na abertura do painel, Sameer Sharma contextualizou a discussão com dados operacionais já observáveis no setor. Segundo ele, estudos recentes indicam redução significativa de rupturas de estoque, diminuição de inventários e aumento de taxas de atendimento após a adoção estruturada de IA. Em um setor caracterizado por margens estreitas, esses efeitos passaram a ter impacto direto na sustentabilidade do negócio.

“A IA deixou de ser um experimento e passou a ser uma necessidade operacional” disse Sharma ao explicar que ganhos como redução de estoques entre 20% e 30% e aumento de fill rates na faixa de 5% a 8% alteram o equilíbrio econômico de redes varejistas. Ele também destacou a expectativa de que os investimentos globais em IA no varejo ultrapassem US$ 100 bilhões até 2030, impulsionados pela busca por eficiência e personalização.

Quatro fases da adoção de IA no varejo

Sharma propôs uma leitura em fases para a evolução da inteligência artificial no varejo. A primeira envolve o uso de IA analítica, com aplicações como visão computacional para análise de tráfego, reconhecimento de padrões e leitura de contexto em loja. A segunda fase corresponde à IA generativa, que ampliou casos de uso relacionados a recomendação, síntese de informações e geração de conteúdo.

Segundo ele, o próximo salto tende a ocorrer com o avanço da chamada IA física, que combina modelos inteligentes com dispositivos capazes de interagir diretamente com o ambiente físico, incluindo sensores, edge computing e robótica. Para o executivo, essa transição exige decisões mais criteriosas sobre arquitetura tecnológica e integração com a operação.

Da análise ao acionamento em tempo real

Chris Edwards comentou que o principal valor da IA está em transformar identificação de problemas em ação antecipada. “Reconhecer que um produto está fora de estoque depois do fato tem pouco valor. O ganho real está em prever que ele vai faltar e agir antes”, afirmou.

Segundo o executivo da Circle K, muitas soluções atuais ainda se limitam à detecção retrospectiva. Para ele, o avanço está no uso combinado de visão computacional e modelos preditivos capazes de orientar decisões operacionais no tempo correto, especialmente no contexto de loja física, onde a janela de reação é curta.

Edwards também chamou atenção para o papel da IA como ferramenta de capacitação dos times. Em sua visão, a tecnologia tem mais impacto quando amplia a capacidade de atuação de colaboradores do que quando é pensada como substituição direta de pessoas.

Infraestrutura, segurança e controle do stack

Ao abordar o ponto de vista da Ingenico, Erik Vlugt destacou que a discussão sobre IA no varejo precisa considerar aspectos menos visíveis ao consumidor, como segurança, resiliência de infraestrutura e controle do ecossistema tecnológico. Segundo ele, no contexto de pagamentos e dispositivos físicos, a IA está sendo aplicada tanto para melhorar a experiência quanto para proteger operações.

“Grande parte das conversas com varejistas hoje gira em torno de como usar IA para melhorar a experiência em ambientes físicos, mas também para reforçar segurança, detectar ataques e garantir disponibilidade operacional”, afirmou Vlugt. Ele ressaltou que esses usos exigem domínio do stack tecnológico, desde o hardware até o software embarcado.

Edge computing e equilíbrio com a nuvem

Um dos pontos centrais do painel foi o debate sobre onde processar inteligência: na nuvem ou na borda. Vlugt explicou que, com dezenas de milhões de dispositivos em campo, não é viável depender exclusivamente de processamento centralizado. “Não faz sentido enviar tudo para a nuvem. Precisamos encontrar um equilíbrio entre capacidade local e backend”.

Sharma complementou destacando que a evolução de dispositivos com maior capacidade de memória e processamento permite executar modelos menores diretamente no edge, reduzindo latência e dependência de conectividade constante. Esse modelo se mostra especialmente relevante em cenários que envolvem privacidade, tempo de resposta e continuidade de serviço.

Barreiras comuns à adoção efetiva

Ao tratar dos principais obstáculos, os palestrantes convergiram em um ponto: a ausência de casos de uso claramente definidos. Edwards sintetizou essa dificuldade ao sugerir um exercício prático para executivos: “A pergunta que precisa ser feita é: o que você faria se tivesse 10 mil pessoas ajudando sua operação?”. A IA deve ser pensada como ampliação de capacidade decisória, não como resposta genérica à pressão por inovação.

Os executivos alertaram que iniciativas de IA sem objetivo operacional claro tendem a gerar fragmentação tecnológica, custos adicionais e baixa adesão interna. A recomendação recorrente foi priorizar problemas específicos, com métricas definidas, antes de escalar soluções.

Progresso real exige decisões arquiteturais

O painel encerrou com uma avaliação realista sobre o estágio atual da tecnologia. Embora o avanço seja consistente, os palestrantes destacaram que ganhos sustentáveis dependem de escolhas estruturais: definição de onde rodar modelos, como treinar versus inferir dados e quais aplicações justificam maior investimento computacional.

Para os participantes, a IA já demonstra impacto mensurável no varejo, mas seu potencial pleno depende menos de novidades técnicas e mais da capacidade das empresas de alinhar arquitetura, operação e objetivos de negócio.

*A missão NRF 2026 é uma realização da Central do Varejo, com patrocínio da TOTVS e Getnet.


(*) Marcos Luppe é Coordenador do MBA em Gestão de Negócios Digitais e Inteligência Artificial da USP/Esalq.

Imagens: Marco Luppe

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Frooty abre primeiros quiosques com açaí em São Paulo

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Frooty abre primeiros quiosques com açaí em São Paulo


A Frooty anunciou a abertura de suas duas primeiras lojas físicas em São Paulo. Os quiosques estão localizados nos shoppings Shopping Campo Limpo e SP Market.

A empresa, conhecida pela comercialização de açaí em supermercados e marketplaces, passa a oferecer seus produtos em formato de quiosque, com cardápio voltado ao consumo imediato. As lojas apresentam opções de açaí em cones, bowls e smoothies, além de combinações com diferentes toppings e receitas inspiradas em sobremesas.

Entre as opções disponíveis estão versões com sabores como Banoffee, bolo Floresta Negra, beijinho de morango e Biscoff. Os cones podem receber acompanhamentos como calda de caramelo com pipoca crocante, beijinho, pistache, raspas de chocolate branco e pedaços de avelã.

Os bowls incluem combinações com frutas, leite condensado, leite em pó e chantilly. Já os smoothies podem ser preparados com banana, morango, leite em pó e paçoca, com possibilidade de acréscimo de chantilly e whey protein, que adiciona 21 gramas de proteína por porção.

Segundo a empresa, o cardápio foi desenvolvido para diferentes momentos de consumo, incluindo opções voltadas ao pré-treino e sobremesas.

Além da abertura dos quiosques, a Frooty lançou um aplicativo próprio, disponível para sistemas iOS e Android. A plataforma permite a realização de pedidos para consumo em casa ou retirada na loja. O aplicativo também oferece cupons de desconto e programa de pontos para troca por benefícios.

“O açaí já faz parte do dia a dia dos brasileiros. Agora, a Frooty traz dois novos quiosques para fazer parte dessa rotina de uma maneira diferente, com receitas inéditas e prontas para o consumo em qualquer momento do dia. Com mais essa opção, queremos estar cada vez mais perto dos nossos clientes”, afirma Fabio Carvalho, CEO da Frooty.

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Endividamento das famílias cresce em janeiro em BH  

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Endividamento das famílias cresce em janeiro em BH  


O nível de endividamento das famílias em Belo Horizonte cresceu 1,4 ponto percentual em janeiro, ficando em 89,0%. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), analisada pela Fecomércio MG e aplicada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), as famílias com contas em atraso somaram 64,7% em janeiro, o que representa queda de 0,1% na comparação mensal, seguindo um ritmo nacional de endividamento.

O número de consumidores que não terão condições de quitar suas dívidas somou 28,6%, apresentando um crescimento de 1,4 p.p. em relação ao mês de dezembro. Conforme 39,0% dos consumidores, eles se consideram pouco endividados.

Segundo a PEIC, o principal compromisso financeiro dos consumidores da capital é o cartão de crédito. Em janeiro, 96,3% se comprometeram com esse tipo de dívida, sendo que as famílias que ganham 10 ou mais salários-mínimos as que mais se endividaram no cartão: 99,2%.

A parcela de famílias com algum compromisso financeiro em atraso chega a 64,7% em janeiro, o que representa uma queda de 0,1 p.p abaixo de dezembro. A inadimplência é 18,0% maior em famílias com renda igual ou inferior a dez salários-mínimos, atingindo 67,3% delas; entre as de maior renda, o atraso no pagamento das dívidas atinge 49,3%. Entre os endividados, 72,7% ainda não conseguiram honrar seus compromissos e estão com dívidas em atraso.

Entre as famílias que não terão condições de quitar as dívidas, destacam-se aquelas com renda igual ou inferior a dez salários-mínimos: 31,0%. Entre as de maior renda, o percentual é de 15,9%. Entre os consumidores com dívidas atrasadas, 44,2% avaliaram que não teriam condições de honrar com os compromissos financeiros no mês seguinte.

Entre as famílias com contas pendentes, 48,0% afirmam que essas contas ultrapassam 90 dias, aumento de 1,7 p.p. em relação a dezembro. As dívidas estão atrasadas, em média, há 63,2 dias, mostra a pesquisa. Para 79,8% das famílias os compromissos são por período igual ou superior a 90 dias. O tempo médio de comprometimento da renda é de 8,1 meses.

Para 26,9% das famílias, as dívidas comprometem mais de 50% do orçamento mensal, esse percentual era de 25,3% em dezembro; em média, as dívidas comprometem 33,0% do orçamento familiar.Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, ressalta que, apesar do leve recuo no nível de famílias com contas em atraso no mês de janeiro (inadimplentes), o cenário continua sendo muito desafiador para a capital mineira. “Atualmente o que realmente tem nos preocupado é o nível alto de contas em atraso e o aumento, mês após mês, das famílias que não terão condições de pagar suas contas em atraso. Quando observamos que quase metade dessas dívidas já ultrapassa 90 dias e que mais de um quarto das famílias compromete acima de 50% da renda mensal com obrigações financeiras, percebemos um quadro de forte restrição orçamentária, especialmente entre as famílias de menor renda. Esse contexto tende a limitar o consumo nos próximos meses, pressionar o comércio e exigir maior planejamento financeiro por parte dos consumidores, principalmente em um cenário de encarecimento do custo do crédito”, explica Martins.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Pós-NRF da TOTVS debate eficiência e o “paradoxo do varejo”

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Pós-NRF da TOTVS debate eficiência e o “paradoxo do varejo”


O Auditório TOTVS, em São Paulo, recebeu nesta quinta-feira (12) o Pós-NRF da TOTVS, evento que apresentou os principais insights da NRF 2026, realizada em Nova York. A curadoria de conteúdo foi assinada pela Central do Varejo e reuniu executivos, líderes e profissionais do setor para discutir os impactos das transformações globais no varejo brasileiro.

A abertura foi conduzida por Elói Assis, diretor executivo de varejo e distribuição da TOTVS, que destacou a parceria com a Central do Varejo e a importância de traduzir os aprendizados da NRF para a realidade do mercado nacional.

Na sequência, Daniel Zanco, sócio-fundador da Central do Varejo, apresentou um panorama do congresso, que classificou como “o grande ponto de encontro do varejo mundial”. Em sua 18ª participação na NRF, Zanco afirmou que a edição de 2026 marcou um novo estágio na discussão sobre tecnologia.

“Eu nunca vi tanta força para um tema quanto inteligência artificial ganhou. Nunca aconteceu um palco monotemático. Nesta edição tinha um AI Stage e, nas 170 palestras, quase 85% falavam de inteligência artificial de alguma forma”, afirmou.

Segundo ele, a IA deixou de ser piloto ou promessa para se consolidar como aplicação concreta no dia a dia das operações. “Isso deixou de ser piloto, deixou de ser promessa e de fato é algo presente no dia a dia de muitos varejistas”, disse.

“The Next Now”: o futuro como presente

A NRF 2026 teve como tema central “The Next Now”. Para Zanco, o conceito sinaliza que as transformações já estão em curso. “O futuro é agora, gente, não é mais quando for acontecer. Já virou a chave”, afirmou.

Ele ressaltou que as respostas do passado já não são suficientes para os desafios atuais. “As respostas do passado não vão mais responder as perguntas de hoje, nem as de amanhã”, declarou.

Ao contextualizar o cenário brasileiro, o executivo destacou que o varejo nacional enfrenta pressões adicionais, como reforma tributária e ambiente econômico desafiador, o que exige maior eficiência e capacidade de adaptação.

Três pilares estratégicos

Para organizar os principais aprendizados do congresso, Zanco estruturou os insights em três “alinhadores estratégicos”: acesso e conveniência; diferenciação; e eficiência operacional.

No primeiro eixo, destacou o avanço do chamado discovery commerce, impulsionado por plataformas como TikTok, e a evolução do agentic commerce. Segundo ele, a busca por produtos está migrando para ambientes mediados por agentes de inteligência artificial.

“O Google falou de 50 bilhões de buscas direcionadas a descobrir produto. […] Eu posso não só mostrar o produto, mas fechar a venda toda”, relatou.

Ele mencionou o anúncio do Universal Commerce Protocol (UCP), apresentado durante a NRF, como tentativa de padronizar informações para transações realizadas por agentes digitais. “Eu vou pedir para o meu Gemini comprar camiseta branca tamanho M abaixo de R$ 120 e me entregar em até três dias. Ele já tem minha informação de pagamento, já sabe meu endereço e vai lá fazer a seleção”, exemplificou.

Marca, comunidade e loja física

No eixo da diferenciação, Zanco destacou a importância da construção de marca por meio de comunidade, autenticidade e excelência de produto. Citou a necessidade de posicionamento claro e coerente, além de comunicação consistente.

“O consumidor sabe quando a comunicação é fake. Ele sabe quando eu estou só falando o que ele quer ouvir”, afirmou, ao mencionar reflexões apresentadas durante o evento.

A loja física também foi apontada como elemento relevante na estratégia de marca. Segundo ele, em um contexto de hiperconectividade, o espaço físico assume papel de conexão social e experiência.

“Não há nenhuma variável no mix de varejo que cause tanto impacto no consumidor quanto a loja”, afirmou.

IA como plataforma, não vantagem exclusiva

No campo da eficiência, Zanco apresentou casos de uso de inteligência artificial em atendimento, logística, marketing, planejamento de demanda e automação de processos. Citou exemplos de assistentes virtuais como Rufus, da Amazon, e aplicações no Walmart.

Apesar da abrangência das aplicações, o executivo fez uma ressalva sobre o caráter estratégico da tecnologia. “Se eu de fato quiser criar uma vantagem competitiva para o meu negócio, eu vou ter que ir além da inteligência artificial”, declarou.

Segundo ele, a IA tende a se tornar um requisito básico. “A inteligência artificial vira plataforma, vira pré-requisito. Não é por conta da IA que eu vou ter um negócio único”, concluiu.

Human Premium, curadoria e loja como laboratório: o varejo físico em nova camada estratégica

Após a palestra de Daniel Zanco, o palco foi ocupado por Bianca Murotani, sócia-diretora da GDesign, e Julia Menin, coordenadora de projetos do escritório de arquitetura do Ecossistema Goakira. A dupla apresentou um panorama das principais lojas visitadas pela delegação da Central do Varejo em Nova York, conectando os conceitos discutidos na NRF à aplicação prática no ponto de venda.

Logo na abertura, Bianca reforçou que, apesar do avanço da inteligência artificial, o espaço físico mantém papel central na estratégia das marcas.

“A IA pode ser tudo, mas ela não vai substituir a experiência real. E a loja é o nosso principal core dentro de um negócio para trazer essa experiência e esse contato com o meu cliente”, afirmou.

Human Premium: o humano como diferencial

O primeiro conceito apresentado foi o de “Human Premium”. Segundo as arquitetas, em um cenário de economia da atenção, o tempo passa a ser o ativo mais disputado.

“Quando a gente fala aqui do humano como luxo, não é um luxo ostentação, é um luxo sensorial, é um luxo de tempo. O meu tempo hoje é o bem mais precioso que eu tenho”, explicou Bianca.

Como exemplo, a dupla destacou a loja da Printemps em Nova York, instalada no distrito financeiro de Wall Street. A estratégia da marca foi inverter a lógica tradicional de localização.

“Todo mundo esperava a Printemps na Quinta Avenida. Eles mudaram a lógica”, relatou.

Com 5 mil metros quadrados, sendo 35% dedicados à gastronomia, a loja trabalha a exposição por contexto, não por departamento, e conduz o cliente por meio de narrativa arquitetônica. “Eu não vou na Printemps para comprar na ala masculina. Eu vou comprar num salão e toda a narrativa da loja vai contando sobre cenas sociais parisienses”, explicou Julia.

A permanência no espaço é tratada como parte da estratégia comercial. “A gente tem dados aqui que quanto mais tempo passa dentro de uma loja, mais eu vou consumir”, afirmou.

Arquitetura que educa e ativa o sensorial

A boutique da Nespresso em Nova York foi apresentada como exemplo de “arquitetura que educa”. Mais do que vender cápsulas, a proposta é proporcionar brand experience.

“A Ana Espresso entende que mais do que vender cápsulas, o objetivo dessa loja é proporcionar uma experiência de marca”, destacou Bianca.

Entre os destaques está a mesa de aromas, que associa fragrâncias aos blends de café. “Você se aproxima, borrifa como se fosse um perfume e sente aromas diferentes”, relatou. A experiência, segundo ela, ativa memórias afetivas e estimula a compra.

Outro elemento é o bar secreto, aberto das 17h às 19h, instalado atrás de um quadro no interior da loja. “Gera um burburinho muito grande”, afirmou.

Além da experiência sensorial, a loja coleta dados e constrói relacionamento contínuo com o consumidor, reforçando a integração entre físico e digital.

Curadoria como estratégia de relevância

A curadoria apareceu como resposta à sobrecarga de opções. “O consumidor não busca somente quantidade ou variedade de produto. Ele busca hoje fazer boas escolhas”, afirmou Bianca.

A loja da Target no SoHo foi citada como exemplo de curadoria fora do universo de luxo. A área chamada “The Drop”, posicionada logo na entrada, trabalha exposições rotativas de moda, home e presentes.

“É para ser uma área realmente de inspiração”, explicou.

Comunidade como ativo de marca

A apresentação também destacou o papel da loja na construção de comunidades. A Lululemon foi mencionada como exemplo de marca que estrutura seu varejo em torno de lifestyle e wellness, com instrutores e embaixadores integrados à operação.

Já a The North Face utiliza a arquitetura para contar a jornada de uma escalada, no conceito “below and above the tree line”. “Eles expõem equipamentos. Não roupa”, explicou.

A marca também integra programa de fidelidade à prática esportiva, não apenas à compra.

Na mesma linha, a Tecovas foi apresentada como exemplo de hospitalidade como diferencial competitivo. “Se eu não conto toda a história, toda narrativa do que tem por trás, eu não ia conseguir vender o meu produto pelo valor que eu tenho”, afirmou.

Personalização e co-criação

A personalização foi tratada como requisito básico, mas com avanço para co-criação. A loja da LEGO em Nova York foi citada como exemplo de espaço que funciona como topo de funil físico.

“A loja funciona como topo do funil físico. Mesmo quando eu não efetuo a compra aqui, eu pesquiso mais sobre LEGO e acabo convertendo”, explicou.

Marcas como Crocs e Rimowa também foram mencionadas por integrarem personalização e iniciativas de remanufatura, conectando experiência à economia circular.

Retail as a Lab

O último eixo foi o conceito de “Retail as a Lab”, no qual a loja funciona como laboratório vivo. A Meta foi apresentada como exemplo por meio da MetaLab, espaço dedicado à experimentação de produtos como o Meta Quest e óculos inteligentes.

“O objetivo não é necessariamente somente vender, e sim proporcionar uma experiência e ter o feedback”, destacou.

Para as arquitetas, o varejo físico não vive um cenário de substituição, mas de evolução em camadas.

“A gente está falando de um processo evolutivo. Eu adiciono uma camada de informação e entendo que a experiência também passa a fazer parte da jornada”, afirmou Bianca.

Ao encerrar, a dupla reforçou que a loja precisa ser flexível, eficiente e conectada à comunidade.

Confira a cobertura completa da NRF 2026 no portal Central do Varejo

Elói Assis apresenta o “paradoxo do varejo 2026” e media painel com executivos

Após as apresentações sobre tendências e lojas internacionais, Elói Assis, diretor executivo de varejo e distribuição da TOTVS, subiu ao palco para compartilhar sua leitura estratégica da NRF 2026 e conduzir um painel com executivos convidados.

Em sua palestra, Elói sintetizou os aprendizados do evento no que chamou de “paradoxo do varejo de 2026”. Segundo ele, o setor vive um novo campo de batalha.

“De um lado, a gente vai ser forçado a confrontar a necessidade de entregar uma eficiência brutal na nossa operação. […] E esse ano a gente viu muitos cases. […] Ela já está mudando”, afirmou.

Para o executivo, a inteligência artificial deixou de ser tendência para se tornar infraestrutura estratégica. “A gente já não faz mais essa pergunta. […] Como é que eu vivia antes? Como é que era sem IA?”, provocou.

No entanto, ele alertou que a eficiência tende a virar commodity. “Vai chegar uma hora que todo mundo vai usar IA. […] Como é que vocês vão se diferenciar se todo mundo tiver IA?”, questionou.

Eficiência e humanidade: dois lados inseparáveis

Elói destacou que, paralelamente ao avanço tecnológico, a NRF evidenciou um movimento de valorização da conexão humana.

“A gente tem a chance de, usando IA, liberar o ser humano para ser humano, finalmente”, afirmou.

Segundo ele, o desafio será abandonar a lógica exclusivamente operacional que transformou equipes em executores de processos.

“Quando a gente consegue fazer com que a máquina seja altamente eficiente, a gente agora vai ter que enfrentar esse paradoxo de transformar os seres humanos que estão na loja em humanos de novo”, disse.

Ele estruturou sua visão em três forças: o motor da autonomia (IA e agentes), a bússola do propósito e o terreno da realidade, marcado por incertezas geopolíticas, disciplina de capital e bifurcação geracional.

“Se amanhã tiver tudo automatizado, por que o seu cliente vai continuar escolhendo a sua marca?”, provocou.

Painel: propósito, experiência e infraestrutura

Na sequência, Elói mediou um painel com Priscila Viana, head de marketing da Botoclinic; Alessandra Restaino, CEO da Le Postiche; e Fabiano Sabatini, diretor de parcerias da Intel para a América Latina.

IA com propósito e KPI claro

Fabiano iniciou a discussão sob a ótica tecnológica. Ele destacou que muitas iniciativas de IA fracassam por falta de propósito definido.

“Primeiro faltava propósito. As empresas queriam entrar na moda. […] Segundo, não tinha um KPI claro. […] E o terceiro é infraestrutura”, afirmou.

Segundo ele, a adoção de IA exige arquitetura adequada e alinhamento com estratégia de negócio. “Conectar as inovações com as áreas de negócio, operação e vendas”, defendeu

Conexão humana e cultura organizacional

Alessandra Restaino trouxe a perspectiva do varejo físico com mais de quatro décadas de história. Para ela, o desafio é incorporar eficiência sem perder identidade.

“Como a gente mantém isso, mas ao mesmo tempo traz a eficiência que a tecnologia pode proporcionar?”, questionou.

Ela relatou situações práticas que evidenciam o impacto da omnicanalidade na operação das lojas e destacou a necessidade de alinhar incentivos e cultura interna à nova lógica de varejo.

“Alinhar cabeça, coração e bolso nesse processo para você continuar tendo engajamento”, afirmou.

Tempo como ativo e experiência relevante

Priscila Viana abordou o uso da tecnologia em um modelo de negócios baseado em serviços. Para ela, a IA deve gerar valor concreto ao consumidor.

“Tudo o que a gente usa, essa automação e essa tecnologia, tem que gerar valor para o cliente”, disse.

Ela destacou que, no contexto atual, tempo é um ativo central. “Hoje eu acho que tempo é vida”, afirmou, ao defender experiências omnichannel intuitivas e personalizadas.

Marca com propósito e permanência

O painel também discutiu propósito e diferenciação. Alessandra ressaltou a importância de construir relevância de longo prazo.

“Qual é o teu legado? O que você deixa de mensagem para o consumidor que faz ele querer te escolher?”, questionou.

Fabiano reforçou a necessidade de infraestrutura preparada para sustentar a transformação digital. “A sua infraestrutura está preparada para os novos desafios?”, provocou.

“Roboticamente preciso e profundamente humano”

Ao encerrar, Elói sintetizou a discussão em uma frase que resumiu o espírito do evento.

“O varejo de 2026 não é só sobre o que você vende. Ele é sobre como roboticamente preciso você é na operação e ao mesmo tempo como profundamente humano você vai ser na conexão”, concluiu.

Além dos encontros no Brasil, a Central do Varejo já prepara sua próxima missão internacional: a NRF Paris, em setembro.

Se em Nova York o foco esteve em inteligência artificial, comércio agêntico e eficiência operacional, a edição europeia tradicionalmente amplia a discussão para luxo, experiência, branding, comportamento e o papel cultural das marcas, temas que dialogam diretamente com os insights apresentados no Pós-NRF, como capital cultural, microcomunidades, curadoria e loja como mídia.

A missão para a NRF Paris propõe uma imersão que conecta conteúdo da conferência, visitas técnicas a lojas icônicas e encontros estratégicos com executivos do setor, ampliando a visão sobre o varejo global sob a perspectiva europeia.

Em um cenário no qual tecnologia e humanidade avançam em paralelo, compreender diferentes mercados torna-se parte da estratégia competitiva. Clique abaixo e saiba mais:

Confira como foi a NRF 2026 com a Central do Varejo:

Imagens: Central do Varejo

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