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Franquias 2026: o que esperar do mercado e onde investir

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Franquias 2026: o que esperar do mercado e onde investir


A busca por negócios mais previsíveis continua forte no Brasil, e o franchising entra em 2026 como um dos modelos mais observados por quem quer empreender no varejo, expandir uma marca ou diversificar receitas. Quando a operação é bem estruturada, a franquia combina padronização, replicabilidade e apoio ao franqueado, o que tende a reduzir erros comuns de quem começa do zero. Ao mesmo tempo, o setor está mudando rápido, puxado por digitalização, consumo mais cauteloso e novas exigências de eficiência operacional. Neste cenário, entender as tendências de franquias 2026 ajuda a tomar decisões com menos achismo e mais critério.

O que é franquia e como o modelo funciona na prática

Franquia é um sistema de expansão no qual uma empresa detentora de marca e know how, o franqueador, concede a um empreendedor, o franqueado, o direito de uso dessa marca e do modelo de negócio por um período e condições definidos em contrato. Em troca, o franqueado paga taxas, como taxa de franquia e royalties, e segue padrões operacionais, de atendimento, marketing e gestão.

Na prática, o franqueador entrega método e governança. Isso inclui manuais, treinamento, orientação de ponto comercial, suporte de operação, padrões de fornecedores, campanhas e indicadores. O franqueado entra com capital, gestão do dia a dia e execução local. Em varejo, onde consistência importa, essa combinação costuma acelerar a expansão e reduzir assimetria de informação, porque o franqueado compra um modelo testado, não apenas um nome.

Números de franquias no Brasil que ajudam a contextualizar 2026

O franchising vem em ciclo de crescimento. No balanço anual de 2024, o setor registrou faturamento de cerca de R$ 273,08 bilhões, alta de 13,5% na comparação anual, segundo a Associação Brasileira de Franchising.

Em 2025, os dados trimestrais reforçam a tendência. No terceiro trimestre de 2025, a pesquisa de desempenho da ABF apontou faturamento de R$ 76,607 bilhões, crescimento de 9,1% ante o mesmo trimestre de 2024, com 200.152 operações de franquia e cerca de 1,747 milhão de empregos diretos.

Esses indicadores importam para franquias 2026 por um motivo simples: mostram escala, capilaridade e resiliência do modelo. Para o varejista, isso significa competição mais organizada e redes mais profissionalizadas. Para o investidor, significa mais oferta de marcas e formatos, mas também mais necessidade de diligência.

Tendências de franquias 2026 que devem ganhar tração no varejo

Em vez de uma única grande virada, 2026 tende a consolidar movimentos que já aparecem em 2024 e 2025, com foco em produtividade, experiência e retorno. A seguir, estão os vetores mais prováveis para franquias 2026, com impacto direto em operações de loja, atendimento e expansão.

Eficiência operacional com dados, automação e IA aplicada

A pressão por margem e a busca por crescimento com custo controlado empurram redes para gestão mais baseada em dados. Isso se traduz em melhorias de previsão de demanda, controle de perdas, compras e reposição, escalas de equipe e padronização de atendimento. O avanço de ferramentas de automação e inteligência artificial deve aparecer menos como “inovação de vitrine” e mais como rotina de backoffice e loja, conectando PDV, estoque, CRM e meios de pagamento. Em franquias 2026, redes que conseguirem transformar dados em decisão de operação tendem a aumentar produtividade por metro quadrado e reduzir variabilidade entre unidades.

Expansão com formatos menores e operações mais leves

A lógica de “menos CAPEX por unidade” ganha espaço. Lojas compactas, quiosques, modelos de rua com área reduzida e operações enxutas se encaixam em um consumidor mais pragmático e em custos imobiliários que seguem relevantes. Para franquias 2026, isso também abre portas para interiorização e para pontos alternativos, desde que a marca consiga preservar padrão e rentabilidade. Esse movimento aparece na prática quando redes priorizam velocidade de implantação, payback mais curto e layout modular para replicar com menos obra e menos complexidade.

Crescimento de multifranqueados e profissionalização do investidor

Com o franchising maior e mais competitivo, é comum que redes busquem franqueados que já provaram capacidade de execução, e que esses operadores ampliem participação abrindo múltiplas unidades. Essa dinâmica é citada por análises setoriais sobre 2026 e aparece como estratégia de expansão com menor risco operacional para o franqueador.

Para quem avalia franquias 2026, isso aumenta a concorrência por pontos e por condições, e eleva a régua de gestão. O franqueado deixa de ser apenas “dono da loja” e passa a atuar como operador multiunidade, com processos, liderança e controle financeiro mais robustos.

Segmentos com demanda recorrente seguem em evidência

Os próprios recortes trimestrais da ABF mostram segmentos com desempenho acima da média em 2025, como Limpeza e Conservação, Saúde, Beleza e Bem Estar e Alimentação em determinadas categorias. Isso não significa que “todo mundo deve ir para os mesmos setores”, mas indica onde há demanda recorrente e espaço para redes que entregam proposta clara.

Em franquias 2026, a palavra recorrência tende a ser central. Modelos ligados a serviços essenciais, bem estar, conveniência, manutenção e alimentação com posicionamento definido costumam sofrer menos com sazonalidade e podem operar com ticket mais previsível, desde que o custo de aquisição de cliente esteja sob controle.

Omnicanalidade pragmática e integração com marketplaces e delivery

O consumidor alterna canal o tempo todo, mas não quer fricção. Para o franchising, o desafio é integrar estoques, preços e prazos sem gerar conflito entre franqueado e franqueador. Em 2026, a tendência é avançar em regras mais objetivas para “venda digital com retirada”, “ship from store”, entregas locais e participação do franqueado no resultado de vendas digitais na sua região. Redes que resolverem governança e remuneração do canal tendem a crescer com menos atrito interno.

Mais exigência em compliance, padronização e suporte ao franqueado

Crescimento de rede exige maturidade. O setor tem se apoiado em pesquisas trimestrais e indicadores para guiar decisões e sustentar expansão. Em franquias 2026, isso deve se traduzir em processos mais claros de treinamento, auditoria, qualidade, gestão de fornecedores e suporte de campo. Para o candidato a franqueado, o critério de escolha tende a ir além da marca e do faturamento estimado, olhando para estrutura de suporte, governança e transparência de indicadores.

A seguir, confira opções de franquias em 2026 para diferentes perfis de investimento, com modelos que vão de microfranquias home based a operações estruturadas no varejo, serviços, saúde, educação e alimentação.


1. Santa Carga

A Santa Carga é uma franquia especializada em totens de recarga de dispositivos móveis com Wi-Fi marketing integrado. O modelo é autônomo, home based e não exige funcionários. O franqueado é responsável pela gestão da unidade, instalação dos totens em pontos estratégicos e comercialização de espaços publicitários, com operação focada em mídia e conveniência.

Investimento inicial: R$ 19.900
Faturamento médio mensal: R$ 8.316
Prazo de retorno: a partir de 8 meses


2. Atto Service

A Atto Service atua no segmento de serviços técnicos, com foco em venda, instalação e manutenção de portas automáticas para comércios, indústrias e residências. O modelo de microfranquia é 100% home based, sem necessidade de equipe fixa, permitindo ao franqueado atuar diretamente na execução e na gestão dos atendimentos.

Investimento inicial: a partir de R$ 20.000
Faturamento médio mensal: R$ 9 mil
Prazo de retorno: a partir de 16 meses


3. Jan-Pro

A Jan-Pro é uma rede internacional de franquias de limpeza comercial, com diferentes formatos de operação conforme o perfil do investidor. Presente no Brasil desde 1991, a marca oferece suporte comercial, técnico e administrativo, com modelos que podem operar com ou sem funcionários, atendendo empresas de diversos portes.

Investimento inicial: a partir de R$ 20 mil
Faturamento médio mensal: de R$ 4 mil a R$ 30 mil
Prazo de retorno: 12 a 18 meses


4. YES! Idiomas

A YES! é uma rede de ensino de idiomas com mais de cinco décadas de atuação no mercado educacional. A franquia oferece modelos de operação flexíveis, adaptados a diferentes escalas de investimento, atendendo desde pequenos empreendedores até centros educacionais maiores.

Investimento inicial: a partir de R$ 30 mil
Faturamento médio mensal: a partir de R$ 40 mil
Prazo de retorno: 18 a 24 meses


5. Vinho24h

A Vinho24h opera com adegas autônomas instaladas em condomínios, funcionando 24 horas por dia e sem funcionários. Cada unidade conta com venda de vinhos, mídia digital para anúncios e oferta de assinaturas por meio do Clube do Vinho. O franqueado atua na gestão remota da operação, captação de anunciantes e relacionamento com os moradores.

Investimento inicial: R$ 32.900
Faturamento médio mensal: R$ 11.482
Prazo de retorno: até 14 meses


6. Honest Market Brasil

A Honest Market Brasil atua no segmento de minimercados autônomos, com lojas sem atendentes que funcionam 24 horas por dia. O modelo oferece mix de produtos personalizado e gestão digital, com foco em conveniência e operação simplificada para o franqueado.

Investimento inicial: R$ 50 mil
Faturamento médio mensal: R$ 25 mil
Prazo de retorno: 12 meses


7. Peggô Market

A Peggô Market é uma rede de mercados autônomos que combina baixo investimento inicial e modelo de operação simplificado. As unidades funcionam sem funcionários e são instaladas principalmente em condomínios, com gestão focada em reposição, mix e controle remoto das vendas.

Investimento inicial: R$ 55 mil
Faturamento médio mensal: R$ 25 mil
Prazo de retorno: 8 a 12 meses


8. Follow ME Idiomas

A Follow ME é uma franquia de ensino de idiomas com modelo low cost e formatos adaptáveis. A metodologia combina técnicas tradicionais e modernas, com foco em engajamento e desenvolvimento progressivo dos alunos, atendendo investidores que buscam operações educacionais de menor porte.

Investimento inicial: a partir de R$ 58 mil
Faturamento médio mensal: R$ 25 mil
Prazo de retorno: 18 a 24 meses


9. Mikro Market

A Mikro Market atua no segmento de mercados de conveniência autônomos e se destaca pelo faturamento médio por unidade. As operações podem ser instaladas em condomínios, empresas, universidades e outros espaços de grande circulação, sempre em formato sem funcionários.

Investimento inicial: a partir de R$ 60 mil
Faturamento médio mensal: R$ 25 mil
Prazo de retorno: a partir de 6 meses


10. BR Barbearia

A BR Barbearia opera com base na Lei do Salão Parceiro, sem funcionários diretos, permitindo ao franqueado gerir a unidade de forma remota. O modelo se apoia em tecnologia proprietária para monitoramento, gestão financeira e fidelização de clientes.

Investimento inicial: a partir de R$ 100 mil
Faturamento médio mensal: entre R$ 28 mil e R$ 40 mil
Prazo de retorno: 12 a 24 meses


11. SorriaMed

A SorriaMed é uma rede de clínicas odontológicas que oferece atendimento completo em saúde bucal, com estrutura equipada para realização dos procedimentos nas próprias unidades. O modelo de franquia foi lançado recentemente e atende investidores interessados no segmento de saúde.

Investimento inicial: a partir de R$ 120 mil
Faturamento médio mensal: R$ 400 mil
Prazo de retorno: 18 meses


12. Açaí Sunset

O Açaí Sunset atua no segmento de alimentação, com foco em açaí produzido sem xarope de guaraná ou aromatizantes. A franquia opera com lojas físicas e atende consumidores que buscam produtos naturais e saudáveis.

Investimento inicial: a partir de R$ 120 mil
Faturamento médio mensal: de R$ 30 mil a R$ 100 mil
Prazo de retorno: 18 a 24 meses


13. Fizzoli Sorvetes

A Fizzoli Sorvetes é uma franquia com operação simplificada, posicionada no segmento de sorvetes com preço de fábrica. O modelo busca autonomia do franqueado e foco em gestão eficiente do ponto de venda.

Investimento inicial: a partir de R$ 130 mil
Faturamento médio mensal: R$ 45 mil
Prazo de retorno: 18 a 24 meses


14. Porto do Sabor

O Porto do Sabor é uma franquia de alimentação voltada para sucos, açaí e lanches naturais. A operação exige espaços reduzidos e equipe enxuta, com foco em saudabilidade e consumo rápido ao longo do dia.

Investimento inicial: a partir de R$ 135 mil
Faturamento médio mensal: R$ 40 mil
Prazo de retorno: 28 a 36 meses


15. Baurucas

A Baurucas atua no segmento de pipocas gourmet, com operação compacta voltada para shoppings, galerias e terminais. O portfólio inclui sabores tradicionais e premium, inspirados em referências internacionais.

Investimento inicial: R$ 144 mil
Faturamento médio mensal: R$ 50 mil
Prazo de retorno: 14 a 24 meses


16. Espaço Facial

A Espaço Facial é uma rede de clínicas de estética especializada em procedimentos faciais, como botox e harmonização. O modelo exige maior aporte inicial e opera com foco em serviços de alto valor agregado.

Investimento inicial: R$ 270 mil
Faturamento médio mensal: R$ 150 mil
Prazo de retorno: 12 a 18 meses


17. Kookabu

A Kookabu é uma franquia de moda infantil que atua com portfólio completo para o público infantojuvenil. O modelo acompanha tendências do setor e atende uma demanda contínua por vestuário infantil.

Valor de investimento: R$ 195 mil
Faturamento médio mensal: não informado
Prazo de retorno: 13 a 24 meses


18. Point S

A Point S é uma rede global de franquias automotivas especializada em pneus e manutenção veicular. A operação conta com suporte estruturado, sistemas de gestão e padrão internacional de atendimento.

Valor de investimento: R$ 460 mil
Faturamento médio mensal: R$ 300 mil
Prazo de retorno: 25 a 36 meses


19. Yogini

A Yogini atua no segmento de moda wellness, com foco em roupas funcionais para práticas como yoga. A franquia atende consumidores ligados a qualidade de vida e bem-estar, com posicionamento premium.

Valor de investimento: R$ 700 mil
Faturamento médio mensal: R$ 250 mil
Prazo de retorno: 25 a 36 meses


20. Bayard

A Bayard é uma rede tradicional do varejo esportivo, com portfólio amplo de marcas e produtos. O modelo de franquia se apoia em logística estruturada e operação de grande escala.

Valor de investimento: R$ 1.255,7 mil
Faturamento médio mensal: R$ 400 mil
Prazo de retorno: 25 a 36 meses


21. Nova Medtec Cirúrgica

A Nova Medtec Cirúrgica atua no varejo de produtos médicos e hospitalares, atendendo clínicas, profissionais de saúde e consumidores finais. O modelo se beneficia da demanda contínua do setor de saúde.

Valor de investimento: R$ 234,6 mil
Faturamento médio mensal: R$ 80 mil
Prazo de retorno: 25 a 36 meses


22. Coconut

A Coconut é uma franquia de calçados com foco em design e qualidade. O modelo oferece suporte ao franqueado e atua em um mercado consolidado dentro do varejo de moda.

Valor de investimento: R$ 217 mil
Faturamento médio mensal: R$ 100 mil
Prazo de retorno: 25 a 36 meses


23. Allp Fit

A Allp Fit é uma rede de academias que integra serviços de fitness e suplementos próprios. O modelo busca retenção de clientes por meio de programas personalizados e operação estruturada.

Valor de investimento: R$ 1,5 milhão
Faturamento médio mensal: R$ 187,1 mil
Prazo de retorno: 25 a 36 meses


24. Vitamin Fast

A Vitamin Fast atua no segmento de soroterapia e suplementação injetável, com foco em saúde e bem-estar. O modelo se beneficia do crescimento da demanda por serviços personalizados de cuidado com a saúde.

Valor de investimento: R$ 135 mil
Faturamento médio mensal: R$ 138,1 mil
Prazo de retorno: 13 a 24 meses


25. Nutridinhos

A Nutridinhos é uma franquia voltada à educação alimentar infantil, com atividades práticas que incentivam hábitos saudáveis desde a infância. O modelo combina propósito educacional e operação comercial.

Valor de investimento: R$ 108 mil
Faturamento médio mensal: R$ 40 mil
Prazo de retorno: 13 a 24 meses


26. 2izy

A 2izy atua no setor de limpeza, conectando clientes e diaristas por meio de plataforma digital. O modelo é home office, com gestão remota e baixo investimento inicial.

Valor de investimento: R$ 35 mil
Faturamento médio mensal: R$ 50 mil
Prazo de retorno: até 12 meses


27. Ville du Vin

A Ville du Vin opera com lojas e restaurantes especializados em vinhos premium, com foco em curadoria e experiência gastronômica. A franquia oferece diferentes formatos de loja conforme o perfil do investidor.

Valor de investimento: a partir de R$ 370 mil
Prazo de retorno: 22 a 26 meses

Leia também: Franquias de vinhos: o crescimento do setor e o novo comportamento do consumidor brasileiro


28. Supera

O Supera é uma rede de escolas de ginástica cerebral, com metodologia própria voltada ao desenvolvimento cognitivo e socioemocional. A franquia oferece modelos adaptados ao porte das cidades e ao potencial de mercado.

Investimento inicial: a partir de R$ 139 mil para cidades abaixo de 85 mil habitantes e a partir de R$ 199 mil para cidades acima de 85 mil habitantes
Faturamento potencial anual: acima de R$ 500 mil
Prazo de retorno: 18 a 24 meses

Leia também: Educação e empreendedorismo: como o Supera vem se destacando no mercado de franquias educacionais

Como usar as tendências para escolher uma franquia em 2026 com mais segurança

A melhor leitura de franquias 2026 é combinar macro e micro. No macro, os números da ABF ajudam a entender ritmo do setor e segmentos com tração. No micro, a decisão passa por unit economics da operação, perfil do ponto, capacidade de gestão e qualidade do suporte do franqueador.

Se a tendência é eficiência, procure redes que provem rotina de indicadores e melhoria contínua, não apenas discurso. Se a tendência é formato leve, confirme se a operação compacta mantém margem e não depende de volume irreal. Se a tendência é omnicanal, entenda como funciona a divisão de receitas digitais. Em 2026, franquia bem escolhida deve ser aquela que se sustenta no dia a dia, com processo, governança e demanda real, e não só na promessa de expansão.

Imagem: Freepik

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LLC: o que é e como funcionam as sociedades limitadas nos EUA

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LLC: o que é e como funcionam as sociedades limitadas nos EUA


O que é uma LLC (Limited Liability Company)

A LLC (Limited Liability Company) é um tipo de estrutura jurídica muito comum nos Estados Unidos que combina responsabilidade limitada dos sócios com flexibilidade de gestão e tributação. Nessa configuração, os proprietários (chamados de members), em regra, não respondem com seu patrimônio pessoal por dívidas e obrigações da empresa, desde que sejam respeitadas as exigências legais.

Do ponto de vista fiscal, a LLC é reconhecida pela Internal Revenue Service (IRS) como uma entidade que pode ter diferentes enquadramentos tributários, dependendo do número de sócios e das opções feitas junto ao fisco. Uma LLC com um único membro, por exemplo, tende a ser tratada como uma entidade “desconsiderada” para fins de imposto federal, enquanto empresas com mais sócios costumam ser tratadas como partnerships, salvo opção por tributação como corporação.

Principais características da LLC

Entre os atributos mais associados a esse modelo estão:

  • Responsabilidade limitada, que separa, em condições normais, o patrimônio pessoal dos sócios do patrimônio da empresa.

  • Flexibilidade tributária, permitindo diferentes formas de apuração e declaração de impostos, conforme a estrutura escolhida.

  • Gestão adaptável, que pode ser feita diretamente pelos sócios (member-managed) ou por gestores nomeados (manager-managed), conforme previsto no acordo interno da empresa.

  • Menor formalidade quando comparada a corporações tradicionais, especialmente no que diz respeito à governança e à estrutura administrativa.

Diferenças entre LLC e outras estruturas jurídicas

A LLC costuma ser comparada a outros formatos empresariais comuns:

Empresa individual (sole proprietorship)
É mais simples de abrir e administrar, mas não oferece a mesma separação entre pessoa física e jurídica. Em caso de dívidas ou processos, o patrimônio pessoal do empreendedor tende a ficar mais exposto.

Sociedade (partnership)
Pode envolver dois ou mais sócios e diferentes arranjos de responsabilidade. Em muitos casos, a LLC é escolhida justamente por oferecer uma proteção patrimonial mais clara, aliada à flexibilidade contratual.

Corporação (C-Corp ou S-Corp)
Normalmente exige mais formalidades, regras rígidas de governança e, em alguns cenários, maior complexidade tributária. A LLC, por outro lado, permite maior liberdade para definir distribuição de resultados, administração e entrada ou saída de sócios.

Por que a LLC é atrativa para empreendedores do varejo

No varejo (seja físico, digital ou híbrido) a operação envolve contratos, fornecedores, logística, meios de pagamento, atendimento ao consumidor e eventuais disputas legais. Nesse contexto, a responsabilidade limitada se torna um ponto relevante na hora de estruturar o negócio.

Outro fator é a flexibilidade societária. Operações varejistas podem reunir fundadores, investidores, parceiros estratégicos e operadores regionais. A LLC permite desenhar essas relações de forma contratual, por meio do operating agreement, sem a rigidez típica de outras estruturas.

Além disso, dados divulgados pelo estado de Delaware (uma das jurisdições mais conhecidas para abertura de empresas) indicam que as LLCs representam a maioria das novas formações empresariais no estado, refletindo a popularidade do modelo entre pequenos e médios negócios.

LLC e internacionalização do varejo

Com o avanço do e-commerce, do cross-border e da atuação em marketplaces internacionais, muitos empreendedores brasileiros do varejo passam a considerar a abertura de empresas no exterior. A LLC aparece com frequência nesses movimentos por ser um formato conhecido por bancos, plataformas digitais, operadores logísticos e parceiros comerciais nos Estados Unidos.

Pontos de atenção

Apesar das vantagens, a escolha por uma LLC exige análise. As regras variam conforme o estado americano onde a empresa é registrada, incluindo taxas, obrigações anuais e exigências administrativas. A Small Business Administration (SBA) também alerta que detalhes como a transferência de participação entre sócios e a forma de dissolução da empresa devem estar claramente previstos no acordo interno para evitar problemas futuros.

Uma estrutura estratégica, mas não automática

Em síntese, a LLC se consolidou como uma estrutura jurídica relevante para empreendedores que buscam proteção patrimonial, flexibilidade e eficiência operacional. No varejo, onde o risco e a complexidade fazem parte da rotina, esse modelo pode ser uma alternativa estratégica, desde que alinhada ao porte do negócio, ao plano de crescimento e às exigências legais envolvidas.

Leia também: 5 tendências da NRF 2026 para o varejo brasileiro  

Imagem: Freepik

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5 tendências da NRF 2026 para o varejo brasileiro  

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5 tendências da NRF 2026 para o varejo brasileiro  


A NRF 2026: Retail ‘s Big Show, maior evento global de varejo, trouxe um recado claro para o mercado: a inteligência artificial deixou de ser vitrine e passou a ser operação. Sob o tema The Next Now, a edição deste ano marca a transição definitiva do discurso sobre inovação para a execução em escala, com dados, fluidez e confiança.

Presente no evento, Adriana Garbim, vice-presidente Comercial da Cielo, acompanhou as principais discussões e destaca cinco sinais que ajudam a entender para onde o varejo está indo. 

“Mais do que tendências isoladas, elas revelam uma mudança estrutural na forma como marcas, consumidores e tecnologia se relacionam. A tecnologia certa é aquela que atua nos bastidores, garantindo segurança, fluidez e resiliência para que o varejista possa focar no que realmente importa: criar, vender e se relacionar com o cliente. O tempo dos testes isolados e o sucesso do varejo em 2026 não será definido por quem adota mais tecnologia, mas por quem constrói relações de confiança capazes de sustentar decisões feitas por humanos e por máquinas”, explica Garbim.

1. O comércio agêntico muda quem decide a compra

O varejo entra na era do agentic commerce, em que assistentes de inteligência artificial passam a mediar decisões de compra do início ao fim da jornada. Em vez de navegar por sites e comparar opções, o consumidor descreve uma necessidade e a tecnologia filtra, decide e executa.

“O setor está saindo da lógica da vitrine digital para a lógica da decisão automatizada. Quem não estiver preparado para ser lido por máquinas simplesmente deixa de existir nesse novo fluxo”, analisa Adriana.

Nesse cenário, não basta estar presente nos canais certos. É preciso ter estrutura, dados e processos capazes de sustentar decisões feitas por agentes de IA.

2. Dados limpos valem mais do que modelos avançados

Com a IA assumindo um papel ativo na descoberta e recomendação de produtos, a qualidade dos dados passa a ser mais relevante do que a sofisticação dos modelos.

“No Brasil, o varejista sempre foi muito bom em ‘gritar’ para atrair o cliente. Mas, em 2026, se você precisar gritar, é porque sua estratégia de dados falhou”, afirma a executiva. Segundo ela, a autoridade contextual passa a ser construída a partir de dados íntegros, bem estruturados e conectados à operação real, e não apenas por investimentos em mídia ou tecnologia de ponta sem base consistente.

3. O consumidor não enxerga canal, enxerga esforço

Outro sinal evidente da NRF 2026 é o fim definitivo da discussão sobre canais. Para o consumidor, a jornada é única, e qualquer fricção se traduz em abandono. “O cliente não separa físico de digital. Ele percebe esforço, atraso e inconsistência. A inovação de verdade é garantir que a promessa feita no digital seja entregue fisicamente com a mesma precisão”, destaca Adriana.

Nesse contexto, a experiência passa a ser medida pela fluidez entre descoberta, pagamento e entrega, independentemente do ponto de contato. 

4. O pagamento vira a camada de confiança invisível

Com a consolidação do comércio mediado por agentes, o meio de pagamento deixa de ser apenas a etapa final da transação e passa a atuar como validador de identidade, risco e legitimidade.

“O pagamento se torna o passaporte da transação. No Brasil, temos uma vantagem competitiva enorme: o consumidor já confia no Pix e na biometria. O desafio agora é integrar essa confiança histórica ao comércio por agentes, tornando o checkout tão fluido que o cliente quase não percebe, mas sabe que está seguro”, analisa.

A tendência aponta para pagamentos cada vez mais invisíveis, integrados e baseados em dados, sustentando jornadas rápidas e seguras.

5. Quando tudo é gerado por IA, a confiança vira critério de visibilidade

Na NRF 2026, uma mensagem ficou evidente: em um ambiente mediado por inteligências artificiais, não basta aparecer. É preciso ser confiável.

“As IAs não recomendam o que não confiam”, resume Adriana. A descoberta passa a seguir outra lógica: dados estruturados ajudam você a entrar no radar, mas é a autoridade construída ao longo do tempo que faz o agente avançar até a decisão de compra.

Segundo a executiva, no novo varejo, confiança deixa de ser um atributo subjetivo e assume um papel técnico, quase operacional. É ela que define quem ganha espaço nas recomendações, quem chega primeiro ao consumidor e quem se torna, de fato, a escolha preferida dos sistemas de IA.

Imagem: Central do Varejo

Acesse a cobertura da Central do Varejo da NRF 2026 clicando aqui

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Venda de material escolar recua em 2026 com orçamento mais apertado das famílias

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Venda de material escolar recua em 2026 com orçamento mais apertado das famílias


A venda de material escolar em 2026 apresenta forte retração, em meio a um orçamento mais restrito das famílias. Um estudo  realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School aponta uma retração projetada de -5,9% nas vendas em 2026, após uma recuperação parcial em 2025 (+2,7%) e uma forte queda em 2024 (-8,2%).

Essa diminuição nas vendas, porém, não reflete uma diminuição na necessidade, mas sim restrições orçamentárias. Itens essenciais e de menor valor unitário (como canetas, lápis e papel sulfite) mostraram maior resiliência, enquanto produtos de maior valor agregado (cadernos, livros didáticos, mochilas, cadeiras e mesas de estudo) registraram quedas expressivas. O movimento indica substituição, reaproveitamento e postergação de compras, sobretudo entre famílias de renda média e baixa.

Uma exceção a esse comportamento foi observada na compra de uniforme escolar, que apresentou crescimento de 27,9% em 2026, associado à obrigatoriedade do item, o que limita a capacidade de ajuste das famílias. 

Outro fator que pode ter colaborado para a diminuição na venda de material escolar é o aumento dos preços. Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, os preços de material escolar acumularam alta de 29,5%, mais que o dobro do IPCA aproximado no período (14,3%). O descolamento evidencia pressões específicas de custos, como o encarecimento do papel, da logística, de insumos importados e do câmbio.

A análise regional revela que, em estados de menor renda, o gasto médio com material escolar consome entre 35% e 40% da renda média mensal, enquanto em estados de maior renda essa proporção fica abaixo de 25%. Esse percentual elevado se explica pela concentração dessas despesas no início de ano.

O mesmo cenário é identificado entre os alunos: 80% estão na rede estadual, onde o gasto absoluto é menor, mas o impacto relativo sobre a renda é significativamente maior. Com menor margem de ajuste, essas famílias tornam-se mais sensíveis aos aumentos de preços e adotam estratégias defensivas, como reduzir volumes, trocar marcas ou reutilizar materiais de anos anteriores. 

Para Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School: “A volta às aulas de 2026 ocorre em um ambiente mais duro do que o de 2025. O setor enfrenta queda de volume, inflação persistente e alta elasticidade à renda, o que reforça a necessidade de estratégias focadas em acessibilidade, como kits econômicos, promoções e parcelamento, ao mesmo tempo em que evidencia desafios estruturais ligados à desigualdade de renda e ao encarecimento contínuo dos insumos educacionais”, afirma ele.

Imagem: Freepik

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