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O estica-e-puxa do reajuste da conta de luz: o que as empresas estão dizendo

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O estica-e-puxa do reajuste da conta de luz: o que as empresas estão dizendo

A solicitação do Governo Lula para que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adie aumentos na conta de luz deste ano foi levada pelo regulador às empresas do setor – que começam agora a responder, cada uma à sua maneira. 

A Energisa disse que aceita postergar por uma semana os reajustes de suas distribuidoras no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul enquanto Brasília estuda medidas para aliviar o consumidor, desde que os efeitos para as empresas sejam compensados depois.

Já a CPFL Energia apresentou uma proposta alternativa que diminuiria os aumentos tarifários agora mas recuperaria esses valores entre 2027 e 2029. Seriam cobrados dos consumidores, no entanto, os custos financeiros de captação de recursos para permitir o adiamento.

A Equatorial Energia, por outro lado, quer a aplicação imediata de um reajuste de suas tarifas no Amapá que vem sendo discutido há meses na Aneel. 

A agência retirou da pauta de sua reunião de diretoria de amanhã os processos de reajuste tarifário das concessionárias da Energisa, após o posicionamento da empresa.

Ainda deverão ser analisadas, porém, as propostas da CPFL para o reajuste da CPFL Paulista e revisão tarifária da CPFL Santa Cruz, bem como o reajuste das tarifas da Equatorial CEA, do Amapá.

O Ministério havia pedido à Aneel a postergação de todas decisões tarifárias enquanto o Governo estuda alternativas, mas a regulação do setor exige concordância prévia das empresas para isso. 

A proposta em estudo em Brasília envolveria um empréstimo do BNDES às distribuidoras para compensar os reajustes menores, o que exigiria uma Medida Provisória para dar segurança jurídica à transação, fontes do setor disseram ao Brazil Journal

Sem medidas de mitigação, o reajuste tarifário da CPFL Paulista, por exemplo, seria de em média 18,6%, segundo documentos disponíveis no sistema da Aneel.

Já a Equatorial disse à agència que a CEA, concessionária no Amapá, “terá um desequilíbrio de cerca de R$ 20 milhões para cada mês de atraso” no reajuste tarifário.

A Energisa, por sua vez, concordou em deixar a análise de seu reajuste para a reunião da Aneel de 14 de abril, “com intuito de contribuir com a avaliação de possíveis alternativas destinadas a mitigar os impactos de reajustes tarifários aos clientes”. A empresa acrescentou, no entanto, que o adiamento deve ser “compensado e devidamente corrigido.”

Entre especialistas, as medidas que o Governo estuda para segurar a conta de luz têm sido vistas como um “jeitinho” que no máximo adiaria os impactos aos consumidores, que depois voltariam às tarifas com juros.

Os planos, no entanto, não chegam a ser vistos com surpresa, após diversas propostas semelhantes nos últimos anos, inclusive também envolvendo empréstimos às distribuidoras.

“Como estamos em ano eleitoral, o Governo quer evitar o desgaste de explicar aumento de tarifas de dois dígitos altos. Já vimos esse filme antes e sabemos como acaba,” disse um gestor.




Luciano Costa




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A AI vai mudar o organograma das empresas – e acabar com o ‘middle management’

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A AI vai mudar o organograma das empresas – e acabar com o ‘middle management’

A maioria das empresas vem usando a inteligência artificial como se fosse um novo computador ou uma nova máquina – algo que ajuda a melhorar a produtividade, mas sem promover mudanças estruturais.

Mas para Jack Dorsey, o cofundador e chairman da fintech Block, a AI vai revolucionar a centenária hierarquia corporativa.

Em um artigo escrito com Roelof Botha, sócio da Sequoia Capital, Dorsey argumenta que a estrutura organizacional das companhias modernas remonta à organização das legiões de soldados dos exércitos romanos, 2.000 anos atrás. Foi uma estrutura criada para coordenar milhares de pessoas distribuídas em grandes distâncias e com acesso limitado à comunicação.

No mundo corporativo americano, essa hierarquia militar se estabeleceu ainda nas primeiras ferrovias, nas décadas de 1840 e 1850. Falhas de comunicação estavam causando acidentes – e mortes.

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Houve inovações e tentativas de mudança ao longo do tempo, mas a estrutura hierárquica continua dominante. As limitações são as mesmas que os romanos enfrentaram: reduzir a amplitude de controle significa adicionar camadas de comando, mas mais camadas significam um fluxo de informações mais lento.

“Dois mil anos de inovação organizacional têm sido uma tentativa de contornar esse dilema sem quebrá-lo,” escrevem Dorsey e Botha no artigo From hierarchy to intelligence.

Segundo Dorsey, com o advento da AI pela primeira vez temos um sistema que pode manter todas as atividades e decisões de uma empresa continuamente atualizadas – e usar essas informações para coordenar o trabalho que antes exigia várias camadas de gestão.

O executivo – que também fundou o Twitter – já vem empregando as ideias detalhadas no artigo. No final de fevereiro, a Block demitiu cerca de 4.000 funcionários, o equivalente a 40% da folha.

A Block quer se posicionar como uma empresa remote-first – na qual todas as discussões e informações são registradas e usadas como matéria-prima para um modelo de AI.

“Na Sequoia, percebemos que a velocidade é o melhor indicador de sucesso para startups,” afirmam no texto. “A maioria das empresas está focada em AI como um meio de aumentar a produtividade. Poucas estão focadas no potencial da AI ​​para mudar a forma como trabalhamos.”

Em uma empresa tradicional, a função do gerente é saber o que está acontecendo em sua equipe e transmitir esse contexto para os níveis hierárquicos superiores – e vice-versa. Com a gestão por AI, será possível ter a visão do todo ininterruptamente, e sem perda de informação.

Os autores chamam esse sistema de company world model, que pode ser integrado ao customer world model – isto é, toda a base de informações de seus clientes e usuários. Dessa maneira, desaparece a necessidade de uma camada permanente de gestão intermediária como a dos gerentes de produto.

Tudo o que a antiga hierarquia fazia, o sistema baseado na AI pode coordenar – e potencialmente de maneira muito mais integrada com as demandas dos clientes.

“A rapidez ou lentidão com que as empresas se movem depende do fluxo de informações. Hierarquias e gerências intermediárias dificultam esse fluxo,” dizem Dorsey e Botha. “A questão nunca foi se precisávamos de camadas hierárquicas. A questão era se os humanos eram a única opção para o que essas camadas faziam. Não são mais.”




Giuliano Guandalini




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Petrobras demite diretor e elege novo presidente do Conselho de Administração

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Petrobras demite diretor e elege novo presidente do Conselho de Administração

A ⁠Petrobras informou nesta segunda-feira que ⁠seu Conselho de Administração aprovou ‌o encerramento antecipado do mandato do diretor-executivo de Logística, Comercialização e ‌Mercados, Claudio Romeo Schlosser, além da eleição de um novo presidente para o colegiado.

Na mesma ocasião, o conselho aprovou a nomeação ⁠de ‌Angélica Laureano para o posto, ⁠assumindo o cargo a partir de 7 de abril de 2026, com mandado unificado até abril de 2027, disse a ​empresa em comunicado ao mercado nesta segunda-feira.

Com a mudança, o diretor-executivo ​de Processos Industriais e Produtos, William França, passa a acumular, temporariamente, as funções de diretor-executivo de Transição Energética e Sustentabilidade, ‌posição que era ocupada ​por Laureano.

Além das mudanças, a companhia também divulgou, em fato relevante, que o Conselho ⁠de ​Administração elegeu ​Marcelo Weick Pogliese como presidente do colegiado.

Pogliese irá ⁠substituir Bruno ​Moretti, que deixou o cargo no mês passado para assumir o Ministério ​do Planejamento e do Orçamento. Em fato relevante divulgado ao ​mercado, a ⁠Petrobras disse que Pogliese permanecerá no cargo ⁠até a próxima assembleia geral de acionistas da empresa, convocada para o dia 16 de abril.

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Com receita dos jornais encolhendo, a Associated Press ganha com a AI

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Com receita dos jornais encolhendo, a Associated Press ganha com a AI

A Associated Press – a maior agência de notícias do mundo, que funciona como uma cooperativa de veículos de mídia – está cortando cerca de 5% de seus jornalistas, como parte de uma mudança relevante em seu modelo de negócios.

A AP não divulgou o número exato de demissões nem o total de funcionários que ela tem hoje, mas a estimativa no mercado é que ela empregue mais de 3 mil jornalistas em cerca de 250 birôs em 90 países. 

Considerando esse número, o corte de hoje teria afetado cerca de 150 profissionais. A AP se comprometeu a manter sua cobertura nos 50 estados americanos. 

Numa entrevista à Axios, a editora executiva da AP, Julie Pace, disse que os layoffs fazem parte de uma reestruturação mais ampla: a AP está reduzindo sua cobertura ‘hiper-local’ (muito usada por veículos impressos) e expandindo sua cobertura nacional e em vídeo. 

Fundada em 1846 com o objetivo de dividir os custos de cobertura nacional e internacional entre centenas de jornais americanos locais, que não tinham condições de arcar sozinhos com o custo de correspondentes, a AP é uma organização sem fins lucrativos. 

Nos últimos anos, o perfil de seu cliente está mudando. Os jornais impressos americanos, que deram origem à agência, agora respondem por menos de 10% de toda a receita da cooperativa, uma queda de 25% nos últimos quatro anos. 

Na outra ponta, a receita do que a empresa chama de ‘tech companies’ (veículos digitais, broadcasters e empresas que não são focadas em jornalismo, incluindo gigantes de inteligência artificial) cresceu quase 200% no mesmo período. 

Nos últimos dois anos, por exemplo, dois dos maiores publishers de jornais dos EUA, o USA Today e o McClatchy Group, cancelaram suas assinaturas da AP citando cortes de custos. Já empresas como Google, OpenAI, Kalshi, Microsoft e Amazon passaram a licenciar os conteúdos da agência, incluindo dados eleitorais – frequentemente para treinar seus modelos. 

Pace disse à Axios que a AP está com as contas no azul e com receitas estáveis. Segundo ela, a redução do headcount vem de uma posição de força.

“Não é porque nossa audiência e nossa receita está diminuindo, mas realmente porque nossa audiência e nossas receitas estão vindo de lugares diferentes,” disse a executiva. 

O News Media Guild, o sindicato que representa os jornalistas da AP, criticou as demissões, dizendo que a AP “emprega centenas de jornalistas talentosos que estão dispostos e são capazes de se adaptar ao cenário em transformação da mídia.”

No entanto, segundo o sindicato, “a empresa se recusa a oferecer a eles treinamento e ferramentas adequados. Em vez disso, a AP continua se desfazendo de profissionais experientes e flertando com a inteligência artificial — ignorando a oportunidade de diferenciar as notícias da AP como conteúdos que são e sempre serão produzidos por jornalistas humanos.”

A AP foi uma das primeiras agências de notícias a fechar um acordo com uma empresa de AI. Em 2023, ela concordou em licenciar parte do seu acervo de textos para a OpenAI. No ano passado, passou a atuar no ‘Snowflake Marketplace’ para licenciar dados diretamente a empresas que estão construindo seus próprios modelos. A agência também lançou a ‘AP Intelligence’, para vender dados para setores como o financeiro e de publicidade.

As demissões também vem depois da Lee Enterprises — dona de jornais como o The Buffalo News, St. Louis Post-Dispatch e Richmond Times-Dispatch — anunciar que vai buscar o cancelamento antecipado de um contrato com a AP que expira no final deste ano. 

Os cortes de hoje vão afetar essencialmente os jornalistas que trabalham nos birôs dos Estados Unidos. A agência disse que primeiro vai oferecer um plano de demissão voluntária a um grupo de funcionários sindicalizados. Caso não haja adesões suficientes, fará demissões. 

Em 2024, a AP já havia feito outro corte relevante, demitindo cerca de 8% de sua força de trabalho.

O modelo da Associated Press é único no mercado do jornalismo, e visto como uma referência de cobertura isenta e imparcial. Apesar de não ter um dono, a AP é controlada pelos próprios veículos membros, que elegem um conselho responsável por tomar as decisões de gestão.




Pedro Arbex




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