Conecte-se conosco

Varejo

A Squadra quer mudar muita coisa na Hapvida

Published

on

A Squadra quer mudar muita coisa na Hapvida

A Squadra Investimentos enviou uma carta à Hapvida pedindo mudanças no conselho de administração e que a empresa avalie vender suas operações no Sul e no Sudeste – majoritariamente os ativos que eram da Notre Dame Intermédica, adquirida em 2022. 

“Entendemos que a gestão segue trabalhando no plano de turnaround dos ativos do Sudeste e Sul, apesar de não ter conseguido apresentar quaisquer indicadores concretos de recuperação até o momento”, diz a carta encaminhada pela Squadra ao chairman Candido Pinheiro Koren de Lima e ao CEO Jorge Pinheiro, da família fundadora.

“Julgamos, portanto, fundamental que o alto risco de execução dessa iniciativa seja comparado com o custo de oportunidade da alternativa estratégica de desinvestimentos e consequente simplificação operacional – especialmente diante do nível atual de alavancagem, do insucesso acumulado na execução e da perda progressiva de valor dessas subsidiárias enquanto geridas pela companhia.”

Hapvida

A Squadra tem 6,8% da Hapvida e é o maior acionista depois da família fundadora, que tem 39,3% da empresa, 

Na carta, a gestora também pede a adoção do processo de voto múltiplo para a eleição do conselho na assembleia marcada para 30 de abril. A gestora está indicando três nomes: Tania Chocolat, ex-chefe da CPP Investments no Brasil; Bruno Magalhães e Silva, ex-analista da Squadra e da JGP; e Eduardo Parente, o ex-CEO da Yduqs e chairman da Equatorial Energia. 

A gestora de Guilherme Aché destaca que “a despeito da destruição de valor observada na empresa ao longo dos últimos anos,” o conselho da Hapvida recomendou nesta semana “por unanimidade e sem quaisquer ressalvas” a reeleição do atual conselho.

Além disso, a proposta da administração prevê uma remuneração de R$ 57 milhões para o conselho em 2026,  o que representa cerca de 20% da estimativa de lucro para o ano e é “a terceira maior remuneração total prevista para o atual exercício entre todas as empresas do Ibovespa, com base nas propostas de administração divulgadas até aqui,” diz a carta.

A maior remuneração proposta é do Bradesco, com R$ 65 milhões; seguida de Rede D’Or, com R$ 62 milhões, segundo uma tabela anexada à carta. A remuneração proposta pelo Itaú também é de R$ 57 milhões. 

Segundo a Squadra, essas propostas revelam um conselho “em descompasso com a atual situação financeira da companhia e sobretudo com seu próprio desempenho ao longo dos últimos anos”. 

Na carta de 10 páginas, a Squadra faz um breve histórico da Hapvida desde o IPO em abril de 2018 e diz que a composição do conselho tem sido definida “essencialmente pelos acionistas controladores que sempre ocuparam cargos-chave na administração”.  

Nesse período, diz a gestora, “observou-se uma sequência de decisões estratégicas, operacionais, de alocação de capital e de governança equivocadas que foram determinantes para a drástica redução do valor acionário da companhia, uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro.”

Desde o IPO, a ação cai 85% comparada a uma alta do Ibovespa de 120% no mesmo período, diz o texto.Squadra  

A gestora destaca a integração mal executada dos ativos da Notre Dame Intermédica, a deterioração dos resultados operacionais e financeiros no último ano, a elevação da alavancagem e a “aparente falta de visibilidade da administração sobre a situação de seus negócios”. 

“Enquanto a Hapvida informa que sua base de clientes no Sul e Sudeste foi reduzida em 238 mil em 2025, os dados da ANS mostram que essas regiões apresentaram crescimento de 792 mil beneficiários, já incluindo o número de perdas registradas pela companhia,” diz o texto. 

A Squadra aponta o que considera o insucesso da empresa em nomear e reter um corpo executivo de qualidade e se queixa da introdução de uma poison pill limitando a participação de minoritários a 20% do capital. A medida, diz a carta, “encastela a família controladora sem trazer benefício algum para a companhia ou para os minoritários”.

A gestora também pede que o processo de sucessão em curso seja reavaliada pelo novo conselho eleito na próxima assembleia. 

A Squadra disse que nos últimos meses intensificou interações com a administração da Hapvida para “contribuir de forma construtiva para o aprimoramento de governança e estratégia”. Mas, “diante da frustração nas tratativas e da proposta divulgada pelo conselho, entende ser seu dever fiduciário, como acionista relevante, “reiterar as razões pelas quais julga serem cruciais as mudanças no conselho e correções de rumo na condução dos negócios da companhia”. 

A Squadra publicou a carta em seu site e pediu que ela seja divulgada também pela Hapvida.

No mês passado, a Hapvida fez um comunicado interno dizendo que não tinha interesse em dar representatividade em seu conselho a fundos de investimento – o que parece agora, em retrospecto, uma resposta às tratativas com a Squadra.




Pedro Arbex




Varejo

O artesão por trás das joias de Picasso

Published

on

O artesão por trás das joias de Picasso

Nos anos 1950, Picasso queria explorar seus desenhos e ideias em metal, como havia feito em cerâmica, e pediu a um dentista que, entre uma obturação e outra, lhe fundisse algumas pequenas peças em ouro. O gênio andaluz gostou do resultado – e partiu à procura de quem pudesse se dedicar totalmente ao projeto.

Encontrou o parceiro perfeito em François Hugo, um artesão que mantinha seu ateliê em Aix-en-Provence, onde a terceira geração da família trabalha até hoje.

Bisneto do grande escritor de Les Misérables, Victor Hugo (1802–1885), François Hugo começou pela marcenaria, estudou encadernação, trabalhou como mecânico de motores de avião e aprendeu tecelagem na Escócia. Estabeleceu com Coco Chanel uma parceria – a fábrica Hugo-Chanel, nos anos 1930 –  voltada à tecelagem. Chanel também iniciou com Hugo suas primeiras coleções de bijuterias e botões de alta costura.

Os intelectuais da época – artistas como André Derain e Max Ernst, os melhores amigos de Hugo – passavam longas temporadas no sul da França, e todos, em algum momento, passavam por seu ateliê. 

04 04 Nicolas Hugo ok

Com amigos em comum, Hugo foi procurado por Picasso nos anos 50, quando o ateliê já havia expandido e produzia botões de metal e bijuterias para Lanvin, Schiaparelli, Dior e Hermès (muitas dessas peças hoje integram acervos de museus pelo mundo, como o V&A e o Metropolitan). 

A colaboração com Schiaparelli, a designer surrealista, resultou em mais de três mil desenhos diferentes ao longo de 12 anos. Com a escassez de materiais durante a Segunda Guerra, sua engenhosidade foi colocada à prova, levando Hugo – “o” artesão na França naquele período – a desenvolver alternativas como latão, cerâmica e plásticos. 

Aos poucos, o ateliê foi se afastando do mundo da moda e, depois de Picasso, outros artistas passaram a procurar parcerias artísticas: Max Ernst, Jean Cocteau, André Derain, Jean Arp e Dorothea Tanning. Para cada artista, Hugo criava uma técnica diferente, trabalhando a quatro mãos em uma verdadeira colaboração criativa.

Com o falecimento de François Hugo, o ateliê foi assumido por seu filho Pierre e, agora, pelo neto Nicolas. A mulher de Nicolas, Elvire, conheceu a empresária paulista Gabriela Paschoal há 15 anos em Londres, e desde então visitou o Brasil inúmeras vezes. O Ateliers Hugo tem presença estabelecida nos Estados Unidos e na Ásia, mas a América Latina não estava no radar até pouco tempo.

Em parceria com Gabriela e a galeria Gomide & Co, cerca de 30 peças – entre joias, medalhões e objetos –  serão apresentadas na SP-Arte deste ano, que acontece entre 8 e 12 de abril no pavilhão da Bienal.

“Será minha primeira vez no Brasil, um mercado que me interessa muito conhecer e explorar,” Nicolas disse ao Brazil Journal sobre a estreia do ateliê no País. 

A ideia não é só ampliar a base de clientes, mas também criar laços com artistas brasileiros em novas colaborações. “Já estamos em conversas avançadas com uma grande artista brasileira, mas, até fecharmos o contrato, não posso revelar o nome.”

“De certa forma, nossa missão é sermos testemunhas do nosso tempo. Meu avô, meu pai e agora eu tentamos lançar luz sobre o que está sendo produzido hoje,” disse Nicolas.

O ateliê ocupa um lugar único no sistema da arte, mantendo um certo ar renascentista. As peças continuam sendo produzidas em escala reduzida (dezenas por ano), todas numeradas, dentro de um processo essencialmente manual. O avô não utilizava fundição – que considerava uma solução fácil – e sim a técnica repoussé, em que uma chapa metálica é trabalhada a partir do verso até atingir o relevo, preservando o gesto do artista.

“Cresci com o barulho das marteladas do meu avô, que ensinou sua técnica ao meu pai, que me ensinou anos antes de morrer.” Mais que um negócio de família, trata-se de um estilo de vida. Nicolas mantém uma estrutura muito semelhante à que o avô montou há 70 anos, com as mesmas ferramentas criadas por ele ainda em uso.

As peças de Picasso que estarão em São Paulo trazem touros, rostos e formas abstratas que migraram das telas para medalhões e pratos. Já as obras de Cocteau apresentam suas linhas alongadas, perfis e figuras mitológicas, traduzidas em brincos, broches e um colar. Poeta, cineasta e artista visual, Cocteau nunca tratou a joalheria como prática em si, e Hugo precisou interpretar seus desenhos e ideias para materializá-las em metal. 

O broche em formato de polvo, Mlle. Pieuvre, uma obra emblemática da surrealista americana Dorothea Tanning, na época casada com Max Ernst, também estará à venda. Maria Eugenia Martins, a coordenadora do projeto na galeria e que está a frente das vendas, disse que mesmo antes da feira o interesse tem sido surpreendente, com muitas reservas em obras que serão feitas pela última vez.

Encerrada a edição, o molde é devolvido para a família ou espólio de cada artista. 

Hugo criou uma lógica de colaboração muito particular: o resultado não é exatamente uma jóia nem uma escultura. Com habilidade e sensibilidade, ele proporcionou a alguns dos maiores artistas do século XX o exercício de suas “infinitas curiosidades”, como dizia Picasso.

O artesão encontrou no ouro seu material mais fascinante. No livro sobre o ateliê, um historiador lembra que no Peru antigo se colocavam na parte externa das casas ídolos, objetos rituais e borboletas em ouro com asas filigranadas – para que quando atingidos pelos raios do sol brilhassem em todo o seu esplendor.

Os objetos acabavam por desaparecer, e o brilho do sol atingia sua máxima glória.

De forma semelhante, François Hugo utilizou o ouro para refletir e amplificar a genialidade dos artistas com quem colaborava, sem que sua prática perdesse o próprio brilho.

Arte 3 Picasso




Rita Drummond




Continue Reading

Varejo

Milão, Veneza e Bolonha têm restrição de combustível em aeroportos; voos são afetados

Published

on

Milão, Veneza e Bolonha têm restrição de combustível em aeroportos; voos são afetados

A aviação na Itália enfrenta restrições no abastecimento de combustível Jet A1, levando aeroportos a limitar operações e priorizar determinados voos em meio a dificuldades logísticas no fornecimento.

Avisos operacionais emitidos para companhias aéreas indicam que quatro terminais passaram a adotar medidas temporárias: o Aeroporto de Milão Linate, o Aeroporto de Veneza Marco Polo, o Aeroporto de Bolonha Guglielmo Marconi e o Aeroporto de Treviso.

De acordo com os comunicados, há disponibilidade limitada de combustível, o que levou à implementação de um sistema de prioridades. Voos médicos, de Estado e de longa distância têm preferência no abastecimento, enquanto as demais operações passaram a operar com restrições, incluindo um limite próximo de 2.000 litros por aeronave.

Continua depois da publicidade

A medida deve permanecer em vigor ao menos até 9 de abril, com possibilidade de revisão conforme a normalização do fornecimento.

Segundo a imprensa italiana, o problema decorre de gargalos logísticos na cadeia de distribuição. Entre os fatores citados estão atrasos no transporte, dificuldades operacionais no abastecimento e impactos indiretos da guerra no Oriente Médio, que tem pressionado rotas energéticas e encarecido a logística internacional.

Na prática, as restrições obrigam companhias aéreas a ajustar suas operações, com possibilidade de redução de carga, mudanças de rota e necessidade de abastecimento em aeroportos alternativos.

O setor também já sinaliza impacto econômico. A companhia aérea Ryanair indicou que pode haver aumento de tarifas após a Páscoa, refletindo custos adicionais e ajustes operacionais.

Continue Reading

Varejo

FMI pede que Banco do Japão continue a aumentar taxas

Published

on

FMI pede que Banco do Japão continue a aumentar taxas

(Reuters) – O ⁠Fundo Monetário Internacional pediu ao Banco do ⁠Japão que continue aumentando as taxas de juros, enquanto a ‌guerra no Oriente Médio representa ‘novos riscos significativos’ para as perspectivas econômicas do país.

A proposta surge em meio às expectativas do mercado de ‌que o BOJ aumentará as taxas de juros já em abril, diante da crescente pressão inflacionária decorrente do aumento dos preços do petróleo induzido pelo conflito e dos custos de importação mais altos atribuídos ao iene fraco.

Leia também: Revolução ou Risco? FMI alerta que economia tokenizada pode acelerar crises

Embora se espere que o crescimento seja moderado, em parte ⁠devido ‌à guerra do Irã, os ganhos graduais de salários sustentarão ⁠o consumo, disse o FMI em um comunicado emitido de Washington na sexta-feira, após a conclusão de sua consulta política com o Japão.

‘Os riscos para as perspectivas e para a inflação estão amplamente equilibrados’, com a expectativa de que a inflação convirja ​para a meta de 2% do BOJ em 2027, disse o FMI.

Na declaração, o FMI disse que seu conselho executivo elogiou ​a ‘forte resistência econômica’ do Japão aos choques globais e concordou que o BOJ estava retirando adequadamente a acomodação monetária.

Continua depois da publicidade

Leia também: Guerra no Oriente Médio cria “choque global assimétrico”, diz FMI

‘Eles observaram que, à medida que a inflação subjacente converge para a meta do BOJ, os aumentos graduais da taxa em direção à neutralidade devem ‌continuar’ em uma abordagem flexível, bem comunicada e ​dependente de dados, disse o comunicado.

‘Os diretores enfatizaram a importância de manter uma taxa de câmbio flexível como um absorvedor de choques confiável’, acrescentou.

O BOJ encerrou um ⁠estímulo maciço em 2024 ​e elevou as ​taxas de juros várias vezes, inclusive em dezembro, considerando que o Japão estava prestes a ⁠atingir de forma duradoura sua meta ​de inflação de 2%.

Leia também: FMI: aperto de condições financeiras pode criar ambiente mais difícil para emergentes

O banco central enfatizou sua disposição de continuar aumentando as taxas com base na expectativa de que a inflação subjacente convergirá ​para sua meta de 2% em algum momento entre a segunda metade do ano fiscal de 2026 e o ​ano fiscal de 2027. ⁠O ano fiscal do Japão começa em abril.

Continua depois da publicidade

Embora o aumento dos preços do petróleo tenha ⁠prejudicado a economia japonesa, que depende de importações, os formuladores de políticas do BOJ sinalizaram sua preocupação de que eles aumentem as pressões inflacionárias de anos de ganhos salariais constantes e aumentos de preços mais amplos.

(Reportagem de Leika Kihara; reportagem adicional de Yoshifumi Takemoto; edição de Kate ​Mayberry)

Continue Reading

Tendências

Todos os direitos reservado por Varejo.blog © 2025