A disputa pela atenção do consumidor se tornou o principal campo competitivo do varejo, em um ambiente digital onde a oferta de conteúdo cresce mais rápido do que a capacidade humana de absorvê-lo. Esse foi o ponto de partida da palestra “Day trading attention: Leveraging brand, speed and relevance”, que abriu o terceiro e último dia da NRF 2026.
A sessão reuniu Gary Vaynerchuk, Chairman da VaynerX e CEO da VaynerMedia, em conversa com Christopher Zara, News Director da Fast Company. Ao longo do debate, Vaynerchuk apresentou uma visão direta sobre como marcas devem operar em um cenário descrito por ele como “TikTokificado”, no qual a atenção é barata, mas extremamente volátil.
Relevância como critério central dos algoritmos
Vaynerchuk explicou que os algoritmos das principais plataformas digitais operam a partir de um único princípio: relevância. Segundo ele, o que mudou nos últimos anos não foi o funcionamento dos algoritmos, mas a forma como pessoas e marcas interagem com eles. “O algoritmo não muda. O que muda é o comportamento humano”, disse.
Essa lógica deslocou o valor estratégico do número de seguidores para a capacidade de produzir conteúdos que gerem interesse imediato. Cada peça criativa passou a competir individualmente por alcance, independentemente do histórico da marca ou do criador.
Volume como vantagem competitiva
Para Vaynerchuk, a insistência em produzir poucas peças altamente refinadas reduz a probabilidade de relevância contínua. “Se você publica um vídeo perfeito por semana, perde para quem publica trinta vídeos imperfeitos no mesmo dia”, afirmou.
A implicação prática, segundo ele, é a necessidade de operar estruturas de criação em escala, capazes de testar rapidamente diferentes mensagens, formatos e contextos. O aprendizado ocorre a partir da resposta do público, e não da validação interna em salas de reunião.
Métricas diretas e o papel do varejo físico
Ao discutir mensuração de resultados, Vaynerchuk destacou uma vantagem estrutural do varejo em relação a outros setores: “No varejo, o caixa está ali. Ou está vendendo ou não está”. Para ele, esse fato elimina parte da ambiguidade presente em relatórios tradicionais de marketing.
Segundo o executivo, grande parte da indústria construiu métricas que capturam apenas fragmentos da realidade, especialmente quando tenta mensurar conceitos como afinidade ou lealdade por meio de pesquisas subjetivas. Em contraste, indicadores como vendas recorrentes, taxa de recompra e retorno ao ponto de venda oferecem sinais mais concretos de valor de marca.
Marca como ativo fora do campo visual
Vaynerchuk reforçou que a marca continua sendo um ativo central, mas não pode ser tratada apenas como discurso institucional. “Marca é o que as pessoas dizem sobre você quando você não está na sala”, disse, ao explicar por que empresas que priorizam exclusivamente conversão de curto prazo tendem a perder relevância ao longo do tempo.
Ele relacionou esse ponto à próxima fase da inteligência artificial, na qual agentes automatizados passarão a tomar decisões de recompra sem intervenção humana direta. Nesse contexto, a força da marca se manifesta quando o consumidor não sente necessidade de alterar configurações automáticas, mesmo diante de ofertas concorrentes.
Criatividade validada pelo público, não pela hierarquia
Outro eixo da conversa foi a separação histórica entre mídia e criação dentro das organizações. Vaynerchuk argumentou que essa divisão contribuiu para a proliferação de relatórios que medem atividade, mas não impacto real. Para ele, o modelo atual permite testar criatividade em tempo real, usando o próprio comportamento do consumidor como critério de validação.
“O que performa organicamente pode ser ajustado e escalado com mídia paga”, explicou. Essa abordagem, segundo ele, transforma o marketing de performance em uma extensão da criatividade validada, e não em um mecanismo para compensar peças irrelevantes.
Plataformas, contexto e atenção fragmentada
Ao abordar a escolha de plataformas, Vaynerchuk defendeu que marcas estejam presentes onde a atenção do consumidor se manifesta, mesmo que isso exija adaptação constante. Ele citou o crescimento do LinkedIn como canal relevante não apenas para B2B, mas também para marcas B2C que conseguem contextualizar sua mensagem ao ambiente profissional.
“O que importa não é a plataforma, mas o contexto em que o consumidor está quando recebe a mensagem”, afirmou. Essa leitura reforça a necessidade de compreender não apenas o canal, mas o estado mental do público em cada ambiente.
Live shopping e fricção mínima
A palestra também trouxe dados sobre live social shopping. Vaynerchuk destacou o crescimento acelerado de plataformas como TikTok Shop e Whatnot, que movimentaram bilhões de dólares em GMV, apesar de ainda terem baixo reconhecimento entre executivos tradicionais do varejo.
Segundo ele, o modelo funciona porque reduz fricções na jornada. “É atenção convertida em ação em tempo real”, disse. Para o executivo, empresas que não estão discutindo seriamente suas estratégias de live shopping correm risco de enfrentar dificuldades relevantes nos próximos anos.
IA, influência e adaptação do ecossistema
Ao tratar do impacto da IA sobre o mercado de criadores, Vaynerchuk adotou uma visão de adaptação histórica. Ele comparou a ascensão de influenciadores virtuais ao surgimento dos influenciadores humanos, que por sua vez já haviam deslocado celebridades tradicionais em determinadas categorias.
Embora reconheça impactos negativos para alguns profissionais, ele destacou que o avanço tecnológico tende a gerar ganhos mais amplos, inclusive fora do marketing, como na área da saúde.
Atenção como vantagem transitória
Para encerrar a sessão, Vaynerchuk comparou atenção a um ativo imobiliário, no qual vantagens iniciais se diluem com o tempo, mas novas oportunidades continuam surgindo. Ele ressaltou que, no atual estágio dos algoritmos, ainda é possível que indivíduos ou marcas ganhem relevância rapidamente ao descobrir algo genuinamente relevante para o consumidor.
*A missão NRF 2026 é uma realização da Central do Varejo, com patrocínio da TOTVS e Getnet.
(*) Gustavo Chapchap é CXO da JET e líder do comitê de e-commerce da ABRADi. Texto em em colaboração com Patricia Cotti e Edmour Saiani.
A Restaurant Brands International (RBI) concluiu um acordo previamente anunciado com a gestora asiática CPE para expandir a operação do Burger King China. Com o fechamento da transação, a CPE investiu US$ 350 milhões em capital primário na joint venture e passou a deter aproximadamente 83% da operação na China. A RBI manteve uma participação minoritária de 17% e um assento no conselho de administração.
Além disso, uma afiliada integral do Burger King China firmou um contrato-mestre de desenvolvimento com duração de 20 anos, que concede direitos exclusivos para desenvolver a marca Burger King no país. Com isso, CPE e RBI planejam ampliar a rede de restaurantes na China de cerca de 1.250 unidades atualmente para mais de 4.000 até 2035.
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Segundo a RBI, a parceria internacional combina a marca e os produtos globais do Burger King com a experiência local da CPE no mercado chinês. A rede Burger King opera atualmente mais de 19 mil restaurantes em mais de 120 países e territórios.
Em comunicado, o CEO da RBI, Josh Kobza, afirmou que a China segue como um mercado estratégico para a marca. “A China continua sendo uma das mais importantes oportunidades de crescimento de longo prazo para a marca Burger King no mundo. Com a CPE como parceira e uma estratégia clara focada em qualidade dos alimentos, execução nas operações e relevância da marca, acreditamos que o Burger King China está bem posicionado para construir um negócio sustentável e de alta qualidade”, disse.
Mesmo com popularização das datas duplas, brasileiros ainda preferem Black FridayO aiqfome realizou, no dia 2 de fevereiro, uma campanha nacional com frete grátis como parte de sua estratégia comercial para datas duplas. A ação foi válida em mais de 20 estados brasileiros e contemplou não apenas restaurantes, mas também categorias como supermercados, farmácias, pet shops e outros serviços disponíveis na plataforma.
Durante a campanha, o aplicativo liberou cupons de entrega gratuita para todos os usuários, além de descontos adicionais em diferentes lojas, ampliando as possibilidades de consumo ao longo do dia. A iniciativa buscou estimular tanto novos pedidos quanto a experimentação de categorias além da alimentação, como compras de mercado e pedidos de botijão de gás.
Segundo Igor Remigio, cofundador e CEO do aiqfome, o frete grátis teve papel decisivo na escolha do consumidor e contribuiu para aumentar as vendas e a fidelização. De acordo com o executivo, ações pontuais como essa incentivam usuários a conhecer novas lojas e produtos, tornando as datas com números repetidos um marco no calendário promocional anual da empresa.
“Oferecer entrega grátis em datas pontuais como essa, pode ser uma boa estratégia para aumentar as vendas e fidelizar clientes. De uma forma comum e totalmente orgânica, o cliente que nunca pediu naquela loja, cogita conhecer um novo prato ou pedir um novo item com essa vantagem financeira. O 02/02 não é só para restaurantes, o usuário pode aproveitar para realizar, inclusive, um pedido de botijão de gás, mercado, farmácia, pet shop, ou qualquer outra categoria com a entrega zerada. A ideia é transformar as datas iguais em um marco dentro do nosso calendário promocional anual”, ressalta Remigio.
Os perfumes árabes vêm conquistando espaço no mercado global de fragrâncias e, nos últimos anos, tornaram-se uma forte tendência também no varejo brasileiro. Conhecidos por sua intensidade, fixação prolongada e composições sofisticadas, esses perfumes carregam séculos de tradição cultural e um apelo de luxo que desperta o interesse de consumidores cada vez mais exigentes.
Para lojistas e profissionais do varejo, entender o que são os perfumes árabes, quais são suas principais características e por que eles têm tanta aceitação no mercado é essencial para aproveitar esse movimento de consumo.
O que são perfumes árabes?
Os perfumes árabes têm origem no Oriente Médio, especialmente em países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã e Kuwait. Diferentemente da perfumaria ocidental, que costuma priorizar fragrâncias mais leves e frescas, a perfumaria árabe valoriza aromas intensos, marcantes e profundamente sensoriais.
Esses perfumes são inspirados em rituais antigos, na hospitalidade árabe e na relação histórica da região com especiarias, resinas, madeiras nobres e óleos essenciais. O uso do perfume no mundo árabe vai além da estética: ele está ligado à identidade, à espiritualidade e à celebração.
Principais características dos perfumes árabes
Uma das primeiras diferenças percebidas por quem experimenta um perfume árabe é a sua alta concentração de essência. Muitos deles são produzidos como eau de parfum, extrait de parfum ou até mesmo em óleo, o que garante maior fixação e projeção.
Entre as principais características, destacam-se:
Fixação prolongada: é comum que a fragrância permaneça na pele por mais de 8 a 12 horas.
Projeção intensa: são perfumes que “marcam presença”, ideais para quem gosta de aromas envolventes.
Notas quentes e profundas: predominam acordes amadeirados, orientais e adocicados.
Composição sofisticada: uso frequente de matérias-primas nobres e combinações complexas.
Ingredientes mais comuns na perfumaria árabe
Os perfumes árabes se destacam pelo uso de ingredientes tradicionais do Oriente Médio, muitos deles pouco explorados na perfumaria ocidental. Entre os mais comuns, estão:
Oud (agarwood): considerado um dos ingredientes mais valiosos da perfumaria mundial, tem aroma amadeirado, intenso e levemente esfumaçado.
Âmbar: traz calor, profundidade e sensualidade às fragrâncias.
Almíscar: confere fixação e um toque aveludado.
Rosa de Damasco: muito utilizada em perfumes árabes femininos e unissex.
Especiarias: como açafrão, canela, noz-moscada e cardamomo.
Baunilha: geralmente combinada com madeiras e resinas, criando perfumes adocicados e envolventes.
Perfumes árabes femininos, masculinos e unissex
Embora exista uma segmentação por gênero, é importante destacar que a perfumaria árabe tradicionalmente trabalha muito bem com fragrâncias unissex. No Oriente Médio, o perfume é visto como uma extensão da personalidade, não como um produto limitado por gênero.
Femininos: costumam destacar notas florais intensas (como rosa e jasmim), combinadas com âmbar, baunilha e madeiras.
Masculinos: valorizam o oud, couro, especiarias e acordes amadeirados mais secos.
Unissex: equilibram dulçor, madeira e especiarias, sendo uma categoria em forte crescimento no varejo.
Por que esses perfumes estão em alta no Brasil?
O crescimento da demanda por perfumes árabes no Brasil está ligado a diferentes fatores. Um deles é o cansaço do consumidor com fragrâncias muito similares no mercado tradicional. Os perfumes árabes oferecem algo diferente: identidade, intensidade e originalidade.
Além disso, redes sociais como TikTok e Instagram impulsionaram essa tendência. Vídeos de resenhas, comparações e “perfumes que exalam riqueza” popularizaram marcas árabes e despertaram a curiosidade de novos consumidores.
Outro ponto relevante é o excelente custo-benefício. Muitas marcas árabes entregam fragrâncias com alta fixação e sofisticação por preços mais competitivos do que perfumes importados de grifes europeias.
Principais marcas de perfumes árabes no mercado
Atualmente, algumas marcas se destacam no varejo internacional e brasileiro, como:
Essas marcas oferecem portfólios amplos, com perfumes inspirados em fragrâncias famosas e também criações autorais, atendendo desde o consumidor iniciante até o mais exigente.
Oportunidades para o varejo físico e online
Para o varejo, os perfumes árabes representam uma oportunidade estratégica de diferenciação. Eles atraem um público interessado em novidades, luxo acessível e experiências sensoriais mais intensas.
No varejo físico, o ideal é investir em:
Provadores e testers
Treinamento da equipe para explicar notas e fixação
Exposição que valorize o apelo sofisticado do produto
No e-commerce, as seguintes estratégias podem aumentar a taxa de conversão:
Descrições detalhadas de fragrância
Conteúdo educativo (blogs e vídeos)
SEO focado em termos como “perfume árabe feminino”, “perfume árabe importado” e “perfume árabe fixação alta”
Perfumes árabes e o futuro da perfumaria no varejo
A ascensão dos perfumes árabes indica uma mudança no comportamento do consumidor, que busca mais personalidade, exclusividade e intensidade. Para o varejo, acompanhar essa tendência é uma forma de se manter relevante em um mercado cada vez mais competitivo.
Com tradição, inovação e forte apelo sensorial, os perfumes árabes deixaram de ser um nicho e se consolidam como uma categoria estratégica para lojistas que desejam ampliar seu mix de produtos e atender a novas demandas de consumo.