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A era agêntica no varejo: dados, governança e retorno financeiro como critérios de adoção

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A era agêntica no varejo: dados, governança e retorno financeiro como critérios de adoção


O painel “A era agêntica no varejo” realizado nesta sexta, 9, reuniu José Fugice, da Goakira, Gutemberg Almeida, do Google Cloud, e Fabricio Medeiros, da Red Hat, para discutir como empresas estão avançando do uso experimental de Inteligência Artificial para modelos baseados em agentes com impacto operacional mensurável. A discussão foi orientada por critérios práticos de adoção, com foco em dados, segurança, capacitação e retorno financeiro.

Dados como pré-requisito operacional

O primeiro ponto abordado foi a necessidade de estruturar dados antes da aplicação de qualquer camada de Inteligência Artificial. Segundo os participantes, empresas que tentam implantar IA sem organizar bases documentais, dados operacionais e históricos transacionais tendem a criar soluções frágeis e difíceis de escalar.

Esse estágio inicial tem sido descrito como “grounding das informações”. O processo consiste em consolidar documentos, bases internas e dados operacionais em ambientes controlados, tornando esse conteúdo acessível a plataformas de IA. A centralização em uma plataforma específica reduz o risco de vazamento de informações sensíveis e permite definir políticas claras de acesso, versionamento e uso.

A adoção de plataformas corporativas também está associada à definição prévia de processos de segurança e guardrails. Esses mecanismos delimitam o que agentes de IA podem acessar, executar e decidir, reduzindo riscos regulatórios e operacionais.

Capacitação e definição de casos de uso

Outro ponto recorrente foi a necessidade de capacitação do time. A implementação de IA agêntica não se sustenta apenas com tecnologia. Equipes precisam entender limites, possibilidades e critérios de uso para que os projetos não fiquem restritos a áreas técnicas.

Os debatedores apontaram um caminho inicial claro: definir casos de uso prioritários, estabelecer um objetivo de negócio mensurável, escolher uma plataforma segura e, a partir disso, treinar as equipes envolvidas. Essa sequência reduz a probabilidade de projetos que consomem recursos sem gerar impacto.

Dados apresentados reforçam essa dificuldade de direcionamento. Um estudo da McKinsey indica que apenas 25% das empresas possuem uma estratégia clara sobre por que querem usar Inteligência Artificial. A ausência desse alinhamento costuma resultar em iniciativas que não chegam à fase de escala.

Retorno financeiro como critério de continuidade

O painel destacou que projetos de IA precisam ser avaliados por retorno financeiro concreto. Iniciativas que não conseguem demonstrar impacto tendem a ser descontinuadas, independentemente do potencial tecnológico.

Foram citados exemplos de empresas que iniciaram soluções autônomas para atendimento interno e atendimento ao cliente e alcançaram retorno sobre o investimento em aproximadamente cinco meses. Esses resultados foram possíveis porque havia definição clara de objetivo, janela de investimento e indicadores de desempenho desde o início do projeto.

José Fugice, da Goakira. Imagem: Estúdio Versailles

A mensuração do ROI exige estabelecer onde o investimento está sendo feito, qual período será analisado e qual resultado se espera daquela aplicação. Sem esse recorte, torna-se difícil justificar continuidade ou expansão.

Barreiras culturais no contexto brasileiro

Ao analisar o cenário brasileiro, os participantes apontaram fatores culturais que influenciam a adoção de IA. Muitas empresas ainda operam com estruturas familiares próximas e mantêm um pensamento artesanal sobre gestão. Esse contexto gera questionamentos recorrentes sobre investimento, mensuração de resultados e aplicabilidade em negócios de menor porte.

Essa postura tende a atrasar decisões estratégicas. A discussão indicou que a percepção de que IA é exclusiva para grandes empresas não se sustenta diante dos casos apresentados, especialmente quando o foco está em automação de processos específicos com retorno mensurável.

Casos práticos no varejo brasileiro

Foram apresentados exemplos concretos de uso de IA no varejo com impacto direto em conversão e experiência do cliente. Um dos casos citados envolveu um projeto do Google com o Mercado Livre. A plataforma identificou que gerações mais novas valorizam fortemente imagens e vídeos nos anúncios. A partir disso, foi disponibilizada uma solução de IA para que sellers gerassem imagens complementares de produtos.

Gutemberg Almeida, do Google Cloud. Imagem: Estúdio Versailles

A funcionalidade foi lançada em outubro do ano anterior e alcançou cerca de 80 milhões de visitas, com aumento aproximado de 15% na conversão. O dado foi apresentado como evidência de que a IA, quando aplicada a um ponto específico da jornada, pode gerar impacto relevante.

Outro exemplo veio do Magazine Luiza, que desenvolveu o chamado “cérebro da Lu”. A solução concentra vendas via WhatsApp, com buscas refinadas e recomendações mais objetivas. O projeto não foi desenhado como um chat conversacional genérico, mas como um canal orientado à conversão. Segundo dados divulgados, a ferramenta gerou crescimento de até três vezes na conversão e elevou o NPS de 85 para patamares acima de 90.

Uso ainda amador e necessidade de contexto

Apesar dos avanços, o painel destacou que o uso de IA ainda ocorre de forma superficial em muitos casos. Dados apresentados indicam que 89% dos prompts utilizados no Gemini possuem apenas uma linha, e 92% não ultrapassam três linhas. Esse comportamento limita a qualidade das respostas, pois não cria contexto suficiente para decisões mais complexas.

A criação de contexto e a qualidade da informação fornecida aos modelos foram apontadas como fatores determinantes para resultados consistentes. Sem isso, a IA tende a operar de forma genérica, com baixo impacto prático.

Governança, vieses e LGPD

A discussão sobre governança e segurança ocupou parte relevante do painel. Os participantes ressaltaram a importância de definir protocolos institucionais para uso de IA, disseminando essas regras por todas as áreas da empresa. Isso inclui clareza sobre como os dados são utilizados, armazenados e protegidos.

Questões relacionadas a vieses e qualidade dos dados também foram destacadas. No varejo, onde o dado do cliente é central, há risco elevado de exposição indevida se não houver controle adequado. A segurança, segundo os debatedores, deve acompanhar o dado ao longo de todo o processo, independentemente da aplicação específica.

A conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados foi tratada como critério básico para qualquer projeto de IA que envolva informações de consumidores.

Escala limitada e fase de testes

Por fim, foram apresentados dados sobre o estágio atual de adoção de agentes no varejo. Aproximadamente 37% das empresas do setor implementaram até dez agentes de IA. A limitação de escala está associada ao fato de que muitos projetos ainda estão em fase de teste, mesmo quando os resultados iniciais são positivos.

Fabricio Medeiros, da Red Hat. Imagem: Estúdio Versailles

A transição para escala depende da definição adequada de guardrails e da consolidação de práticas de governança. Sem esses elementos, o risco operacional tende a aumentar à medida que o número de agentes cresce.

O painel concluiu que a era agêntica no varejo já está em curso, mas sua consolidação depende menos de tecnologia disponível e mais de decisões estruturais sobre dados, segurança, capacitação e mensuração de resultados.

A missão NRF 2026 é uma realização da Central do Varejo, com patrocínio da TOTVS e Getnet.


(*) Fabiana Hamada é COO do Ecossistema Goakira, especialista em varejo e franchising e apoia empreendedores a crescer. Saiba mais sobre as soluções da Goakira em

Imagens: Estúdio Versailles

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Burger King China planeja chegar a mais de 4.000 unidades

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Burger King China planeja chegar a mais de 4.000 unidades


A Restaurant Brands International (RBI) concluiu um acordo previamente anunciado com a gestora asiática CPE para expandir a operação do Burger King China. Com o fechamento da transação, a CPE investiu US$ 350 milhões em capital primário na joint venture e passou a deter aproximadamente 83% da operação na China. A RBI manteve uma participação minoritária de 17% e um assento no conselho de administração.

Além disso, uma afiliada integral do Burger King China firmou um contrato-mestre de desenvolvimento com duração de 20 anos, que concede direitos exclusivos para desenvolver a marca Burger King no país. Com isso, CPE e RBI planejam ampliar a rede de restaurantes na China de cerca de 1.250 unidades atualmente para mais de 4.000 até 2035.

Leia também: Burger King colocará operações na Argentina à venda

Segundo a RBI, a parceria internacional combina a marca e os produtos globais do Burger King com a experiência local da CPE no mercado chinês. A rede Burger King opera atualmente mais de 19 mil restaurantes em mais de 120 países e territórios.

Em comunicado, o CEO da RBI, Josh Kobza, afirmou que a China segue como um mercado estratégico para a marca. “A China continua sendo uma das mais importantes oportunidades de crescimento de longo prazo para a marca Burger King no mundo. Com a CPE como parceira e uma estratégia clara focada em qualidade dos alimentos, execução nas operações e relevância da marca, acreditamos que o Burger King China está bem posicionado para construir um negócio sustentável e de alta qualidade”, disse.

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aiqfome realiza campanha nacional com frete grátis no 02/02

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aiqfome realiza campanha nacional com frete grátis no 02/02


Mesmo com popularização das datas duplas, brasileiros ainda preferem Black FridayO aiqfome realizou, no dia 2 de fevereiro, uma campanha nacional com frete grátis como parte de sua estratégia comercial para datas duplas. A ação foi válida em mais de 20 estados brasileiros e contemplou não apenas restaurantes, mas também categorias como supermercados, farmácias, pet shops e outros serviços disponíveis na plataforma.

Durante a campanha, o aplicativo liberou cupons de entrega gratuita para todos os usuários, além de descontos adicionais em diferentes lojas, ampliando as possibilidades de consumo ao longo do dia. A iniciativa buscou estimular tanto novos pedidos quanto a experimentação de categorias além da alimentação, como compras de mercado e pedidos de botijão de gás.

Segundo Igor Remigio, cofundador e CEO do aiqfome, o frete grátis teve papel decisivo na escolha do consumidor e contribuiu para aumentar as vendas e a fidelização. De acordo com o executivo, ações pontuais como essa incentivam usuários a conhecer novas lojas e produtos, tornando as datas com números repetidos um marco no calendário promocional anual da empresa.

“Oferecer entrega grátis em datas pontuais como essa, pode ser uma boa estratégia para aumentar as vendas e fidelizar clientes. De uma forma comum e totalmente orgânica, o cliente que nunca pediu naquela loja, cogita conhecer um novo prato ou pedir um novo item com essa vantagem financeira. O 02/02 não é só para restaurantes, o usuário pode aproveitar para realizar, inclusive, um pedido de botijão de gás, mercado, farmácia, pet shop, ou qualquer outra categoria com a entrega zerada. A ideia é transformar as datas iguais em um marco dentro do nosso calendário promocional anual”, ressalta Remigio.

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Perfumes árabes: por que eles são tendência no Brasil?

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Perfumes árabes: por que eles são tendência no Brasil?


Os perfumes árabes vêm conquistando espaço no mercado global de fragrâncias e, nos últimos anos, tornaram-se uma forte tendência também no varejo brasileiro. Conhecidos por sua intensidade, fixação prolongada e composições sofisticadas, esses perfumes carregam séculos de tradição cultural e um apelo de luxo que desperta o interesse de consumidores cada vez mais exigentes.

Para lojistas e profissionais do varejo, entender o que são os perfumes árabes, quais são suas principais características e por que eles têm tanta aceitação no mercado é essencial para aproveitar esse movimento de consumo.

O que são perfumes árabes?

Os perfumes árabes têm origem no Oriente Médio, especialmente em países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã e Kuwait. Diferentemente da perfumaria ocidental, que costuma priorizar fragrâncias mais leves e frescas, a perfumaria árabe valoriza aromas intensos, marcantes e profundamente sensoriais.

Esses perfumes são inspirados em rituais antigos, na hospitalidade árabe e na relação histórica da região com especiarias, resinas, madeiras nobres e óleos essenciais. O uso do perfume no mundo árabe vai além da estética: ele está ligado à identidade, à espiritualidade e à celebração.

Principais características dos perfumes árabes

Uma das primeiras diferenças percebidas por quem experimenta um perfume árabe é a sua alta concentração de essência. Muitos deles são produzidos como eau de parfum, extrait de parfum ou até mesmo em óleo, o que garante maior fixação e projeção.

Entre as principais características, destacam-se:

  • Fixação prolongada: é comum que a fragrância permaneça na pele por mais de 8 a 12 horas.
  • Projeção intensa: são perfumes que “marcam presença”, ideais para quem gosta de aromas envolventes.
  • Notas quentes e profundas: predominam acordes amadeirados, orientais e adocicados.
  • Composição sofisticada: uso frequente de matérias-primas nobres e combinações complexas.

Ingredientes mais comuns na perfumaria árabe

Os perfumes árabes se destacam pelo uso de ingredientes tradicionais do Oriente Médio, muitos deles pouco explorados na perfumaria ocidental. Entre os mais comuns, estão:

  • Oud (agarwood): considerado um dos ingredientes mais valiosos da perfumaria mundial, tem aroma amadeirado, intenso e levemente esfumaçado.
  • Âmbar: traz calor, profundidade e sensualidade às fragrâncias.
  • Almíscar: confere fixação e um toque aveludado.
  • Rosa de Damasco: muito utilizada em perfumes árabes femininos e unissex.
  • Especiarias: como açafrão, canela, noz-moscada e cardamomo.
  • Baunilha: geralmente combinada com madeiras e resinas, criando perfumes adocicados e envolventes.

Perfumes árabes femininos, masculinos e unissex

Embora exista uma segmentação por gênero, é importante destacar que a perfumaria árabe tradicionalmente trabalha muito bem com fragrâncias unissex. No Oriente Médio, o perfume é visto como uma extensão da personalidade, não como um produto limitado por gênero.

  • Femininos: costumam destacar notas florais intensas (como rosa e jasmim), combinadas com âmbar, baunilha e madeiras.
  • Masculinos: valorizam o oud, couro, especiarias e acordes amadeirados mais secos.
  • Unissex: equilibram dulçor, madeira e especiarias, sendo uma categoria em forte crescimento no varejo.

Por que esses perfumes estão em alta no Brasil?

O crescimento da demanda por perfumes árabes no Brasil está ligado a diferentes fatores. Um deles é o cansaço do consumidor com fragrâncias muito similares no mercado tradicional. Os perfumes árabes oferecem algo diferente: identidade, intensidade e originalidade.

Além disso, redes sociais como TikTok e Instagram impulsionaram essa tendência. Vídeos de resenhas, comparações e “perfumes que exalam riqueza” popularizaram marcas árabes e despertaram a curiosidade de novos consumidores.

Outro ponto relevante é o excelente custo-benefício. Muitas marcas árabes entregam fragrâncias com alta fixação e sofisticação por preços mais competitivos do que perfumes importados de grifes europeias.

Principais marcas de perfumes árabes no mercado

Atualmente, algumas marcas se destacam no varejo internacional e brasileiro, como:

Essas marcas oferecem portfólios amplos, com perfumes inspirados em fragrâncias famosas e também criações autorais, atendendo desde o consumidor iniciante até o mais exigente.

Oportunidades para o varejo físico e online

Para o varejo, os perfumes árabes representam uma oportunidade estratégica de diferenciação. Eles atraem um público interessado em novidades, luxo acessível e experiências sensoriais mais intensas.

No varejo físico, o ideal é investir em:

  • Provadores e testers
  • Treinamento da equipe para explicar notas e fixação
  • Exposição que valorize o apelo sofisticado do produto

No e-commerce, as seguintes estratégias podem aumentar a taxa de conversão:

  • Descrições detalhadas de fragrância
  • Conteúdo educativo (blogs e vídeos)
  • SEO focado em termos como “perfume árabe feminino”, “perfume árabe importado” e “perfume árabe fixação alta”

Perfumes árabes e o futuro da perfumaria no varejo

A ascensão dos perfumes árabes indica uma mudança no comportamento do consumidor, que busca mais personalidade, exclusividade e intensidade. Para o varejo, acompanhar essa tendência é uma forma de se manter relevante em um mercado cada vez mais competitivo.

Com tradição, inovação e forte apelo sensorial, os perfumes árabes deixaram de ser um nicho e se consolidam como uma categoria estratégica para lojistas que desejam ampliar seu mix de produtos e atender a novas demandas de consumo.

Imagem: Unsplash



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