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Venda consignada: como funciona e quando vale a pena no varejo

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Venda consignada: como funciona e quando vale a pena no varejo


A venda consignada é uma estratégia tradicional do varejo que voltou ao centro das discussões em um cenário de crédito restrito, margens pressionadas e necessidade de giro eficiente de estoque. Para muitos varejistas, o modelo pode representar uma alternativa para ampliar o portfólio de produtos sem comprometer o capital de giro. No entanto, apesar das vantagens aparentes, a venda consignada exige análise criteriosa, boa negociação e processos estruturados.

Neste guia completo, você vai entender o que é venda consignada, quais são suas vantagens e riscos, quando ela faz sentido para o seu negócio e como implementá-la de forma estratégica.

O que é venda consignada?

A venda consignada é um modelo comercial no qual o fornecedor disponibiliza mercadorias ao varejista sem que haja pagamento antecipado. O lojista só paga pelos produtos que efetivamente forem vendidos ao consumidor final. Os itens que não forem comercializados dentro do prazo acordado podem ser devolvidos ao fornecedor.

Na prática, o estoque permanece sob responsabilidade do varejista em termos operacionais, mas a propriedade da mercadoria continua sendo do fornecedor até a venda. Esse modelo é comum em segmentos como moda, calçados, acessórios, cosméticos, livros, artigos de decoração e até produtos sazonais.

A venda consignada é formalizada por contrato, no qual são definidos prazo de permanência do produto na loja, percentual de comissão, responsabilidades por perdas ou avarias e regras de reposição ou devolução.

Quais são as vantagens da venda consignada?

A principal vantagem da venda consignada está na redução do risco financeiro. Como o varejista não precisa comprar o estoque antecipadamente, há menor necessidade de capital de giro. Isso libera recursos para investimento em marketing, melhoria da experiência do cliente ou expansão da operação.

Outro benefício é a possibilidade de testar novos produtos ou marcas sem comprometer o orçamento. Para lojas que desejam inovar no mix ou validar tendências, a consignação funciona como um laboratório de mercado com menor exposição a prejuízos.

A venda consignada também pode melhorar o fluxo de caixa. Como o pagamento ao fornecedor ocorre após a venda, o ciclo financeiro tende a ser mais saudável, principalmente para negócios que enfrentam sazonalidade ou oscilação de demanda.

Além disso, o modelo favorece parcerias estratégicas. Fornecedores interessados em expandir presença podem oferecer condições diferenciadas, treinamento para a equipe e apoio promocional, fortalecendo o relacionamento comercial.

Como saber se a venda consignada vale a pena

Antes de adotar a venda consignada, o varejista precisa analisar indicadores financeiros e operacionais. O primeiro passo é avaliar o giro médio dos produtos na loja. Se o negócio já possui histórico consistente de vendas e consegue prever demanda com relativa precisão, talvez a compra tradicional ofereça margens maiores.

Por outro lado, se o varejista atua em um segmento de moda rápida, produtos sazonais ou tendências voláteis, a consignação pode reduzir riscos de encalhe. Também é relevante considerar o custo de oportunidade do capital. Se o dinheiro que seria investido em estoque pode gerar retorno maior em outra área, o modelo consignado ganha força.

A análise de margem é outro ponto crítico. Em geral, a comissão na venda consignada pode ser menor do que a margem obtida na compra direta. Portanto, é essencial calcular o impacto no resultado final. Não basta olhar apenas para a redução do risco; é preciso entender a rentabilidade real da operação.

Riscos e desvantagens da venda consignada

Apesar dos benefícios, a venda consignada não é isenta de desafios. Um dos principais riscos está na margem reduzida. Como o fornecedor assume parte do risco, a comissão do varejista tende a ser menor em comparação com a revenda tradicional.

Outro ponto sensível é a gestão de estoque. Produtos consignados exigem controle rigoroso, separação clara no sistema e inventários frequentes. Erros de contagem podem gerar conflitos comerciais e prejuízos.

Há também o risco de dependência excessiva de determinados fornecedores. Se o mix da loja estiver concentrado em produtos consignados de poucos parceiros, o varejista pode perder poder de negociação.

Além disso, a responsabilidade por perdas, furtos ou avarias deve estar claramente definida em contrato. Caso contrário, o lojista pode assumir custos inesperados.

Como escolher o fornecedor ideal?

A escolha do fornecedor é decisiva para o sucesso da venda consignada. O primeiro critério deve ser a qualidade e o posicionamento do produto. A mercadoria precisa estar alinhada ao público da loja e à estratégia de marca do varejista.

É importante avaliar a reputação do fornecedor no mercado, sua capacidade de reposição e a clareza nas condições comerciais. Parceiros organizados, que oferecem relatórios, apoio promocional e comunicação ágil, tendem a gerar melhores resultados.

Outro fator essencial é a negociação contratual. O varejista deve buscar acordos equilibrados, com prazos adequados para venda, definição clara sobre devoluções e percentuais de comissão compatíveis com o esforço comercial envolvido.

Como selecionar os vendedores certos?

A equipe de vendas exerce papel central na performance da venda consignada. Como o modelo depende diretamente da conversão no ponto de venda, é fundamental que os vendedores conheçam bem os produtos e saibam argumentar seus diferenciais.

Treinamento é indispensável. O fornecedor pode contribuir com informações técnicas, storytelling da marca e orientações sobre público-alvo. Quanto maior o domínio do vendedor sobre o produto, maiores as chances de giro.

Também é importante alinhar metas e incentivos. Caso o produto consignado ofereça comissão menor para o varejista, pode ser necessário estruturar campanhas internas para estimular a equipe a promover esses itens.

Como fazer uma venda consignada?

A implementação da venda consignada começa pela formalização contratual. O contrato deve especificar quantidade de produtos, prazo de permanência na loja, percentual de comissão, periodicidade de acerto financeiro e condições de devolução.

Um exemplo prático pode ser observado em uma loja de moda feminina que decide testar uma nova marca de bolsas. O fornecedor disponibiliza 50 unidades, com prazo de 60 dias para venda. A loja recebe 40% do valor de cada peça vendida. Ao final do período, as bolsas não comercializadas são devolvidas sem custo adicional.

Outro exemplo pode ocorrer em uma livraria que recebe livros de autores independentes em regime consignado. A cada mês, a livraria presta contas ao fornecedor com base no relatório de vendas registrado no sistema. Os exemplares não vendidos podem permanecer por novo período ou ser recolhidos.

Para que a venda consignada funcione, o varejista deve registrar corretamente as entradas no sistema, separar fisicamente os produtos consignados dos comprados e realizar conferências periódicas. A transparência no controle evita divergências e fortalece a parceria.

Considerações finais

A venda consignada pode ser uma ferramenta estratégica para varejistas que buscam ampliar mix, reduzir risco de estoque e preservar capital de giro. No entanto, não deve ser adotada apenas como solução emergencial para falta de recursos.

O sucesso do modelo depende de análise de margem, controle operacional eficiente, escolha criteriosa de fornecedores e capacitação da equipe de vendas. Quando bem estruturada, a venda consignada pode se tornar uma alavanca de crescimento sustentável no varejo.

Antes de implementar, faça contas detalhadas, revise contratos e alinhe expectativas com seus parceiros comerciais. No varejo, estratégia e execução caminham juntas, e na venda consignada isso é ainda mais evidente.

Infográfico gerado com auxílio de inteligência artificial
Imagem: Envato

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Ana Maria e Oxxo lançam loja temática em Campinas

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Ana Maria e Oxxo lançam loja temática em Campinas


A marca Ana Maria, da Bimbo Brasil, e o Oxxo lançaram uma loja temática na unidade do Cambuí, em Campinas. A ativação começou em 19 de fevereiro e terá duração de dois meses.

A iniciativa marca o ano de comemoração dos 50 anos de Ana Maria e tem como tema “Ana Maria dá aula em sabor e diversão”. A fachada da loja foi ambientada para simular um playground, com espaços interativos, incluindo jogo da memória e áreas destinadas a fotos. No interior, o conceito segue inspirado na Turma de Amigos da Ana Maria e nos bolinhos da marca, com instalação de displays e espaços imersivos.

Segundo as empresas, a ação inclui ativações, degustação e distribuição de bolinhos durante o período da campanha.

Esta é a segunda loja emblemática realizada entre Oxxo e Bimbo. A primeira ocorreu para celebrar o lançamento da marca Takis no Brasil. A iniciativa foi desenvolvida pela Outpromo.

“Queremos, cada vez mais, estar presentes no dia a dia dos nossos consumidores, indo além das nossas receitas para proporcionar experiências marcantes. Pensando nisso, criamos esse espaço para as famílias terem um momento de diversão, leveza e imersão. Estamos muito felizes com o resultado dessa parceria com o Oxxo”, afirma André Ramello, vice-presidente de marketing, inovação, pesquisa e desenvolvimento da Bimbo Brasil.

“A parceria com Ana Maria reforça a relevância estratégica da categoria de snacks para o OXXO, unindo praticidade e sabor, atributos essenciais para o consumo no dia a dia, a projetos como a loja emblemática, que ampliam a conexão com o cliente e potencializam a experiência de marca no ponto de venda. Não é apenas sobre visibilidade, mas sobre criar relevância, gerar experimentação e impulsionar resultado para a indústria, ao mesmo tempo em que encantamos o nosso cliente com ativações que conversam com o seu dia a dia”, afirma Camila Assis, Head de Marketing e Comunicação Externa do Oxxo.

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MoveEdu adquire 100% do Yázigi e amplia atuação

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MoveEdu adquire 100% do Yázigi e amplia atuação


O Grupo MoveEdu anunciou a aquisição de 100% da marca Yázigi. Com a operação, o grupo amplia sua atuação no segmento de idiomas e integra a nova marca ao seu portfólio, que já inclui Microlins, Prepara IA e Ensina Mais Turma da Mônica. O valor da transação não foi divulgado.

Segundo a empresa, a aquisição faz parte da estratégia de diversificação do portfólio e de expansão da oferta educacional para diferentes perfis de alunos e classes sociais. Embora o grupo já atue com ensino de inglês em outras marcas, a entrada do Yázigi amplia a atuação em cursos de inglês, espanhol e outros produtos educacionais, incluindo programas em escolas e iniciativas de intercâmbio.

De acordo com levantamento do IMARC Group citado pela companhia, o mercado global de aprendizado de inglês movimentou cerca de US$ 25 bilhões em 2023 e deve atingir aproximadamente US$ 60 bilhões até 2032, impulsionado pela demanda por qualificação profissional, ensino digital e domínio do idioma.

Para Rogério Gabriel, fundador e CEO do grupo, a aquisição está associada a uma agenda de inovação. “Vamos aplicar todo o nosso know-how para promover a evolução digital do Yázigi, com investimentos estruturados em tecnologia e inteligência de dados, voltados à eficiência operacional e à experiência de alunos e franqueados. A estratégia inclui ampliar a capilaridade da marca e acelerar seu crescimento como um HUB educacional, com presença em cidades de diferentes regiões do Brasil. Além disso, a rede de idiomas já dialoga com temas como cidadania global e empregabilidade, o que está totalmente alinhado à nossa proposta de educação continuada, focada na capacitação de jovens e adultos”, afirma.

Fundado em 1950, em São Paulo, o Yázigi atua há mais de sete décadas no ensino de idiomas. A metodologia da rede é voltada à conversação e fluência, com garantia de aprendizagem prevista em contrato, certificações alinhadas a padrões internacionais de proficiência e materiais didáticos próprios. A marca também mantém iniciativas como a Yázigi Travel, agência de intercâmbio cultural, além de campanhas de cidadania e projetos sociais.

Atualmente, o Yázigi está presente em mais de 120 cidades, distribuídas por 20 estados brasileiros, com 270 operações, entre 150 unidades físicas e cursos ministrados em escolas parceiras. A rede atende cerca de 70 mil alunos por ano e já impactou mais de 2 milhões de estudantes ao longo de sua trajetória. A marca soma 33 Selos de Excelência em Franchising concedidos pela ABF.

Além dos cursos de idiomas, o Yázigi oferece produtos como Yázigi for Business, Yázigi Explore, Yázigi Travel, Yázigi for Schools e Yázigi for Teacher Education.

Segundo Rogério Gabriel, a aquisição também está alinhada ao conceito de lifelong learning adotado pelo grupo, que lançou, em 2022, as faculdades da Microlins e da Prepara, com cursos de graduação e pós-graduação. “O Yázigi teve um papel fundamental na democratização do acesso ao ensino de inglês no Brasil. Ao integrá-lo ao Grupo MoveEdu, ampliamos ainda mais a jornada educacional dos alunos, conectando idiomas, tecnologia e formação para o mundo do trabalho em todas as fases da vida. É uma proposta que gera valor tanto para quem aprende quanto para os franqueados, ao oferecer um ecossistema educacional completo, escalável e alinhado às demandas do mercado”, finaliza.



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Hasbro amplia uso de IA em finanças e cadeia de suprimentos

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Hasbro amplia uso de IA em finanças e cadeia de suprimentos


A Hasbro informou que está ampliando o uso de inteligência artificial em diferentes áreas da companhia, incluindo planejamento financeiro, previsão de demanda, gestão de pedidos, operações de cadeia de suprimentos e atividades diárias. As declarações foram feitas pelo CEO Chris Cocks durante teleconferência de resultados realizada em 10 de fevereiro.

Segundo o executivo, as equipes da empresa podem decidir como utilizar a tecnologia, inclusive optar por não utilizá-la quando ela não estiver alinhada aos objetivos do time. “Estamos adotando uma abordagem centrada no ser humano e liderada por criadores”, afirmou Cocks. “Estamos além da fase de experimentação.”

A companhia estabeleceu diretrizes para o uso responsável da tecnologia e para a proteção de sua propriedade intelectual. A Hasbro também firmou parcerias com Google Gemini, OpenAI e ElevenLabs para integrar ferramentas de IA aos seus fluxos de trabalho.

De acordo com a empresa, a adoção da tecnologia deve liberar mais de 1 milhão de horas atualmente dedicadas a tarefas classificadas como de menor valor agregado. A expectativa é que esse tempo seja redirecionado para atividades de inovação, criação e atendimento ao consumidor.

“Grande propriedade intelectual aliada a grande narrativa é resiliente à medida que a tecnologia evolui, e isso nos posiciona para nos beneficiar da disrupção, em vez de sermos substituídos por ela”, declarou Cocks.

No desenvolvimento de brinquedos, o uso de design assistido por IA, combinado à impressão 3D, reduziu em cerca de 80% o tempo entre o conceito e o protótipo. “Em vez de simplesmente desenvolver um conceito de brinquedo, desenvolvemos 10 conceitos no mesmo período e com o mesmo custo”, afirmou o CEO.

O tema foi abordado durante a divulgação dos resultados do quarto trimestre e do acumulado anual. Em 2025, a receita da Hasbro avançou 14%, impulsionada pelo crescimento de 45% do segmento Wizards of the Coast e Jogos Digitais. No quarto trimestre, a receita líquida aumentou mais de 31%, alcançando US$ 1,4 bilhão.

No mesmo dia da divulgação dos resultados, a empresa anunciou uma parceria de licenciamento plurianual com a Warner Bros. Discovery Global Consumer Products, tornando a Hasbro a principal licenciada de brinquedos da franquia Harry Potter, incluindo a futura série “Harry Potter” da HBO. O acordo tem lançamento previsto para 2027.

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