Conecte-se conosco

Notícias

Supermercados especializados ampliam participação – Central do Varejo

Published

on

Supermercados especializados ampliam participação – Central do Varejo


O setor de supermercados enfrentou, nos últimos cinco anos, um ambiente marcado por preços elevados, inflação recorde, consumidores mais sensíveis a preços e, mais recentemente, o risco de novas tarifas comerciais. Ainda assim, os supermercados especializados conseguiram atravessar esse período com desempenho mais estável em comparação aos formatos tradicionais.

Dados da Placer.ai indicam que, no terceiro trimestre de 2024, os supermercados especializados superaram consistentemente os varejistas tradicionais no crescimento mensal de visitas em relação ao ano anterior. Já no segundo trimestre de 2025, esse formato chegou a ultrapassar os atacarejos e discounters em crescimento de fluxo de clientes nas lojas físicas.

Esse resultado contrasta com o impacto sofrido por parte do segmento durante o auge da pandemia. A rede Sprouts Farmers Market, por exemplo, registrou crescimento de 3,7% nas vendas em mesmas lojas no último trimestre de 2020. No trimestre seguinte, esse indicador caiu 9,4% na comparação anual. A empresa só voltou a apresentar crescimento positivo nesse indicador no início do ano fiscal de 2022.

Especialistas apontam que a pandemia ampliou a atenção dos consumidores aos temas de saúde e bem-estar, impulsionando a busca por produtos característicos dos supermercados especializados. Outro fator relevante nesse cenário é o comportamento de consumidores de maior renda.

“Os ricos ficando mais ricos e os pobres ficando mais pobres impactam o varejo”, afirmou Errol Schweizer, ex-executivo da Whole Foods, em entrevista. “Esses supermercados especializados, mesmo trabalhando a percepção de preço e ampliando a participação de marcas próprias, ainda oferecem produtos significativamente mais caros do que os do varejo de massa convencional.”

Schweizer destaca que a inflação, embora represente desafios, também contribuiu para o desempenho financeiro dessas redes após a pandemia. “Os supermercados especializados capitalizaram o fato de que pessoas com renda, que se importam com o que comem, estão destinando mais recursos a isso, especialmente com a alta dos preços”, disse. Segundo ele, uma parcela relevante do crescimento em valor do segmento decorre do aumento de preços.

Ao usar a Sprouts como exemplo, Schweizer estima que entre 3% e 4% do crescimento mais recente da companhia esteja relacionado à inflação de preços. Esse efeito, no entanto, depende da manutenção do volume de transações e de unidades vendidas, algo que, segundo ele, a rede tem conseguido sustentar.

Outro ponto citado é que alimentos orgânicos registraram reajustes menores do que produtos convencionais. “A diferença de preço para o orgânico diminuiu significativamente nos últimos quatro ou cinco anos, já que os orgânicos não enfrentaram as mesmas pressões inflacionárias que alimentos convencionais, antes mais baratos”, afirmou Schweizer. “Isso também se conecta ao fato de que muitas pessoas estão tentando se alimentar de forma mais saudável.”

James Ren, vice-presidente de receita e crescimento da fornecedora especializada GoodSam Foods e ex-responsável pela área de merchandising da varejista digital Thrive Market, afirmou que supermercados especializados sempre atenderam consumidores do segmento premium, mesmo antes da pandemia. Segundo ele, com a alta dos preços, essas redes não enfrentaram queda relevante nas vendas em volume porque seus clientes mantiveram o padrão de compra. “Do ponto de vista do varejo especializado, sim, tudo ficou mais caro, então o faturamento em dólares aumenta”, disse.

Além disso, os supermercados especializados mantiveram seu papel como destino de compras complementares, e não de abastecimento completo. O CEO da Sprouts, Jack Sinclair, costuma destacar que a rede é utilizada principalmente para compras adicionais. Ainda assim, comunicar valor continua sendo uma exigência do público de maior renda.

Nesse contexto, o lançamento de marcas próprias tem sido uma estratégia relevante. “Valor é mais do que apenas preço baixo”, afirmou Stewart Samuel, diretor de futuros do varejo da consultoria IGD. Segundo ele, as marcas próprias desses supermercados conseguem combinar posicionamento premium com percepção de valor, o que atrai consumidores atuais e novos.

Samuel acrescenta que esse movimento permite às redes oferecer produtos alinhados aos seus padrões de qualidade a custos menores. A rede Natural Grocers tem ampliado seu portfólio de marcas próprias, incluindo alimentos, bebidas, vitaminas e óleos essenciais orgânicos, contribuindo para o crescimento das vendas líquidas nos últimos anos.

Programas de fidelidade também têm sido utilizados para reforçar a percepção de valor e aprofundar o conhecimento sobre o consumidor. “O investimento em fidelidade permitiu um nível muito alto de precisão na personalização das ofertas”, disse Samuel. “A fidelidade não serve apenas para comunicar preço, mas também para transmitir valores e histórias associadas à marca.”

Neste ano, a Natural Grocers lançou uma campanha para incentivar a adesão ao programa de recompensas, oferecendo descontos de até 42% em uma nova linha de ovos de marca própria, em um período de preços elevados desse produto.

No campo de saúde e bem-estar, a busca por uma alimentação mais saudável se intensificou desde a pandemia, abrangendo consumidores de diferentes faixas de renda. Essa demanda inclui produtos voltados a necessidades alimentares específicas e mudanças associadas ao uso de medicamentos como os GLP-1.

Segundo Schweizer, os supermercados especializados têm vantagem nesse cenário. “Eles fazem a curadoria para o consumidor, especialmente no caso da Whole Foods e da Natural Grocers”, afirmou. “A compra se torna mais simples porque o sortimento já está alinhado às preferências do cliente.”

Ren acrescenta que o consumo saudável se tornou mais intencional. Para ele, os consumidores passaram a avaliar os produtos de forma mais ampla, considerando não apenas questões nutricionais, mas também sustentabilidade e origem ética. “O que o varejo especializado faz é organizar a gôndola com propósito, o que gera uma experiência percebida como curada, local, comunitária e, principalmente, confiável”, concluiu.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

− 4 = 6
Powered by MathCaptcha

Notícias

Cacau Show lança bebida de chocolate servida em copo surpresa

Published

on

Cacau Show lança bebida de chocolate servida em copo surpresa


A Cacau Show anunciou o lançamento de uma bebida de chocolate servida em copo temático dos Ursinhos Carinhosos. O produto estará disponível nas lojas da rede que oferecem serviços de cafeteria e passa a integrar o portfólio de itens voltados a presentes e experiências.

O lançamento inclui 10 modelos de chaveiros surpresa colecionáveis. O consumidor pode escolher a bebida de chocolate nas versões quente ou fria, servida em copo exclusivo dos Ursinhos Carinhosos. O modelo do chaveiro de pelúcia é aleatório, compondo a experiência de compra.

“Com a proposta oferecida pelo Copo Surpresa Ursinhos Carinhosos, a Cacau Show reforça sua aposta em produtos que unem memória afetiva, design lúdico e experiência, ampliando o portfólio de itens colecionáveis e fortalecendo o vínculo emocional com os consumidores”, afirma Lilian Rodrigues, diretora de marketing da Cacau Show.

O copo descartável é personalizado com ilustrações dos Ursinhos Carinhosos. Os chaveiros foram desenvolvidos para uso em bolsas, mochilas, chaves e roupas. Ao todo, são 10 modelos diferentes disponíveis para coleção.

O preço sugerido ao consumidor é de R$ 49,99. O valor inclui a bebida de chocolate clássico com chantilly e o chaveiro surpresa de pelúcia acondicionado no copo personalizado.

Continue Reading

Notícias

O paradoxo do varejo na era da IA: navegando um terreno incerto com combustível duvidoso

Published

on

O paradoxo do varejo na era da IA: navegando um terreno incerto com combustível duvidoso


Chegamos ao fim de mais uma NRF! E se os primeiros dias da edição 2026 nos deram as ferramentas para entender como a nova jornada do varejo se inicia – a inteligência artificial (IA) como nosso potente motor e o propósito humano como nossa bússola – o último dia de evento nos forçou a encarar a realidade do mapa dessa jornada: estamos prestes a navegar por um terreno desconhecido, esburacado e, em muitos pontos, traiçoeiro. E o maior perigo pode não estar lá fora, mas dentro do nosso próprio tanque de combustível.

O terreno externo é, sem dúvida, desafiador. As palestras sobre o cenário macroeconômico pintaram um quadro de incertezas políticas, geográficas e tarifárias que tornam a previsibilidade de resultados um exercício de futurologia. Contudo, a transformação mais radical do ambiente é o próprio consumidor. Ele não é mais um passageiro passivo; agora, ele é empoderado pelo seu co-piloto, a IA, utilizando-a ativamente em sua jornada de descoberta e compra. Os velhos mapas de comportamento de consumo estão tornando-se obsoletos. Estamos, de fato, desbravando uma estrada que nunca foi percorrida.

E é exatamente quando mais precisamos de precisão para navegar neste novo mundo que nos deparamos com o grande paradoxo revelado nos corredores da feira, especialmente no pavilhão de startups. O que vi foi uma avalanche de soluções prometendo usar IA para “limpar”, “organizar” e “melhorar” os dados das empresas. À primeira vista, parece uma solução bem-vinda. Mas, na verdade, é o sintoma de uma doença grave: os dados da maioria dos varejistas não são confiáveis.

Aqui reside o paradoxo que pode comprometer toda a revolução da IA antes mesmo que ela comece. Há anos pregamos que não se faz IA de qualidade sem dados de qualidade, sob o risco do clássico “garbage in, garbage out” (se entra lixo, sai lixo). Agora, o mercado nos oferece a própria IA como remédio para a má qualidade dos dados dos quais ela mesma precisa se alimentar para funcionar. É como tentar usar um motor que falha para refinar o combustível adulterado que o está fazendo falhar. O risco de apenas amplificar erros, aprofundar vieses e tomar decisões ainda piores, mas em uma velocidade assustadora, é grande.

A conexão entre esses dois pontos — o terreno externo incerto e o combustível interno duvidoso — é o insight mais crítico desta NRF. A complexidade do novo consumidor exige decisões ágeis e hiperpersonalizadas que só a IA pode entregar. Mas como nosso potente motor de IA poderá nos guiar com segurança por um terreno desconhecido se o combustível que o alimenta (nossos dados) é de baixa qualidade?

Portanto, o encerramento da NRF 2026 não é um ponto final, mas um chamado urgente à ação. A tarefa mais importante para o varejista hoje não é sair em busca do algoritmo mais avançado. É voltar para casa e fazer uma auditoria rigorosa no seu “tanque de combustível”. A verdadeira revolução da IA no varejo começará não com a compra de uma nova tecnologia, mas com o compromisso inflexível com a governança e a qualidade dos dados na sua origem.

É preciso encarar a reforma não como um obstáculo, mas como a oportunidade definitiva para digitalizar sua operação. Transforme o desafio em vantagem competitiva. O futuro da cadeia da moda pertence àqueles que combinam criatividade com eficiência – e a eficiência, no cenário atual, é sinônimo de tecnologia integrada e inteligente.

Leia também: NRF 2026: varejo deixa de ser apenas ponto de venda para se tornar o centro de um ecossistema


*Por Elói Assis, diretor-executivo de produtos para Varejo da TOTVS

Continue Reading

Notícias

Estratégias para o PDV em 2026

Published

on

Estratégias para o PDV em 2026


O varejo chega a 2026 em um contexto em que decisões estratégicas baseadas apenas em intuição perdem espaço para operações orientadas por dados. Com consumidores mais conectados e um ambiente competitivo, a capacidade de transformar informações em ações concretas no ponto de venda (PDV) passa a ser um fator central para crescimento e rentabilidade.

De acordo com o relatório From Data Overload to Data Driven Decisions in Retail, da KPMG, 54% dos varejistas que adotaram práticas estruturadas de análise de dados registraram aumento de pelo menos 10% no lucro operacional. O estudo aponta que eficiência e rentabilidade estão cada vez mais associadas ao uso de dados qualificados, inteligência artificial e análises preditivas.

Para Tiago Cabral, CEO da Núcleo, agência de marketing de incentivo e promocional, o avanço depende de uma mudança na forma como as empresas utilizam informações. “Os dados só têm valor quando se transformam em decisões práticas. O segredo está em traduzir métricas em ações que gerem impacto direto no PDV e, consequentemente, em vendas”.

Segundo o executivo, três pilares são fundamentais para converter dados em resultados no varejo: planejamento orientado por dados, automação da execução no PDV e monitoramento em tempo real.

No planejamento, o uso de dados históricos, comportamento de compra, jornada do consumidor e sazonalidade permite definir metas mais precisas e reduzir desperdícios. “O planejamento orientado por dados dá clareza sobre onde investir, como se comunicar e o que priorizar em cada ponto de venda. Quando você entende o comportamento do shopper a partir de dados reais, passa a atuar de forma estratégica, antecipando oportunidades e evitando decisões baseadas apenas em feeling”, explica Cabral.

Ele destaca que a segmentação de PDVs com base em performance e perfil de público aumenta a assertividade das campanhas. “Quando os dados mostram, por exemplo, que determinadas regiões têm maior conversão de um tipo específico de produto ou ativação, é possível otimizar investimentos e personalizar ações com muito mais precisão. Isso muda completamente a eficiência das campanhas”.

Relatório da KPMG indica que empresas que estruturam seus dados e integram analytics ao planejamento podem reduzir em até 20% os custos com ativações ineficientes. “Planejar com base em dados transforma o marketing em uma área de inteligência. É o que garante que cada ação tenha propósito, retorno mensurável e gere impacto real na ponta. Dados não são apenas números, são a base da performance moderna”, afirma Cabral.

O segundo pilar envolve a automação da execução no PDV. Segundo a Mordor Intelligence, o mercado global de automação para varejo deve crescer de US$ 17,46 bilhões em 2024 para US$ 37,38 bilhões em 2029, com taxa anual de 14,66%. Para o executivo, a automação reduz falhas operacionais e amplia a escala das campanhas.

“A automação é hoje um divisor de águas para marcas que querem escalar resultados sem perder o controle de execução. Automatizar não é apenas digitalizar tarefas, mas transformar a forma como o PDV opera. Quando os processos são integrados por sistemas inteligentes, cada loja passa a agir como uma extensão da estratégia, e não como um ponto isolado”, afirma.

De acordo com Cabral, plataformas automatizadas permitem ativar campanhas a partir de dados em tempo real, considerando variáveis como estoque, comportamento local de compra e horários de maior conversão. “Se um produto tem alta saída em uma região específica, é possível ajustar comunicações e ofertas instantaneamente, otimizando o investimento e ampliando o retorno”.

O monitoramento em tempo real completa o modelo. Segundo a TOTVS, a análise de dados em tempo real acelera a digitalização dos pontos de venda e viabiliza decisões rápidas. Relatórios da Retail Media News indicam que plataformas de retail media exigem dashboards em tempo real para acompanhamento de vendas, impressões e engajamento.

“A capacidade de monitoramento muda radicalmente a gestão de campanhas. Analisar em tempo real significa transformar dados em ação imediata. Não se trata apenas de ter indicadores disponíveis, mas de conseguir reagir à performance de cada loja e de cada campanha quase que instantaneamente”, afirma Cabral.

Segundo o executivo, dashboards integrados permitem identificar tendências, ajustar ofertas e medir com precisão o retorno sobre investimento. “Com dados imediatos, o marketing deixa de ser apenas analítico e se torna operacional e preditivo, transformando a performance em resultados concretos no ponto de venda”, conclui.

Continue Reading

Tendências

Todos os direitos reservado por Varejo.blog © 2025