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Primeira unidade da Shein na França atrai filas e críticas

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Primeira unidade da Shein na França atrai filas e críticas

A inauguração da primeira loja permanente da Shein em Paris ocorreu em meio a protestos, presença policial e grande fluxo de consumidores. A unidade, instalada no último andar do BHV Marais, tem 10.800 pés quadrados e atraiu uma fila que se formou desde as primeiras horas da manhã para retirada de ingressos que garantiam acesso ao espaço à tarde. Funcionários vestiam macacões e bonés personalizados da “Shein Squad”.

Clientes de diferentes faixas etárias afirmaram que os preços foram o principal motivo da visita. Uma consumidora na casa dos 60 anos disse que não frequentava o BHV anteriormente devido aos valores mais altos, mas que a nova operação motivou sua ida.

Do lado de fora, manifestantes e políticos se mobilizaram contra a abertura. Centenas de pessoas exibiram cartazes e distribuíram panfletos com QR codes que direcionavam para uma petição contra a empresa. O senador Ian Brossat classificou a Shein como “um símbolo de tudo o que não queremos para Paris” e afirmou que autoridades locais não têm poder legal para impedir a instalação da marca.

O CEO da Société des Grands Magasins (SGM), controladora do BHV, Frédéric Merlin, reconheceu a controvérsia, mas destacou o público presente. Ele afirmou que os produtos Shein vendidos no BHV foram avaliados para garantir conformidade com direitos trabalhistas e disse que a presença da loja física poderia reduzir compras por impulso ao permitir que consumidores manuseiem os itens.

Merlin acrescentou que a localização também tem potencial para aumentar o fluxo de visitantes para outras marcas do BHV. A SGM adquiriu o BHV em 2022 e enfrenta dificuldades financeiras desde então.

Até então, a Shein havia operado apenas pop-ups temporários na França. Apesar disso, é a quinta marca mais popular do país e a quinta maior vendedora de vestuário por volume, segundo estudo do Institut Français de la Mode. A empresa planeja abrir mais cinco lojas permanentes em Dijon, Reims, Grenoble, Angers e Limoges em espaços administrados pela SGM e anteriormente identificados com a bandeira Galeries Lafayette.

A Galeries Lafayette anunciou o fim da parceria com o BHV devido ao acordo com a Shein, retirando seu nome das lojas regionais. Questionado sobre o impacto econômico da Shein para o BHV, Merlin afirmou que os resultados serão avaliados dentro de um mês.

Durante a inauguração, o governo francês determinou a suspensão temporária da plataforma da Shein após o avanço de uma investigação judicial sobre a venda de bonecas sexualizadas com aparência infantil. O Ministério da Economia afirmou que a medida é provisória e condicionada à adequação da empresa à legislação francesa, com relatório esperado em 48 horas. Separadamente, a Shein informou que suspendeu voluntariamente seu marketplace no país devido a preocupações regulatórias com vendedores terceirizados e reforçou seu compromisso com a conformidade legal. O diretor de relações externas, Quentin Ruffat, afirmou que a suspensão permitirá fortalecer mecanismos de responsabilização.

A Shein enfrenta crescente escrutínio regulatório na França e já recebeu 191 milhões de euros em multas por questões relacionadas a promoções, coleta de dados e violações ambientais. Merlin declarou que os produtos Shein comercializados no BHV foram verificados, mas a avaliação não inclui itens vendidos por terceiros.

A abertura provocou a saída de diversas marcas do BHV. Disneyland Paris cancelou um patrocínio previsto para as celebrações de fim de ano, levando ao cancelamento do evento natalino do BHV. A Banque des Territoires também se retirou de negociações para apoiar a recompra do prédio do BHV pela SGM.

Marcas como Agnès B., A.P.C., Figaret e Rivedroite anunciaram sua retirada do BHV. Agnès Troublé, fundadora da Agnès B., afirmou que a entrada da Shein “preocupa” e representa práticas que considera incompatíveis com os valores de sua empresa. A Rivedroite citou responsabilidade ética e impacto ambiental como motivos para o rompimento.

Representantes do setor também se manifestaram sobre os impactos econômicos da expansão da Shein. Pierre-François Le Louët, presidente do sindicato da indústria da moda francesa, afirmou que Shein e Temu representam 5% do mercado de vestuário do país em valor e que esse avanço contribuiu para dificuldades financeiras de outros varejistas. Ele disse que pop-ups anteriores da Shein não geraram aumento de vendas para outras marcas do BHV e avaliou que preços baixos não se traduzem em ganho de poder de compra devido à baixa durabilidade das peças.

O executivo criticou ainda a oferta inicial do BHV, que converte gastos na Shein em vouchers utilizáveis em outras marcas da loja, classificando-a como prejudicial aos credores do varejista. Ele ressaltou que a França não possui estrutura para reciclagem têxtil em grande escala, o que amplia o acúmulo de resíduos.

Yann Rivoallan, presidente da federação de prêt-à-porter feminino, descreveu a inauguração como um “dia negro para a moda francesa” e afirmou que “nunca viu mobilização semelhante” contra uma empresa têxtil.

Imagem: Divulgação
Informações: Rhonda Richford para WWD

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LLC: o que é e como funcionam as sociedades limitadas nos EUA

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LLC: o que é e como funcionam as sociedades limitadas nos EUA


O que é uma LLC (Limited Liability Company)

A LLC (Limited Liability Company) é um tipo de estrutura jurídica muito comum nos Estados Unidos que combina responsabilidade limitada dos sócios com flexibilidade de gestão e tributação. Nessa configuração, os proprietários (chamados de members), em regra, não respondem com seu patrimônio pessoal por dívidas e obrigações da empresa, desde que sejam respeitadas as exigências legais.

Do ponto de vista fiscal, a LLC é reconhecida pela Internal Revenue Service (IRS) como uma entidade que pode ter diferentes enquadramentos tributários, dependendo do número de sócios e das opções feitas junto ao fisco. Uma LLC com um único membro, por exemplo, tende a ser tratada como uma entidade “desconsiderada” para fins de imposto federal, enquanto empresas com mais sócios costumam ser tratadas como partnerships, salvo opção por tributação como corporação.

Principais características da LLC

Entre os atributos mais associados a esse modelo estão:

  • Responsabilidade limitada, que separa, em condições normais, o patrimônio pessoal dos sócios do patrimônio da empresa.

  • Flexibilidade tributária, permitindo diferentes formas de apuração e declaração de impostos, conforme a estrutura escolhida.

  • Gestão adaptável, que pode ser feita diretamente pelos sócios (member-managed) ou por gestores nomeados (manager-managed), conforme previsto no acordo interno da empresa.

  • Menor formalidade quando comparada a corporações tradicionais, especialmente no que diz respeito à governança e à estrutura administrativa.

Diferenças entre LLC e outras estruturas jurídicas

A LLC costuma ser comparada a outros formatos empresariais comuns:

Empresa individual (sole proprietorship)
É mais simples de abrir e administrar, mas não oferece a mesma separação entre pessoa física e jurídica. Em caso de dívidas ou processos, o patrimônio pessoal do empreendedor tende a ficar mais exposto.

Sociedade (partnership)
Pode envolver dois ou mais sócios e diferentes arranjos de responsabilidade. Em muitos casos, a LLC é escolhida justamente por oferecer uma proteção patrimonial mais clara, aliada à flexibilidade contratual.

Corporação (C-Corp ou S-Corp)
Normalmente exige mais formalidades, regras rígidas de governança e, em alguns cenários, maior complexidade tributária. A LLC, por outro lado, permite maior liberdade para definir distribuição de resultados, administração e entrada ou saída de sócios.

Por que a LLC é atrativa para empreendedores do varejo

No varejo (seja físico, digital ou híbrido) a operação envolve contratos, fornecedores, logística, meios de pagamento, atendimento ao consumidor e eventuais disputas legais. Nesse contexto, a responsabilidade limitada se torna um ponto relevante na hora de estruturar o negócio.

Outro fator é a flexibilidade societária. Operações varejistas podem reunir fundadores, investidores, parceiros estratégicos e operadores regionais. A LLC permite desenhar essas relações de forma contratual, por meio do operating agreement, sem a rigidez típica de outras estruturas.

Além disso, dados divulgados pelo estado de Delaware (uma das jurisdições mais conhecidas para abertura de empresas) indicam que as LLCs representam a maioria das novas formações empresariais no estado, refletindo a popularidade do modelo entre pequenos e médios negócios.

LLC e internacionalização do varejo

Com o avanço do e-commerce, do cross-border e da atuação em marketplaces internacionais, muitos empreendedores brasileiros do varejo passam a considerar a abertura de empresas no exterior. A LLC aparece com frequência nesses movimentos por ser um formato conhecido por bancos, plataformas digitais, operadores logísticos e parceiros comerciais nos Estados Unidos.

Pontos de atenção

Apesar das vantagens, a escolha por uma LLC exige análise. As regras variam conforme o estado americano onde a empresa é registrada, incluindo taxas, obrigações anuais e exigências administrativas. A Small Business Administration (SBA) também alerta que detalhes como a transferência de participação entre sócios e a forma de dissolução da empresa devem estar claramente previstos no acordo interno para evitar problemas futuros.

Uma estrutura estratégica, mas não automática

Em síntese, a LLC se consolidou como uma estrutura jurídica relevante para empreendedores que buscam proteção patrimonial, flexibilidade e eficiência operacional. No varejo, onde o risco e a complexidade fazem parte da rotina, esse modelo pode ser uma alternativa estratégica, desde que alinhada ao porte do negócio, ao plano de crescimento e às exigências legais envolvidas.

Leia também: 5 tendências da NRF 2026 para o varejo brasileiro  

Imagem: Freepik

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5 tendências da NRF 2026 para o varejo brasileiro  

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5 tendências da NRF 2026 para o varejo brasileiro  


A NRF 2026: Retail ‘s Big Show, maior evento global de varejo, trouxe um recado claro para o mercado: a inteligência artificial deixou de ser vitrine e passou a ser operação. Sob o tema The Next Now, a edição deste ano marca a transição definitiva do discurso sobre inovação para a execução em escala, com dados, fluidez e confiança.

Presente no evento, Adriana Garbim, vice-presidente Comercial da Cielo, acompanhou as principais discussões e destaca cinco sinais que ajudam a entender para onde o varejo está indo. 

“Mais do que tendências isoladas, elas revelam uma mudança estrutural na forma como marcas, consumidores e tecnologia se relacionam. A tecnologia certa é aquela que atua nos bastidores, garantindo segurança, fluidez e resiliência para que o varejista possa focar no que realmente importa: criar, vender e se relacionar com o cliente. O tempo dos testes isolados e o sucesso do varejo em 2026 não será definido por quem adota mais tecnologia, mas por quem constrói relações de confiança capazes de sustentar decisões feitas por humanos e por máquinas”, explica Garbim.

1. O comércio agêntico muda quem decide a compra

O varejo entra na era do agentic commerce, em que assistentes de inteligência artificial passam a mediar decisões de compra do início ao fim da jornada. Em vez de navegar por sites e comparar opções, o consumidor descreve uma necessidade e a tecnologia filtra, decide e executa.

“O setor está saindo da lógica da vitrine digital para a lógica da decisão automatizada. Quem não estiver preparado para ser lido por máquinas simplesmente deixa de existir nesse novo fluxo”, analisa Adriana.

Nesse cenário, não basta estar presente nos canais certos. É preciso ter estrutura, dados e processos capazes de sustentar decisões feitas por agentes de IA.

2. Dados limpos valem mais do que modelos avançados

Com a IA assumindo um papel ativo na descoberta e recomendação de produtos, a qualidade dos dados passa a ser mais relevante do que a sofisticação dos modelos.

“No Brasil, o varejista sempre foi muito bom em ‘gritar’ para atrair o cliente. Mas, em 2026, se você precisar gritar, é porque sua estratégia de dados falhou”, afirma a executiva. Segundo ela, a autoridade contextual passa a ser construída a partir de dados íntegros, bem estruturados e conectados à operação real, e não apenas por investimentos em mídia ou tecnologia de ponta sem base consistente.

3. O consumidor não enxerga canal, enxerga esforço

Outro sinal evidente da NRF 2026 é o fim definitivo da discussão sobre canais. Para o consumidor, a jornada é única, e qualquer fricção se traduz em abandono. “O cliente não separa físico de digital. Ele percebe esforço, atraso e inconsistência. A inovação de verdade é garantir que a promessa feita no digital seja entregue fisicamente com a mesma precisão”, destaca Adriana.

Nesse contexto, a experiência passa a ser medida pela fluidez entre descoberta, pagamento e entrega, independentemente do ponto de contato. 

4. O pagamento vira a camada de confiança invisível

Com a consolidação do comércio mediado por agentes, o meio de pagamento deixa de ser apenas a etapa final da transação e passa a atuar como validador de identidade, risco e legitimidade.

“O pagamento se torna o passaporte da transação. No Brasil, temos uma vantagem competitiva enorme: o consumidor já confia no Pix e na biometria. O desafio agora é integrar essa confiança histórica ao comércio por agentes, tornando o checkout tão fluido que o cliente quase não percebe, mas sabe que está seguro”, analisa.

A tendência aponta para pagamentos cada vez mais invisíveis, integrados e baseados em dados, sustentando jornadas rápidas e seguras.

5. Quando tudo é gerado por IA, a confiança vira critério de visibilidade

Na NRF 2026, uma mensagem ficou evidente: em um ambiente mediado por inteligências artificiais, não basta aparecer. É preciso ser confiável.

“As IAs não recomendam o que não confiam”, resume Adriana. A descoberta passa a seguir outra lógica: dados estruturados ajudam você a entrar no radar, mas é a autoridade construída ao longo do tempo que faz o agente avançar até a decisão de compra.

Segundo a executiva, no novo varejo, confiança deixa de ser um atributo subjetivo e assume um papel técnico, quase operacional. É ela que define quem ganha espaço nas recomendações, quem chega primeiro ao consumidor e quem se torna, de fato, a escolha preferida dos sistemas de IA.

Imagem: Central do Varejo

Acesse a cobertura da Central do Varejo da NRF 2026 clicando aqui

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Venda de material escolar recua em 2026 com orçamento mais apertado das famílias

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Venda de material escolar recua em 2026 com orçamento mais apertado das famílias


A venda de material escolar em 2026 apresenta forte retração, em meio a um orçamento mais restrito das famílias. Um estudo  realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School aponta uma retração projetada de -5,9% nas vendas em 2026, após uma recuperação parcial em 2025 (+2,7%) e uma forte queda em 2024 (-8,2%).

Essa diminuição nas vendas, porém, não reflete uma diminuição na necessidade, mas sim restrições orçamentárias. Itens essenciais e de menor valor unitário (como canetas, lápis e papel sulfite) mostraram maior resiliência, enquanto produtos de maior valor agregado (cadernos, livros didáticos, mochilas, cadeiras e mesas de estudo) registraram quedas expressivas. O movimento indica substituição, reaproveitamento e postergação de compras, sobretudo entre famílias de renda média e baixa.

Uma exceção a esse comportamento foi observada na compra de uniforme escolar, que apresentou crescimento de 27,9% em 2026, associado à obrigatoriedade do item, o que limita a capacidade de ajuste das famílias. 

Outro fator que pode ter colaborado para a diminuição na venda de material escolar é o aumento dos preços. Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, os preços de material escolar acumularam alta de 29,5%, mais que o dobro do IPCA aproximado no período (14,3%). O descolamento evidencia pressões específicas de custos, como o encarecimento do papel, da logística, de insumos importados e do câmbio.

A análise regional revela que, em estados de menor renda, o gasto médio com material escolar consome entre 35% e 40% da renda média mensal, enquanto em estados de maior renda essa proporção fica abaixo de 25%. Esse percentual elevado se explica pela concentração dessas despesas no início de ano.

O mesmo cenário é identificado entre os alunos: 80% estão na rede estadual, onde o gasto absoluto é menor, mas o impacto relativo sobre a renda é significativamente maior. Com menor margem de ajuste, essas famílias tornam-se mais sensíveis aos aumentos de preços e adotam estratégias defensivas, como reduzir volumes, trocar marcas ou reutilizar materiais de anos anteriores. 

Para Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School: “A volta às aulas de 2026 ocorre em um ambiente mais duro do que o de 2025. O setor enfrenta queda de volume, inflação persistente e alta elasticidade à renda, o que reforça a necessidade de estratégias focadas em acessibilidade, como kits econômicos, promoções e parcelamento, ao mesmo tempo em que evidencia desafios estruturais ligados à desigualdade de renda e ao encarecimento contínuo dos insumos educacionais”, afirma ele.

Imagem: Freepik

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