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mercado reage a novas ameaças de Trump sobre Irã

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mercado reage a novas ameaças de Trump sobre Irã

Os contratos futuros de ações dos Estados Unidos recuavam, enquanto o petróleo avançava, após o presidente Donald Trump voltar a ameaçar uma escalada da guerra no Irã — movimento que pode piorar ainda mais o choque de preços de energia e embaralhar de vez as perspectivas para a economia global.

Logo na abertura para esta segunda-feira (6), os futuros do S&P 500 caíam 0,4%. Já o Brent subia cerca de 1%, para a faixa de US$ 110 o barril.

Trump voltou a ameaçar, na madrugada de domingo, atacar a infraestrutura do Irã caso o Estreito de Ormuz — rota-chave de escoamento de cerca de 20% do petróleo e gás do mundo — permaneça fechado. Depois, publicou outra mensagem dizendo apenas: “Terça-feira, 20h, horário da Costa Leste!”, sem dar mais detalhes.

As declarações vieram em paralelo ao alerta da Opep+, que vê os danos a ativos de energia no Oriente Médio como um problema duradouro para a oferta de petróleo, mesmo depois de um eventual fim do conflito. Por enquanto, porém, há poucos sinais de avanço rumo a um cessar-fogo: os ataques continuam se espalhando pela região, mantendo o barril bem acima dos US$ 100.

“O jogo de previsões continua bem complicado para o investidor”, diz Homin Lee, estrategista do Lombard Odier. “O foco estará totalmente nas ações militares dos dois lados do Golfo Pérsico e em saber se as travessias de navios por Ormuz podem voltar a melhorar, apesar dos ataques.”

A guerra vem escurecendo rápido o cenário econômico global, com risco de frear o crescimento e pressionar ainda mais uma inflação que já está alta. Isso bagunça as apostas sobre se o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) vai mesmo retomar os cortes de juros ainda em 2026. No radar, seguem firmes os preços de energia e o bloqueio de Ormuz, ponto central do fluxo de petróleo do Oriente Médio.

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Semana chave: inflação nos EUA no foco

Esta será uma semana importante para os mercados, com a divulgação do dado de inflação dos EUA na sexta-feira. A alta de cerca de US$ 1 por galão na gasolina nos postos americanos provavelmente puxou o índice de preços ao consumidor (CPI) de março para uma alta de 1% no mês — o maior avanço desde o pico inflacionário pós-pandemia, em 2022 — segundo pesquisa com economistas antes da divulgação.

O S&P 500 vem de seu melhor desempenho semanal do ano, com alta de 3,4%, puxada por recompra de posições vendidas (short covering) e pela especulação, no início da semana passada, de que Trump estaria perto de começar a encerrar as operações militares dos EUA. Mesmo assim, o índice ainda está cerca de 5,7% abaixo do recorde histórico de janeiro.

Na quinta-feira, último pregão da semana encurtada pelo feriado, as bolsas americanas abriram em queda após o discurso televisionado de Trump frustrar a expectativa de um cronograma claro para o fim da guerra. Mais tarde, os índices viraram para o positivo com notícias de que o Irã estaria em conversas com Omã para gerenciar o tráfego de navios em Ormuz.

Apesar da recuperação das ações, o petróleo continuou disparando: o WTI fechou acima de US$ 110, com alta de 11% no dia, e o Brent encerrou perto de US$ 109.

Juros, emprego forte e pressão nos Treasuries

Na sexta-feira, os Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) caíram depois que o dado de emprego de março veio acima do esperado, levando o mercado a reduzir apostas em cortes de juros pelo Fed. Foi uma guinada em relação à maior parte da semana, quando os títulos vinham subindo à medida que o foco mudava do efeito inflacionário do petróleo para o risco de desaceleração da atividade.

Os juros (yields) dos Treasuries de 2 anos subiram 4 pontos-base, para 3,84%. A economia americana criou 178 mil vagas no mês passado, acima de todas as projeções da pesquisa da Bloomberg.

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Os conflitos persistentes no Oriente Médio mantêm o petróleo só um pouco abaixo dos US$ 120 vistos no mês passado, quando ativos de energia foram atacados e o fechamento de Ormuz provocou o que a Agência Internacional de Energia chamou de maior choque de oferta da história do mercado.

Ao mesmo tempo, ataques da República Islâmica danificaram a sede da estatal de petróleo do Kuwait e paralisaram uma planta petroquímica nos Emirados Árabes.

Risco de guerra longa e impacto nos ativos

Os bombardeios contínuos — e a ausência de sinais claros de avanço em negociações para encerrar o conflito — alimentam o temor de uma guerra prolongada, mesmo com EUA e Israel insistindo que seus objetivos centrais estão sendo alcançados.

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Trump já recuou outras vezes em suas ameaças de escalada, inclusive há duas semanas, antes da reabertura dos mercados na segunda-feira. Ele também disse que pretende conceder uma coletiva às 13h (horário de Nova York) nesta segunda.

“Trump provavelmente é sincero quando diz que quer se afastar disso em duas ou três semanas”, avalia Lee, do Lombard Odier. “Mas a própria natureza do conflito, muito dependente de como os eventos se encadeiam, faz com que uma tentativa de dar uma ‘última rodada’ de ataques agressivos possa sair muito cara para os mercados.”

© 2026 Bloomberg L.P.

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Aeroporto de Brasília vai a leilão com mais 10 terminais: é o “filé com osso”

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Aeroporto de Brasília vai a leilão com mais 10 terminais: é o “filé com osso”

O Governo chegou a um acordo para colocar em leilão a concessão do Aeroporto de Brasília ainda este ano, em um pacote com outros dez terminais menores.

O grupo que vencer a licitação deverá investir R$ 1,2 bilhão em Brasília até o final do contrato, além de R$ 858 milhões nos outros aeroportos regionais.

O recém-empossado Ministro dos Portos e Aeroportos, Tomé Franca, brincou que esse formato de leilão vai ofertar “junto com o filé, um pouco do osso.”

O terminal de Brasília hoje é operado pela Inframérica, da Corporación América – um grupo argentino que tem concessões em seis países – e pela estatal Infraero, que deixará de ter participação após o leilão.

A Inframérica venceu a licitação original, em 2012, com uma proposta que previa uma outorga de R$ 4,51 bilhões e ágio de 673%. Com a crise econômica do Governo Dilma em 2014-2016, e depois com a pandemia, a empresa buscou uma repactuação contratual, assinada agora após intermediação do Tribunal de Contas da União (TCU).

A repactuação prevê que a concessão seja colocada em leilão com participação obrigatória da Inframérica.

O novo contrato de concessão terá validade até 2037 e incluirá também os aeroportos de Juína (MT), Cáceres (MT), Tangará da Serra (MT), Alto Paraíso (GO), São Miguel do Araguaia (GO), Bonito (MS), Dourados (MS), Três Lagoas (MS), Ponta Grossa (PR) e Barreiras (BA).

Na semana passada, ao deixar o Ministério de Portos e Aeroportos para ser candidato, Silvio Costa Filho projetou que o leilão de Brasília pode ser em novembro.

Seu sucessor também previu para breve a licitação de Brasília e não descartou um leilão do Santos Dumont (RJ) – o último aeroporto importante ainda não licitado.

“No meu ponto de vista, é algo que precisa ser bem discutido com o Governo e a sociedade, oferecer o Santos Dumont ao mercado. Porque já identificamos que a concessão de aeroportos é uma boa solução,” Tomé disse num evento no fim de março.

Antes disso, porém, ele defendeu estudos sobre como manter a sustentabilidade da Infraero, que hoje depende da receita com o aeroporto no Rio de Janeiro para fazer a gestão de terminais regionais menores.

A Infraero já está deixando de ser sócia do Galeão após o leilão da semana passada, e sairá também de Brasília e Viracopos após suas esperadas relicitações. 

“Nossa intenção é que a Infraero possa ir deixando de ter essa participação nas concessões para que o privado possa, de fato, fazer a gestão. O que temos que pensar é em uma Infraero sem o Santos Dumont. Ela tem que ter sustentabilidade econômico-financeira. Então é isso que temos que estudar para poder apresentar ao Governo uma solução,” Tomé disse ao Brazil Journal.

Algumas alternativas seriam buscar novas receitas para a estatal, com a venda de serviços, por exemplo, ou permitir o uso de recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil para a gestão dos aeroportos regionais.




Luciano Costa




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veja taxas de CDB, LCI e LCA na XP com inflação no radar do mercado

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veja taxas de CDB, LCI e LCA na XP com inflação no radar do mercado

O mercado de emissão bancária, dentro da plataforma da XP, oferece nesta segunda-feira (6), CDBs com taxas prefixadas de até 14,710% ao ano com vencimento em 12 meses, enquanto títulos de inflação estão pagando até IPCA+ 8,500% em mais de 1 ano e os pós-fixados até 109,5% do CDI em mais de 12 meses.

LCAs contam com taxas prefixadas de até 11,650% em mais de 1 ano, enquanto as prefixadas pagam até IPCA+5,800% em mais de 12 meses e as pós-fixadas pagam até 87% do CDI em mais de 1 ano.

LCIs pós-fixadas pagam até 100% do CDI em 12 meses.

Renda Fixa Hoje: confira algumas opções de investimento em renda fixa bancária oferecidas pela XP

CDB PERNAMBUCANAS
Taxa: 111% do CDI
Vencimento: março/2030
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CDB DM FINANCEIRA
Taxa: 114% do CDI
Vencimento: abril/2031
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LCA SICOOB
Taxa: 92% do CDI
Vencimento: fevereiro/2033
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QUER INVESTIR EM CDBs, LCIs e LCAs? ACESSE A CONTA NA XP E CONFIRA AQUI UMA LISTA COMPLETA COM MAIS 1 MIL OPÇÕES DE ATIVOS

*As ofertas na plataforma da XP são limitadas à capacidade disponível do produto nesta segunda-feira (6)

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Leia também: Boletim Focus: analistas elevam projeção de inflação de 2026 pela 4ª semana seguida

As taxas dos juros futuros fecharam próximas da estabilidade nesta quinta-feira (2), após um dia marcado por forte volatilidade, com o mercado reagindo a sinais contraditórios sobre a guerra no Oriente Médio.

No fim da sessão, o DI para janeiro de 2028 subiu 2 pontos-base, a 13,745%, enquanto o DI para janeiro de 2035 avançou também 2 pontos-base, a 13,875%. Apesar do fechamento estável, os contratos chegaram a oscilar com intensidade ao longo do dia, sobretudo na ponta longa.

Pela manhã, as taxas foram impulsionadas pelo discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu novos ataques ao Irã. A fala elevou o petróleo e os rendimentos dos Treasuries, pressionando a curva brasileira, com destaque para a ponta longa, que chegou a tocar 14,00%.

Na sequência, o noticiário sobre possíveis avanços para a reabertura do Estreito de Ormuz trouxe alívio aos mercados. A perspectiva de normalização do fluxo de petróleo reduziu temores inflacionários, levando à queda das taxas — movimento mais evidente nos vencimentos longos, que devolveram os ganhos iniciais.

Assim, a curva longa concentrou a maior volatilidade, reagindo diretamente às oscilações do petróleo e dos Treasuries, enquanto a curva curta permaneceu mais estável, refletindo a cautela dos investidores em relação à política monetária doméstica.

Com o cenário ainda incerto, o mercado segue dividido sobre a decisão do Comitê de Política Monetária, com apostas entre cortes de 25 ou 50 pontos-base da Selic, ou até manutenção. A trajetória dos juros continua condicionada principalmente à evolução da guerra e seus impactos sobre a inflação.

Trata-se de um conteúdo patrocinado. O InfoMoney não possui qualquer responsabilidade quanto a oferta e a comercialização dos produtos divulgados neste material. 

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OPINIÃO. A resposta do Brasil à crise do GNL

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OPINIÃO. A resposta do Brasil à crise do GNL

O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz por mais de 30 dias consolida o maior choque energético desde a crise do petróleo de 1973.

Trata-se de um evento com implicações profundas para o mercado global, mas com efeitos particularmente relevantes para o GNL.

A interrupção prolongada dos fluxos provenientes do Golfo Pérsico, especialmente do Catar, retira do mercado cerca de 12,8 milhões de toneladas por ano por um período estimado entre três e cinco anos. Em um ambiente já tensionado desde 2022, essa ruptura redefine o equilíbrio global do gás natural.

O GNL, que já operava com margens de segurança estreitas, agora passa a funcionar sob um regime de escassez estrutural. A diferença em relação a choques anteriores está na baixa capacidade de resposta no curto prazo.

Ao contrário do petróleo, cuja oferta pode ser parcialmente ajustada via estoques estratégicos ou redirecionamento de fluxos, o gás liquefeito depende de uma cadeia rígida, intensiva em capital e com ciclos longos de investimento. A perda de volumes relevantes do Catar não pode ser rapidamente compensada, e isso amplia a pressão sobre preços e disponibilidade.

Esse contexto ajuda a explicar a magnitude da reação do mercado. O GNL internacional já registra elevações entre 40% e 100%, refletindo não apenas a redução física da oferta mas também a incorporação de um prêmio de risco mais duradouro. A lógica de formação de preços deixa de ser exclusivamente marginal e passa a refletir a disputa por segurança de suprimento. Em termos práticos, quem consegue pagar mais garante acesso à molécula.

Para o Brasil, os impactos são relevantes. Mesmo importando GNL majoritariamente dos EUA, estamos expostos à formação de preços global. A origem da carga não protege o consumidor doméstico da volatilidade internacional. O primeiro efeito aparece no despacho térmico, especialmente nas usinas contratadas nos Leilões de Reserva de Capacidade.

O LRCAP 2026 contratou aproximadamente 19 GW de potência, com cerca de 80% desse volume associado a usinas a gás natural.

Do ponto de vista sistêmico, o instrumento é correto e necessário, pois responde à necessidade crescente de lastro em um sistema com maior participação de fontes intermitentes. Mas o momento atual também expõe uma fragilidade importante: a dependência crescente do GNL importado em um cenário de elevada instabilidade global.

Essa dependência se traduz diretamente em custo. Com o gás mais caro, o custo marginal de operação das térmicas sobe de forma expressiva, pressionando tarifas e ampliando o risco de despacho prolongado. Em paralelo, o Brent acima de US$ 90 o barril pressiona o diesel e a gasolina, com efeitos diretos sobre inflação, logística e atividade econômica.

Outro ponto sensível está nos fertilizantes. O gás natural é insumo essencial para a produção de amônia e ureia, e a alta de cerca de 50% nesses produtos já indica um risco concreto para a próxima safra. Em um País que ainda depende de importações relevantes nesse segmento, a escalada de preços tende a impactar custos agrícolas e cadeias produtivas associadas.

Diante desse cenário, a discussão deixa de ser apenas conjuntural e passa a exigir respostas estruturais. A diversificação das fontes de suprimento ganha centralidade. O gás argentino, via Bolívia, surge como alternativa relevante, oferecendo uma solução on-grid, menos exposta à volatilidade do mercado global e com maior previsibilidade de custos.

No ambiente doméstico, projetos como a Rota 3 e o desenvolvimento da área de Raia reforçam a importância de ampliar a produção nacional. A expansão da infraestrutura de escoamento e processamento é fundamental para reduzir a dependência externa e aumentar a resiliência do sistema e reduzir a reinjeção. Ainda assim, são soluções que exigem tempo, previsibilidade regulatória e coordenação de investimentos.

No setor elétrico, cresce também a importância de soluções complementares. O avanço de sistemas de armazenamento, especialmente baterias, aliado à expansão de fontes renováveis, pode reduzir a necessidade de despacho térmico em momentos críticos. O objetivo não é substituir o gás, mas otimizar seu uso, reservando-o para situações em que sua flexibilidade é realmente imprescindível.

Mesmo com essas alternativas, o curto prazo exige medidas mais imediatas. A criação de uma reserva estratégica nacional de GNL pode ser uma resposta relevante. Neste ambiente de volatilidade recorrente, a capacidade de armazenar volumes e suavizar choques pode ser determinante para a estabilidade do sistema.

Além disso, ganha força a necessidade de implementar mecanismos de hedge para os contratos de gás associados ao LRCAP. A exposição direta ao preço spot internacional amplia a volatilidade de custos e dificulta o planejamento. Estruturas de proteção de preço podem trazer maior previsibilidade para geradores e consumidores, reduzindo riscos financeiros em cenários adversos.

Estamos em meio a uma mudança clara de paradigma. O GNL deixou de ser apenas uma solução operacional para flexibilidade do sistema e passou a ocupar uma posição central na segurança energética. Essa transição exige uma abordagem mais integrada, que combine diversificação de fontes, expansão de infraestrutura e instrumentos de gestão de risco.

O fechamento de Ormuz não é apenas um evento isolado, mas um sinal claro das fragilidades de um sistema global altamente interdependente. Para o Brasil, a principal lição está na necessidade de alinhar expansão com resiliência. A utilização do gás natural continuará sendo essencial, mas sua incorporação precisa vir acompanhada de uma estratégia robusta de mitigação de riscos.

Sem esse ajuste, o País corre o risco de transformar uma solução técnica eficiente em um vetor de vulnerabilidade econômica. A agenda energética precisa evoluir, incorporando não só crescimento e expansão mas também segurança, previsibilidade e capacidade de resposta a choques externos cada vez mais frequentes.

Adriano Pires é fundador do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE).




Adriano Pires




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