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“Deu o aceite e sumiu.” Por que a Cocamar levou o Patria à Justiça

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“Deu o aceite e sumiu.” Por que a Cocamar levou o Patria à Justiça

O Patria visualizou as mensagens da Cocamar – e não respondeu.

Este é o resumo por trás de uma batalha judicial entre a gestora de ativos alternativos e a cooperativa paranaense cujo faturamento ultrapassa R$ 11 bilhões.

Tudo começou em dezembro, quando o Patria pôs à venda quatro unidades de armazenagem de grãos em Sabáudia, Assaí, Bela Vista do Paraíso e Cambé, todas no Paraná.

Na época, a Cocamar negociou a compra dos quatro ativos por R$ 125 milhões, e recebeu um e-mail da gestora dizendo que o negócio estava fechado.

“Obrigado pelo envio da proposta revisada – estamos de acordo em seguirmos nos termos da proposta anexa encaminhada,” dizia o e-mail de 23 de dezembro, dando início às tratativas para a assinatura dos contratos. 

A Cocamar fechou – mas não levou.

Segundo os autos do processo, depois daquele e-mail o Patria desapareceu, e em janeiro anunciou a venda dos ativos para a Coamo, uma cooperativa também do Paraná, por um preço um pouco melhor: R$ 136 milhões.

Chocada, a Cocamar foi à Justiça – e em fins de fevereiro obteve uma liminar em segunda instância que impede a alienação ou oneração dos ativos até o julgamento do mérito. (A Cocamar havia perdido na primeira instância.) 

A decisão já foi averbada nas matrículas dos imóveis – o que, na prática, bloqueia qualquer tentativa de transferência. O processo corre em segredo de Justiça e ainda cabe recurso. 

A tese da Cocamar é de que uma proposta vinculante, uma vez aceita, gera obrigação entre as partes, especialmente quando acompanhada de atos que indicam a intenção de fechar o negócio, como a elaboração de contratos e o início de diligências.

A cooperativa entrou com uma ação pedindo o cumprimento da oferta — ou seja, que os ativos sejam transferidos a ela nas condições originalmente acordadas.

“Mas a Cocamar estaria disposta a negociar com o Patria. A empresa segue interessada nos ativos,” uma pessoa próxima à cooperativa disse ao Brazil Journal.

O Patria ainda não se manifestou, mas sua defesa pode ir na linha do decidido na primeira instância. Na 4ª Vara Cível de Maringá, a juíza Aline Koentopp reconheceu que houve negociação, mas considerou a mera comunicação entre os dois lados uma coisa frágil. 

Na avaliação da magistrada, a comunicação indica que o negócio não havia sido formalmente concluído, abrindo espaço para uma eventual resolução em perdas e danos.

Mesmo assim, a juíza autorizou a averbação da existência da ação em um dos quatro imóveis. 

A Cocamar recorreu, e na segunda instância o desembargador Domingos José Perfetto entendeu que há elementos suficientes para indicar a probabilidade do direito da cooperativa e o risco de dano caso os ativos sejam transferidos a terceiros.

Com isso, o TJ do Paraná estendeu a medida a todas as unidades envolvidas na negociação, determinando a averbação nas matrículas e proibindo a venda ou oneração dos imóveis.

Ou seja, na prática, os ativos não podem ser transferidos até a palavra final da Justiça, que no final vai decidir se o Patria foi apenas deselegante – ao desengajar da noite para o dia e deixar um comprador sem resposta – ou violou os direitos da Cocamar. 

O Patria disse que não pode comentar um processo em segredo de Justiça.




André Jankavski




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Cyrela (CYRE3) lança R$ 1,747 bilhão no 1º trimestre de 2026, queda anual de 48%

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Cyrela (CYRE3) lança R$ 1,747 bilhão no 1º trimestre de 2026, queda anual de 48%

A Cyrela Brazil Realty (CYRE3) pisou no freio e reduziu os novos projetos no começo deste ano. A incorporadora lançou 12 empreendimentos no primeiro trimestre, com valor estimado de R$ 1,747 bilhão, 48% a menos na comparação com o mesmo período do ano passado.

O maior enxugamento ocorreu entre os projetos de alto padrão, que ficaram em R$ 602 milhões neste trimestre (queda de 71%). No médio padrão, com a marca Living, os lançamentos somaram R$ 455 milhões (queda de 19%). Já na habitação popular, com a marca Vivaz, os lançamentos foram de R$ 690 milhões (baixa de 9%).

A companhia reportou vendas líquidas de R$ 2,164 bilhões no primeiro trimestre de 2026, leve alta de 2% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas foram puxadas pelos imóveis que estão em fase de construção (R$ 1,158 bilhão) e pelos lançamentos (R$ 782 milhões), enquanto a venda de estoques prontos foi de R$ 224 milhões.

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A velocidade de vendas média acumulada em 12 meses foi de 45,8% no primeiro trimestre, alta de 0,6 pp ante o quarto trimestre (45,2%), mas 6,8 pp abaixo do início do ano passado (52,6%).

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MBRF vai vender mais frango (e agora bovinos) para a Arábia Saudita

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MBRF vai vender mais frango (e agora bovinos) para a Arábia Saudita

A Arábia Saudita vai dobrar o volume de frango que compra da MBRF e passar a comprar também carne bovina.

A gigante de proteína controlada por Marcos Molina acaba de assinar com a SALIC – o braço focado em alimentos do fundo soberano saudita (PIF) – um aditivo ao contrato de segurança alimentar que os dois lados tinham desde abril de 2024.

Marcos Molina okA MBRF já fornece 300 mil toneladas de frango por ano para a Arábia Saudita, um volume que agora será ampliado para 600 mil toneladas. Já o fornecimento anual de carne bovina passará a ser de 270 mil toneladas.

Um analista que cobre a empresa calcula que as 300 mil toneladas de frango adicionais devem gerar uma receita incremental de cerca de US$ 1 bilhão por ano para a companhia, considerando um preço médio de venda de US$ 3,5 mil/tonelada. Já as 270 mil toneladas de carne devem adicionar US$ 1,75 bilhão ao top line da companhia, considerando um preço médio de US$ 6,5 mil/t.

Dado o tamanho da MBRF, o impacto na receita será pouco relevante. Como a companhia faturou mais de R$ 164 bilhões no ano passado, a receita adicional representa cerca de 7-8% do total.

O aditivo também mostra um estreitamento do relacionamento da MBRF com a Arábia Saudita, um mercado importante de proteínas que está em crescimento e que paga mais que outras regiões.

O SALIC se tornou acionista da BRF antes da fusão, entrando num follow-on em 2023 no qual investiu R$ 1,6 bilhão por cerca de 11% do negócio.

Em setembro, o fundo saudita converteu essa participação em derivativos para evitar obstáculos regulatórios para a fusão da BRF e Marfrig, que o SALIC defendeu publicamente.

A ação da MBRF sobe 24% desde a conclusão da fusão, há seis meses. A empresa vale R$ 27,3 bilhões na Bolsa.




Pedro Arbex




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Para XP, safra de balanços do 1T nos EUA terá pouco espaço para surpresas positivas

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Para XP, safra de balanços do 1T nos EUA terá pouco espaço para surpresas positivas

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 nos EUA teve seu início oficial na semana passada, mas é a partir do dia 13 que começa a ganhar tração. Nesta segunda, serão apresentados dados do Goldman Sachs e, na terça, JPMorgan e Wells Fargo trazem seus balanços.

A XP considera que a temporada deste trimestre conta com pouco espaço para surpresas positivas, em especial por um trimestre marcado por elevada incerteza geopolítica e macroeconômica e por projeções já elevadas de crescimento. A expectativa do consenso é de avanço do lucro por ação (LPA) do S&P 500 em 13%, na comparação anual.

Leia mais: Temporada de resultados nos EUA: BlackRock considera previsões “otimistas demais”

“Olhando além do 1T26, as estimativas já parecem bastante exigentes. Nesse contexto, acreditamos que, mais uma vez, o mercado tenderá a reagir menos aos números reportados e mais aos guidances e sinalizações das companhias para o restante de
2026, levando a variações de preços devido reajuste das expectativas elevadas”, afirmam os estrategistas Raphael Figueredo e Maria Irene Jordão.

Os dados de atividade apresentaram sinais mistos em relação ao mercado de trabalho e as pressões inflacionárias, de acordo com a XP, o que pode promover respostas heterogêneas nas companhias. Para os analistas, as projeções para 2026 já parecem esticadas, após um trimestre de revisões predominantemente altistas. E, por isso, a reação do mercado deve reagir menos aos resultados reportados e mais aos guidances divulgados pelas companhias.

Sobre o crescimento em 2026, assim como diretora da BlackRock mencionou nesta semana considerar projeções otimistas demais para o 1T, os analistas da XP afirmam que as projeções parecem “ambiciosas”. Ainda assim, a XP faz a ressalva de que um ponto positivo é a resiliência já demonstrada pelas empresas americanas, em especial as de tecnologia, ao longo de 2025. O crescimento estimado pelo consenso é de de +7,7% A/A para o lucro em 2026.

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“Assim, vemos risco maior de um realinhamento de expectativas à frente, com revisões baixistas após a temporada, à medida que as empresas busquem recalibrar e suavizar as projeções mais agressivas para o ano”, diz a XP.

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