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O aquecimento global passa pelo que comemos — e pelo que desperdiçamos

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O desperdício de alimentos entrou de vez no centro do debate climático. Apesar de muita gente focar apenas em energia, carbono ou indústria, parte das soluções mais rápidas e baratas está literalmente na nossa cozinha. Além disso, o tema ganhou força global com o movimento Food Waste Breakthrough, que traz novo ritmo ao compromisso de cortar pela metade o desperdício até 2030. E, como você vai ver, isso muda totalmente o jogo climático.


Por que o desperdício de alimentos pesa tanto no clima

O desperdício de alimentos gera impactos gigantes. Ele responde por quase 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. Além disso, grande parte dessas emissões vem do metano, que é muito mais potente que o CO₂. Para deixar mais claro: o metano aquece o planeta 86 vezes mais que o dióxido de carbono em 20 anos. Portanto, ignorar esse fator é praticamente entregar pontos na luta climática.

Além disso, projeções mostram que a quantidade de comida descartada pode dobrar até 2050, caso nada mude. Assim, o problema se tornará ainda mais difícil de controlar.


A urgência por soluções globais

O Food Waste Breakthrough surgiu porque o mundo precisa agir rápido. Apesar do compromisso do ODS 12.3 existir desde 2015, a agenda não avançou na velocidade necessária. Agora, pela primeira vez, ele entra diretamente na estratégia climática internacional. Isso importa bastante, já que:

  • 19% dos alimentos globais se perdem no consumo,

  • 13% se perdem antes do varejo,

  • 733 milhões de pessoas enfrentam fome.

Ou seja, enquanto comida vai parar no lixo, milhões não têm acesso ao básico. Isso cria um paradoxo ambiental, econômico e social difícil de justificar. Além disso, tratar o tema com seriedade abre espaço para políticas públicas que realmente funcionam.


O papel do Brasil como protagonista

Cidades liderando a mudança
O Brasil entrou no mapa como liderança global no combate ao desperdício de alimentos. Junto com Japão e Reino Unido, o país forma a linha de frente do Breakthrough. Além disso, cidades como Curitiba, Florianópolis e Rio de Janeiro se destacam com políticas inovadoras de resíduos e alimentação.

Como 70% do consumo global de comida acontece em áreas urbanas — número que deve chegar a 80% até 2050 —, as cidades viram palco de transformações essenciais. Para completar, muitos municípios têm resíduos orgânicos como principal material aterrado. Portanto, reduzir esse volume também reduz emissões de metano em larga escala.

Os três pilares do Food Waste Breakthrough

1. Mobilização e mudança de comportamento
O movimento fortalece campanhas, parcerias e ações que estimulam escolhas mais conscientes. Além disso, o avanço depende de governos, empresas e consumidores atuando juntos.

2. Padronização de métricas
Essa etapa unifica métodos de medição. Assim, fica muito mais fácil comparar resultados, criar políticas sólidas e acompanhar o impacto real.

3. Conexão entre financiamento e implementação
Por fim, o Breakthrough conecta quem financia, quem executa e quem regula. Isso acelera projetos e ajuda a escalar soluções eficientes.


Oportunidade para impacto rápido e mensurável

Reduzir o desperdício de alimentos é uma das soluções climáticas mais acessíveis. Além disso, gera resultados rápidos, diminui emissões, economiza recursos naturais e amplia a oferta de comida sem exigir expansão agrícola. Portanto, é eficiência pura.

A COP30, em Belém, chega como marco ideal para consolidar esses compromissos. E, se a década atual for bem aproveitada, teremos uma virada histórica na relação entre cidades, comida e clima.


FAQ – Perguntas frequentes

1. O que é o Food Waste Breakthrough?
É uma iniciativa global que acelera o compromisso de reduzir pela metade o desperdício de alimentos até 2030, alinhando clima, metano e segurança alimentar.

2. Por que o desperdício de alimentos gera tanto impacto ambiental?
Porque alimentos descartados liberam metano nos aterros. Esse gás aquece o planeta muito mais rápido que o CO₂.

3. O Brasil realmente tem liderança nessa agenda?
Sim! O país aparece entre os protagonistas e tem cidades com políticas avançadas, como Curitiba, Florianópolis e Rio de Janeiro.

4. Reduzir desperdício melhora a economia?
Com certeza. Reduz custos, aumenta eficiência, diminui pressão sobre produção agrícola e melhora indicadores ambientais.

 Texto elaborado com base em matéria produzida por Marco Perlman, cofundador e CEO da Aravita, startup de inteligência artificial que ajuda varejistas a otimizar a gestão de FLV

Imagem: Pinterest

Por:José Marques

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