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Após meses de ameaças, Trump ameniza posição sobre bloqueio de petróleo a Cuba

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Após meses de ameaças, Trump ameniza posição sobre bloqueio de petróleo a Cuba

WASHINGTON — Os Estados Unidos sinalizaram nesta segunda-feira que começaram a aliviar o que, na prática, virou um bloqueio de petróleo a Cuba — uma mudança de rumo depois de o presidente Donald Trump passar semanas ameaçando “tomar” a ilha e dizendo que iria punir países que enviassem combustível para lá.

Em conversa com jornalistas, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os EUA vão avaliar os embarques de petróleo para Cuba “caso a caso”. Ela respondia a perguntas sobre por que a Guarda Costeira americana permitiu que um navio-tanque russo carregado de petróleo bruto chegasse à ilha, apesar de ter barrado outros países de fazerem o mesmo.

“A decisão continuará sendo tomada caso a caso, por motivos humanitários ou outros, mas não houve nenhuma mudança formal na nossa política de sanções”, disse Leavitt.

Desde janeiro, o governo Trump vinha bloqueando o envio de energia para Cuba como parte de uma estratégia para forçar o governo comunista a ceder. Em uma postagem nas redes sociais naquele mês, Trump escreveu: “NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO OU DINHEIRO INDO PARA CUBA — ZERO!”

Mas, quando se tratou de um navio-tanque vindo da Rússia, Trump — que há muito tempo demonstra admiração pelo presidente russo, Vladimir Putin — abriu uma exceção. Para Moscou, a decisão de deixar o navio passar foi mais um sinal de que a Rússia ainda tem algum poder de influência sobre Washington.

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, afirmou que o envio de combustível havia sido previamente discutido com os Estados Unidos e que a Rússia tinha o dever de apoiar “amigos” em Cuba.

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A liberação do navio pelos EUA ocorreu poucos dias depois de Trump afrouxar sanções petrolíferas contra Rússia e Irã, numa tentativa de conter a disparada dos preços de energia provocada pela guerra com o Irã.

Ainda assim, a Rússia seguia desafiando as ambições globais de Trump. Na Ucrânia, Moscou ignorou a pressão americana por um cessar-fogo, apesar de mais de um ano de negociações. E, no Oriente Médio, a Rússia forneceu informações de inteligência que indicavam a localização de militares dos EUA, segundo autoridades americanas.

Na noite de domingo, a bordo do Air Force One, Trump disse a repórteres que não via problema na Rússia enviar petróleo para Cuba, classificando o gesto como uma ajuda humanitária.

A proibição à importação de petróleo estrangeiro mergulhou Cuba em uma crise profunda, com apagões diários, falta de alimentos, cancelamento de aulas e dificuldades até para manter serviços básicos de saúde. O país dependia principalmente do petróleo da Venezuela e do México, mas os envios foram interrompidos em janeiro, depois que forças americanas capturaram o líder venezuelano, Nicolás Maduro, em uma operação durante a madrugada.

“Não nos importamos que alguém mande um navio carregado, porque eles precisam — eles têm de sobreviver. Isso não me incomodaria”, disse Trump no domingo. “Se um país quiser mandar um pouco de petróleo para Cuba agora, não tenho problema com isso. Seja a Rússia ou não.”

Mesmo assim, o governo não chegou a dizer claramente, na segunda-feira, que aprovava a ajuda de outros países além da Rússia. Na semana anterior, Trump havia discutido o envio de petróleo para Cuba com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, segundo três autoridades ouvidas sob condição de anonimato.

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De acordo com essas fontes, Trump disse a Sheinbaum que não queria que o México retomasse os envios de petróleo a Cuba por enquanto. Nesta segunda, Sheinbaum afirmou que seu governo ainda estuda a possibilidade de voltar a fornecer petróleo à ilha.

Leavitt, por sua vez, evitou responder diretamente se a Casa Branca ficaria confortável com o México enviando petróleo a Cuba depois de ter liberado o navio russo. Ela afirmou que o governo mantém “o direito de apreender embarcações, se for legalmente aplicável, que estejam a caminho de Cuba e violem a política de sanções dos Estados Unidos”.

“Mas, claro, os Estados Unidos e Cuba também reservam o direito de abrir mão dessas apreensões caso a caso”, completou.

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Esse vai e vem indicou que o governo Trump deve continuar tentando sufocar economicamente o governo cubano ao dificultar as entregas de combustível, mesmo permitindo a passagem de alguns carregamentos.

“A questão é controlar todas as alavancas”, disse Ricardo Herrero, diretor executivo do Cuba Study Group, um grupo independente de estudos e advocacy em Washington. “Os Estados Unidos decidem o que entra, o que sai, quando e a que preço.”

Dmitry Rozental, diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos, ligado ao Estado russo, em Moscou, disse em entrevista que a decisão de permitir a entrega de petróleo russo a Cuba, mas não a do México, mostra a maior capacidade da Rússia de resistir à pressão de Trump.

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“É muito mais difícil para os Estados Unidos pressionarem economicamente a Rússia do que pressionar o governo Sheinbaum”, afirmou Rozental.

Ainda assim, o cenário mais amplo para a Rússia na América Latina é bem pouco animador. Em janeiro, Moscou perdeu seu aliado mais próximo na região quando forças americanas capturaram Maduro.

Esse movimento, somado ao bloqueio de fato, limitou a capacidade russa de apoiar o governo comunista de Cuba — uma parceria que permite a Moscou projetar poder ao lado da costa americana desde o auge da Guerra Fria.

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Em uma aparente referência ao navio-tanque russo que se aproximava de Cuba, a vice-ministra das Relações Exteriores do país, Josefina Vidal — que já havia liderado negociações com o governo Obama — disse à Al Jazeera: “Cuba não está sozinha. Temos recebido apoio de outros países para facilitar e ajudar nossos planos de buscar soluções.”

Ela confirmou que representantes de Cuba e dos EUA já se reuniram uma vez dentro de uma nova rodada de conversas. “Estamos prontos para falar sobre tudo com os Estados Unidos”, disse. “Estamos prontos para negociar com os Estados Unidos, colocar muitos temas na mesa para discutir com eles. Com uma única exceção, e essa exceção é a independência de Cuba.”

Trump chegou a dizer que teria a “honra de tomar Cuba” e, em negociações com autoridades cubanas, seu governo sinalizou que o presidente da ilha, Miguel Díaz-Canel, deveria renunciar.

Especialistas afirmam que o petróleo a bordo do navio russo garantiria apenas algumas semanas de combustível para Cuba, no máximo.

“Estamos envolvidos em uma grande operação militar no Irã e precisamos ter um plano claro para o que vai acontecer depois em Cuba”, disse Carlos Díaz-Rosillo, ex-diretor de políticas públicas e coordenação interagências da Casa Branca no primeiro mandato de Trump. Diante da guerra no Irã, “adiar essa questão por três ou quatro semanas talvez não seja necessariamente algo ruim”, afirmou.

c.2026 The New York Times Company

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endividamento atinge dois em cada três brasileiros

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endividamento atinge dois em cada três brasileiros

Dois em cada três brasileiros (67%) têm algum tipo de dívida financeira, como empréstimos, segundo pesquisa Datafolha. O levantamento divulgado neste sábado revela ainda que 21% da população está com pagamentos em atraso, evidenciando o avanço da inadimplência no país.

Entre os que recorreram a empréstimos com amigos e familiares, a situação é ainda mais crítica: 41% afirmam estar devendo. Já entre os principais tipos de dívida em atraso, o cartão de crédito parcelado lidera, citado por 29% dos entrevistados, seguido por empréstimos bancários (26%) e carnês de lojas (25%).

O uso do crédito rotativo — modalidade acionada quando se paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão — também chama atenção. Segundo a pesquisa, 27% dos brasileiros utilizam essa linha de crédito com alguma frequência, sendo 5% de forma recorrente. Considerado o crédito mais caro do mercado, o rotativo tem juros médios de 14,9% ao mês, de acordo com o Banco Central, com limite anual de 100% desde 2024.

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O estudo também aponta que 28% dos brasileiros estão com contas de consumo e serviços em atraso. Entre os principais débitos aparecem telefone, celular e internet (12%), tributos como IPTU, IPVA e carnê-leão (12%), além de contas de luz (11%) e água (9%).

A pressão financeira se reflete no cotidiano das famílias. Para enfrentar as dificuldades, 64% dos entrevistados disseram ter reduzido gastos com lazer, enquanto 60% passaram a comer menos fora de casa ou trocaram marcas por opções mais baratas. Outros 52% afirmam ter diminuído a quantidade de alimentos comprados.

LEIA MAIS: Jovens e endividados: falta de preparo aumenta dívidas entre jovens, mostra BC

Além disso, metade dos brasileiros declarou ter reduzido o consumo de água, luz e gás, enquanto 40% deixaram de pagar alguma conta e 38% interromperam o pagamento de dívidas ou reduziram a compra de medicamentos.

O Datafolha também mediu o nível de aperto financeiro da população. O resultado mostra que 27% vivem em situação considerada “apertada” e 18% em condição “severa”, totalizando 45% dos brasileiros sob forte চাপo no orçamento. Outros 36% estão em situação moderada, e apenas 19% se classificam como em condição leve ou sem restrições.

As dificuldades financeiras aparecem como principal preocupação pessoal dos brasileiros. Segundo o levantamento, 37% citam problemas ligados a dinheiro, como falta de renda, endividamento e custo de vida. A resposta mais frequente foi “questões financeiras/falta de dinheiro/renda”, apontada por 27% dos entrevistados.

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A pesquisa também revela o peso do crédito no dia a dia: 57% dos brasileiros usam cartão de crédito, sendo que 13% parcelam compras de supermercado com frequência e 4% fazem o mesmo com contas básicas, como água e luz. Além disso, 5% afirmam pagar a fatura de um cartão com o limite de outro com frequência, enquanto 10% fazem isso ocasionalmente.

A percepção de que o crédito facilita o endividamento também é alta: 68% concordam que ofertas via celular ou internet incentivam gastos por impulso, e 51% dizem ser difícil fechar as contas do mês sem usar cartão de crédito.

O levantamento mostra ainda fragilidade na organização das finanças pessoais. Apenas 44% dos brasileiros dizem fazer um orçamento detalhado, enquanto 23% não realizam qualquer tipo de controle de gastos.

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A ausência de reserva financeira é outro ponto crítico: 66% afirmam não ter nenhuma poupança. Entre os que possuem, 12% conseguiriam manter suas despesas por menos de três meses, e 10% por um período de três a seis meses em caso de perda de renda.

Metade da população (49%) diz se sentir mal ou muito mal em relação à situação financeira do país.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios brasileiros nos dias 8 e 9 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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Europa sem combustível para voar? Guerra afeta custos de aéreas e oferta de voos

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Europa sem combustível para voar? Guerra afeta custos de aéreas e oferta de voos

À medida que a guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã e o consequente bloqueio no Estreito de Ormuz reduzem o fornecimento global de petróleo, os viajantes têm motivos válidos para se preocupar com o custo e a disponibilidade de voos.

O chefe da Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que os países europeus podem ficar sem combustível de aviação em poucas semanas, forçando as companhias aéreas do continente e as transportadoras que voam para a Europa a diminuir significativamente a oferta de voos.

Muitas aéreas já aumentaram as taxas de bagagem despachada ou adicionaram sobretaxas de combustível, já que o preço global do querosene de aviação saltou de cerca de US$ 99 por barril no final de fevereiro para até US$ 209 por barril no início de abril.

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Em um sinal dos impactos contínuas do conflito sobre o turismo, a Air Canada disse na última sexta-feira que planejava suspender seu serviço para o Aeroporto Internacional John F. Kennedy de Nova York, de 1º de junho até 25 de outubro, para reduzir seus custos com combustível.

Outras companhias aéreas, desde transportadoras dos EUA como United e Delta até Air France-KLM, SAS, Philippine Airlines e Cathay Pacific na Europa e Ásia, reduziram rotas e aumentaram os preços dos bilhetes ou disseram que os elevariam se a guerra impedisse o petróleo de ser escoado pelo Estreito de Ormuz.

Analistas ouvidos pela Associated Press dizem que é muito difícil para as companhias aéreas fazerem previsões neste ambiente, o que torna provável que seus preços permaneçam elevados por algum tempo, até que as condições se normalizem.

Neste sábado, o Irã voltou a fechar a navegação pelo Estreito, em retaliação à manutenção pelos EUA do bloqueio naval a portos e embarcações iranianas.

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tarifa de R$ 700 para ônibus da Copa vira guerra política nos EUA

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tarifa de R$ 700 para ônibus da Copa vira guerra política nos EUA

A decisão de Nova Jersey de cobrar US$ 150 (cerca de R$ 750) pelo transporte de ida e volta para os jogos da Copa do Mundo terá um “efeito inibidor” sobre os torcedores, alertou a Fifa, já que a tarifa representa um aumento de 10 vezes em relação aos US$ 15 usuais para a rota.

O salto drástico no preço eleva ainda mais o custo para quem vai aos jogos da Copa do Mundo nos Estados Unidos, cujos ingressos podem chegar a milhares de dólares, especialmente no mercado de revenda. O MetLife Stadium sediará oito partidas, incluindo a final de 19 de julho.

O presidente-executivo da New Jersey Transit, Kris Kolluri, defendeu os novos preços, citando o maior volume de passageiros — devido ao fechamento do estacionamento público ao redor do estádio — e o aumento dos custos decorrentes das exigências de segurança da Copa do Mundo.

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Heimo Schirgi, diretor de operações da Copa do Mundo de 2026, disse que o aumento forçará os torcedores a buscar alternativas.

“O atual modelo de preços da NJ Transit terá um efeito inibidor. Tarifas elevadas inevitavelmente empurram os torcedores para opções alternativas de transporte”, afirmou Schirgi em comunicado.

“Isso aumenta as preocupações com congestionamentos, chegadas tardias e cria efeitos em cascata mais amplos que, em última análise, reduzem o benefício econômico e o legado duradouro que toda a região pode obter com a realização da Copa do Mundo.”

“Além disso, estabelecer arbitrariamente preços elevados e exigir que a Fifa absorva esses custos não tem precedentes. Nenhum outro evento global, show ou grande promotor esportivo enfrentou tal exigência.”

Governadora diz que “Fifa deve pagar”

A governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, disse anteriormente que a NJ Transit havia sido “deixada com uma conta de US$ 48 milhões” para garantir a segurança dos torcedores, enquanto a Fifa estaria arrecadando US$ 11 bilhões.

“Não vou deixar que os passageiros de Nova Jersey paguem essa conta pelos próximos anos. A Fifa deve pagar pelas viagens”, afirmou Sherrill.

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A Fifa contestou a declaração da governadora, dizendo que os US$ 11 bilhões se referem à receita, não ao lucro.

“A Fifa sempre foi uma organização sem fins lucrativos, de acordo com nossos estatutos. As receitas da Copa do Mundo são reinvestidas no desenvolvimento do futebol, especialmente para jovens e mulheres, em todo o mundo”, acrescentou Schirgi.

“Por fim, aplaudimos nossos parceiros das cidades-sede em todo o país, que abraçaram a oportunidade de mostrar suas regiões aos visitantes, oferecendo tarifas de baixo custo — e muitas vezes inalteradas — para o transporte coletivo.”

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