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“Não é gringo louco comprando”. Kapitalo vê fundamento no fluxo

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“Não é gringo louco comprando”. Kapitalo vê fundamento no fluxo

O fluxo para a Bolsa brasileira tem fundamento: a expectativa de que podemos estar no início de um ciclo de alta das commodities, na visão dos gestores de renda variável da Kapitalo.

Para Hegler Horta e Bruno Mauad, as mudanças geopolíticas que começaram na pandemia e se acentuaram recentemente estão aumentando a demanda por commodities – o que atrai investimentos para o País apesar de toda a incerteza local.

“Não é o gringo louco que apertou um botão e comprou um monte de índice do nada,” Mauad disse ao Brazil Journal.

Com essa tese, as principais posições do fundo desde 2022 são exportadoras de commodities (como a Vale e a Suzano), empresas ligadas à cadeia de petróleo (como Brava e Vibra), e a Embraer.

Em 2024, boa parte do retorno veio da BRF, quando a ação mais que dobrou como resultado do turnaround antes da fusão com a Marfrig – alinhando um micro positivo ao ambiente externo macro favorável.

04 11 Hegler Horta okHorta e Mauad são responsáveis pelo portfólio de renda variável dos fundos multimercado da Kapitalo e também pelo fundo de ações Tarkus – que está entre os long only mais rentáveis do País em 12, 24, 36 e 60 meses, segundo um levantamento da Outliers Advisory.

O fundo sentiu o baque em março, quando perdeu 6% – o dobro da média dos long only – em meio às dúvidas sobre o crescimento global.

A reação dos gestores foi reduzir a exposição bruta mas manter a carteira, apostando na maior demanda por commodities. O ajuste também foi uma resposta ao aumento da incerteza eleitoral.

O fundo tem ainda posições vendidas: desde a última eleição de Lula, os shorts se concentram em ações de varejistas e outras empresas dependentes da economia brasileira.

“Nunca compramos a ideia de que haveria uma queda consistente de juros. O mercado tentou antecipar esse movimento em vários momentos, mas sempre acabou esbarrando na realidade fiscal,” disse Horta.

Abaixo, os principais trechos da conversa.

Vocês reduziram a exposição em março, com a mudança brusca de cenário em meio à guerra. Como estão investindo agora?

Hegler Horta: O cenário que vínhamos trabalhando desde o fim do ano passado era de um crescimento global ainda relativamente robusto.

Havia alguns sinais de desaceleração, mas ao mesmo tempo os bancos centrais indicavam espaço para cortes de juros — um ambiente, portanto, mais pró-risco.
Se a atividade seguisse forte, ótimo para os emergentes; se desacelerasse, haveria espaço para estímulo via juros.

Em relação ao Brasil, éramos mais cautelosos. Não víamos tanto espaço para queda de juros, principalmente por conta da política fiscal ainda frouxa e do contexto eleitoral.

04 11 Bruno Mauad ok

Diante disso, montamos um portfólio mais voltado para a demanda global, com mineradoras, produtoras de papel e celulose e Embraer, entre outras companhias.
Ao mesmo tempo, reduzimos exposição a nomes domésticos, principalmente os mais alavancados, e montamos alguns shorts.

Essa estratégia vem sendo construída gradualmente desde 2022.

Desde o início do novo governo, nunca compramos a ideia de que haveria uma queda consistente de juros. O mercado tentou antecipar esse movimento em vários momentos, mas sempre acabou esbarrando na realidade fiscal.

A carteira ainda mantém essas características, mas o choque do petróleo em março colocou em xeque parte das premissas do cenário externo — já que pode afetar renda do consumidor e inflação ao mesmo tempo, dificultando a atuação dos bancos centrais.

Por isso, reduzimos tanto posições ligadas à demanda externa quanto os shorts em nomes domésticos. Diminuímos a exposição bruta, mas a líquida continua em torno de 100%.

No meio de um choque relevante, as correlações entre ativos mudam e a volatilidade aumenta. Mesmo mantendo a convicção na nossa tese, reduzimos a exposição até que o cenário fique mais claro.

Apesar desse choque externo, o Brasil continua recebendo investimentos externos.

Bruno Mauad: Nossa visão é que o fluxo estrangeiro para o Brasil tem fundamento. Não é o gringo louco que apertou um botão e comprou um monte de índice do nada.

O mundo passa por um processo de desglobalização desde a covid, quando países e empresas perceberam que precisavam ter produção local de alguns ativos estratégicos e estoques.

A guerra no Irã acentuou essa discussão geopolítica. Um cara fecha um estreito e você fica sem fertilizantes.

A demanda por commodities já aumentou, e o Brasil se beneficia por ter minério de ferro, petróleo, cobre.

Horta: O mundo vai precisar trabalhar com mais estoques, e isso será potencialmente benéfico para o Brasil.

Em relação ao petróleo, antes da guerra estávamos levemente underweight, como a maioria dos gestores, porque havia uma pressão de oferta.

Aumentamos um pouco a posição agora e estamos mais neutros.

No curto e médio prazo, o mercado deve continuar apertado, com os países recompondo as reservas estratégicas – e quem não tinha reserva viu que precisa estocar.

Não acho que os preços do petróleo vão voltar para onde estavam antes da guerra.

Algumas ações ficaram caras na Bolsa – porque subiram demais, ou porque o cenário mudou?

Mauad: É difícil dar uma resposta única porque o mercado brasileiro é muito heterogêneo. As empresas ligadas à economia doméstica são binárias: podem parecer baratas ou caras dependendo do desfecho macro.

Se projetarmos a continuidade da política econômica após a eleição, com juros reais na faixa de 8% a 11%, muitas estão caras — e algumas inclusive já ficaram pelo caminho este ano.

Mas se houver uma mudança de política com queda relevante do custo de capital, esses mesmos ativos podem parecer baratos.

No caso das commodities, também há muita discussão ancorada em premissas. Pegando o exemplo da Vale: algumas projeções assumem minério de ferro voltando para US$ 60–70. Se o preço se sustenta mais próximo de US$ 100, o papel está barato.

Nossa visão é que as exportadoras ainda oferecem valor, em parte porque temos uma leitura diferente sobre esse ciclo.

Como vocês se posicionam para o caso de o “desfecho” eleitoral indicar um corte sustentável de juros e beneficiar a Bolsa?

Horta: Ainda é cedo para fazer grandes apostas. Vou estressar um pouco o argumento: Lula versus Bolsonaro de novo, ninguém convence mais ninguém de nada.

Dependendo de como for a disputa, a eleição será decidida por uma pequena parcela dos eleitores, que vai escolher o candidato um mês antes. Vai pesar o que acontecer naquele mês, e não temos a menor ideia do que será. Já foi facada, já foi Trump.

O pessoal do marketing sempre vai testar diferentes temas para tentar identificar qual pode gerar aderência na população. Podemos ter qualquer teoria, mas, se surgir um fato novo poucos dias antes da votação, isso pode definir o resultado.

Por isso, preferimos estar mais cautelosos. Essa redução de risco que fizemos no portfólio em março também teve a ver com isso.

No começo do ano, víamos 52%-48% com algum viés para o Lula, por ser o incumbente. A surpresa dos últimos meses é que o Lula está parecendo um candidato mais fraco.

Hoje vemos algo mais próximo de 50-50, talvez até com uma leve vantagem para a oposição — mais pela fraqueza do incumbente do que pela força do adversário.

O mercado vai ser obrigado a tomar mais risco conforme a eleição se aproxima. A gente, por enquanto, prefere manter uma postura mais cautelosa e ir ajustando gradualmente.

Mauad: A expectativa de corte da Selic que havia para este ano, e não era grande, já diminuiu por conta do choque externo.

A raiz do problema é o que o governo não quer atacar, que é o crescimento do gasto público. Sem um controle de despesas, fica difícil prever uma redução sustentável dos juros.

E, se os juros continuarem altos, algumas empresas não vão sobreviver por muito tempo.

Muita gente quer investir no Brasil pelas razões que a gente discutiu. O que falta é o custo do dinheiro cair.




Giuliana Napolitano




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Bilhete de trem em NY até estádio pode aumentar de R$ 64 para R$ 500 durante a Copa

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Bilhete de trem em NY até estádio pode aumentar de R$ 64 para R$ 500 durante a Copa

O bilhete de trem de ida e volta entre a Penn Station, em Nova York, e o MetLife Stadium, localizado em East Rutherford, em Nova Jersey, pode custar até R$ 500 (100 dólares) durante a Copa do Mundo 2026, avalia a companhia de transporte New Jersey Transit. A informação foi divulgada pelo site americano The Athletic. O estádio será palco da estreia do Brasil no Mundial contra o Marrocos, dia 13 de junho, às 19h (horário de Brasília).

“Os preços das passagens para viagens nos dias de jogos ainda não foram definidos e qualquer menção a custos seria mera especulação”, explicou em comunicado John Chartier, porta-voz da NJ Transit. Segundo o site americano, um representante do Comitê Organizador de Nova York e Nova Jersey manteve a mesma posição.

“Entretanto, como o governador deixou claro, o custo dos oito jogos não será arcado pelos nossos passageiros regulares. Podemos confirmar que o custo total para a agência é de aproximadamente US$ 48 milhões (R$ 240,4 milhões) para os oito jogos”, completou Chartier.

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O novo valor representaria um aumento de quase sete vezes em relação ao preço praticado atualmente, que é de R$ 64,59 (12,90 dólares). Apesar das especulações, as tarifas do transporte sobre trilhos para o período da Copa devem ser definidas nos próximos dias, ainda de acordo com The Athletic.

Outras agências americanas também consideram aumentar o preço dos passagens antes do Mundial. Ainda segundo o site americano, a Autoridade de Transporte da Baía de Massachusetts, responsável pelo transporte público na região de Boston, planeja cobrar R$ 400 (80 dólares) por bilhetes de ida e volta entre a South Station, em Boston, e o Gillette Stadium, em Foxborough, Massachusetts, nos dias de jogos.

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Varejo Digital 2026: Tendências que Estão Redefinindo o Comércio Global

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Varejo Digital 2026: Tendências que Estão Redefinindo o Comércio Global

O varejo digital 2026 está evoluindo rapidamente com base em dados, automação e inteligência artificial. Além disso, grandes players globais já ajustam suas estratégias. Portanto, entender essas mudanças se tornou essencial para competitividade.

De acordo com análises do setor publicadas por National Retail Federation, o comportamento do consumidor muda mais rápido do que os modelos tradicionais conseguem acompanhar. Assim, empresas precisam agir com mais agilidade.

Além disso, relatórios de mercado como os da Insider Intelligence indicam crescimento acelerado do varejo orientado por dados. Dessa forma, decisões deixam de ser intuitivas e passam a ser automatizadas.


Por que o varejo digital 2026 está mudando tão rápido

O comportamento do consumidor evolui constantemente. Além disso, novas tecnologias reduzem barreiras de compra. Portanto, o varejo digital se transforma em tempo real.

Por outro lado, empresas que não acompanham essa evolução perdem relevância rapidamente. Assim, a competitividade aumenta em escala global.

Fontes como Retail Dive e Business Insider destacam que a velocidade da transformação digital nunca foi tão alta.


Principais tendências do varejo digital 2026

Inteligência artificial aplicada ao varejo

A IA personaliza ofertas em tempo real. Além disso, reduz custos operacionais. Dessa forma, aumenta margens de lucro.

Omnichannel totalmente integrado

O cliente transita entre loja física e digital sem perceber diferença. Portanto, a experiência se torna contínua.

Automação de decisões de compra

Sistemas inteligentes antecipam demandas. Além disso, evitam rupturas de estoque.


Impacto do varejo digital 2026 no comportamento do consumidor

O consumidor exige rapidez. Além disso, espera personalização extrema. Portanto, empresas precisam adaptar toda a jornada.

Segundo análises da Forbes, a experiência do cliente se tornou o principal diferencial competitivo.


Como se preparar para o varejo digital 2026

Primeiramente, invista em tecnologia de dados. Além disso, integre canais de venda. Dessa forma, a operação se torna mais eficiente.

Por outro lado, treinar equipes também é essencial. Assim, a execução acompanha a estratégia.


Conclusão estratégica

O varejo digital 2026 não é apenas tendência. Ele representa uma mudança estrutural no mercado global.

Portanto, empresas que adotarem inovação, dados e automação terão vantagem competitiva clara. Além disso, crescerão de forma sustentável.


FAQ

1. O que é o varejo digital 2026?

É a evolução do comércio online baseada em IA, dados e automação.

2. Quais são as tendências do varejo digital 2026?

IA, omnichannel e automação de decisões de compra.

3. Como se preparar para o varejo digital 2026?

Investindo em tecnologia, dados e integração de canais.

4. O varejo digital 2026 vai substituir lojas físicas?

Não. Ele integra canais físicos e digitais em um modelo híbrido.

5. Por que o varejo digital está mudando tão rápido?

Por causa da tecnologia e da mudança no comportamento do consumidor.

Por: José Marques

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A lei que aumentou o ‘disclosure’ (e o stress) das empresas estrangeiras nos EUA

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A lei que aumentou o ‘disclosure’ (e o stress) das empresas estrangeiras nos EUA

Uma mudança regulatória nos EUA passou a obrigar empresas estrangeiras — incluindo brasileiras — a abrir novas informações ao mercado.

Desde 18 de março, companhias estrangeiras listadas nos EUA, ou com ações negociadas lá, precisam reportar à SEC as participações acionárias e negociações com ações de diretores e conselheiros em até dois dias úteis.

Até então, as empresas brasileiras listadas no mercado americano – como Nu Holdings, a controladora do Nubank, Stone&Co e XP Inc. – não tinham que abrir esses dados. 

As que têm ADRs – Ambev, Bradesco, Gerdau, Itaú, Embraer e Vale, entre outras – seguiam apenas a Resolução 44 da CVM, que prevê o disclosure de acionistas com mais de 5% de participação no capital.

A regra brasileira também obriga diretores e conselheiros a informar às empresas em que atuam sobre suas negociações com ações em até cinco dias. As companhias têm até dez dias a partir do mês seguinte à negociação dos papéis para enviar os dados à CVM – que depois disso abre a informação para o mercado. 

Mas essa divulgação pública é feita em bloco – ou seja, por grupo de diretores e conselheiros, e não individualmente.

A nova lei americana está gerando um desconforto entre executivos e empresários brasileiros que, por diferentes razões, não querem dar disclosure para este tipo de informação.

“Existe, é claro, uma preocupação com segurança, mas muitas companhias não querem divulgar quanto cada diretor tem para não gerar comparações internas e com concorrentes,” disse um advogado especializado em mercado de capitais. “E os executivos querem manter sua privacidade.”

Segundo este advogado, algumas empresas chegaram a contratar assessores jurídicos americanos para entrar com representações junto à SEC pedindo para o Brasil ser excluído da lista de países que precisam prestar essas informações.

A SEC publicou uma lista de exceções pouco antes de a regra entrar em vigor, quando entendeu que determinados reguladores locais já exigiam um nível de disclosure compatível com o americano. 

Foram dispensados de enviar informações adicionais  Canadá, Chile, Coreia, Suíça e a maioria dos países europeus. Mas, para o Brasil, a obrigação permaneceu. 

Acessando o Edgar, o sistema eletrônico da SEC, é possível ver que Milton Maluhy, o CEO do Itaú, detém 2,7 milhões de ações preferenciais do banco, que somam cerca de R$ 125 milhões.

Na Gerdau, o CEO Gustavo Werneck tem 188 mil ações preferenciais e 418 mil RSUs, ações que fazem parte de pacotes de remuneração e estão sujeitas a um período de vesting – neste caso, escalonado até fevereiro de 2029. Somando tudo, o valor é de quase R$ 13 milhões.  

David Vélez, o fundador do Nubank, tem 902 milhões de ações classe B e 6,9 milhões de ações classe A (parte delas, unvested). Um total de US$ 12 bilhões.

Cristina Junqueira tem 119 milhões de ações classe B e 12 milhões de classe A (parte delas, unvested), o que soma US$ 1,7 bilhão. O sistema mostra ainda que, em 23 de março, ela vendeu 300 mil ações classe A ao preço de US$ 14,81 – o equivalente a US$ 4,4 milhões.

Guilherme Lago, o CFO do Nubank, tem 7 milhões de ações Classe A – desse total, cerca de 30% já vested, e o restante, unvested.

Mas a regra também tem algumas brechas e, por isso, uma das grandes curiosidades da Faria Lima – a fatia de cada executivo na XP Control, o veículo que controla a XP – continua um segredo.

Na SEC, Guilherme Benchimol aparece como dono de 101,8 milhões de ações Classe B via XP Control – o equivalente a cerca de US$ 2 bilhões. 

Mas esse total inclui as ações de outros executivos da XP que também integram a XP Control: José Berenguer, Thiago Maffra, Fabricio Almeida e Guilherme Sant’Anna.

Segundo uma pessoa a par dos reports da XP, as novas regras permitem que as participações sejam consolidadas e apareça apenas o nome de Benchimol nos formulários da SEC, porque ele é o controlador. 

Os dados públicos sobre as participações diretas desses executivos mostram que Maffra tem 689 mil ações Classe A (cerca de US$ 14 milhões) – que são os papéis que ele já tinha antes de fazer parte da XP Control.

Berenguer tem 891 mil ações Classe A, o equivalente a US$ 19 milhões.

Pelo mesmo motivo, não é possível saber as participações dos integrantes da família Gerdau. Elas estão consolidadas numa holding que inclui também outros acionistas.

No caso do Itaú, Roberto Setubal aparece com 5,1 bilhões de ordinárias do banco (o equivalente a quase R$ 240 bilhões) – mas elas são parte de uma corporation que também inclui outros acionistas. 

De forma direta, Setubal tem 18,4 milhões de ações ON do banco, e 1,1 milhões de PNs. 

Pedro Moreira Salles tem 2,9 bilhões de ordinárias (R$ 135 bilhões), também como parte de uma corporation que inclui outros acionistas. De forma direta, tem 13,4 milhões de ações ON e 12,1 milhões de preferenciais.

Nos formulários do Bradesco, só estão públicas as informações de alguns executivos, como as do vice-presidente executivo Bruno Boetger, que tem 365 mil ações preferenciais (o equivalente a R$ 7,5 milhões). O banco disse que enviou todos os dados para a SEC.

A lei também deixa a cargo das empresas escolher quais diretores terão seus dados enviados para os reguladores americanos.

A nova exigência da SEC consta do Holding Foreign Insiders Accountable Act, aprovado pelo Senado e sancionado pelo Presidente Trump em dezembro.

Brad Brasser, sócio do escritório Jones Day em Minneapolis, disse que historicamente os emissores estrangeiros “se valeram de adequações regulatórias, de reporte e de governança por parte de reguladores e das bolsas de valores nos Estados Unidos desenhadas para atrair empresas estrangeiras para os mercados americanos e para dar aos investidores americanos a oportunidade de negociar valores mobiliários dessas empresas.” 

“Foi necessária uma intervenção do Congresso para tentar equilibrar esse cenário no que diz respeito à divulgação de informações sobre a negociação de ações por parte de administradores e dirigentes de muitas empresas não americanas,” Brasser disse ao Brazil Journal

A percepção geral é que o alvo dos EUA com a nova regulação são as empresas chinesas – e seus principais acionistas e executivos. 

“Existe uma preocupação em fechar o gap informacional em razão de escândalos corporativos e questões geopolíticas,” disse Fabio Coelho, presidente da Amec.

Numa visão otimista, a maior transparência e a força da SEC podem subir a régua da fiscalização em outros mercados – o que seria bem vindo no Brasil.

“A SEC tem um patamar diferenciado de análise e interpretação de dados, consegue entregar mais rápido e ser mais direta no enforcement, ao menos hoje,” disse o advogado Otavio Yazbek, especializado em mercado de capitais. “A percepção é de que, lá, o enforcement funciona de fato.”

O problema, na visão de alguns especialistas, é o aumento da complexidade operacional e do risco de observância. O prazo para divulgar as informações, de dois dias úteis, é visto como apertado – e qualquer deslize pode gerar penalidades. 

“O ônus regulatório aumenta, mas uma maior transparência é algo bastante positivo,” disse Coelho, da Amec.




Giuliana Napolitano




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