A Casas Bahia, uma das maiores redes de varejo do Brasil, enfrenta uma das maiores crises de sua história. Fundada em 1952 por Samuel Klein, a empresa sempre foi sinônimo de crediário popular e presença massiva no varejo brasileiro. No entanto, nos últimos anos, a companhia enfrentou uma série de desafios financeiros que culminaram em um pedido de recuperação extrajudicial.
A Crise Financeira
Em 2023, o grupo registrou um prejuízo de R$ 2,6 bilhões, muito superior ao resultado negativo de R$ 342 milhões no ano anterior. A receita bruta também encolheu, passando de R$ 36,4 bilhões para R$ 34,4 bilhões. Ao final do mesmo ano, a empresa acumulava uma dívida bruta de R$ 4 bilhões.
Medidas Adotadas
Para conter a crise, a Casas Bahia implementou um plano de reestruturação que envolveu o fechamento de 55 lojas e a demissão de aproximadamente 8.600 funcionários — cerca de 20% do quadro total. Houve também uma significativa redução nos gastos com marketing, da ordem de R$ 90 milhões.
Recuperação Extrajudicial
Em 2024, a empresa formalizou um pedido de recuperação extrajudicial envolvendo uma dívida total de R$ 4,1 bilhões. O plano inclui carência de 24 meses para pagamento de juros e 30 meses para pagamento do principal, além de uma renegociação que resultou na redução do custo médio da dívida. A estratégia visa preservar R$ 4,3 bilhões de caixa até 2027, sendo R$ 1,5 bilhão somente no primeiro ano do novo acordo.
Perspectivas Futuras
Apesar do cenário crítico, a Casas Bahia busca reestruturação e estabilidade. O sucesso do plano de recuperação dependerá da execução eficiente das medidas anunciadas, da capacidade de adaptação às novas dinâmicas do varejo e, sobretudo, da reconquista da confiança dos consumidores, fornecedores e investidores.
José Marques
Especialista em comportamento do consumidor e mercado de varejo