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Guerra do Irã deixa como resultado um mundo mais estagflacionário, avalia Verde

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Guerra do Irã deixa como resultado um mundo mais estagflacionário, avalia Verde

Estados Unidos e Irã chegaram a uma trégua temporária que anima os mercados nesta quarta-feira (8), mas não evita consequências de longo prazo que deverão ser entendidas mesmo que o conflito realmente chegue ao fim. A análise é da Verde Asset Management, que alerta para efeitos da guerra ainda não incorporados nos preços.

“Mesmo que a guerra termine amanhã, devemos conviver com preços mais altos de energia por bastante tempo”, avaliou a gestora de Luis Stuhlberger em carta mensal divulgada na última terça, pouco antes do anúncio do cessar-fogo. “Os impactos de segunda ordem dessa lógica ainda não foram precificados nos mercados: é um mundo mais estagflacionário”, atestou a casa.

Estagflação é o conceito que combina uma economia em desaceleração junto com ambiente de inflação persistente.

Segundo a Verde, um dos desafios da crise atual é a liberação de fato do tráfego no Estreito de Ormuz. Pelo que se sabe do acordoa até agora, o Irã teria concordado em liberar o estreito mediante o pagamento de um pedágio, algo que a gestora considera uma saída “bastante problemática no longo prazo”, muito embora seja capaz de aliviar incertezas no curto prazo.

Esse ponto vem gerando ruído até mesmo nas primeiras horas após a trégua. Nesta quarta, informações apuradas por agências de notícias dão conta de um tráfego ainda tímido na passagem, e que teria sido até mesmo novamente interrompido totalmente pelo Irã diante dos ataques israelenses ao Líbano, mesmo após o cessar-fogo. Ao mesmo tempo, drones iranianos teriam atingido alvos americanos no Golfo, e instalações petrolíferas na Arábia Saudita.

Como o vice-presidente americano JD Vance falou, a situação ainda é de uma trégua frágil – e o petróleo, apesar de ter chegado a recuar quase 20% na sessão, ainda segue negociado acima de US$ 90 o barril.

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Olhando o copo meio cheio, no entanto, a Verde aponta o Brasil como ponto positivo em meio à turbulência, e voltou a comprar ações locais ainda no começo de março.

“O Brasil performou excepcionalmente bem em meio à volatilidade de março, especialmente o câmbio e o mercado acionário”, disse a gestora. É consenso que o país se beneficia de um preço de petróleo mais alto – tanto fiscalmente quanto no balanço de pagamentos – em meio a um universo de mercados emergentes cheio de países importadores de energia”, finalizou.

Enquanto aumentou a fatia em ações brasileiras, a Verde zerou posição aplicada (que se beneficia da queda) em juro real, aproveitando os leilões do Tesouro, e manteve opções de compra no real. Além disso, manteve alocação em crédito e se desfez de proteções contra perdas nesse mercado. No exterior, manteve bolsa global, posição em moeda chinesa e em uma cesta de moedas contra o dólar, e comprou proteção de crédito da Arábia Saudita.

Em um mês altamente desafiador para fundos multimercados, o Verde entregou 0,05% de rentabilidade, contra 1,21% do CDI. Em 2026, o fundo registra 4,57% de retorno, contra 3,41% do benchmark da classe.

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As 6 regras para sucesso na carreira, segundo um VC visionário

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As 6 regras para sucesso na carreira, segundo um VC visionário

Num momento em que a AI ameaça as profissões e os jovens estão aflitos sobre qual carreira seguir, o megainvestidor Bill Gurley está lançando um novo livro – não sobre tecnologia ou startups, mas sobre como construir uma carreira que realmente valha a pena.

Runnin’ Down a Dream – How to Thrive in a Career You Actually Love é uma leitura saborosa, com histórias reais de pessoas de sucesso, incluindo Mr Beast, Bob Dylan, Danny Meyer e o próprio autor. (Compre aqui)

Gurley é um dos nomes mais respeitados do venture capital. Sócio histórico da Benchmark, foi investidor inicial do Uber – empresa na qual teve papel decisivo durante a crise de governança – e da Zillow, um dos marketplaces imobiliários mais bem-sucedidos.

A premissa de seu livro é simples: se passamos cerca de um terço da vida trabalhando, vale a pena escolher algo que realmente nos entusiasme.

Mas Gurley parte de um diagnóstico pouco animador. Pesquisas de William Damon, diretor do Stanford Center on Adolescence, mostram que apenas 20% dos jovens entre 12 e 20 anos têm um forte senso de propósito. A maioria ainda luta para entender o que quer fazer, por que e para onde está indo.

Gurley logo emenda que ter sucesso na carreira não é para qualquer um. Requer estratégia e muito esforço para se ter uma chance.  E para isso, ele dá 6 dicas de sucesso.

1. Encontre algo que realmente te fascine

A maioria das pessoas trabalha em uma área enquanto sua verdadeira curiosidade está em outra coisa, geralmente aquilo em que você pensa toda hora e a que ama se dedicar.

A diferença entre profissionais medianos e excepcionais raramente é apenas talento. Muitas vezes é a obsessão produtiva. Quem ama o que faz lê mais, estuda e pratica mais.

Gurley recomenda o que chama de “circular com propósito”: explorar ambientes, ideias e pessoas até encontrar aquilo que realmente desperta interesse.

Se você está com pessoas que te fazem se sentir melhor, passe mais tempo com elas. Se você está em uma empresa que te faz se sentir melhor consigo mesmo e com o trabalho, e você sente que está aprendendo, continue. Se possível, case aquilo que te fascina com oportunidades de realmente construir uma carreira com bons retornos.

 

2. Nunca pare de estudar

Se você faz o que gosta, o estudo é prazeroso. Gurley elenca três tipos de aprendizado que as pessoas precisam desenvolver ao longo da carreira. Primeiro, você deve aprender a história do setor que escolheu. Depois, precisa se comprometer a aprender continuamente ao longo de toda a carreira. Quais as principais novidades? Quem mais no seu campo tem novas ideias importantes que você deveria conhecer? Em terceiro lugar, você precisa se aprofundar em temas específicos e, se possível, únicos.

Neste sentido, a aceleração da AI traz desafios para todos nós, mas também oportunidades de aprendermos de forma mais eficiente. (Para mim hoje é difícil até escolher, dada a quantidade enorme de podcasts interessantes.)

 

3. Cultive mentores

Poucas coisas aceleram tanto uma carreira quanto aprender com quem já percorreu o mesmo caminho. Gurley distingue dois tipos de mentores.

As aspiracionais — pessoas que você admira à distância e de quem aprende lendo livros, entrevistas e palestras – e os mentores próximos, que podem oferecer orientação direta.

A tecnologia tornou o acesso a potenciais mentores mais fácil. Hoje em dia uma mensagem direta pode iniciar uma relação profissional. A regra para acessar alguém é simples: respeito e curiosidade genuínos. Não tenha medo de pedir. Um “não” custa pouco. Um “sim” pode mudar uma carreira.

Eu particularmente gosto de ler biografias e sempre imagino um conselho de mentores virtual e me pergunto, ‘o que ela/ele faria em uma situação como essa?’

 

4. Colabore com seus pares no setor

Mentores são importantes, mas seus pares podem ser igualmente decisivos. Com uma rede de amigos, você não está sozinho — está evoluindo junto. Cada um traz experiências, interesses, artigos, podcasts, soluções e até fracassos que são aprendizados valiosos.

Carreiras, lembra Gurley, não são jogos de soma zero. Não há apenas um vencedor.

 

5. Vá onde as coisas acontecem

Algumas indústrias têm centros de gravidade. Nos Estados Unidos: tecnologia no Vale do Silício, finanças em Nova York, cinema em Los Angeles.

As vantagens de estar nestes centros são mais empregos: há mais oportunidades quando a indústria toda está concentrada num lugar. Mais networking, mentores e pares: os melhores da área muitas vezes estão a apenas um café de distância. Mais eventos: encontros, painéis e workshops acontecem com muito mais frequência. Exposição às novas tendências.

No Brasil, em relação ao mercado financeiro e negócios em geral, São Paulo é imbatível.

 

6. Seja generoso, retribua

O último princípio é simples, e facilmente esquecido. Ser gentil, generoso e retribuir – seja orientando um colega mais jovem, compartilhando conhecimento com pares ou apoiando superiores. Isso gera boa vontade e apoio mútuo. O que você quer é pessoas torcendo por você.

Eu particularmente gosto de mentorar alunos de graduação. Aprendo muito e estou retribuindo o que muitos fizeram por mim.




Carolina Bartunek




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Escassez de petróleo cria uma corrida desesperada e prêmios recordes no mercado

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Escassez de petróleo cria uma corrida desesperada e prêmios recordes no mercado

(Bloomberg) — Enquanto os investidores se concentraram no frágil cessar-fogo iraniano esta semana, uma busca desesperada por cargas tem ocorrido no mercado de petróleo, com negociantes e refinadores vasculhando o globo em busca de suprimentos disponíveis imediatamente.

No Mar do Norte, onde há o mercado físico de petróleo bruto mais importante do mundo, os negociantes enviaram 40 lances por cargas esta semana, dos quais apenas quatro foram atendidos por ofertas.

Cargas para entrega nas próximas semanas mudaram de mãos a preços sem precedentes, acima de US$ 140 por barril. Em outros lugares, os refinadores têm buscado suprimentos cada vez mais longe, levando a uma série de negociações incomuns e prêmios crescentes para qualquer petróleo que esteja pronto para ser enviado agora.

Operadores disseram que os movimentos de pânico nos principais mercados físicos de petróleo do mundo demonstraram a escala da escassez de bruto que deve ser sentida nas próximas semanas, à medida que a perda de suprimentos do Oriente Médio deixa uma lacuna crescente.

Os preços astronômicos sinalizam que alguns refinadores europeus provavelmente precisarão seguir os da Ásia e reduzir a produção, disseram eles — uma medida que pode ajudar a equilibrar o mercado de petróleo bruto, mas que aprofundaria a escassez de produtos vitais como diesel e combustível de aviação.

“Simplesmente há falta de petróleo bruto”, disse Neil Crosby, chefe de pesquisa da Sparta Commodities. “O Brent físico está uma bagunça e agora subiu demais. Nesse ritmo, até os refinadores europeus terão que reduzir a utilização, talvez já no próximo mês.”

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O frenesi no comércio físico de petróleo contrasta com o mercado de futuros, onde o petróleo para entrega em junho caiu 13% esta semana para fechar em cerca de US$ 95 o barril, em meio ao otimismo sobre o cessar-fogo.

Houve alguns sinais precoces de aumento de atividade no Estreito de Ormuz no fim de semana, com dois superpetroleiros chineses e um da Grécia atravessando a via navegável, mas o tráfego ainda permanece bem abaixo dos níveis pré-guerra. Mesmo que as conversas deste fim de semana levem à retomada dos fluxos normais pelo estreito, é improvável que o alívio venha rápido o suficiente para evitar um aperto. Leva semanas para que o bruto do Golfo chegue às refinarias na Ásia e na Europa.

“As últimas cargas que transitaram pelo Estreito de Ormuz antes do conflito estão agora chegando aos seus destinos. É aqui que os mercados negociados no papel encontram a realidade física, e a lacuna de 40 dias nos fluxos globais de energia está verdadeiramente exposta”, disse Sultan al Jaber, CEO da Abu Dhabi National Oil, em uma postagem no LinkedIn na quinta-feira.

Essa lacuna pode ser vista no prêmio que os refinadores estão dispostos a pagar para garantir cargas de petróleo que estejam disponíveis no curto prazo. Operadores de algumas refinarias asiáticas, falando sob condição de anonimato, disseram que não estão mais focados no preço, e estão simplesmente buscando garantir barris de petróleo onde quer que possam para garantir a segurança energética.

Precificação

O Dated Brent — o benchmark mais importante no mercado físico de petróleo, usado para precificar milhões de barris por dia — atingiu o recorde de US$ 144 o barril antes do cessar-fogo esta semana, superando suas máximas de 2008, mesmo com os futuros permanecendo muito abaixo de seus níveis recordes.

Na sexta-feira, ele havia caído para US$ 126 o barril, ainda mais de US$ 30 acima dos futuros de Brent para entrega em junho, enquanto negociantes, incluindo os grupos Trafigura e Gunvor, estavam oferecendo mais de US$ 22 o barril acima do Dated Brent por cargas de petróleo no Mar do Norte para entrega no final de abril e início de maio.

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Suprimentos da Nigéria para carregamento no próximo mês foram oferecidos a até US$ 25 por barril acima do benchmark, em comparação com menos de US$ 3 antes do início da guerra com o Irã.

Os países asiáticos, os mais dependentes do Estreito de Ormuz para suprimentos de petróleo bruto, foram além de suas fontes tradicionais para vasculhar o globo em busca de barris.

Refinadores japoneses lideraram uma corrida para comprar petróleo dos EUA, que está exportando em níveis recordes. Uma onda de compras por refinadores chineses elevou os carregamentos de petróleo de Vancouver, no Canadá, a um nível recorde este mês. E refinadores indianos têm aumentado as compras de petróleo da Venezuela. Na primeira semana de abril, os navios carregaram quase 6 milhões de barris para o país do sul da Ásia, o dobro dos volumes vistos no mesmo período de março.

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O foco está nos barris disponíveis o mais rápido possível — e os refinadores estão dispostos a pagar pela prontidão. Refinadores japoneses reservaram navios menores do que o normal para suas compras de petróleo dos EUA, para que possam atravessar o Canal do Panamá e chegar ao Japão mais rapidamente.

No sábado, o presidente Donald Trump postou nas redes sociais sobre o “número massivo” de navios-petroleiros indo para os EUA para carregar seu petróleo. O Midland WTI em Houston, conhecido como MEH, subiu para um prêmio de quase US$ 4 o barril em relação ao benchmark dos EUA, cerca de quatro vezes o seu nível antes da guerra. Operadores disseram que o prêmio refletia o valor temporal do trânsito de cerca de cinco dias para Houston.

A enorme diferença entre o petróleo físico e os futuros é, em parte, um reflexo da mesma dinâmica, com os barris comandando um prêmio enorme quanto mais cedo puderem ser entregues — uma condição de mercado conhecida como retroação (backwardation).

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O nível extremo de prêmios para o petróleo de entrega imediata está colocando uma pressão enorme no mercado, disseram operadores e analistas. Refinarias menores estão lutando com necessidades de financiamento muito maiores devido aos preços elevados, bem como o desafio de hedge em um mercado onde o petróleo físico que compram é muito mais caro do que os derivativos mais líquidos vinculados a ele.

“É um enorme pesadelo de gestão de risco de preço — no papel as margens são fantásticas, mas os fluxos de caixa reais de comprar uma carga e decidir refiná-la podem ser bem diferentes”, disse Roberto Ulivieri, consultor na Midhurst Downstream.

Como resultado, alguns refinadores estão começando a se afastar do mercado — e a consequência será uma redução em sua produção, apertando ainda mais os mercados de derivados de petróleo.

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Os preços do combustível de aviação e do diesel já dispararam para níveis recordes ou quase recordes acima de US$ 200 o barril. No mercado de gasolina dos EUA, politicamente crucial, os estoques encolheram para o menor nível em quase 16 anos, de acordo com a Administração de Informação de Energia.

E conforme os compradores de petróleo descem sobre os EUA, analistas alertam que a escassez do mercado será sentida lá em seguida.

“Os mercados físicos não estão seguindo as redes sociais. Em vez disso, eles se fortaleceram implacavelmente conforme as interrupções se espalharam da Ásia para a bacia do Atlântico”, disse Amrita Sen, cofundadora da consultoria Energy Aspects. “Se os futuros não alcançarem as realidades físicas, as exportações dos EUA podem facilmente permanecer elevadas, se a disponibilidade de navios permitir, a ponto de não sobrar petróleo bruto suficiente para as refinarias dos EUA.”

© 2026 Bloomberg L.P.

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Após atrasos, Aegea divulga resultados e reporta lucro de R$ 856 mi no ano passado

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Após atrasos, Aegea divulga resultados e reporta lucro de R$ 856 mi no ano passado

Em negociações com bancos para uma possível oferta de ações na Bolsa de Valores (B3), a Aegea, empresa de saneamento, finalmente divulgou seus resultados de 2025, neste sábado, sem entretanto apresentar balanço referente ao quarto trimetre separadamente. A companhia também fez ajustes contábeis que levaram à reformulação dos resultados de 2024.

O mercado esperava a divulgação dos números em março, mas houve adiamentos sucessivos até a liberação dos números neste final de semana e um fato relevante confirmando ajustes nos números de 2024.

De acordo com a companhia, o lucro líquido foi de R$ 856 milhões em 2025, queda de 31% em relação a 2024. A receita líquida somou R$ 18,288 bilhões no ano passado, alta de 20,6% em relação aos R$ 15,158 bilhões de 2024. O Ebitda (indicador financeiro que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) ficou em R$ 10,440 bilhões, alta de 25,2% ante os R$ 8,337 bilhões de 2024. A dívida líquida aumentou 36,7% entre os dois anos, para R$ 47,044 bilhões no ano passado.

Rebaixamento da nota de crédito

O atraso na divulgação dos números gerou desconfiança no mercado levando ao rebaixamento da nota de crédito da companhia pelas agências de classificaçao de risco S&P e Fitch Ratings. As preocupações em torno dos números da Aegea ocorrem num cenário de crédito escasso, juros altos e endividamento elevado, em que diversas empresas recorreram à recuperação judicial e extrajudicial para postergar pagamento a credores e alongar a dívida.

A concessionária, que tem entre seus acionistas o Grupo Equipav, o fundo soberano de Cingapura (GIC) e a Itaúsa, explicou que houve “processo de revisão complexo, incluindo a reformulação dos resultados de períodos anteriores”. A empresa informou que a reformulação dos números de 2024 impactou principalmente receita e provisões, sem afetar a geração de caixa e sem violar cláusulas contratuais de dívida. A Aegea revisou seus critérios de reconhecimento

contábil da receita, passando a adotar uma abordagem de maior aproximação com a geração de caixa. A Aegea informou que busca aprimorar a qualidade dos relatórios financeiros e alinhar melhor os resultados contábeis ao fluxo de caixa.

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Os número da empresa mostram que houve investimentos e pagamentos de outorgas de R$ 8,6 bilhões em 2025. Desse total, R$ 7,3 bilhões foram destinados à expansão e modernização da infraestrutura de água e esgoto, o que resultou em mais 722 mil novas ligações de clientes, impactando cerca de 2 milhões de pessoas. A Aegea tratou 730 bilhões de litros de esgoto ( o euivalente a 300 mil piscinas olímpicas) e as reduções de perdas resultaram numa economia de 29 bilhões de litros de água, suficientes para abastecer 725 mil pessoas por um ano.

Emissão de títulos azuis

No mercado de capitais, a companhia captou R$ 22,3 bilhões, que foram utilizados para gestão de passivos. O prazo médio de vencimento da dívida foi de 7,4 anos para 7,6 anos, e houve redução do custo médio de captação de CDI mais 1,8% para CDI mais 1,4%. A empresa também emitiu US$ 750 milhões em títulos azuis nos mercados internacionais. Os títulos azuis são instrumentos de dívida sustentável emitidos por empresas para financiar projetos que preservam oceanos e recursos hídricos.

No início de 2026, a Aegea captou mais R$ 3,2 bilhões de reais no primeiro trimestre por meio de emissão de debêntures e empréstimos, e recebeu uma injeção de capital de R$ 1,2 bilhão de reais em março. A empresa elevou seu registro junto ao órgão regulador do mercado de valores mobiliários para a categoria A, aumentando a flexibilidade de acesso aos mercados de capitais.

Entre as diversas concessionárias controladas pela Aegea estão a Águas do Rio, responsável pelos serviços de saneamento em 27 municípios do estado do Rio de Janeiro, incluindo parte da capital, e a Prolagos, que atua na Região dos Lagos (RJ), abrangendo Cabo Frio, Armação dos Búzios, Iguaba Grande, Arraial do Cabo e São Pedro da Aldeia. A companhia atua também no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Piauí, Ceará, Espírtito Santo, Rio Grande do Sul e recentemente levou concessões no Pará.

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