O varejo brasileiro está passando por um novo ciclo de transformações profundas. Após anos de retração, recuperação e reinvenção, 2025 marca uma fase de consolidação por meio de fusões e aquisições (M&A) que estão remodelando o setor. Nesta semana, algumas das movimentações mais impactantes envolvem grandes marcas que decidiram unir forças para competir com mais eficiência, reduzir custos e ganhar escala.
Por que tantas fusões agora?
A atual onda de fusões e aquisições é resultado de uma combinação de fatores:
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Pressão por margens mais altas;
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Concorrência acirrada, tanto do varejo físico quanto do e-commerce;
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Aceleração digital e mudanças nos hábitos de consumo;
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Busca por maior eficiência operacional;
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Dificuldades de acesso a capital e financiamento, especialmente para empresas médias.
“Empresas estão se dando conta de que crescer sozinhas em um cenário tão competitivo não é mais viável”, afirma Fernanda Lacerda, analista de varejo da PwC Brasil.
Fusões em destaque esta semana
Arezzo&Co + Grupo Soma → Azzas 2154
Essa é, sem dúvida, a fusão mais simbólica do varejo de moda recente. A união entre Arezzo&Co (dona de marcas como Schutz, Anacapri e Fiever) e o Grupo Soma (responsável por Farm, Animale e NV) deu origem à Azzas 2154, um verdadeiro império fashion.
Objetivos da fusão:
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Criar sinergias de produção, marketing e logística;
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Expandir canais digitais integrados;
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Ganhar força em internacionalização;
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Tornar-se líder absoluta no segmento de moda premium e aspiracional no Brasil.
“Essa fusão tem potencial para mudar o jogo da moda brasileira, pois junta criatividade com escala”, destaca Marcelo Trindade, professor da FGV.
Mobly + Tok&Stok → Grupo Toky
Outro movimento que chamou atenção foi a união entre Mobly, referência em e-commerce de móveis, e a tradicional Tok&Stok, que vinha enfrentando dificuldades de reposicionamento no mercado físico.
O novo Grupo Toky nasce com o objetivo de dominar o setor de mobiliário e decoração no Brasil, apostando em:
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Plataformas digitais robustas;
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Estoques compartilhados;
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Entrega rápida com logística integrada;
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Experiência omnichannel (com lojas físicas atuando como hubs de entrega e showroom).
A expectativa é que o novo grupo triplique seu faturamento em até três anos e explore novos modelos de assinatura e personalização.
O que esperar do futuro?
Especialistas indicam que essa tendência deve continuar ao longo de 2025 e 2026, principalmente nos seguintes segmentos:
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Alimentação e supermercados: com redes regionais buscando fusões para enfrentar gigantes como Carrefour e Assaí.
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Farmácias: redes médias em busca de escala para competir com RaiaDrogasil e Pague Menos.
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Pet e beleza: dois mercados em expansão, onde a consolidação pode acelerar inovação e fidelização.
Além disso, startups e marcas DNVBs (digitally native vertical brands) também estão sendo alvo de aquisição por grandes varejistas que querem modernizar sua presença digital rapidamente.
Conclusão
As fusões e aquisições no varejo brasileiro são reflexo de um setor em transformação, que busca eficiência, tecnologia e escala para sobreviver e crescer em um mercado cada vez mais exigente. Para os consumidores, isso pode significar:
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Preços mais competitivos;
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Melhores experiências de compra;
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Maior diversidade de produtos sob o mesmo ecossistema.
Para investidores e profissionais do setor, trata-se de uma janela de oportunidade – e também de riscos – em um cenário em que só os mais bem preparados prosperarão.
Por José Marques
Especialista em negócios e transformação no varejo