Nos últimos anos, o ato de presentear crianças tem ganhado um novo significado. Em vez de brinquedos e embalagens coloridas, muitos pais têm escolhido oferecer experiências: corridas, festivais, viagens, dias de spa. No lugar do “ter”, o “viver”.
A tendência, que ganha força especialmente entre famílias das gerações Millennial e Z, aparece em diferentes formatos e setores do entretenimento. Corridas temáticas, festivais culturais e até espaços de bem-estar voltados aos pequenos mostram que as crianças querem mais do que um presente: querem sentir, explorar e compartilhar.
Corridas e festivais: presentes em movimento
No dia 12 de outubro, enquanto o País celebra o Dia das Crianças, São Paulo será palco de duas grandes experiências voltadas para toda a família: a Corrida Divertida Turma da Mônica e a Corrida Cartoon Network, ambas acompanhadas de arenas cheias de atrações e shows.
“A gente percebe um movimento claro de valorização do ‘viver junto’”, explica Luiz Restiffe, sócio da Agência InHaus, responsável pela organização da Corrida e do Festival Turma da Mônica. “As famílias têm buscado momentos de conexão, pertencimento e memória, mais do que o consumo de produtos. O entretenimento se tornou um espaço onde pais e filhos compartilham algo em comum.”
O festival, que acontece desde o dia 4 de outubro no Parque Villa-Lobos, encerra sua programação no domingo do feriado com a corrida, que reúne pessoas de todas as idades. “A Turma da Mônica é parte do imaginário brasileiro há mais de 60 anos. Ver pais e filhos correndo lado a lado, celebrando saúde e diversão, é uma das imagens mais potentes desse projeto”, completa Restiffe.
Memória afetiva
Para o sócio Juliano Libman, a força da experiência está em conectar gerações: “A criança é o centro, mas os pais se veem ali também, na memória afetiva dos personagens, na música brasileira, nas brincadeiras de infância reinterpretadas em um formato contemporâneo. É essa ponte que torna tudo mais poderoso.”
O mesmo espírito move a Corrida Cartoon Network, que chega à sua 14ª edição no Campo de Marte, também no dia 12. A prova tem versões para duplas, trios e quartetos familiares, com percursos adaptados.
“Nosso diferencial é justamente ser uma corrida para toda a família”, explica Thadeus Kassabian, diretor-geral da Yescom, organizadora do evento. “Nada mais apaixonante do que poder compartilhar momentos assim com as pessoas que te amam. É um evento que mistura ludicidade, movimento e convivência. Isso tem feito cada vez mais famílias procurarem essas experiências.”
O crescimento das experiências sensoriais
Se o entretenimento se move, o bem-estar também acompanha a tendência. Cada vez mais spas e clínicas lançam iniciativas voltadas ao público infantil, com propostas que unem relaxamento, brincadeiras e aprendizado sobre saúde e autoestima.
De mini massagens e esmaltação a oficinas de mindfulness e autocuidado, as experiências transformam o ritual em um momento de convivência familiar. A Boutique Artería, um buffet-spa pensado exclusivamente para crianças, oferece penteados, massagens e piqueniques sensoriais. Com fila de espera, os feedcbacks das mães destacam o momento único de conexão e a experiência inesquecível proporcionada aos filhos.
A experiência como elo
Segundo a InHaus, o mercado de eventos deve movimentar R$ 141 bilhões em 2025, um crescimento de 8,4% em relação ao ano anterior, com destaque para experiências familiares. “É um território onde a emoção se transforma em valor de marca”, afirma Libman. “As marcas entendem que, quando proporcionam experiências reais, o engajamento vem de forma natural.”
A Yescom também reforça esse papel. “Temos cada vez mais pedidos de novas etapas pelo Brasil, além do Rio de Janeiro e São Paulo. O interesse é tão grande que mesmo depois de encerradas as inscrições, as famílias continuam nos procurando. Isso mostra que o segmento ainda tem muito a crescer”, complementa Kassabian.
Um presente que fica
Seja na corrida, no palco, na arena ou no spa, o presente das crianças de 2025 tem outro ritmo. É o da descoberta, da convivência e da experiência compartilhada.
Como resume Luiz Restiffe: “O futuro das experiências infantis é multiformato e multissensorial. As crianças de hoje são nativas digitais, mas querem sentir o mundo de verdade. E é isso que estamos oferecendo: memórias que não cabem em uma caixa, mas ficam para sempre”.
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