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Da transação à conexão: por que as comunidades viraram estratégia central para o varejo

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Da transação à conexão: por que as comunidades viraram estratégia central para o varejo


Na NRF Big Show 2026, o tema Comunidades foi tratado como um novo ativo estratégico das marcas. A mensagem central foi clara: comunidade fortalece confiança e confiança virou moeda no varejo. 

Em diferentes palestras e painéis, ficou evidente que o crescimento das comunidades está diretamente ligado a um cenário de fadiga digital, excesso de informação e perda de confiança nas comunicações tradicionais. As pessoas buscam pertencimento, identificação e troca real. Nesse contexto, o valor deixa de estar apenas no produto e passa a estar na capacidade da marca de criar espaços — físicos ou digitais — onde interesses comuns possam se conectar.

Um ponto muito relevante é que quando a marca entende esse papel, ela deixa de “forçar discurso” e passa a operar como plataforma de conexão. A comunicação se transforma. Em vez de campanhas centradas exclusivamente na oferta, surgem conteúdos, experiências e ativações que fazem sentido para um grupo específico de pessoas que compartilham valores, estilo de vida, necessidades ou causas.

As marcas também não precisam criam comunidades do zero. Na maioria dos casos, elas já existem. O que muda é a decisão da empresa de assumir — ou não — o papel de facilitadora desses encontros.

Em um ambiente de consumo cada vez mais automatizado, mediado por algoritmos e inteligência artificial, Comunidades funcionam como redes de validação social, recomendação e troca de experiências. Para as marcas, isso significa menos controle da narrativa — e mais disposição para ouvir, mediar e aprender com seus próprios clientes.

A NRF 2026 também reforçou que as lojas físicas assumem um papel decisivo na estratégia de comunidades. O ponto de venda deixa de ser apenas um local de transação e passa a ser um espaço de encontro, de experimentação e de relacionamento. 

A Lululemon, marca global de roupas esportivas e Lifestyle, é um dos cases mais interessantes de uso do conceito de Comunidade como estratégia de marca e crescimento. Ela vai muito além de campanhas tradicionais para criar vínculos, experiência e relevância contínua. Alguns exemplos do que ela faz:

– a marca constrói uma rede de líderes locais como instrutoras de yoga, treinadores e entusiastas que se tornam embaixadores autênticos da marca. Eles lideram aulas e encontros em lojas e encontros ao ar livre, criam conteúdo que conecta a marca às suas comunidades e funcionam como ponte entre a Lululemon e os grupos locais de bem estar e movimento; 

– eles fazem eventos não apenas para vender roupas, mas para reunir, ensinar e inspirar pessoas;

– eles incentivam os consumidores a compartilhar suas jornadas fitness e de bem estar nas redes sociais com a #TheSweatLife, criando um ciclo de conteúdo autêntico e proporcionando identificação e conexão em torno de valores comuns;

– as lojas são verdadeiros hubs sociais onde pessoas se encontram, fazem atividades, tocam experiências e se conectam. E a marca participa de diversas formas, isso fica muito claro nas lojas que visitamos. Os embaixadores, os clientes e o bairro em que a loja se encontra, “aparecem” em diversas partes da loja.

Para o varejo, tudo isso traz uma mudança importante de mentalidade. Comunidades deixam de ser apenas audiência para campanhas e passam a ser base estratégica para construção de relevância, recorrência e diferenciação. A lógica não é apenas impactar mais pessoas, mas impactar melhor as pessoas certas, fortalecendo vínculos que se estendem no tempo.

Na prática, o que a NRF 2026 mostrou é que comunidades não são um “projeto paralelo” de branding. Elas passam a integrar a própria estratégia de crescimento das marcas. 

E, para o varejo, o desafio agora é claro: entender quem já são as suas comunidades, onde elas se encontram — na loja, no conteúdo, no digital ou no território — e como a marca pode, de fato, viabilizar esses encontros de forma consistente e relevante.

E isso tudo, de forma muito genuína, entendendo onde e como a marca realmente vai estar mais próxima e, ainda mais, entrar no mundo do cliente.

O varejo que não entender essa importância tende a perder não apenas clientes, mas relevância, margem e poder de diferenciação. 

Mais do que perguntar como vender mais, o varejo precisa aprender a perguntar para quem, com quem e em torno de quais interesses e valores ele quer crescer.

Porque, no novo varejo, não vence quem fala mais alto.

Vence quem consegue, de verdade, pertencer.

Imagens: Fernanda Bortoluzzi


*Fernanda Bortoluzzi tem mais de 25 anos de experiência em Marketing de Varejo, em empresas como Walmart, Carrefour, Cassol Centerlar e Roldão Atacadista. Hoje é Head da FB Conecta Marketing de Varejo, Diretora de Planejamento da ABIESV e membro do Comitê do Instituto Mulheres do Varejo.
Também é Palestrante e faz treinamentos e mentorias.

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Volta às aulas e Carnaval impulsionam e-commerce no começo do ano

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Volta às aulas e Carnaval impulsionam e-commerce no começo do ano

Ainda nos primeiros meses, o e-commerce brasileiro entra em 2026 com crescimento nas vendas. Projeções do E-Consumidor 2026, realizado pela Nuvemshop em parceria com a Opinion Box, indicam que o setor deve crescer cerca de 10% em relação a 2025, alcançando um faturamento estimado em R$ 258,4 bilhões. O número de consumidores também avança, e a expectativa é que 96,87 milhões de brasileiros façam compras online ao longo do ano, um aumento de 2,5% na comparação anual.

E assim, antes mesmo de datas consagradas no calendário varejista anual, como Black Friday, dois períodos tradicionalmente associados ao varejo físico vêm ganhando peso no digital: a volta às aulas e o Carnaval. Juntos, eles não apenas aquecem as vendas nos primeiros meses de 2026, mas também colocam à prova a capacidade operacional das marcas que atuam em múltiplos canais. O resultado é um aumento abrupto no volume de pedidos em janelas curtas, exigindo precisão nas operações.

A tradicional corrida pelo material escolar, por exemplo, já não acontece apenas nos corredores das papelarias físicas. Dados de uma pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, mostram que 39% dos consumidores pretendem dividir as compras entre lojas físicas e online, enquanto 16% afirmam que devem adquirir a maior parte dos itens exclusivamente pela Internet. Preço, variedade e a possibilidade de comparar ofertas em poucos cliques estão entre os fatores que explicam essa migração.

Se a volta às aulas aquece o primeiro trimestre, o Carnaval consolida-se como uma data estratégica para o e-commerce, especialmente para pequenos e médios lojistas. Levantamento da Nuvemshop aponta que PMEs faturaram R$ 2,7 milhões entre 1º de janeiro e 25 de fevereiro de 2025 com produtos relacionados à festa. Fantasias, adereços, moda casual, bebidas e itens de consumo rápido ganham protagonismo em um período cada vez mais relevante para o varejo digital.

Como se preparar no e-commerce

Diante dessas datas, quem atua no e-commerce precisa se preparar assim como quem está no varejo físico. Com picos de pedidos concentrados, operações pouco estruturadas enfrentam atrasos, erros de estoque, falhas de integração entre marketplaces e, não raro, prejuízos difíceis de reverter.

“Datas como a volta às aulas e o Carnaval escancaram quem está preparado para escalar e quem ainda depende de controles manuais”, avalia Claudio Dias, CEO da Magis5. “Quando tudo acontece ao mesmo tempo, só processos bem definidos, com automação inteligente e gestão integrada, conseguem sustentar o crescimento sem comprometer margem e reputação”.

Nesse sentido, é preciso começar a pensar em toda a estruturação do e-commerce para sustentar o maior fluxo de vendas sazonal. Reposição de estoque, preparação da logística, sistema de finanças e atendimento ao cliente precisam estar prontos para o boom de clientes.

Imagem: Envato

Ainda nos primeiros meses, o e-commerce brasileiro entra em 2026 com crescimento nas vendas. Projeções do E-Consumidor 2026, realizado pela Nuvemshop em parceria com a Opinion Box, indicam que o setor deve crescer cerca de 10% em relação a 2025, alcançando um faturamento estimado em R$ 258,4 bilhões. O número de consumidores também avança, e a expectativa é que 96,87 milhões de brasileiros façam compras online ao longo do ano, um aumento de 2,5% na comparação anual.

E assim, antes mesmo de datas consagradas no calendário varejista anual, como Black Friday, dois períodos tradicionalmente associados ao varejo físico vêm ganhando peso no digital: a volta às aulas e o Carnaval. Juntos, eles não apenas aquecem as vendas nos primeiros meses de 2026, mas também colocam à prova a capacidade operacional das marcas que atuam em múltiplos canais. O resultado é um aumento abrupto no volume de pedidos em janelas curtas, exigindo precisão nas operações.

A tradicional corrida pelo material escolar, por exemplo, já não acontece apenas nos corredores das papelarias físicas. Dados de uma pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, mostram que 39% dos consumidores pretendem dividir as compras entre lojas físicas e online, enquanto 16% afirmam que devem adquirir a maior parte dos itens exclusivamente pela Internet. Preço, variedade e a possibilidade de comparar ofertas em poucos cliques estão entre os fatores que explicam essa migração.

Se a volta às aulas aquece o primeiro trimestre, o Carnaval consolida-se como uma data estratégica para o e-commerce, especialmente para pequenos e médios lojistas. Levantamento da Nuvemshop aponta que PMEs faturaram R$ 2,7 milhões entre 1º de janeiro e 25 de fevereiro de 2025 com produtos relacionados à festa. Fantasias, adereços, moda casual, bebidas e itens de consumo rápido ganham protagonismo em um período cada vez mais relevante para o varejo digital.

Como se preparar no e-commerce

Diante dessas datas, quem atua no e-commerce precisa se preparar assim como quem está no varejo físico. Com picos de pedidos concentrados, operações pouco estruturadas enfrentam atrasos, erros de estoque, falhas de integração entre marketplaces e, não raro, prejuízos difíceis de reverter.

“Datas como a volta às aulas e o Carnaval escancaram quem está preparado para escalar e quem ainda depende de controles manuais”, avalia Claudio Dias, CEO da Magis5. “Quando tudo acontece ao mesmo tempo, só processos bem definidos, com automação inteligente e gestão integrada, conseguem sustentar o crescimento sem comprometer margem e reputação”.

Nesse sentido, é preciso começar a pensar em toda a estruturação do e-commerce para sustentar o maior fluxo de vendas sazonal. Reposição de estoque, preparação da logística, sistema de finanças e atendimento ao cliente precisam estar prontos para o boom de clientes.

Imagem: Envato

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Cores chamativas no varejo: como usar tons que atraem atenção

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Cores chamativas no varejo: como usar tons que atraem atenção

No ambiente comercial, atenção é moeda. Seja em um shopping center, em uma loja de rua ou em um e-commerce, o consumidor toma decisões visuais em questão de segundos. Nesse cenário, cores chamativas desempenham um papel estratégico: elas ajudam a capturar o olhar, direcionar o foco e sinalizar prioridade.

Cores chamativas são aquelas que possuem alta saturação, forte contraste ou elevada luminosidade, destacando-se do restante do ambiente. No varejo, elas funcionam como marcadores visuais que orientam o consumidor sobre onde olhar, o que é promoção e qual ação deve ser tomada.

Trata-se de comportamento e não só de estética. A cor atua como um estímulo sensorial que influencia percepção, emoção e, em muitos casos, decisão de compra.

O impacto das cores chamativas no comportamento do consumidor

Estudos acadêmicos já demonstraram que a cor influencia respostas emocionais e avaliações em contextos de compra. Uma pesquisa publicada no Journal of Marketing analisou os efeitos do vermelho e do azul em ambientes comerciais e concluiu que alterações na cor do ambiente impactam emoções e respostas comportamentais relacionadas à compra.

De forma geral, cores mais quentes e intensas tendem a gerar maior excitação e urgência, enquanto cores frias podem transmitir estabilidade e controle. Esse efeito ajuda a explicar por que determinadas cores são frequentemente utilizadas em liquidações, campanhas promocionais e comunicação de ofertas.

Outra linha de pesquisa sobre design de ambientes aponta que a combinação entre cor e iluminação altera significativamente a percepção do espaço e a identidade da marca. Isso significa que a mesma paleta pode gerar respostas diferentes dependendo da intensidade da luz, temperatura da iluminação e contexto do layout da loja.

Para o varejista, o aprendizado é claro: cor é ferramenta estratégica de comunicação, para além do acabamento visual.

Como cores chamativas aumentam atenção e conversão

Em termos práticos, cores chamativas funcionam porque criam contraste. O cérebro humano é treinado para identificar rapidamente diferenças no campo visual. Quando um elemento apresenta cor intensa contra um fundo neutro, ele automaticamente se torna prioridade perceptiva.

No ponto de venda, isso pode significar destaque para preços promocionais, chamadas de “últimas unidades”, lançamentos ou produtos estratégicos. No ambiente digital, cores chamativas são frequentemente utilizadas em botões de chamada para ação, banners promocionais e elementos que precisam gerar clique imediato.

Entretanto, o excesso pode gerar ruído visual. Quando tudo chama atenção, nada se destaca. A aplicação eficiente depende de hierarquia visual, equilíbrio com cores neutras e coerência com o posicionamento da marca.

Vermelho: urgência e decisão rápida

Entre as cores chamativas mais utilizadas no varejo, o vermelho ocupa posição central. É associado a energia, movimento e urgência. Em contextos promocionais, costuma ser usado para comunicar desconto, liquidação ou prazo limitado.

Pesquisas que comparam vermelho e azul mostram que o vermelho tende a estimular respostas emocionais mais intensas, favorecendo decisões rápidas. Por isso, é comum encontrá-lo em etiquetas de preço e campanhas de grande volume.

O cuidado está na saturação e na proporção. Em excesso, pode gerar sensação de agressividade visual ou cansaço.

Amarelo: alta visibilidade e leitura imediata

O amarelo é uma das cores mais visíveis no espectro visual humano. Em ambientes comerciais, costuma ser usado para sinalização, destaque de preços e chamadas promocionais.

Quando aplicado com contraste adequado, especialmente sobre fundo escuro, facilita leitura à distância. Por esse motivo, é amplamente utilizado em comunicação de ofertas em supermercados e grandes redes varejistas.

Seu uso em grandes superfícies exige cautela para não comprometer a experiência visual do ambiente.

Laranja: energia com acessibilidade

O laranja combina características do vermelho e do amarelo, oferecendo alta visibilidade sem a intensidade emocional extrema do vermelho. É frequentemente utilizado para comunicar novidade, oportunidade e ação.

Em e-commerce, é comum em botões de compra. No varejo físico, pode funcionar bem em campanhas sazonais e ativações promocionais.

Verde-limão e tons neon: atenção máxima

Cores neon ou verde-limão apresentam altíssima saliência visual. São eficazes para destacar produtos específicos ou sinalizações pontuais.

Por outro lado, exigem aplicação estratégica. Quando usadas como cor predominante do ambiente, podem gerar poluição visual e impactar negativamente a percepção de qualidade.

Azul elétrico: contraste com confiança

Embora tradicionalmente associado a confiança e estabilidade, o azul em tonalidade mais vibrante também pode ser considerado chamativo. O azul elétrico, por exemplo, combina modernidade com legibilidade.

É bastante aplicado em varejo de tecnologia, serviços financeiros e comunicação institucional que precisa chamar atenção sem transmitir urgência excessiva.

Rosa choque e magenta: diferenciação e impacto visual

Tons intensos de rosa e magenta têm sido utilizados em campanhas que buscam forte impacto visual e memorização. São cores associadas a ousadia, criatividade e diferenciação.

No ponto de venda, funcionam bem em vitrines temáticas, lançamentos e ativações especiais.

O papel da iluminação na percepção das cores

A forma como as cores chamativas são percebidas depende diretamente da iluminação. Estudos sobre design de ambientes comerciais mostram que mudanças na luz alteram a percepção de identidade e conforto do espaço.

Temperatura de cor da iluminação, intensidade e incidência direta sobre superfícies influenciam como o consumidor interpreta cada tonalidade. Por isso, testes no ambiente real são fundamentais antes de definir a paleta final.

Como aplicar cores chamativas de forma estratégica

A aplicação eficiente começa pela definição de uma base neutra que permita contraste. Tons como branco, cinza e madeira natural ajudam a criar respiro visual e permitem que cores chamativas se destaquem com maior eficiência.

Em seguida, deve-se definir quais pontos precisam de reforço visual: entrada da loja, vitrines, comunicação de preço, ilhas promocionais ou categorias estratégicas.

No ambiente digital, a mesma lógica se aplica. O destaque deve ser reservado para elementos que conduzem à conversão, como botões de compra e banners promocionais.

A coerência com a identidade da marca é essencial. A cor precisa reforçar posicionamento e não gerar dissonância com o público-alvo.

Conclusão

Cores chamativas são ferramentas estratégicas no varejo contemporâneo. Pesquisas indicam que a cor influencia emoções, percepção do ambiente e comportamento de compra. Quando aplicadas com método, hierarquia visual e coerência com a marca, elas aumentam atenção e podem contribuir para maior conversão.

O desafio não está em usar mais cor, mas em usar melhor. O equilíbrio entre base neutra e acentos chamativos é o que transforma estímulo visual em resultado comercial.

Imagem gerada com auxílio de inteligência artificial

No ambiente comercial, atenção é moeda. Seja em um shopping center, em uma loja de rua ou em um e-commerce, o consumidor toma decisões visuais em questão de segundos. Nesse cenário, cores chamativas desempenham um papel estratégico: elas ajudam a capturar o olhar, direcionar o foco e sinalizar prioridade.

Cores chamativas são aquelas que possuem alta saturação, forte contraste ou elevada luminosidade, destacando-se do restante do ambiente. No varejo, elas funcionam como marcadores visuais que orientam o consumidor sobre onde olhar, o que é promoção e qual ação deve ser tomada.

Trata-se de comportamento e não só de estética. A cor atua como um estímulo sensorial que influencia percepção, emoção e, em muitos casos, decisão de compra.

O impacto das cores chamativas no comportamento do consumidor

Estudos acadêmicos já demonstraram que a cor influencia respostas emocionais e avaliações em contextos de compra. Uma pesquisa publicada no Journal of Marketing analisou os efeitos do vermelho e do azul em ambientes comerciais e concluiu que alterações na cor do ambiente impactam emoções e respostas comportamentais relacionadas à compra.

De forma geral, cores mais quentes e intensas tendem a gerar maior excitação e urgência, enquanto cores frias podem transmitir estabilidade e controle. Esse efeito ajuda a explicar por que determinadas cores são frequentemente utilizadas em liquidações, campanhas promocionais e comunicação de ofertas.

Outra linha de pesquisa sobre design de ambientes aponta que a combinação entre cor e iluminação altera significativamente a percepção do espaço e a identidade da marca. Isso significa que a mesma paleta pode gerar respostas diferentes dependendo da intensidade da luz, temperatura da iluminação e contexto do layout da loja.

Para o varejista, o aprendizado é claro: cor é ferramenta estratégica de comunicação, para além do acabamento visual.

Como cores chamativas aumentam atenção e conversão

Em termos práticos, cores chamativas funcionam porque criam contraste. O cérebro humano é treinado para identificar rapidamente diferenças no campo visual. Quando um elemento apresenta cor intensa contra um fundo neutro, ele automaticamente se torna prioridade perceptiva.

No ponto de venda, isso pode significar destaque para preços promocionais, chamadas de “últimas unidades”, lançamentos ou produtos estratégicos. No ambiente digital, cores chamativas são frequentemente utilizadas em botões de chamada para ação, banners promocionais e elementos que precisam gerar clique imediato.

Entretanto, o excesso pode gerar ruído visual. Quando tudo chama atenção, nada se destaca. A aplicação eficiente depende de hierarquia visual, equilíbrio com cores neutras e coerência com o posicionamento da marca.

Vermelho: urgência e decisão rápida

Entre as cores chamativas mais utilizadas no varejo, o vermelho ocupa posição central. É associado a energia, movimento e urgência. Em contextos promocionais, costuma ser usado para comunicar desconto, liquidação ou prazo limitado.

Pesquisas que comparam vermelho e azul mostram que o vermelho tende a estimular respostas emocionais mais intensas, favorecendo decisões rápidas. Por isso, é comum encontrá-lo em etiquetas de preço e campanhas de grande volume.

O cuidado está na saturação e na proporção. Em excesso, pode gerar sensação de agressividade visual ou cansaço.

Amarelo: alta visibilidade e leitura imediata

O amarelo é uma das cores mais visíveis no espectro visual humano. Em ambientes comerciais, costuma ser usado para sinalização, destaque de preços e chamadas promocionais.

Quando aplicado com contraste adequado, especialmente sobre fundo escuro, facilita leitura à distância. Por esse motivo, é amplamente utilizado em comunicação de ofertas em supermercados e grandes redes varejistas.

Seu uso em grandes superfícies exige cautela para não comprometer a experiência visual do ambiente.

Laranja: energia com acessibilidade

O laranja combina características do vermelho e do amarelo, oferecendo alta visibilidade sem a intensidade emocional extrema do vermelho. É frequentemente utilizado para comunicar novidade, oportunidade e ação.

Em e-commerce, é comum em botões de compra. No varejo físico, pode funcionar bem em campanhas sazonais e ativações promocionais.

Verde-limão e tons neon: atenção máxima

Cores neon ou verde-limão apresentam altíssima saliência visual. São eficazes para destacar produtos específicos ou sinalizações pontuais.

Por outro lado, exigem aplicação estratégica. Quando usadas como cor predominante do ambiente, podem gerar poluição visual e impactar negativamente a percepção de qualidade.

Azul elétrico: contraste com confiança

Embora tradicionalmente associado a confiança e estabilidade, o azul em tonalidade mais vibrante também pode ser considerado chamativo. O azul elétrico, por exemplo, combina modernidade com legibilidade.

É bastante aplicado em varejo de tecnologia, serviços financeiros e comunicação institucional que precisa chamar atenção sem transmitir urgência excessiva.

Rosa choque e magenta: diferenciação e impacto visual

Tons intensos de rosa e magenta têm sido utilizados em campanhas que buscam forte impacto visual e memorização. São cores associadas a ousadia, criatividade e diferenciação.

No ponto de venda, funcionam bem em vitrines temáticas, lançamentos e ativações especiais.

O papel da iluminação na percepção das cores

A forma como as cores chamativas são percebidas depende diretamente da iluminação. Estudos sobre design de ambientes comerciais mostram que mudanças na luz alteram a percepção de identidade e conforto do espaço.

Temperatura de cor da iluminação, intensidade e incidência direta sobre superfícies influenciam como o consumidor interpreta cada tonalidade. Por isso, testes no ambiente real são fundamentais antes de definir a paleta final.

Como aplicar cores chamativas de forma estratégica

A aplicação eficiente começa pela definição de uma base neutra que permita contraste. Tons como branco, cinza e madeira natural ajudam a criar respiro visual e permitem que cores chamativas se destaquem com maior eficiência.

Em seguida, deve-se definir quais pontos precisam de reforço visual: entrada da loja, vitrines, comunicação de preço, ilhas promocionais ou categorias estratégicas.

No ambiente digital, a mesma lógica se aplica. O destaque deve ser reservado para elementos que conduzem à conversão, como botões de compra e banners promocionais.

A coerência com a identidade da marca é essencial. A cor precisa reforçar posicionamento e não gerar dissonância com o público-alvo.

Conclusão

Cores chamativas são ferramentas estratégicas no varejo contemporâneo. Pesquisas indicam que a cor influencia emoções, percepção do ambiente e comportamento de compra. Quando aplicadas com método, hierarquia visual e coerência com a marca, elas aumentam atenção e podem contribuir para maior conversão.

O desafio não está em usar mais cor, mas em usar melhor. O equilíbrio entre base neutra e acentos chamativos é o que transforma estímulo visual em resultado comercial.

Imagem gerada com auxílio de inteligência artificial

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IPCA de janeiro fica em 0,33%, mesmo resultado de dezembro

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IPCA de janeiro fica em 0,33%, mesmo resultado de dezembro


A inflação oficial de janeiro foi de 0,33%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje pelo IBGE. O resultado é o mesmo de dezembro, mantendo estabilidade no índice. Por outro lado, em comparação com janeiro do ano passado (0,16%), houve aceleração na inflação.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação brasileira fica em 4,44%, no teto da meta estipulada pelo governo (de 3%, com tolerância de 1,5 p.p. para cima ou para baixo). As principais pressões sobre o índice vieram da alta do preço da gasolina, que teve impacto de 0,10 p.p. na inflação de janeiro, e da baixa na conta de energia, com pressão de -0,11 p.p.

“Na estrutura do IPCA a gasolina apresenta peso de 5,07% e a energia elétrica residencial de 4,16%, ou seja, são os subitens com as maiores participações nas despesas das famílias, na ótica do indicador. Dessa forma, variações nesses dois componentes da cesta de produtos apresentam impacto no cálculo final do índice”, afirma Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.

Entre os nove grupos analisados, Transportes (0,60%) foi o responsável pelo maior impacto no IPCA de janeiro (0,12 p.p.), com alta de 2,14% nos combustíveis, com especial impacto da gasolina (2,06%). Outros combustíveis também aumentaram: etanol (3,44%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%).

O grupo com maior variação no IPCA de janeiro foi Comunicação (0,82%), com alta dos aparelhos telefônicos (2,61%) e reajustes anuais de produtos como TV por assinatura e internet.

Do outro lado, o grupo Habitação (-0,11%) representou um alívio no bolso do consumidor em janeiro, por conta da redução de 2,73% no preço da energia elétrica residencial. Até dezembro, vigorava a bandeira tarifária amarela, que conta com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 Kwh consumidos. Em janeiro, porém, retorna-se para a bandeira verde, sem cobranças adicionais.

Já o grupo Alimentação e bebidas (0,23%) teve desaceleração em relação a dezembro (0,27%), tanto na alimentação no domicílio (de 0,14% em dezembro para 0,10% em janeiro) quanto fora do domicílio (0,60% para 0,55%). 

Os itens de supermercado que tiveram as maiores altas foram o tomate (20,52%) e as carnes (0,84%), principalmente o contrafilé (1,86%) e a alcatra (1,61%). Os que tiveram as maiores baixas foram o leite longa vida (-5,59%) e o ovo de galinha (-4,48%).

Imagem: Envato

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