Em meio às mudanças por que passa o mercado de assessorias de investimento, a Manchester fez sua quarta aquisição em seis meses – desta vez, com o objetivo de crescer em crédito.
O escritório – um dos maiores filiados à XP, com R$ 26 bilhões em custódia – comprou a Rêmora Capital, uma consultoria especializada em estruturar captações de recursos para empresas pequenas e médias.
A Manchester já fazia isso, mas o plano é expandir essa vertical para que ela responda por cerca 30% da receita em três anos – frente aos 10% atuais. A empresa faturou R$ 200 milhões no ano passado.
“Os clientes pedem soluções mais personalizadas e robustas em investimentos e também em captação,” Fábio Nunes, o CFO da Manchester, disse ao Brazil Journal.
Outros escritórios têm feito movimentos parecidos, mas a Manchester acredita que ainda existe espaço a ser ocupado, especialmente no interior dos estados.
Nunes vê demanda das empresas pela estruturação de FIDCs, CRIs, CRAs, debêntures, e também por reestruturação de dívidas – um segmento que, com os juros altos, respondeu por 65% das operações da Rêmora nos últimos dois anos.
As aquisições anteriores da Manchester – dos escritórios Ficus Capital, Maven e Siglo – tiveram o objetivo de ganhar escala em investimentos.
“Ter estrutura faz diferença, porque o mercado se sofisticou. Não dá para contar com o assessor super-herói e nem com quem só vende produto,” disse Lucas Pereira, o diretor institucional do escritório.
“Quem vende produto é cobrado por rentabilidade. Precisamos prestar serviço.”
Segundo ele, a empresa planeja novas aquisições, especialmente em São Paulo, onde tem presença pequena. A Manchester começou a assessorar famílias da região de Joinville em 1967, e hoje atua principalmente no Paraná e em Santa Catarina.
Giuliana Napolitano