Em negociações com bancos para uma possível oferta de ações na Bolsa de Valores (B3), a Aegea, empresa de saneamento, finalmente divulgou seus resultados de 2025, neste sábado, sem entretanto apresentar balanço referente ao quarto trimetre separadamente. A companhia também fez ajustes contábeis que levaram à reformulação dos resultados de 2024.
O mercado esperava a divulgação dos números em março, mas houve adiamentos sucessivos até a liberação dos números neste final de semana e um fato relevante confirmando ajustes nos números de 2024.
De acordo com a companhia, o lucro líquido foi de R$ 856 milhões em 2025, queda de 31% em relação a 2024. A receita líquida somou R$ 18,288 bilhões no ano passado, alta de 20,6% em relação aos R$ 15,158 bilhões de 2024. O Ebitda (indicador financeiro que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) ficou em R$ 10,440 bilhões, alta de 25,2% ante os R$ 8,337 bilhões de 2024. A dívida líquida aumentou 36,7% entre os dois anos, para R$ 47,044 bilhões no ano passado.
Rebaixamento da nota de crédito
O atraso na divulgação dos números gerou desconfiança no mercado levando ao rebaixamento da nota de crédito da companhia pelas agências de classificaçao de risco S&P e Fitch Ratings. As preocupações em torno dos números da Aegea ocorrem num cenário de crédito escasso, juros altos e endividamento elevado, em que diversas empresas recorreram à recuperação judicial e extrajudicial para postergar pagamento a credores e alongar a dívida.
A concessionária, que tem entre seus acionistas o Grupo Equipav, o fundo soberano de Cingapura (GIC) e a Itaúsa, explicou que houve “processo de revisão complexo, incluindo a reformulação dos resultados de períodos anteriores”. A empresa informou que a reformulação dos números de 2024 impactou principalmente receita e provisões, sem afetar a geração de caixa e sem violar cláusulas contratuais de dívida. A Aegea revisou seus critérios de reconhecimento
contábil da receita, passando a adotar uma abordagem de maior aproximação com a geração de caixa. A Aegea informou que busca aprimorar a qualidade dos relatórios financeiros e alinhar melhor os resultados contábeis ao fluxo de caixa.
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Os número da empresa mostram que houve investimentos e pagamentos de outorgas de R$ 8,6 bilhões em 2025. Desse total, R$ 7,3 bilhões foram destinados à expansão e modernização da infraestrutura de água e esgoto, o que resultou em mais 722 mil novas ligações de clientes, impactando cerca de 2 milhões de pessoas. A Aegea tratou 730 bilhões de litros de esgoto ( o euivalente a 300 mil piscinas olímpicas) e as reduções de perdas resultaram numa economia de 29 bilhões de litros de água, suficientes para abastecer 725 mil pessoas por um ano.
Emissão de títulos azuis
No mercado de capitais, a companhia captou R$ 22,3 bilhões, que foram utilizados para gestão de passivos. O prazo médio de vencimento da dívida foi de 7,4 anos para 7,6 anos, e houve redução do custo médio de captação de CDI mais 1,8% para CDI mais 1,4%. A empresa também emitiu US$ 750 milhões em títulos azuis nos mercados internacionais. Os títulos azuis são instrumentos de dívida sustentável emitidos por empresas para financiar projetos que preservam oceanos e recursos hídricos.
No início de 2026, a Aegea captou mais R$ 3,2 bilhões de reais no primeiro trimestre por meio de emissão de debêntures e empréstimos, e recebeu uma injeção de capital de R$ 1,2 bilhão de reais em março. A empresa elevou seu registro junto ao órgão regulador do mercado de valores mobiliários para a categoria A, aumentando a flexibilidade de acesso aos mercados de capitais.
Entre as diversas concessionárias controladas pela Aegea estão a Águas do Rio, responsável pelos serviços de saneamento em 27 municípios do estado do Rio de Janeiro, incluindo parte da capital, e a Prolagos, que atua na Região dos Lagos (RJ), abrangendo Cabo Frio, Armação dos Búzios, Iguaba Grande, Arraial do Cabo e São Pedro da Aldeia. A companhia atua também no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Piauí, Ceará, Espírtito Santo, Rio Grande do Sul e recentemente levou concessões no Pará.
Num momento em que a AI ameaça as profissões e os jovens estão aflitos sobre qual carreira seguir, o megainvestidor Bill Gurley está lançando um novo livro – não sobre tecnologia ou startups, mas sobre como construir uma carreira que realmente valha a pena.
Runnin’ Down a Dream – How to Thrive in a Career You Actually Love é uma leitura saborosa, com histórias reais de pessoas de sucesso, incluindo Mr Beast, Bob Dylan, Danny Meyer e o próprio autor. (Compre aqui)
Gurley é um dos nomes mais respeitados do venture capital. Sócio histórico da Benchmark, foi investidor inicial do Uber – empresa na qual teve papel decisivo durante a crise de governança – e da Zillow, um dos marketplaces imobiliários mais bem-sucedidos.
A premissa de seu livro é simples: se passamos cerca de um terço da vida trabalhando, vale a pena escolher algo que realmente nos entusiasme.
Mas Gurley parte de um diagnóstico pouco animador. Pesquisas de William Damon, diretor do Stanford Center on Adolescence, mostram que apenas 20% dos jovens entre 12 e 20 anos têm um forte senso de propósito. A maioria ainda luta para entender o que quer fazer, por que e para onde está indo.
Gurley logo emenda que ter sucesso na carreira não é para qualquer um. Requer estratégia e muito esforço para se ter uma chance. E para isso, ele dá 6 dicas de sucesso.
1. Encontre algo que realmente te fascine
A maioria das pessoas trabalha em uma área enquanto sua verdadeira curiosidade está em outra coisa, geralmente aquilo em que você pensa toda hora e a que ama se dedicar.
A diferença entre profissionais medianos e excepcionais raramente é apenas talento. Muitas vezes é a obsessão produtiva. Quem ama o que faz lê mais, estuda e pratica mais.
Gurley recomenda o que chama de “circular com propósito”: explorar ambientes, ideias e pessoas até encontrar aquilo que realmente desperta interesse.
Se você está com pessoas que te fazem se sentir melhor, passe mais tempo com elas. Se você está em uma empresa que te faz se sentir melhor consigo mesmo e com o trabalho, e você sente que está aprendendo, continue. Se possível, case aquilo que te fascina com oportunidades de realmente construir uma carreira com bons retornos.
2. Nunca pare de estudar
Se você faz o que gosta, o estudo é prazeroso. Gurley elenca três tipos de aprendizado que as pessoas precisam desenvolver ao longo da carreira. Primeiro, você deve aprender a história do setor que escolheu. Depois, precisa se comprometer a aprender continuamente ao longo de toda a carreira. Quais as principais novidades? Quem mais no seu campo tem novas ideias importantes que você deveria conhecer? Em terceiro lugar, você precisa se aprofundar em temas específicos e, se possível, únicos.
Neste sentido, a aceleração da AI traz desafios para todos nós, mas também oportunidades de aprendermos de forma mais eficiente. (Para mim hoje é difícil até escolher, dada a quantidade enorme de podcasts interessantes.)
3. Cultive mentores
Poucas coisas aceleram tanto uma carreira quanto aprender com quem já percorreu o mesmo caminho. Gurley distingue dois tipos de mentores.
As aspiracionais — pessoas que você admira à distância e de quem aprende lendo livros, entrevistas e palestras – e os mentores próximos, que podem oferecer orientação direta.
A tecnologia tornou o acesso a potenciais mentores mais fácil. Hoje em dia uma mensagem direta pode iniciar uma relação profissional. A regra para acessar alguém é simples: respeito e curiosidade genuínos. Não tenha medo de pedir. Um “não” custa pouco. Um “sim” pode mudar uma carreira.
Eu particularmente gosto de ler biografias e sempre imagino um conselho de mentores virtual e me pergunto, ‘o que ela/ele faria em uma situação como essa?’
4. Colabore com seus pares no setor
Mentores são importantes, mas seus pares podem ser igualmente decisivos. Com uma rede de amigos, você não está sozinho — está evoluindo junto. Cada um traz experiências, interesses, artigos, podcasts, soluções e até fracassos que são aprendizados valiosos.
Carreiras, lembra Gurley, não são jogos de soma zero. Não há apenas um vencedor.
5. Vá onde as coisas acontecem
Algumas indústrias têm centros de gravidade. Nos Estados Unidos: tecnologia no Vale do Silício, finanças em Nova York, cinema em Los Angeles.
As vantagens de estar nestes centros são mais empregos: há mais oportunidades quando a indústria toda está concentrada num lugar. Mais networking, mentores e pares: os melhores da área muitas vezes estão a apenas um café de distância. Mais eventos: encontros, painéis e workshops acontecem com muito mais frequência. Exposição às novas tendências.
No Brasil, em relação ao mercado financeiro e negócios em geral, São Paulo é imbatível.
6. Seja generoso, retribua
O último princípio é simples, e facilmente esquecido. Ser gentil, generoso e retribuir – seja orientando um colega mais jovem, compartilhando conhecimento com pares ou apoiando superiores. Isso gera boa vontade e apoio mútuo. O que você quer é pessoas torcendo por você.
Eu particularmente gosto de mentorar alunos de graduação. Aprendo muito e estou retribuindo o que muitos fizeram por mim.
(Bloomberg) — Enquanto os investidores se concentraram no frágil cessar-fogo iraniano esta semana, uma busca desesperada por cargas tem ocorrido no mercado de petróleo, com negociantes e refinadores vasculhando o globo em busca de suprimentos disponíveis imediatamente.
No Mar do Norte, onde há o mercado físico de petróleo bruto mais importante do mundo, os negociantes enviaram 40 lances por cargas esta semana, dos quais apenas quatro foram atendidos por ofertas.
Cargas para entrega nas próximas semanas mudaram de mãos a preços sem precedentes, acima de US$ 140 por barril. Em outros lugares, os refinadores têm buscado suprimentos cada vez mais longe, levando a uma série de negociações incomuns e prêmios crescentes para qualquer petróleo que esteja pronto para ser enviado agora.
Operadores disseram que os movimentos de pânico nos principais mercados físicos de petróleo do mundo demonstraram a escala da escassez de bruto que deve ser sentida nas próximas semanas, à medida que a perda de suprimentos do Oriente Médio deixa uma lacuna crescente.
Os preços astronômicos sinalizam que alguns refinadores europeus provavelmente precisarão seguir os da Ásia e reduzir a produção, disseram eles — uma medida que pode ajudar a equilibrar o mercado de petróleo bruto, mas que aprofundaria a escassez de produtos vitais como diesel e combustível de aviação.
“Simplesmente há falta de petróleo bruto”, disse Neil Crosby, chefe de pesquisa da Sparta Commodities. “O Brent físico está uma bagunça e agora subiu demais. Nesse ritmo, até os refinadores europeus terão que reduzir a utilização, talvez já no próximo mês.”
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O frenesi no comércio físico de petróleo contrasta com o mercado de futuros, onde o petróleo para entrega em junho caiu 13% esta semana para fechar em cerca de US$ 95 o barril, em meio ao otimismo sobre o cessar-fogo.
Houve alguns sinais precoces de aumento de atividade no Estreito de Ormuz no fim de semana, com dois superpetroleiros chineses e um da Grécia atravessando a via navegável, mas o tráfego ainda permanece bem abaixo dos níveis pré-guerra. Mesmo que as conversas deste fim de semana levem à retomada dos fluxos normais pelo estreito, é improvável que o alívio venha rápido o suficiente para evitar um aperto. Leva semanas para que o bruto do Golfo chegue às refinarias na Ásia e na Europa.
“As últimas cargas que transitaram pelo Estreito de Ormuz antes do conflito estão agora chegando aos seus destinos. É aqui que os mercados negociados no papel encontram a realidade física, e a lacuna de 40 dias nos fluxos globais de energia está verdadeiramente exposta”, disse Sultan al Jaber, CEO da Abu Dhabi National Oil, em uma postagem no LinkedIn na quinta-feira.
Essa lacuna pode ser vista no prêmio que os refinadores estão dispostos a pagar para garantir cargas de petróleo que estejam disponíveis no curto prazo. Operadores de algumas refinarias asiáticas, falando sob condição de anonimato, disseram que não estão mais focados no preço, e estão simplesmente buscando garantir barris de petróleo onde quer que possam para garantir a segurança energética.
Precificação
O Dated Brent — o benchmark mais importante no mercado físico de petróleo, usado para precificar milhões de barris por dia — atingiu o recorde de US$ 144 o barril antes do cessar-fogo esta semana, superando suas máximas de 2008, mesmo com os futuros permanecendo muito abaixo de seus níveis recordes.
Na sexta-feira, ele havia caído para US$ 126 o barril, ainda mais de US$ 30 acima dos futuros de Brent para entrega em junho, enquanto negociantes, incluindo os grupos Trafigura e Gunvor, estavam oferecendo mais de US$ 22 o barril acima do Dated Brent por cargas de petróleo no Mar do Norte para entrega no final de abril e início de maio.
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Suprimentos da Nigéria para carregamento no próximo mês foram oferecidos a até US$ 25 por barril acima do benchmark, em comparação com menos de US$ 3 antes do início da guerra com o Irã.
Os países asiáticos, os mais dependentes do Estreito de Ormuz para suprimentos de petróleo bruto, foram além de suas fontes tradicionais para vasculhar o globo em busca de barris.
Refinadores japoneses lideraram uma corrida para comprar petróleo dos EUA, que está exportando em níveis recordes. Uma onda de compras por refinadores chineses elevou os carregamentos de petróleo de Vancouver, no Canadá, a um nível recorde este mês. E refinadores indianos têm aumentado as compras de petróleo da Venezuela. Na primeira semana de abril, os navios carregaram quase 6 milhões de barris para o país do sul da Ásia, o dobro dos volumes vistos no mesmo período de março.
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O foco está nos barris disponíveis o mais rápido possível — e os refinadores estão dispostos a pagar pela prontidão. Refinadores japoneses reservaram navios menores do que o normal para suas compras de petróleo dos EUA, para que possam atravessar o Canal do Panamá e chegar ao Japão mais rapidamente.
No sábado, o presidente Donald Trump postou nas redes sociais sobre o “número massivo” de navios-petroleiros indo para os EUA para carregar seu petróleo. O Midland WTI em Houston, conhecido como MEH, subiu para um prêmio de quase US$ 4 o barril em relação ao benchmark dos EUA, cerca de quatro vezes o seu nível antes da guerra. Operadores disseram que o prêmio refletia o valor temporal do trânsito de cerca de cinco dias para Houston.
A enorme diferença entre o petróleo físico e os futuros é, em parte, um reflexo da mesma dinâmica, com os barris comandando um prêmio enorme quanto mais cedo puderem ser entregues — uma condição de mercado conhecida como retroação (backwardation).
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O nível extremo de prêmios para o petróleo de entrega imediata está colocando uma pressão enorme no mercado, disseram operadores e analistas. Refinarias menores estão lutando com necessidades de financiamento muito maiores devido aos preços elevados, bem como o desafio de hedge em um mercado onde o petróleo físico que compram é muito mais caro do que os derivativos mais líquidos vinculados a ele.
“É um enorme pesadelo de gestão de risco de preço — no papel as margens são fantásticas, mas os fluxos de caixa reais de comprar uma carga e decidir refiná-la podem ser bem diferentes”, disse Roberto Ulivieri, consultor na Midhurst Downstream.
Como resultado, alguns refinadores estão começando a se afastar do mercado — e a consequência será uma redução em sua produção, apertando ainda mais os mercados de derivados de petróleo.
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Os preços do combustível de aviação e do diesel já dispararam para níveis recordes ou quase recordes acima de US$ 200 o barril. No mercado de gasolina dos EUA, politicamente crucial, os estoques encolheram para o menor nível em quase 16 anos, de acordo com a Administração de Informação de Energia.
E conforme os compradores de petróleo descem sobre os EUA, analistas alertam que a escassez do mercado será sentida lá em seguida.
“Os mercados físicos não estão seguindo as redes sociais. Em vez disso, eles se fortaleceram implacavelmente conforme as interrupções se espalharam da Ásia para a bacia do Atlântico”, disse Amrita Sen, cofundadora da consultoria Energy Aspects. “Se os futuros não alcançarem as realidades físicas, as exportações dos EUA podem facilmente permanecer elevadas, se a disponibilidade de navios permitir, a ponto de não sobrar petróleo bruto suficiente para as refinarias dos EUA.”
No trading, a técnica costuma ocupar o centro da conversa. Mas, na prática, nem sempre é ela que define o resultado. Em um ambiente em que segundos podem separar o ganho da perda, conhecer os próprios limites pode ser tão decisivo quanto dominar uma estratégia. Para Rafael Covas, empreendedor do setor farmacêutico e trader, essa descoberta veio da forma mais dura: depois de uma perda de quase R$ 1 milhão, ele entendeu que, no seu caso, operar bem significava parar de insistir no controle manual e aceitar a automação como parte da sobrevivência no mercado.
Durante a Expert Trader XP, Covas concedeu entrevista ao InfoMoney e detalhou como esse episódio redefiniu sua forma de operar.
Sua trajetória no mercado começou de modo conservador, com foco em renda fixa, e depois avançou para operações mais dinâmicas, especialmente no mercado de opções. A migração para o day trade trouxe ganhos, mas também expôs fragilidades importantes no campo emocional.
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TDAH e decisão crítica
Com o tempo, os fatores comportamentais passaram a pesar cada vez mais em sua performance. Nesse processo, o diagnóstico de TDAH, somado ao hiperfoco e à ansiedade, interferia diretamente nas decisões operacionais. “Com TDAH e ansiedade, eu não consigo fazer trade manual”, autoavaliou-se.
Esse padrão se materializou em um episódio que mudou sua trajetória. O evento ocorreu em um momento de alta volatilidade e terminou em uma perda expressiva.
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“Eu tomei um stop [loss] de quase um milhão de reais.”
Segundo ele, o episódio aconteceu em uma data simbólica, o que tornou a lembrança ainda mais marcante. A memória daquele momento reforça a intensidade vivida, embora parte dos detalhes tenha se perdido. “Eu me lembro que o operador me ligou, era mais ou menos umas quatro horas da tarde”, explica.
A dinâmica do mercado naquele dia ampliou ainda mais o prejuízo, com movimentos abruptos em um intervalo muito curto. A velocidade da oscilação praticamente impediu qualquer reação. “Foi um candle de 80 pontos em um minuto”, conclui.
O impacto emocional da perda provocou uma reflexão imediata sobre sua forma de operar. O episódio marcou uma ruptura definitiva com o operacional manual. “Mas assim, isso é um sentimento ruim, né? Você sai meio angustiado, fica meio triste”, relata.
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A partir dali, mudar de abordagem deixou de ser escolha e virou necessidade. A automação apareceu como consequência direta desse aprendizado. “Dinheiro não aceita desaforo, né?”, conclui.
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Leitura e consistência
Mesmo com o uso de robôs, a leitura de mercado continua no centro da estratégia. A automação, na prática, não elimina a necessidade de interpretação; ela exige ainda mais entendimento de cenário. A escolha do ativo e do momento operacional segue influenciando diretamente o resultado. “Eu conheço toda a estrutura do robô”, afirma.
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O cenário atual, inclusive, tem orientado suas preferências operacionais, especialmente em ambientes de maior instabilidade. A seletividade passou a ser parte essencial da busca por consistência. “Eu gosto muito de operar o dólar, porque o índice está um pouco impossível de operar”, observa.
Essa busca por previsibilidade o levou a priorizar ativos com comportamento mais técnico. Já o índice, na sua leitura, tem ficado mais sujeito a ruídos externos e políticos. “O dólar se torna mais consistente”, explica.
No fim, a adaptação constante ao mercado se consolidou como um dos principais diferenciais da estratégia com automação. Mais do que usar robôs, o resultado depende da capacidade de interpretar o contexto e fazer os ajustes necessários. “Eu tenho que saber qual robô eu vou utilizar para poder obter lucros e ganhos”, conclui.
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Automação como virada
Depois da perda milionária e do impacto emocional que ela provocou, a automação deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ser uma necessidade operacional. A tecnologia virou uma forma de reduzir o peso das emoções nas decisões. “Eu gosto mais da automação porque como é um robô, ele consegue me dominar mais”, afirma.
A escolha por utilizar robôs já validados também está ligada à sua rotina como empresário. Com outras demandas profissionais, eficiência operacional passou a ser prioridade. “Como eu não tenho tempo por ter um negócio próprio, eu acabo utilizando robôs terceiros”, observa.
Ainda assim, ele estruturou uma operação relevante dentro do mercado. Hoje, Covas opera cerca de meio milhão de contratos futuros por mês, usando majoritariamente robôs validados.
“Hoje, com o robô, eu opero em torno de 500 mil contratos por mês.”
Há, porém, um ponto que chama atenção em sua abordagem: ela vai na contramão do que muitos desenvolvedores costumam recomendar.
Enquanto parte do mercado defende que o operador não interfira no robô, ele adapta os parâmetros conforme o cenário.
“Eu posso aumentar o stop, diminuir o stop, dizer quantos pontos eu quero que ele entre”, explica.
Esse controle exige leitura constante de mercado e decisão ativa. A automação, portanto, não elimina o operador — apenas redefine seu papel. “Não dá para deixar ele rodando 24 horas.”
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Do investimento ao trade
A entrada no mercado aconteceu de forma estruturada, com prioridade para segurança antes da tomada de mais risco. A evolução foi gradual até o contato com operações mais sofisticadas.
Segundo ele, o começo foi na renda fixa e, durante o período da pandemia, passou a pesquisar sobre mercado de opções.
Os primeiros resultados positivos reforçaram o interesse pelo trading ativo. Segundo ele, observar outros operadores ampliou sua visão sobre o mercado.
“No mercado de opções, eu consegui ter bons êxitos em relação às opções e comecei a ver outras pessoas operando opções e comecei a gostar”, relembra.
A transição para o day trade, porém, trouxe um desafio central: o controle emocional.
A execução, segundo ele, passou a ser afetada diretamente pelo comportamento. “O trader tem que ter um emocional muito grande.”
A dificuldade em respeitar o timing e a disciplina operacional passou a ser recorrente. O excesso de entradas, por sua vez, comprometia os resultados.
“Eu queria entrar toda hora e não era essa a intenção”, admite.
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Carteira e alocação
Mesmo com a evolução para operações mais dinâmicas, a construção da carteira manteve uma lógica conservadora e equilibrada.
O trading passou a ocupar apenas uma parte do capital, enquanto a maior parcela permaneceu alocada em ativos de longo prazo. “Hoje 80% do meu investimento é a longo prazo”, afirma.
A diversificação também se tornou um pilar importante da estratégia, combinando diferentes classes de ativos para reduzir risco. Segundo ele, a exposição ao mercado foi construída de forma gradual e consistente ao longo do tempo.
“Minha carteira contém renda fixa, algumas outras rendas um pouco mais agressivas, ações, ouro, alguma coisa de criptomoeda também.”
Assim, o trading segue como uma frente complementar dentro da carteira, com foco maior em oportunidades de curto prazo. “E 20% eu utilizo para o trader”, reume.
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