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Paulinho da Costa, o senhor do ritmo

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Paulinho da Costa, o senhor do ritmo

A cantora e pianista de jazz Diana Krall nem quis saber de outro músico: exigiu que Paulinho da Costa assumisse a percussão de seu disco e DVD que seriam gravados em Paris.

O instrumentista, contudo, estava repousando em Los Angeles, num dos intervalos da turnê que fazia com Eric Clapton. Diana não teve dúvidas. Certa de que Paulinho – e as palavras são dela – “dá sorte”, colocou o brasileiro num avião Concorde e o alojou no melhor hotel que Paris tinha para oferecer.

E não é que deu sorte mesmo?

Live in Paris, de 2001, vendeu impressionantes cinco milhões de unidades. “É algo muito difícil de acontecer no jazz, um mercado de nicho,” Paulinho disse ao Brazil Journal.

A insistência da artista canadense não foi um fato isolado. Praticamente todo mundo que importa no mercado de música nos últimos 50 anos faz fila para gravar com o instrumentista carioca de sorriso largo e criatividade infinita.

Ele coleciona colaborações com jazzistas como Dizzy Gillespie e Herbie Hancock, arquitetos do pop/soul como Quincy Jones e Earth, Wind & Fire, e popstars como Michael Jackson, Madonna, Elton John e Lionel Richie, além dos brasileiros Sérgio Mendes – que o levou para os Estados Unidos nos anos 70 – e Roberto Carlos, totalizando mais de 1.020 artistas, quase 7.000 músicas gravadas e 161 indicações ao Grammy.

Este ano, Paulinho ganha duas homenagens. A primeira será uma estrela na Calçada da Fama, em Hollywood. É o primeiro brasileiro agraciado com a honra (dada também a Carmen Miranda, mas que era portuguesa de nascimento).

Mais importante que seu nome eternizado no pavimento mais celebrado do showbiz mundial, no entanto, é The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, em cartaz na Netflix.

O documentário dirigido por Oscar Rodrigues Alves demorou quinze anos para ser feito, entre o “sim” do músico, tão discreto quanto talentoso, e a gravação de depoimentos e captação de recursos para sua finalização.

Mas foi um esforço que valeu a pena: poucas vezes foi feito um retrato tão belo e emocionante do amor de um ser humano por sua arte.

Paulo Roberto da Costa, 77 anos, é um caso exemplar de quem nasceu para ser estatística, mas se tornou referência. No Irajá, onde cresceu, viu seus pais se separarem e ele mesmo foi separado dos irmãos (cada um foi para um canto porque a mãe do músico não tinha condições de sustentá-los).

O pandeiro foi sua primeira paixão, e o levou para excursões pela Europa com grupos de música brasileira. No início dos anos 1970, passou a se apresentar nas boates do Rio. Numa delas, a Barbatukes, conheceu Arice, sua primeira e única mulher. Em outra, a Number One, acompanhou Maria Alcina e deu trabalho para um grupo de cabeludos que se apresentava logo depois: Os Novos Baianos.

“Certa vez fui assistir ao show dos Tribalistas em Los Angeles e me encontrei com o Dadi, que tocava baixo nos Novos Baianos. Ele me disse: ‘Cara, era difícil entrar depois de você’”, diverte-se Paulinho. “Mas eu adorava eles, sempre respeitei muito o processo de criação da banda. Décadas mais tarde participei de um disco do Pepeu Gomes, que era guitarrista da banda.”

A fama angariada nas noites cariocas chamou a atenção de Sérgio Mendes. Radicado em Los Angeles desde o final dos anos 60 e com muito sucesso por causa de sua versão pop de bossa nova e samba, ele chamou Paulinho para trabalhar.

Em 1974, o músico mudou de mala, cuia, Arice e congas para Los Angeles, onde mora até hoje. “Saí do avião direto para o estúdio e depois para o palco,” lembra o músico, que não sofreu com o choque cultural. “Los Angeles tem um clima quente e praia. Não é igual ao nosso, mas é parecido.”

O destaque que recebeu na banda de Sérgio Mendes atraiu a atenção de outros grandes nomes da música. O mais importante foi Norman Granz, produtor musical e um dos homens mais influentes do mercado do jazz. 

Granz, que o conheceu por intermédio do trompetista Dizzy Gillespie, ajudou Paulinho a conseguir o green card (o músico tinha apenas visto de trabalho) e o contratou para a sua gravadora, a Pablo Records.

No mesmo período – a segunda metade dos anos 70 – passou a atuar nos estúdios. Um dos primeiros grandes sucessos foi Love Machine, do grupo de soul music The Miracles, que estava se separando de seu vocalista, o lendário cantor e compositor Smokey Robinson.

O sucesso da gravação atraiu outros músicos e produtores, ansiosos pelo molho que Paulinho colocava nas canções. “Nunca tive um business card ou pedi para ser recomendado por outros músicos. Eles é quem ligavam,” diz.

Um que ligou foi ninguém menos que Quincy Jones, um dos maiores produtores musicais do século XX – que, ciente de sua importância, disse apenas “é Quincy”.

O produtor recrutou Paulinho para tocar na trilha sonora de The Wiz, a adaptação cinematográfica de um musical da Broadway. “Cheguei, soltei meus negócios. Misturei o pop com jazz e samba. Aquele peso de percussão é meu, fiz tudo sozinho. Botei os surdões,” se orgulha.

No mesmo período em que tocou ao lado de Quincy Jones, Paulinho conheceu The Jacksons. Michael, então vocalista do grupo, convocou o percussionista para tocar ao lado dos irmãos. A ajuda se estendeu além do estúdio. “Dei muitas coisas para eles. Um dos irmãos tocava percussão, levei ele na fábrica que fazia as minhas congas,” conta.

No trabalho solo de Michael, Paulinho colaborou com uma brasileiríssima cuíca – em I Wanna Be Startin’ Somethin’, que abre o clássico Thriller, de 1982 – e um solo de colher numa garrafa de Coca-Cola, que dá o molho em Don’t Stop ‘Til You Get Enough, de Off the Wall, que Michael Jackson soltou em 1979.

“Eu conversava muito com eles sobre o botequim, que a gente criava muito ritmo na colher, no copo, na garrafa.”

Senhor do ritmo, Paulinho prefere criar quando a música está pronta. O engenheiro solta a faixa e ele vai acrescentando o que acha necessário. Em algumas canções, como In the Stone, do Earth Wind & Fire, pode-se entoar os versos da música acompanhado pelas intervenções de Paulinho.

As drogas que grassavam nos anos 1970 e 1980 – e que eram usadas de modo, digamos, recreativo – nunca fizeram a cabeça do instrumentista. “Ela era dada de presente nos estúdios. Mas sempre fui caseiro, nunca fui de frequentar boteco e muito menos me envolver com isso. Os caras cheiravam aquele negócio, ofereciam, e eu dizia: ‘Tá tudo certo’. Assim, eles não sabiam se eu tinha usado ou ia usar. Ficava no vácuo”, diverte-se. “Mas também nunca fui de dar lição de moral.”

Os 50 anos passados fora do País nunca alteraram sua sonoridade brasileira. “Não perdi o sentimento da nossa percussão, que vem África, Rio de Janeiro, da escola de samba, de onde eu vim. E sempre pratiquei em casa para não perder o nosso ritmo.”

Paulinho hoje anda afastado dos estúdios de gravação. Mas no Brasil se permitiu participar de uma faixa póstuma de Elis Regina, num projeto capitaneado por João Marcello Bôscoli, filho da cantora. “Toquei em Corsário, faixa de um projeto que será lançado no Dia das Mães. O João Marcello é amigo e às vezes sabe de mim mais do que eu.”

O sorriso e a simpatia extrema, no entanto, não escondem a personalidade de quem é referência no que faz. Em Os Sons de Paulinho da Costa, ele abandonou uma sessão de gravação porque foi destratado por um engenheiro de som – que certamente não sabia com quem estava falando.

“O americano é marrento, mas o carioca é marrento também. Eu digo para quem faz isso: ‘Olha, vou para casa, vou dormir, tomar café e ficar na minha piscina. Depois manda o rapaz me ligar,’” diz.

Paulinho da Costa dá muita sorte. Mas ela é reservada só pra quem merece.




Sérgio Martins




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Governo busca ‘jeitinho’ pra segurar a conta de luz. Mas não existe almoço grátis

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Governo busca ‘jeitinho’ pra segurar a conta de luz. Mas não existe almoço grátis

Com projeções apontando para aumentos de dois dígitos na conta de luz neste ano, o Governo está pedindo à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que segure processos de reajustes de distribuidoras enquanto estuda alternativas. 

Não é algo inédito.

Na verdade, medidas de Brasília para conter o avanço das tarifas de energia se tornaram comuns já há algum tempo – ainda mais perto de eleições.

Boopo Alexandre Silveira

Desta vez, o Ministério de Minas e Energia disse à Aneel que postergar as próximas decisões tarifárias “permitirá a adequada conclusão das análises e a eventual consideração de medidas que possam contribuir para uma solução mais equilibrada.” 

O ministério de Alexandre Silveira enviou um ofício à agência em que diz estar “buscando soluções que preservem o equilíbrio regulatório sem impor ônus excessivo à população.”

“Virou moda,” disse Raphael Gomes, sócio do escritório Lefosse Advogados, lembrando que houve diversas tentativas de conter as tarifas desde 2012, no Governo Dilma.

“Qualquer técnico do setor encara esse tipo de medidas com tristeza. A Aneel suspender ou adiar uma decisão sobre tarifas é algo muito sério.”

Gomes disse ainda que, pela legislação do setor, o Ministério de Minas e Energia não tem poder hierárquico sobre a agência, que deve ter independência na gestão dos contratos de concessão, incluindo na definição dos reajustes tarifários.

Os contratos das distribuidoras, inclusive, preveem datas exatas para isso ocorrer. Quaisquer atrasos precisam ser compensados posteriormente, voltando para a conta de luz com correção pela Selic. 

No momento, as discussões em Brasília são sobre viabilizar um empréstimo para cobrir temporariamente custos das concessionárias, evitando repasses imediatos aos consumidores, mas ainda não há uma decisão, segundo uma fonte.

“Qualquer empréstimo agora volta lá na frente como encargo ou tarifa, como foi em ocasiões anteriores,” disse o CEO da consultoria PSR, Luiz Barroso. “Não tem almoço grátis.” 

Os apelos à criatividade para segurar a tarifa de energia começaram lá atrás com a infame Medida Provisória 579 de Dilma, de 2012. 

Pela data de publicação (e por seus impactos), a MP ficou conhecida como “o 11 de setembro do setor elétrico”. 

Na época, o Governo Dilma antecipou renovações de concessões de geração e transmissão em troca de tarifas menores. O plano gerou críticas de investidores e implodiu as ações das empresas do setor na bolsa. 

Depois, em 2014, ano de eleições, o Governo teve a ideia de viabilizar empréstimos com bancos, garantidos pela conta de luz, que foram repassados às distribuidoras para cobrir temporariamente custos que iriam para as tarifas.

Foram realizadas três transações desse tipo até 2015, somando R$ 21,2 bilhões. Ainda assim, houve um aumento de cerca de 50% nas tarifas naquele ano – quando Joaquim Levy assumiu o Ministério da Fazenda e decidiu adotar uma política de “realismo tarifário.”

Em 2020, com a pandemia, já no Governo Bolsonaro, a solução dos empréstimos foi adotada novamente, com a “Conta-Covid”, que levantou cerca de R$ 14 bilhões. 

No ano seguinte, a crise hídrica aumentou os custos de geração de energia e motivou nova intervenção, também via empréstimos às distribuidoras, a chamada “Conta Escassez Hídrica”, envolvendo R$ 5 bilhões.

Nessas transações entre 2014 e 2021, os empréstimos para segurar a conta de luz envolveram o BNDES e diversos bancos privados. 

Em 2024, já no atual Governo Lula 3, o BNDES aprovou financiamento de R$ 1,4 bilhão à RGE Sul para zerar o reajuste tarifário da concessionária após as enchentes no Rio Grande do Sul. 

Neste ano, se não houver intervenções, os reajustes nas contas de luz devem ficar em uma média de 10%, considerando todas distribuidoras de energia do Brasil, projetou a empresa especializada em tarifas TR Soluções.

Das mais de 50 concessionárias de energia do País, 17 devem ter reajustes entre 9% e 16%. Em 13 delas, os impactos devem ficar entre 18,5% e 24%. E em três companhias o aumento poderá superar os 35%, de acordo com os cálculos da TR.

Um vilão dos aumentos deste ano será o maior custo de compra de energia pelas distribuidoras, influenciado pelo regime de chuvas abaixo do esperado que pressionou os preços no mercado de eletricidade. 

Também pesam na conta de luz encargos cobrados para custear diversos subsídios – desde o programa Luz para Todos até o Luz do Povo, recém-aprovado pelo Governo Lula, que zerou tarifas para consumidores de baixa renda.

“Se há uma preocupação de que a conta está alta, por que o Governo aprovou a MP 1300 (do Luz do Povo)? Porque, no final do dia, ao ampliar a tarifa social, você aumentou ainda mais a conta dos demais consumidores, que pagam,” disse Gomes, do Lefosse.

O financiamento dos programas sociais e subsídios responderá por R$ 47,8 bilhões nas contas, um aumento de 15% ante 2025, segundo um orçamento colocado em consulta pública pela Aneel.




Luciano Costa




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Japão intensifica ameaças de intervenção no iene e sinaliza aumento dos juros

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Japão intensifica ameaças de intervenção no iene e sinaliza aumento dos juros

TÓQUIO, ⁠30 Mar (Reuters) – O Japão intensificou as ameaças de ⁠intervenção no iene e sinalizou que novas quedas na moeda podem ‌justificar um aumento da taxa de juros no curto prazo, com as autoridades cada vez mais preocupadas com as pressões inflacionárias decorrentes da ‌guerra no Oriente Médio.

No alerta mais forte até agora sobre intervenção para compra de ienes, a principal autoridade cambial do Japão, Atsushi Mimura, disse nesta segunda-feira que as autoridades podem precisar tomar medidas ‘decisivas’ se os movimentos especulativos persistirem no mercado de câmbio.

‘Estamos ouvindo que os movimentos especulativos estão ⁠aumentando ‌no mercado de câmbio, além do mercado de futuros de petróleo. ⁠Se essa situação continuar, talvez seja hora de tomar medidas decisivas’, disse Mimura aos repórteres.

O comentário marcou uma escalada em relação aos alertas verbais anteriores, já que foi a primeira vez que Mimura, que supervisiona a política cambial do Japão, usou o termo ‘decisivo’ – linguagem ​que os operadores normalmente leem como um sinal de que as autoridades estão prontas para intervir.

Os mercados foram abalados este mês depois ​que a guerra contra o Irã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo e gás, elevando os preços do petróleo bruto e a demanda pelo dólar.

O iene sofreu o impacto e ultrapassou o nível psicologicamente ‌importante de 160 por dólar, atingindo seu ponto ​mais fraco desde julho de 2024, quando o Japão interveio pela última vez para sustentar a moeda.

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A alta dos preços do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio aumenta ⁠as pressões inflacionárias do ​iene fraco, que tem ​sido uma dor de cabeça para as autoridades ao aumentar os custos de importação.

Separadamente, o ⁠presidente do Banco do Japão, Kazuo ​Ueda, disse que o banco central observará atentamente os movimentos do iene, uma vez que eles afetam a economia e os preços, sugerindo que as pressões ​inflacionárias de uma moeda fraca poderiam justificar o aumento da taxa de juros nos próximos meses.

‘Os movimentos do mercado de câmbio ​estão obviamente entre ⁠os fatores que afetam enormemente a evolução econômica e dos preços’, disse Ueda ao Parlamento nesta ⁠segunda-feira.

‘Orientaremos a política monetária de forma apropriada, examinando como os movimentos da moeda podem afetar a probabilidade de atingir nossas previsões de crescimento e preços, bem como os riscos’, disse ele, mantendo viva a chance de um aumento dos juros já no próximo mês.

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OPINIÃO. Como reduzir a dependência do diesel de forma estruturada

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OPINIÃO. Como reduzir a dependência do diesel de forma estruturada

O Brasil não pode mais depender exclusivamente do consumo de 65 bilhões de litros de diesel/ ano para transporte rodoviário de cargas – sendo que entre 25% e 30% desse volume é importado.

Essa dependência expõe nossa economia à volatilidade do petróleo internacional, ao câmbio e a riscos geopolíticos. O resultado é direto: frete mais caro, inflação pressionada, perda de competitividade e vulnerabilidade externa que atinge caminhoneiros, produtores rurais, indústrias e o consumidor final.

Esse cenário é ainda mais contraditório quando sabemos que o Brasil é exportador de petróleo graças à produção do pré-sal. O problema está na limitação do parque de refino nacional, que não consegue atender plenamente à demanda por diesel. Ou seja, temos o recurso, mas não capturamos plenamente o valor dentro de casa.

Mas o País oferece outras soluções estruturais que precisam ser implantadas, e existem exemplos concretos de sucesso no caso dos biocombustíveis.

O programa do etanol transformou a matriz de combustíveis leves e praticamente eliminou a necessidade de importação de gasolina. Com mistura obrigatória de 30% e uma ampla frota flex, criamos um modelo que hoje é referência global.

O mesmo caminho está sendo seguido no diesel. O biodiesel já é uma realidade consolidada, com mistura de 15% em 2026 e previsão de alcançar 20% até 2030.

O gás natural e o biometano, também, estão surgindo como vetores estruturantes para substituir o diesel em ônibus urbanos e caminhões. O Brasil possui abundância de gás natural do pré-sal e um dos maiores potenciais do mundo para produção de biometano a partir de resíduos agrícolas, pecuários e de saneamento.

No transporte urbano, o uso de gás natural comprimido já é realidade em diversas cidades. No transporte de cargas, o gás natural liquefeito e o gás natural comprimido oferecem autonomia, redução de custos operacionais e menor intensidade de carbono.

Essa agenda já está em discussão no Congresso. O Projeto de Lei nº 4.861/2023, de minha autoria, já aprovado na Comissão de Viação e Transportes, propõe a criação de incentivos para a substituição gradual do diesel por gás natural e biometano, estimulando a adoção de tecnologias de mobilidade com menor emissão de carbono.

A aprovação na Comissão representa um avanço relevante e busca ser complementar à Medida Provisória nº 1.343/2026.

Foi com essa visão que apresentei emenda à MP propondo a criação da Política Nacional de Incentivo à Substituição do Diesel no Transporte Rodoviário de Cargas.

A proposta estabelece prioridade à substituição gradual do diesel por gás natural e biometano; integra a política ao CIOT e à regulação da ANTT; cria incentivos fiscais, como crédito presumido de PIS/Cofins e IPI zero para equipamentos; institui corredores logísticos sustentáveis com infraestrutura de abastecimento ao longo das principais rodovias; e prevê redução de até 50% no pedágio para caminhões movidos a esses combustíveis, com validação automática integrada entre ANTT e DETRANs.

Não se trata de subsídios, mas de eficiência econômica. Combustíveis produzidos no Brasil significam menor exposição externa, maior previsibilidade de custos e mais competitividade para toda a economia. Isso fortalece a segurança energética, reduz emissões e gera empregos em cadeias produtivas nacionais.

O transporte rodoviário responde por quase 60% da logística brasileira. Manter essa base muito dependente de diesel importado é limitar o crescimento do país. Precisamos de uma estratégia integrada, que combine etanol, biodiesel, gás natural e biometano, infraestrutura adequada e renovação de frota.

Como autor da Lei Seca, sei que políticas públicas estruturantes exigem coragem, coordenação e visão de longo prazo. Esta proposta segue exatamente essa linha: transformar um problema estrutural em uma oportunidade de desenvolvimento.

Convido o Congresso Nacional, o governo, a ANTT, os estados, o setor produtivo, a indústria automobilística e os caminhoneiros a apoiarem essa agenda.

A MP 1.343/2026 pode ser mais do que uma resposta emergencial ao frete — pode ser o início de uma transformação estrutural do transporte brasileiro.

Hugo Leal é deputado federal pelo Rio de Janeiro.




Hugo Leal




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