A inflação oficial de janeiro foi de 0,33%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje pelo IBGE. O resultado é o mesmo de dezembro, mantendo estabilidade no índice. Por outro lado, em comparação com janeiro do ano passado (0,16%), houve aceleração na inflação.
No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação brasileira fica em 4,44%, no teto da meta estipulada pelo governo (de 3%, com tolerância de 1,5 p.p. para cima ou para baixo). As principais pressões sobre o índice vieram da alta do preço da gasolina, que teve impacto de 0,10 p.p. na inflação de janeiro, e da baixa na conta de energia, com pressão de -0,11 p.p.
“Na estrutura do IPCA a gasolina apresenta peso de 5,07% e a energia elétrica residencial de 4,16%, ou seja, são os subitens com as maiores participações nas despesas das famílias, na ótica do indicador. Dessa forma, variações nesses dois componentes da cesta de produtos apresentam impacto no cálculo final do índice”, afirma Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.
Entre os nove grupos analisados, Transportes (0,60%) foi o responsável pelo maior impacto no IPCA de janeiro (0,12 p.p.), com alta de 2,14% nos combustíveis, com especial impacto da gasolina (2,06%). Outros combustíveis também aumentaram: etanol (3,44%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%).
O grupo com maior variação no IPCA de janeiro foi Comunicação (0,82%), com alta dos aparelhos telefônicos (2,61%) e reajustes anuais de produtos como TV por assinatura e internet.
Do outro lado, o grupo Habitação (-0,11%) representou um alívio no bolso do consumidor em janeiro, por conta da redução de 2,73% no preço da energia elétrica residencial. Até dezembro, vigorava a bandeira tarifária amarela, que conta com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 Kwh consumidos. Em janeiro, porém, retorna-se para a bandeira verde, sem cobranças adicionais.
Já o grupo Alimentação e bebidas (0,23%) teve desaceleração em relação a dezembro (0,27%), tanto na alimentação no domicílio (de 0,14% em dezembro para 0,10% em janeiro) quanto fora do domicílio (0,60% para 0,55%).
Os itens de supermercado que tiveram as maiores altas foram o tomate (20,52%) e as carnes (0,84%), principalmente o contrafilé (1,86%) e a alcatra (1,61%). Os que tiveram as maiores baixas foram o leite longa vida (-5,59%) e o ovo de galinha (-4,48%).
O Grupo Casas Bahia incorporou o Link de Pagamento da Cielo ao aplicativo da companhia como parte de sua estratégia de integração entre canais físicos e digitais. Em dois meses de operação, a solução movimentou mais de R$ 15 milhões nas lojas físicas da rede.
A iniciativa conecta atendimento presencial, digitalização do checkout e novos modelos de venda. A proposta é permitir que a compra ocorra de forma contínua entre ambientes físicos e digitais, tanto dentro das lojas quanto remotamente, integrando e-commerce, marketplace, dados em tempo real e canais como o atendimento via WhatsApp.
“Quando o pagamento deixa de ser uma etapa e passa a atuar como facilitador, o impacto é imediato na experiência do cliente e na produtividade das lojas. Soluções como essa ajudam o vendedor a manter o ritmo de atendimento, mesmo nos períodos de maior movimento, e permitem que o consumidor avance na compra no seu próprio tempo. É um passo relevante para tornar a operação mais fluida e preparada para diferentes contextos de consumo”, afirma Vital Leite, diretor de Soluções Financeiras do Grupo Casas Bahia.
Nas lojas físicas, a tecnologia foi integrada ao Sistema de Vendas da varejista, embarcado nos smartphones utilizados pelos vendedores. A partir da implementação, passou a ser possível atender clientes remotamente, que escolhem produtos e concluem o pagamento por meio de um link enviado ao celular. Para consumidores nas mais de mil lojas da rede, o recurso também amplia o acesso à chamada “prateleira infinita”, que permite a venda de itens não disponíveis no estoque físico da unidade.
Com o checkout móvel, o vendedor envia um link de pagamento diretamente ao cliente, que finaliza a compra em seu próprio dispositivo. Segundo a empresa, o pagamento é concluído, em média, em cerca de um minuto. O modelo busca reduzir filas, agilizar o atendimento e diminuir desistências no ponto de venda.
A implementação levou aproximadamente dois meses de trabalho conjunto entre Casas Bahia e Cielo, incluindo reuniões diárias e a realização de um projeto piloto. A solução opera integrada a tecnologias já utilizadas pela varejista, como TEF, sistemas antifraude, autenticação 3DS, ferramentas de big data e dispositivos de pagamento sem fio.
Em novembro, foram registradas mais de 5.700 vendas concluídas por meio do recurso. Na semana da Black Friday, o checkout móvel somou R$ 6 milhões em volume transacionado.
“Um Estudo Geracional realizado recentemente pela Cielo mostrou que metade dos consumidores escolhe a forma de pagamento antes da própria compra, e que a fluidez e segurança pesam tanto quanto o preço na decisão. O checkout móvel atende exatamente a esse movimento: a venda acontece no ritmo do cliente, sem interrupções e com total confiança. Ver essa experiência ganhar escala na Casas Bahia mostra como tecnologia simples, quando bem aplicada, gera impacto imediato”, afirma Renata Daltro, vice-presidente de Grandes Contas da Cielo.
Na NRF Big Show 2026, o tema Comunidades foi tratado como um novo ativo estratégico das marcas. A mensagem central foi clara: comunidade fortalece confiança e confiança virou moeda no varejo.
Em diferentes palestras e painéis, ficou evidente que o crescimento das comunidades está diretamente ligado a um cenário de fadiga digital, excesso de informação e perda de confiança nas comunicações tradicionais. As pessoas buscam pertencimento, identificação e troca real. Nesse contexto, o valor deixa de estar apenas no produto e passa a estar na capacidade da marca de criar espaços — físicos ou digitais — onde interesses comuns possam se conectar.
Um ponto muito relevante é que quando a marca entende esse papel, ela deixa de “forçar discurso” e passa a operar como plataforma de conexão. A comunicação se transforma. Em vez de campanhas centradas exclusivamente na oferta, surgem conteúdos, experiências e ativações que fazem sentido para um grupo específico de pessoas que compartilham valores, estilo de vida, necessidades ou causas.
As marcas também não precisam criam comunidades do zero. Na maioria dos casos, elas já existem. O que muda é a decisão da empresa de assumir — ou não — o papel de facilitadora desses encontros.
Em um ambiente de consumo cada vez mais automatizado, mediado por algoritmos e inteligência artificial, Comunidades funcionam como redes de validação social, recomendação e troca de experiências. Para as marcas, isso significa menos controle da narrativa — e mais disposição para ouvir, mediar e aprender com seus próprios clientes.
A NRF 2026 também reforçou que as lojas físicas assumem um papel decisivo na estratégia de comunidades. O ponto de venda deixa de ser apenas um local de transação e passa a ser um espaço de encontro, de experimentação e de relacionamento.
A Lululemon, marca global de roupas esportivas e Lifestyle, é um dos cases mais interessantes de uso do conceito de Comunidade como estratégia de marca e crescimento. Ela vai muito além de campanhas tradicionais para criar vínculos, experiência e relevância contínua. Alguns exemplos do que ela faz:
– a marca constrói uma rede de líderes locais como instrutoras de yoga, treinadores e entusiastas que se tornam embaixadores autênticos da marca. Eles lideram aulas e encontros em lojas e encontros ao ar livre, criam conteúdo que conecta a marca às suas comunidades e funcionam como ponte entre a Lululemon e os grupos locais de bem estar e movimento;
– eles fazem eventos não apenas para vender roupas, mas para reunir, ensinar e inspirar pessoas;
– eles incentivam os consumidores a compartilhar suas jornadas fitness e de bem estar nas redes sociais com a #TheSweatLife, criando um ciclo de conteúdo autêntico e proporcionando identificação e conexão em torno de valores comuns;
– as lojas são verdadeiros hubs sociais onde pessoas se encontram, fazem atividades, tocam experiências e se conectam. E a marca participa de diversas formas, isso fica muito claro nas lojas que visitamos. Os embaixadores, os clientes e o bairro em que a loja se encontra, “aparecem” em diversas partes da loja.
Para o varejo, tudo isso traz uma mudança importante de mentalidade. Comunidades deixam de ser apenas audiência para campanhas e passam a ser base estratégica para construção de relevância, recorrência e diferenciação. A lógica não é apenas impactar mais pessoas, mas impactar melhor as pessoas certas, fortalecendo vínculos que se estendem no tempo.
Na prática, o que a NRF 2026 mostrou é que comunidades não são um “projeto paralelo” de branding. Elas passam a integrar a própria estratégia de crescimento das marcas.
E, para o varejo, o desafio agora é claro: entender quem já são as suas comunidades, onde elas se encontram — na loja, no conteúdo, no digital ou no território — e como a marca pode, de fato, viabilizar esses encontros de forma consistente e relevante.
E isso tudo, de forma muito genuína, entendendo onde e como a marca realmente vai estar mais próxima e, ainda mais, entrar no mundo do cliente.
O varejo que não entender essa importância tende a perder não apenas clientes, mas relevância, margem e poder de diferenciação.
Mais do que perguntar como vender mais, o varejo precisa aprender a perguntar para quem, com quem e em torno de quais interesses e valores ele quer crescer.
Porque, no novo varejo, não vence quem fala mais alto.
Vence quem consegue, de verdade, pertencer.
Imagens: Fernanda Bortoluzzi
*Fernanda Bortoluzzi tem mais de 25 anos de experiência em Marketing de Varejo, em empresas como Walmart, Carrefour, Cassol Centerlar e Roldão Atacadista. Hoje é Head da FB Conecta Marketing de Varejo, Diretora de Planejamento da ABIESV e membro do Comitê do Instituto Mulheres do Varejo. Também é Palestrante e faz treinamentos e mentorias.
Ainda nos primeiros meses, o e-commerce brasileiro entra em 2026 com crescimento nas vendas. Projeções do E-Consumidor 2026, realizado pela Nuvemshop em parceria com a Opinion Box, indicam que o setor deve crescer cerca de 10% em relação a 2025, alcançando um faturamento estimado em R$ 258,4 bilhões. O número de consumidores também avança, e a expectativa é que 96,87 milhões de brasileiros façam compras online ao longo do ano, um aumento de 2,5% na comparação anual.
E assim, antes mesmo de datas consagradas no calendário varejista anual, como Black Friday, dois períodos tradicionalmente associados ao varejo físico vêm ganhando peso no digital: a volta às aulas e o Carnaval. Juntos, eles não apenas aquecem as vendas nos primeiros meses de 2026, mas também colocam à prova a capacidade operacional das marcas que atuam em múltiplos canais. O resultado é um aumento abrupto no volume de pedidos em janelas curtas, exigindo precisão nas operações.
A tradicional corrida pelo material escolar, por exemplo, já não acontece apenas nos corredores das papelarias físicas. Dados de uma pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, mostram que 39% dos consumidores pretendem dividir as compras entre lojas físicas e online, enquanto 16% afirmam que devem adquirir a maior parte dos itens exclusivamente pela Internet. Preço, variedade e a possibilidade de comparar ofertas em poucos cliques estão entre os fatores que explicam essa migração.
Se a volta às aulas aquece o primeiro trimestre, o Carnaval consolida-se como uma data estratégica para o e-commerce, especialmente para pequenos e médios lojistas. Levantamento da Nuvemshop aponta que PMEs faturaram R$ 2,7 milhões entre 1º de janeiro e 25 de fevereiro de 2025 com produtos relacionados à festa. Fantasias, adereços, moda casual, bebidas e itens de consumo rápido ganham protagonismo em um período cada vez mais relevante para o varejo digital.
Como se prepararno e-commerce
Diante dessas datas, quem atua no e-commerce precisa se preparar assim como quem está no varejo físico. Com picos de pedidos concentrados, operações pouco estruturadas enfrentam atrasos, erros de estoque, falhas de integração entre marketplaces e, não raro, prejuízos difíceis de reverter.
“Datas como a volta às aulas e o Carnaval escancaram quem está preparado para escalar e quem ainda depende de controles manuais”, avalia Claudio Dias, CEO da Magis5. “Quando tudo acontece ao mesmo tempo, só processos bem definidos, com automação inteligente e gestão integrada, conseguem sustentar o crescimento sem comprometer margem e reputação”.
Nesse sentido, é preciso começar a pensar em toda a estruturação do e-commerce para sustentar o maior fluxo de vendas sazonal. Reposição de estoque, preparação da logística, sistema de finanças e atendimento ao cliente precisam estar prontos para o boom de clientes.
Imagem: Envato
Ainda nos primeiros meses, o e-commerce brasileiro entra em 2026 com crescimento nas vendas. Projeções do E-Consumidor 2026, realizado pela Nuvemshop em parceria com a Opinion Box, indicam que o setor deve crescer cerca de 10% em relação a 2025, alcançando um faturamento estimado em R$ 258,4 bilhões. O número de consumidores também avança, e a expectativa é que 96,87 milhões de brasileiros façam compras online ao longo do ano, um aumento de 2,5% na comparação anual.
E assim, antes mesmo de datas consagradas no calendário varejista anual, como Black Friday, dois períodos tradicionalmente associados ao varejo físico vêm ganhando peso no digital: a volta às aulas e o Carnaval. Juntos, eles não apenas aquecem as vendas nos primeiros meses de 2026, mas também colocam à prova a capacidade operacional das marcas que atuam em múltiplos canais. O resultado é um aumento abrupto no volume de pedidos em janelas curtas, exigindo precisão nas operações.
A tradicional corrida pelo material escolar, por exemplo, já não acontece apenas nos corredores das papelarias físicas. Dados de uma pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, mostram que 39% dos consumidores pretendem dividir as compras entre lojas físicas e online, enquanto 16% afirmam que devem adquirir a maior parte dos itens exclusivamente pela Internet. Preço, variedade e a possibilidade de comparar ofertas em poucos cliques estão entre os fatores que explicam essa migração.
Se a volta às aulas aquece o primeiro trimestre, o Carnaval consolida-se como uma data estratégica para o e-commerce, especialmente para pequenos e médios lojistas. Levantamento da Nuvemshop aponta que PMEs faturaram R$ 2,7 milhões entre 1º de janeiro e 25 de fevereiro de 2025 com produtos relacionados à festa. Fantasias, adereços, moda casual, bebidas e itens de consumo rápido ganham protagonismo em um período cada vez mais relevante para o varejo digital.
Como se prepararno e-commerce
Diante dessas datas, quem atua no e-commerce precisa se preparar assim como quem está no varejo físico. Com picos de pedidos concentrados, operações pouco estruturadas enfrentam atrasos, erros de estoque, falhas de integração entre marketplaces e, não raro, prejuízos difíceis de reverter.
“Datas como a volta às aulas e o Carnaval escancaram quem está preparado para escalar e quem ainda depende de controles manuais”, avalia Claudio Dias, CEO da Magis5. “Quando tudo acontece ao mesmo tempo, só processos bem definidos, com automação inteligente e gestão integrada, conseguem sustentar o crescimento sem comprometer margem e reputação”.
Nesse sentido, é preciso começar a pensar em toda a estruturação do e-commerce para sustentar o maior fluxo de vendas sazonal. Reposição de estoque, preparação da logística, sistema de finanças e atendimento ao cliente precisam estar prontos para o boom de clientes.