Enquanto os corredores da NRF 2026 vibram com as infinitas aplicações da inteligência artificial, outra discussão mais profunda e estratégica se consolidou como um importante fio condutor do primeiro dia: o papel do varejo como o centro de um ecossistema. Se a IA é o motor potente que nos levará ao futuro, a estratégia de ecossistema é o veículo que dará a direção, o propósito e, principalmente, a sustentabilidade para essa jornada. O jogo mudou. Não se trata mais de ter a melhor loja, mas de construir o universo mais completo e disponível em torno do cliente.
A grande sacada que vimos em cases reais de gigantes do mercado como Fanatics, CVS, Fair Price e a brasileira Magalu é a transição de um modelo transacional para um relacional em escala. O varejista deixa de ser apenas um ponto final na jornada de compra para se tornar o ponto de partida para a resolução de múltiplas necessidades do consumidor. Fazendo um paralelo: a venda do produto em si é como se fosse o sol, e em sua órbita gravitam planetas de altíssimo valor, como serviços financeiros, conteúdo, mídia, saúde, comunicação e muito mais.
Trago alguns exemplos práticos. A Fanatics, que começou vendendo artigos esportivos, hoje é um ecossistema completo para o fã de esportes. Ela não vende apenas a camisa do time; ela oferece a experiência completa com colecionáveis, plataforma de apostas e conteúdo exclusivo. O cliente não vai até ela apenas para comprar, mas para viver sua paixão.
Da mesma forma, a CVS nos Estados Unidos transcendeu a farmácia. Ao integrar clínicas de saúde, vender seguros e gerenciar prescrições, ela se tornou uma plataforma de bem-estar. O cliente que entra para comprar um remédio pode sair com uma consulta marcada e orientações sobre seu plano de saúde. A transação inicial foi apenas o ponto de contato para um relacionamento muito mais profundo e recorrente.
No Brasil, o Magalu é o nosso exemplo mais brilhante. A empresa entendeu que, ao ter a confiança do cliente para entrar em sua casa com um produto, ela ganhou a permissão para oferecer uma infinidade de outras soluções, desde serviços financeiros com o MagaluPay até conteúdo com o Canaltech. Cada novo serviço fortalece o núcleo do negócio, criando um ciclo virtuoso.
Mas por que essa estratégia é tão poderosa? Por três motivos principais:
Novas fontes de receita e margens maiores: o varejo tradicional, muitas vezes, opera com margens apertadas. Ao agregar serviços (que geralmente possuem margens mais altas), o varejista monetiza seu ativo mais valioso: a base de clientes e a confiança que construiu com ela. O retail media, por exemplo, é uma prova cabal disso, transformando espaços físicos e digitais em plataformas de publicidade altamente lucrativas.
Criação de barreiras competitivas: é muito mais fácil para um concorrente copiar o preço de um produto do que replicar um ecossistema inteiro. A conveniência de resolver vários problemas em um só lugar cria uma fidelidade que vai muito além de um programa de pontos. O cliente não fica apenas por gostar, mas porque sair se torna genuinamente inconveniente.
Inteligência de dados exponencial: cada novo “planeta” no ecossistema é uma nova fonte de dados sobre o comportamento do consumidor. Essa visão 360º permite uma personalização muito mais assertiva e a criação de ofertas que antecipam as necessidades do cliente, retroalimentando o ecossistema e tornando-o cada vez mais inteligente e indispensável.
Para o varejista brasileiro, o primeiro recado da NRF 2026 é claro: a pergunta deixou de ser “como posso vender mais deste produto?”, mas sim “que outros problemas do meu cliente eu posso resolver a partir da confiança que ele já deposita em mim?”.
A tecnologia, com a IA como seu grande motor, é a cola que une todo esse universo. Ela permite a integração de sistemas, a análise de dados e a entrega de uma experiência fluida para o cliente. O desafio é mudar a mentalidade: enxergar o negócio não como uma loja, mas como uma plataforma. O futuro do varejo não pertence a quem vende mais, mas a quem se torna mais essencial na vida de seus clientes. O futuro pertence a quem constrói mundos, não apenas lojas.
*Por Elói Assis, diretor-executivo de produtos para Varejo da TOTVS
Acesse a cobertura da Central do Varejo da NRF 2026 clicando aqui *A missão NRF 2026 é uma realização da Central do Varejo, com patrocínio da TOTVS e Getnet.
O Brasil registra mais de 10,4 milhões de mulheres à frente de seus próprios negócios, segundo levantamento do Sebrae com base na PNAD Contínua. Ao mesmo tempo, o varejo passa por mudanças relacionadas ao uso de inteligência artificial nas operações e na forma como consumidores descobrem, escolhem e compram produtos.
Para Marilia Prado, diretora Comercial da Cielo, o cenário abre espaço para que empreendedoras utilizem tecnologias ligadas a dados, automação e meios de pagamento. “Muitas das ferramentas que estão redefinindo o varejo, como dados inteligentes, pagamentos invisíveis e automação, são acessíveis e podem ser grandes aliadas de quem toca o próprio negócio. O sucesso em 2026 não será de quem adota mais tecnologia, mas de quem constrói relações de confiança”, afirma.
A executiva destaca mudanças que, segundo ela, estão redesenhando o setor e influenciando a forma como empresas operam e se relacionam com consumidores.
Entre essas mudanças está o avanço de assistentes baseados em inteligência artificial que pesquisam, comparam e realizam compras em nome dos consumidores. Nesse contexto, a organização das informações sobre produtos e negócios passa a ter impacto na visibilidade das empresas nesses sistemas.
Segundo Marilia Prado, a estruturação de dados também ganha relevância nas decisões de gestão. Informações sobre vendas, perfil de clientes e sazonalidade podem orientar estratégias de operação e relacionamento com o consumidor. “Sempre que vemos uma marca tentando chamar atenção à força, é um indicativo de que os dados ainda não estão trabalhando a favor do negócio”, afirma.
Outro ponto apontado pela executiva é a integração entre canais de venda. De acordo com ela, consumidores não diferenciam compras realizadas em ambientes físicos ou digitais, mas percebem inconsistências na experiência de compra. “A inovação de verdade é garantir que o que foi prometido no digital seja cumprido no físico com a mesma precisão”, diz.
O estudo também destaca mudanças relacionadas aos meios de pagamento. Para Marilia Prado, o momento do pagamento passa a concentrar elementos ligados à identificação, segurança e validação da transação. “O consumidor brasileiro já confia no Pix e na biometria. O desafio agora é integrar essa confiança ao comércio inteligente, tornando o checkout tão fluido que o cliente quase não percebe, mas sabe que está seguro”, analisa.
A Neogrid encerrou 2025 com 39% de mulheres em cargos de alta liderança, considerando posições de Gerência Executiva, Diretoria e Conselho. O resultado supera a meta anual de 30% estabelecida pela empresa e integra o compromisso público de alcançar 50% de participação feminina nesses cargos até 2030. A meta está alinhada ao movimento Elas Lideram 2030, iniciativa do Pacto Global da ONU Brasil e da ONU Mulheres.
O avanço faz parte da agenda de diversidade, equidade e inclusão da companhia e é conduzido pelo programa DELAS, voltado ao desenvolvimento e fortalecimento da presença feminina na organização. A iniciativa atua em três frentes: ampliação da representatividade em diferentes níveis de senioridade, oferta de ferramentas e ambiente seguro para mulheres e identificação de lacunas estruturais para promover equiparação.
“O avanço na representatividade feminina na alta liderança não é uma ação pontual, mas resultado de um trabalho intencional e consistente de sucessão, desenvolvimento e governança. Diversidade, para nós, é estratégia de negócio e pilar para inovação”, afirma Hanah Chiapani Baptista de Leão, gerente de People Experience e DE&I na Neogrid.
Segundo a empresa, a diversidade na alta liderança também se reflete em diferentes trajetórias profissionais e escolhas pessoais entre as executivas. A diretoria reúne mulheres em fases distintas da vida, incluindo profissionais com filhos adultos, executivas que conciliam a liderança com a criação de crianças pequenas e aquelas que optaram por não ter filhos.
“Ao reconhecer e acolher essas diferentes escolhas, a Neogrid reforça que carreira e vida pessoal não devem ser encaradas como impeditivos, mas como dimensões legítimas e igualmente respeitadas na construção de uma trajetória profissional sustentável”, completa Hanah.
Entre janeiro e dezembro de 2025, 53% das promoções e méritos concedidos na empresa foram destinados a mulheres. A companhia informa que a distribuição está relacionada à política de equidade salarial e a critérios de reconhecimento definidos internamente.
Dados da Pulses, plataforma da Gupy utilizados pela empresa, indicam mudanças na percepção interna das colaboradoras. Levantamento realizado em novembro de 2025 apontou índice de 74 pontos na percepção de justiça distributiva entre mulheres, frente a 71 entre homens. Em oportunidades internas, o índice foi de 78 entre mulheres e 75 entre homens. No indicador de orgulho e atratividade, o resultado foi de 81 entre mulheres e 77 entre homens.
Para os próximos anos, a Neogrid pretende conectar sua agenda de diversidade à estratégia de transformação digital. A empresa planeja preparar mulheres em diferentes níveis da organização para funções de liderança em um contexto orientado por inteligência artificial.
“O futuro da liderança passa pela capacidade de integrar tecnologia, análise de dados e tomada de decisão estratégica. Nosso compromisso é garantir que mais mulheres estejam preparadas para liderar nessa nova dinâmica, com uma mentalidade IA-first e visão de impacto”, afirma Hanah.
Segundo a companhia, a estratégia inclui ampliação de programas de desenvolvimento, mentorias e capacitações técnicas voltadas à formação de lideranças. A proposta é ampliar a participação feminina em posições de maior responsabilidade enquanto prepara profissionais para demandas relacionadas ao uso de dados e inteligência artificial nas decisões de negócio.
A varejista japonesa de vestuário Uniqlo anunciou a abertura de três novas lojas em Nova York como parte de seu plano de expansão para 2026. As unidades serão inauguradas em diferentes regiões da cidade entre março e abril.
A primeira loja será aberta em 6 de março na Quinta Avenida, próxima ao Bryant Park. Em seguida, a marca inaugurará uma unidade no bairro de Williamsburg, no Brooklyn, em 20 de março. A terceira abertura está prevista para 3 de abril, no bairro de Union Square, em Manhattan.
Segundo a empresa, cada uma das lojas destacará elementos culturais, criativos e comunitários associados aos bairros onde estão localizadas. As unidades terão produtos com designs exclusivos criados em parceria com artistas locais, parceiros culturais e instituições da cidade. Os itens serão disponibilizados em camisetas e bolsas tote, além de integrar experiências e exposições dentro das lojas.
A loja de Union Square contará com uma homenagem ao artista Andy Warhol, em referência ao endereço onde funcionou o estúdio Factory do artista entre 1974 e 1984. A colaboração traduz imagens associadas à Pop Art em peças de vestuário da marca.
“Ao retornar a este endereço histórico, a Uniqlo celebra a influência duradoura de Warhol em Nova York e a ideia de que um bom design — assim como a grande arte — pertence a todos”, afirmou a empresa.
A Uniqlo também anunciou uma parceria com a Biblioteca Pública de Nova York. A instituição oferece acesso gratuito a livros e programas educacionais e culturais. Segundo a companhia, a colaboração inclui apoio a iniciativas culturais e programas voltados ao público jovem, que permanecem gratuitos e abertos à população.
“Temos orgulho de firmar parceria com a Biblioteca Pública de Nova York, cuja missão de tornar conhecimento e oportunidades acessíveis a todos está profundamente alinhada com nossos valores”, disse Fuminori Adachi, CEO da Uniqlo nos Estados Unidos. “Nova York inspira a Uniqlo desde que abrimos nossa primeira loja aqui, há vinte anos, por meio de sua criatividade, diversidade e forte senso de comunidade. Como uma das instituições culturais mais emblemáticas da cidade, a Biblioteca Pública de Nova York ajuda a sustentar esse espírito, e essa parceria reflete nosso compromisso em apoiar espaços que reúnem os nova-iorquinos.”
A Uniqlo é uma marca da Fast Retailing Co., Ltd., holding japonesa de varejo com sede global em Tóquio. A companhia opera mais de 2.500 lojas Uniqlo em diferentes regiões do mundo, incluindo Japão, outros países da Ásia, Europa e América do Norte.