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Trader com TDAH perde R$ 1 milhão e vira o jogo com robôs

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No trading, a técnica costuma ocupar o centro da conversa. Mas, na prática, nem sempre é ela que define o resultado. Em um ambiente em que segundos podem separar o ganho da perda, conhecer os próprios limites pode ser tão decisivo quanto dominar uma estratégia. Para Rafael Covas, empreendedor do setor farmacêutico e trader, essa descoberta veio da forma mais dura: depois de uma perda de quase R$ 1 milhão, ele entendeu que, no seu caso, operar bem significava parar de insistir no controle manual e aceitar a automação como parte da sobrevivência no mercado.

Durante a Expert Trader XP, Covas concedeu entrevista ao InfoMoney e detalhou como esse episódio redefiniu sua forma de operar.

Sua trajetória no mercado começou de modo conservador, com foco em renda fixa, e depois avançou para operações mais dinâmicas, especialmente no mercado de opções. A migração para o day trade trouxe ganhos, mas também expôs fragilidades importantes no campo emocional.

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TDAH e decisão crítica

Com o tempo, os fatores comportamentais passaram a pesar cada vez mais em sua performance. Nesse processo, o diagnóstico de TDAH, somado ao hiperfoco e à ansiedade, interferia diretamente nas decisões operacionais. “Com TDAH e ansiedade, eu não consigo fazer trade manual”, autoavaliou-se.

Esse padrão se materializou em um episódio que mudou sua trajetória. O evento ocorreu em um momento de alta volatilidade e terminou em uma perda expressiva.

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“Eu tomei um stop [loss] de quase um milhão de reais.”

— Rafael Covas, empreendedor do setor farmacêutico e trader

Segundo ele, o episódio aconteceu em uma data simbólica, o que tornou a lembrança ainda mais marcante. A memória daquele momento reforça a intensidade vivida, embora parte dos detalhes tenha se perdido. “Eu me lembro que o operador me ligou, era mais ou menos umas quatro horas da tarde”, explica.

A dinâmica do mercado naquele dia ampliou ainda mais o prejuízo, com movimentos abruptos em um intervalo muito curto. A velocidade da oscilação praticamente impediu qualquer reação. “Foi um candle de 80 pontos em um minuto”, conclui.

O impacto emocional da perda provocou uma reflexão imediata sobre sua forma de operar. O episódio marcou uma ruptura definitiva com o operacional manual. “Mas assim, isso é um sentimento ruim, né? Você sai meio angustiado, fica meio triste”, relata.

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A partir dali, mudar de abordagem deixou de ser escolha e virou necessidade. A automação apareceu como consequência direta desse aprendizado. “Dinheiro não aceita desaforo, né?”, conclui.

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Leitura e consistência

Mesmo com o uso de robôs, a leitura de mercado continua no centro da estratégia. A automação, na prática, não elimina a necessidade de interpretação; ela exige ainda mais entendimento de cenário. A escolha do ativo e do momento operacional segue influenciando diretamente o resultado. “Eu conheço toda a estrutura do robô”, afirma.

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O cenário atual, inclusive, tem orientado suas preferências operacionais, especialmente em ambientes de maior instabilidade. A seletividade passou a ser parte essencial da busca por consistência. “Eu gosto muito de operar o dólar, porque o índice está um pouco impossível de operar”, observa.

Essa busca por previsibilidade o levou a priorizar ativos com comportamento mais técnico. Já o índice, na sua leitura, tem ficado mais sujeito a ruídos externos e políticos. “O dólar se torna mais consistente”, explica.

No fim, a adaptação constante ao mercado se consolidou como um dos principais diferenciais da estratégia com automação. Mais do que usar robôs, o resultado depende da capacidade de interpretar o contexto e fazer os ajustes necessários. “Eu tenho que saber qual robô eu vou utilizar para poder obter lucros e ganhos”, conclui.

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Automação como virada

Depois da perda milionária e do impacto emocional que ela provocou, a automação deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ser uma necessidade operacional. A tecnologia virou uma forma de reduzir o peso das emoções nas decisões. “Eu gosto mais da automação porque como é um robô, ele consegue me dominar mais”, afirma.

A escolha por utilizar robôs já validados também está ligada à sua rotina como empresário. Com outras demandas profissionais, eficiência operacional passou a ser prioridade. “Como eu não tenho tempo por ter um negócio próprio, eu acabo utilizando robôs terceiros”, observa.

Ainda assim, ele estruturou uma operação relevante dentro do mercado. Hoje, Covas opera cerca de meio milhão de contratos futuros por mês, usando majoritariamente robôs validados.

“Hoje, com o robô, eu opero em torno de 500 mil contratos por mês.”

— Rafael Covas, empreendedor do setor farmacêutico e trader

Há, porém, um ponto que chama atenção em sua abordagem: ela vai na contramão do que muitos desenvolvedores costumam recomendar.

Enquanto parte do mercado defende que o operador não interfira no robô, ele adapta os parâmetros conforme o cenário.

“Eu posso aumentar o stop, diminuir o stop, dizer quantos pontos eu quero que ele entre”, explica.

Esse controle exige leitura constante de mercado e decisão ativa. A automação, portanto, não elimina o operador — apenas redefine seu papel. “Não dá para deixar ele rodando 24 horas.”

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Do investimento ao trade

A entrada no mercado aconteceu de forma estruturada, com prioridade para segurança antes da tomada de mais risco. A evolução foi gradual até o contato com operações mais sofisticadas.

Segundo ele, o começo foi na renda fixa e, durante o período da pandemia, passou a pesquisar sobre mercado de opções.

Os primeiros resultados positivos reforçaram o interesse pelo trading ativo. Segundo ele, observar outros operadores ampliou sua visão sobre o mercado.

“No mercado de opções, eu consegui ter bons êxitos em relação às opções e comecei a ver outras pessoas operando opções e comecei a gostar”, relembra.

A transição para o day trade, porém, trouxe um desafio central: o controle emocional.

A execução, segundo ele, passou a ser afetada diretamente pelo comportamento. “O trader tem que ter um emocional muito grande.”

A dificuldade em respeitar o timing e a disciplina operacional passou a ser recorrente. O excesso de entradas, por sua vez, comprometia os resultados.

“Eu queria entrar toda hora e não era essa a intenção”, admite.

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Carteira e alocação

Mesmo com a evolução para operações mais dinâmicas, a construção da carteira manteve uma lógica conservadora e equilibrada.

O trading passou a ocupar apenas uma parte do capital, enquanto a maior parcela permaneceu alocada em ativos de longo prazo. “Hoje 80% do meu investimento é a longo prazo”, afirma.

A diversificação também se tornou um pilar importante da estratégia, combinando diferentes classes de ativos para reduzir risco. Segundo ele, a exposição ao mercado foi construída de forma gradual e consistente ao longo do tempo.

“Minha carteira contém renda fixa, algumas outras rendas um pouco mais agressivas, ações, ouro, alguma coisa de criptomoeda também.”

Assim, o trading segue como uma frente complementar dentro da carteira, com foco maior em oportunidades de curto prazo. “E 20% eu utilizo para o trader”, reume.

Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. 

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