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Produção nacional de cerveja cresce, mas analistas seguem cautelosos com Ambev

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A produção de cerveja no Brasil cresceu 9% em fevereiro, na comparação ao ano, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Com a produção acima do esperado, os mercados passaram a enxergar algum potencial de alta para a divisão de cerveja da Ambev (ABEV3). O impacto, entretanto, não parece ser tão significativo.

De acordo com o Morgan Stanley, apesar da melhora sequencial entre os meses de janeiro e fevereiro, (impulsionada pelo Carnaval), março ainda é o mês-chave para monitorar o real crescimento. Caso esse aumento siga no mês adiante, os analistas acreditam que a projeção da Ambev tenha uma alta melhor do que a esperada, de -6% na comparação de ano a ano do banco.

Para o Bradesco BBI, a Ambev tem escrito uma história qualitativa melhor entrando em 2026. Ao lado do crescimento do setor, a companhia deve mostrar melhorias nos volumes. Conforme os analistas, é possível que a empresa se recupere com bases comparativas mais fáceis, possivelmente junto com alguns ganhos de participação de mercado.

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Apesar disso, a confiança do mercado não parece alta, em se tratando do crescimento consistente do lucro líquido da companhia. “Isso reflete tanto nossa visão de que os volumes de cerveja no Brasil podem desacelerar a partir daqui, quanto sinais iniciais de que pressões de custos podem aumentar em 2027”, afirmam, reforçando as preocupações com o mês de março nos resultados do primeiro trimestre do ano.

Incertezas na melhora

Para o BBI, a magnitude da melhora ainda é um pouco incerta. Com o Carnaval tendo acontecido mais cedo este ano, as comparações mensais podem ficar distorcidas. Segundo as estimativas do banco, ainda que os volumes tenham demonstrado mais força e possam representar um consumo mais forte, dados da Heineken apresentaram quedas nas vendas ao consumidor final (sell-out).

Em fevereiro, os volumes de sell-out, conforme a Heineken, caíram 2,2% na comparação com o ano anterior. No acumulado do ano, a queda foi de 1,2%, com base nos dados da Nielsen. “Se o consumo caiu na comparação ao ano em fevereiro, mesmo com o Carnaval, a tendência subjacente seria, na verdade, negativa”, especulam.

Mesmo com as preocupações, o BBI acredita que o primeiro trimestre de 2026 deve mostrar uma tendencia de volumes melhor do que a observada em 2025. Ainda assim, para a Ambev, o banco projeta volumes em queda de um digito baixo, sob a justificativa das comparações mais difíceis.

A expectativa do Goldman Sachs para Ambev é de queda de 4% na comparação ao ano no primeiro trimestre deste ano. Para o banco, apesar da melhora durante o Carnaval, a produção subjacente tem estado consistentemente em território negativo. Ainda assim, os analistas não esperam impacto material no comportamento do preço das ações, já que esse efeito era esperado pelos mercados.

Instituição Recomendação Preço-alvo
Bradesco BBI Neutro R$ 13,00
Goldman Sachs Venda R$ 12,30
Morgan Stanley Venda R$ 11,00

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