A crescente conscientização sobre saúde e bem-estar vem impulsionando, de forma consistente, a expansão do mercado de suplementação. No Brasil, esse movimento acompanha uma tendência global já consolidada. De acordo com a Future Market Insights, o país está entre os mercados com maior ritmo de expansão no segmento, projetando um crescimento médio para os próximos dez anos. Esse desempenho posiciona o Brasil entre os destaques globais em termos de crescimento, ao lado de países como China e Índia, reforçando a relevância estratégica do mercado brasileiro nesse cenário.
Além disso, o Brasil ocupa hoje a terceira posição no ranking mundial de consumo de suplementos alimentares, atrás apenas dos Estados Unidos e da Austrália. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos Nutricionais e Alimentos para Fins Especiais (Brasnutri), o produto mais vendido no país atualmente é o whey protein, evidenciando a força da suplementação proteica dentro da rotina do consumidor brasileiro.
Já quando olhamos para o crescimento global, o cenário chama ainda mais atenção. A expectativa é que o mercado de suplementos alcance US$ 65,7 bilhões até 2036, mantendo um crescimento médio anual próximo de 9,5%. Mas, mais do que os números, o que esse avanço revela é uma mudança de mentalidade: a saúde deixou de ser uma preocupação pontual para se tornar um projeto de vida. A suplementação passa a integrar a rotina, acompanhando diferentes fases, objetivos e estilos de vida.
Com isso, podemos identificar também um contexto promissor para o varejo. O crescimento é sustentado por novas demandas e pela mudança no comportamento de compra dos consumidores, criando oportunidades para empresas que consigam inovar não apenas em portfólio, mas também em experiência e relacionamento. Diante desse recorte, o desafio do varejo de suplementação deixa de ser apenas a ampliação de sortimento ou a busca por escala. A questão central passa a ser como estabelecer uma relação cada vez mais próxima e contínua com o consumidor final. Em um mercado em rápida evolução, ganhará espaço quem conseguir transformar dados em entendimento, produtos em soluções e pontos de contato em aproximação.
Quando olhamos para as tendências, fica evidente que este mercado será definido por algumas decisões centrais. A primeira delas é sobre formato e experiência de consumo. No universo da suplementação nutricional, especialmente em categorias como whey protein, creatina e termogênicos, isso se traduz em colaborações que agreguem novas combinações de ingredientes, versões com melhor solubilidade e sabores mais elaborados. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por barras de proteína e snacks funcionais, que unem praticidade e valor nutricional em uma rotina cada vez mais dinâmica. O consumidor não busca apenas performance, ele busca conveniência, confiança e experiência.
A segunda decisão estratégica passa pelo modelo de relacionamento e distribuição. O avanço da recorrência, do uso inteligente de dados e da construção de comunidades próprias deixam claro que a performance no varejo dependerá cada vez menos de ações pontuais e mais da capacidade de criar vínculo, previsibilidade de compra e jornada contínua.
A terceira frente é confiança. O consumidor está mais informado, mais crítico e menos tolerante a promessas vazias. Transparência, rastreabilidade, sustentabilidade e clareza na comunicação deixaram de ser diferenciais competitivos para se tornarem pré-requisitos. Marcas que não incorporarem esses valores de forma genuína tendem a perder relevância.
Ao mesmo tempo, o crescimento será puxado por nichos com demandas específicas, como saúde feminina, suplementação nutricional, esportiva e envelhecimento ativo. Cada um desses territórios exige posicionamento claro, portfólio adequado e comunicação responsável. Não basta estar presente: é preciso compreender profundamente as necessidades de cada público.
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*Roberto De Luna é Diretor Executivo Comercial da GDS I BLACK SKULL USA, com ampla experiência em gestão comercial nos segmentos de alimentos, bebidas e suplementos. Especialista em operações multicanais, lidera estratégias de vendas, Go-To-Market e expansão nacional com foco em rentabilidade, crescimento de market share e performance. Antes da posição atual, foi Diretor Comercial da Nutrata, onde conduziu um ciclo de forte crescimento estruturado, com cases premiados de collabs no segmento e de excelência na distribuição nacional. Ao longo da carreira, passou por empresas como Granarolo, AB Mauri (Ovomaltine), entre outras, com atuação relevante no varejo e food service. Também é Professor Convidado da ESPM, no Hub de Trade Marketing e Negócios.